Apostila Ventilação Mecânica
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Apostila Ventilação Mecânica


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para a prótese ventilatória. 
 
 
 
As principais indicações de ventilação mecânica incluem anormalidades ventilatórias, 
anormalidades de oxigenação ou a associação de ambas. 
 
1- Anormalidades ventilatórias - Insuficiência respiratória hipercápnica. 
 
A insuficiência respiratória hipercápnica é causada por alteração em um ou mais fatores 
da equação descrita para ventilação minuto alveolar, definida como: 
 
VA= (VT- VD)x FR 
Sendo: 
VA=ventilação minuto alveolar 
VT=Volume corrente 
VD=Volume do espaço morto 
FR=frequência respiratória. 
 
Neste grupo quando a ventilação alveolar cai a níveis críticos, ocorrerá retenção aguda de 
gás carbônico e consequente acidose respiratória e hipoxemia. As causas são variadas e 
frequentemente associadas a três mecanismos básicos: 
 
\ufffd Diminuição no drive respiratório (intoxicações exógenas, drogas, coma, alterações 
metabólicas, etc.); 
\ufffd Disfunção dos músculos respiratórios (fadiga, anormalidades da parede torácica, doenças 
neuromusculares, drogas, distúrbios metabólicos); 
\ufffd Aumento de resistência de vias aéreas e/ou obstrução (aumento do espaço morto). 
 
2- Anormalidades da Oxigenação - Insuficiência respiratória Aguda 
 
A hipoxemia decorre geralmente de alterações de relação ventilação/perfusão (V/Q). Na 
presença de alvéolos parcialmente ventilados e perfundidos ou alvéolos totalmente não ventilados 
e perfundidos, o sangue venoso que passa pelos capilares pulmonares sofre um desvio dentro do 
pulmão (shunt) e retorna mal oxigenado ao átrio esquerdo. Nesta situação a administração de 
altas frações inspiradas de oxigênio pode não ser efetiva em reverter a hipoxemia instalada. 
As causas incluem neoplasia, infecções, trauma, insuficiência cardíaca congestiva, 
síndrome do desconforto respiratório agudo, atelectasia, etc. 
A diminuição da difusão, através da instalação de edema intersticial, inflamação ou 
fibrose também estão associadas à insuficiência respiratória hipoxêmica. 
A presença de hipoventilação alveolar pode secundariamente ocasionar hipoxemia. 
Nesta situação o cálculo do gradiente alvéolo-arterial de oxigênio, embora com limitações, 
pode esclarecer a origem da hipoxemia. Um gradiente normal (<20 mmHg), obtido com FIO² 
conhecida (usualmente=1), sugere que a hipoxemia resultante seja derivada de hipercapnia. 
O trabalho respiratório excessivo, frequentemente associado a estados 
hipermetabólicos, comumente origina fadiga muscular e insuficiência respiratória 
hipoxêmica. A hipoxemia também pode derivar da exposição a altas atitudes. 
 
 
 
 
 
 
Indicações profiláticas 
 
1- Choque prolongado de qualquer etiologia. 
 
2- Pós-operatório: 
 
-Cirurgias abdominais em pacientes extremamente obesos ou com DPBOC; 
-Pacientes em risco de sepse maciça (ex.: contaminação fecal da cavidade 
peritoneal); 
 
3- Situações em que a redução do esforço respiratório obtida pela ventilação artificial 
possa contribuir para limitar o nível de demanda ao aparelho cardiovascular, sobretudo após 
cirurgias cardíacas de maior risco (ex.: estenose mitral com hipertensão pulmonar). 
4- Broncoaspiração maciça de ácido gástrico. 
5- Grandes agressões orgânicas em pacientes caquéticos (ex.: infecções, traumatismos, 
cirurgias, etc) 
A indicação de ventilação mecânica em doentes pulmonares crônicos com agudização 
do quadro de insuficiência respiratória merece especial atenção, pela dificuldade de retirada 
posterior da prótese, quando a ventilação artificial prolonga-se por alguns dias. Estes pacientes, 
por apresentarem níveis cronicamente reduzidos de PaO² e elevados de PaCO², não devem 
ser incluídos nos critérios gasométricos destes gases. 
 
Contra-indicações 
 
Com a evolução da tecnologia e diversas modalidades ventilatórias, hoje, não existem 
contra-indicações absolutas. 
Se não há possibilidades concretas de recuperação da falência orgânica, não há sentido 
real na indicação de ventilação pulmonar artificial. 
 
 
 
 
 
Referências bibliográficas 
 
III Consenso Brasileiro de ventilação Mecânica . princípios, análise gráfica, e modalidades 
ventilatórias. J Bras Pneumol. 2007;33(Supl 2):S 54-S 70. 
 
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Carvalho, Carlos R. - Ventilação Mecânica Vol. I Báscio-, 2000 
 
Maia J.A., Emmerich J.C. \u2013 Ventilação Pulmonar Artificial \u2013 Atheneu 1992 
 
www.pneumoatual.com.br 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Princípios da ventilação com pressão positiva 
 
Os ventiladores de pressão positiva criam periodicamente um gradiente de pressão 
entre o circuito da máquina e os alvéolos que resulta em fluxo gasoso inspiratório. A exalação 
ocorre passivamente. Os ventiladores e seus mecanismos de controle podem ser impulsionados 
pneumaticamente (por uma fonte de gás pressurizado), eletricamente ou por ambos os 
mecanismos. O fluxo de gás é derivado diretamente da fonte de gás pressurizado ou produzido 
pela ação de um pistão rotatório ou linear. Este fluxo a seguir vai diretamente para o paciente 
(sistema de circuito simples) ou, como ocorre comumente nos ventiladores de sala de operações, 
comprime uma bolsa-reservatório ou fole que faz parte do circuito do paciente (sistema de duplo 
circuito). 
 
 
 
Em ventilação espontânea, durante a inspiração, o gradiente de pressão entre o ar 
ambiente e a intimidade dos pulmões é gerado pela contratura diafragmática que ao negativar 
a pressão pleural possibilita a entrada de gás. Na fase expiratória, após a entrada do volume 
corrente (VT) e o relaxamento do diafragma, o gradiente se inverte e a expiração ocorre 
passivamente. 
Contrariamente em ventilação mecânica com pressão positiva, a administração do VT 
ocorre pela pressurização da via aérea proximal. 
Controla-se a mistura do gás ofertado (FIO²) necessária para a adequada oxigenação, a 
velocidade do gás administrado (fluxo) assim como o tipo de onda. 
A frequência respiratória (FR) será consequência do ajuste do tempo inspiratório (TI) e 
do tempo expiratório (TE). A ventilação adequada dependerá do ajuste do volume minuto 
(VM=VTxFR) a ser administrado. A aplicação de pressão positiva ao final da expiração (PEEP) 
permite o aumento da pressão média das vias áreas e melhora na oxigenação. Os ajustes 
diretos ou indiretos de VT, fluxo, pressão, e tempo irão definir os modos ventilatórios. 
 
 
Existem diferenças consideráveis nas características funcionais dos equipamentos 
disponíveis usados para administrar ventilação com pressão positiva. Os pacientes conectados a 
alguns sistemas experimentam um aumento no trabalho respiratório total. 
 
Trabalho respiratório 
 
Ocorrerá fluxo gasoso inspiratório sempre que existir uma diferença de pressão 
criada entre as vias aéreas superiores e os alvéolos. Durante a inspiração espontânea, a 
contração do diafragma diminui a pressão intrapleural, criando uma diferença de pressão em 
relação às vias aéreas superiores. Durante a ventilação mecânica, ocorre inspiração quando a 
pressão positiva é aplicada às vias aéreas, o que produz uma diferença de pressão. Em qualquer 
dos casos, a pressão de distensão (ou transpulmonar) (pressão das vias aéreas menos a 
pressão intrapleural) está aumentada, expandindo o pulmão. O aumento final na pressão 
transpulmonar irá determinar a variação do volume pulmonar, volume corrente (VT), dependendo 
da elasticidade do pulmão. 
Para os pacientes com lesão pulmonar aguda terem respiração espontânea efetiva, o 
esforço respiratório deverá ter o máximo de eficiência. Qualquer alteração na relação 
volume/pressão (V/P) do pulmão pode alterar o trabalho respiratório.