Apostila Ventilação Mecânica
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Apostila Ventilação Mecânica


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A traquéia é continuação da laringe, na forma de um tubo membranoso com 
aproximadamente 1,5 cm de diâmetro por 10 a 12 cm de comprimento; 
Tem início em C6 abaixo da cartilagem cricóide e termina bifurcando-se na carina, a nível de 
T5 no 2º espaço intercostal (ângulo de Louis); 
Suas paredes são reforçadas por cerca de 16 a 20 anéis cartilaginosos incompletos, 
empilhados uns sobre os outros e ligados por tecido conjuntivo. 
 
Carina ou crista ântero-posterior, ou esporão sagital. 
 
É o ponto onde a traquéia termina e também, o mais sensível a estímulos. 
 
 
Principais medidas da traquéia e dos brônquios 
 
 
 
 
Referencias bibliográficas 
 
Bonner JT, Hall JR. Respiratory Intensive Care of the Adult Patient. St. Louis: CV Mosby, 1985:90. 
 
NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000. 
 
Respiração PHILIPPE-EMMANUEL SOUCHARD \u2013 Summus 
 
Tratado de Fisiologia Médica ARTHUR C. GUYTON & JOHN E. HALL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fisiologia envolvida com ventilação mecânica invasiva 
 
O sistema respiratório tem por objetivos básicos colocar o ar ambiente em contato 
com o sangue, visando à retirada de gás carbônico, a troca, transporte e entrega de O² para 
os tecidos do organismo, permitindo respiração celular aeróbia. A esta troca denominamos 
HEMATOSE, e a mesma ocorre ao nível do interstício alvéolo-capilar e capilar-tecido. Os 
alvéolos são unidades microscópicas, que são circundados por vasos capilares. Se 
pudéssemos estender toda a superfície alveolar de um pulmão estima-se uma área média de 
setenta metros quadrados. 
Outras funções do pulmão e do sistema respiratório podem ser resumidas em permitir a 
excreção de substâncias voláteis, síntese de substâncias como angiotensina II, ação 
filtrante para grandes partículas provenientes do sistema venoso, atuar como reservatório 
sanguíneo e participar do sistema de tampão ácido-básico do organismo. 
A caixa torácica tem um tônus basal que mantém sua conformação e atua diretamente 
no processo ventilatório, tanto na inspiração (processo ativo, com gasto de energia) como no 
retorno, através das forças de recolhimento, para seu ponto de repouso, por assim dizer. Vários 
feixes de músculos participam dessa ação. 
 A expiração assim sendo, é um processo habitualmente passivo, sem necessidade de 
contração de feixes musculares em particular. Porém pode ser feita de forma ativa, como nos 
reflexos de tosse e espirro, ou quando o indivíduo assim o desejar. 
O diafragma é um músculo de atuação inspiratória, que divide anatomicamente a caixa 
torácica da cavidade abdominal dos seres humanos. 
 
 
Representação esquemática do m. diafragma, face torácica. 
 
É muito importante entender que os pulmões têm uma arquitetura muito delicada e que seu 
funcionamento adequado depende essencialmente da preservação dessa arquitetura. 
Weibel descreveu as vias aéreas e classificou-as conforme as divisões brônquicas em 
gerações, sendo que até a 17.a geração em média, observou-se a composição das vias aéreas 
exclusivamente de cartilagens e epitélio respiratório, pseudo-estratificado cilíndrico ciliado. 
(Zona de Condução de Weibel). A partir da geração seguinte, começam a surgir alvéolos 
compondo as paredes das vias aéreas, havendo, portanto possibilidade de troca gasosa desde ali. 
À medida que se avança nas vias aéreas, gradualmente aumenta o número de alvéolos até que 
nas gerações mais terminais apenas alvéolos compõem as vias aéreas, que se findarão nos 
sacos alveolares. (Zona Respiratória de Weibel). 
 
 
 
 
 
Zonas de Weibel 
 
Quaisquer agressões diretas às vias aéreas serão retiradas com eficácia pela tosse e 
esteira mucociliar na Zona de Condução. Depois disso, caso o agente agressor vá mais 
adiante, será necessária ação celular e linfática para a \u201climpeza\u201d e reestruturação da 
arquitetura alveolar. 
Os alvéolos são pequeninos \u201csacos de ar\u201d cuja arquitetura é formada de células finas, 
de composição, chamadas pneumócitos tipo I e células maiores, que tem função, dentre outras, 
de produzir a surfactante, substância com a função de quebrar a tensão superficial da fina 
camada fisiológica de líquido que preenche os alvéolos, impedindo que essa força os faça 
colapsar. 
 
Esquema da estrutura normal do parênquima pulmonar 
 
Processos de agressão ao pulmão que resultem em inflamação poderão causar edema, 
com espessamento do interstício alvéolo-capilar, e devido ao aumento da permeabilidade levar 
ao preenchimento da luz alveolar com liquido, proteínas, células e mediadores 
inflamatórios. Isso fará a diluição do surfactante e permitirá o colapsamento alveolar e, portanto a 
perda de sua função. 
 
 
 Assim sendo, quando se coloca um paciente em ventilação mecânica invasiva, a 
utilização da prótese endotraqueal acarretará o prejuízo de uma série de mecanismos de 
defesa a saber: 
\u2022 pêlos; 
\u2022 tortuosidade das Vias Aéreas: aumento da área de contato, umidificação e aquecimento 
do ar; 
\u2022 reflexos (tosse/espirro); 
\u2022 esteira mucociliar. 
 
Esses mecanismos precisarão ser substituídos no processo de ventilação artificial, com 
a utilização de filtros e aquecedores/umidificadores do ar. A tosse poderá ser otimizada 
mesmo em pacientes intubados ou traqueostomizados, com o treino e auxílio da fisioterapia 
respiratória. 
A esteira mucociliar fica muito prejudicada pela presença da prótese em si e pelas 
aspirações de secreção (processo feito às \u201ccegas\u201d). É muito importante o cuidado com o processo 
aspirativo para não ferir ainda mais o epitélio e piorar a situação. 
Importante revisar o conceito de Volume Corrente (VC), em inglês chamado de Tidal 
Volume (Vt). Pode-se definir de forma simples como o ar que entra e sai das vias aéreas num 
ciclo respiratório habitual. Em pacientes extubados, sob ventilação espontânea e 
fisiologicamente, estima-se que o VC varie de 10-15 ml/kg de peso predito. No entanto, hoje se 
sabe que esse volume deve ser menor em pacientes sob Ventilação com Pressão Positiva 
Invasiva (VPPI). 
O Volume de Reserva Expiratório (VRE) é todo ar que se consegue expirar forçadamente 
após uma expiração normal. O ar que não se consegue expirar é denominado de Volume 
Residual (VR). A soma de VR+VRE é a Capacidade Residual Funcional e representa na 
prática clínica o ponto de repouso da caixa torácica. 
 
 
Esquema representado Volumes e Capacidades Pulmonares 
 
Quando se intuba um paciente, modifica-se o equilíbrio de pressões e permite-se que 
parte do VRE seja expirado com facilidade, passivamente. Isso possibilita a formação de 
microatelectasias. Disso advém a idéia de se manter um volume extra ao final da expiração, 
fisiologicamente visando à manutenção da CRF e a diminuir as chances de atelectasias. Esse 
\u201cvolume\u201d, individualmente difícil de ser determinado no paciente grave à beira do leito, pode ser 
 
 
medido mais facilmente pela pressão decorrente de sua presença. Então hoje ele é medido pela 
pressão positiva que se mantém ao final da expiração, a PEEP. Assim, recomenda-se que sempre 
mantenha o paciente sob VPPI utilizando-se de uma mínima PEEP, por muitos chamada de 
\u201cPEEP fisiológica\u201d. Este valor na prática varia de 3-5 cm H²O (alguns autores já recomendam de 
5-8 cm H²O). 
Um conceito muito importante que precisa ser relembrado é o de Ventilação. Ventilar é o 
deslocar o ar. No caso do sistema respiratório, quer-se deslocar o ar do ambiente para intimidade 
alveolar e de lá de volta ao ar ambiente. Isso é diferente de troca gasosa, hematose em si. 
Ambas estão intimamente dependentes e ligadas, mas são processos diferentes, muito 
confundidos entre si