A anamnese
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A anamnese


DisciplinaPropedêutica Clínica180 materiais1.755 seguidores
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Refere-se a quanto a observação dispersa-se ao redor do valor "real". Aqui estamos lidando com o erro ao acaso, não sistemático, induzido pela falta de atenção ao detalhe, pela audição desatenta e pela falta de objetividade. As unidades básicas de medida quando tiramos uma história clínica são as palavras. Palavras são descrições de sensações percebidas pelo paciente e comunicadas ao médico. Palavras são mensurações verbais e devem ser entendidas precisamente; devem ser tão detalhadas quanto possível. O paciente pode se queixar de "cansaço" e nesta situação é necessário esclarecer do que se trata: falta de ar, fraqueza muscular, falta de vontade de realizar atividades físicas, ou falta de repouso adequado. O médico precisa esclarecer qual a real sensação que o paciente esta experimentando fazendo perguntas do tipo: o que você quer dizer com "cansaço" ? Você pode me dizer mais sobre este cansaço ou como você descreveria o que você sente sem utilizar a palavra cansaço.
SENSIBILIDADE E ESPECIFICIDADE
Sensibilidade de um teste expressa a sua capacidade de identificar casos verdadeiros da doença. Quanto maior a sensibilidade, maior a porcentagem de casos que o teste identifica acuradamente como sendo positivo. Especificidade de um teste expressa a sua capacidade de descartar a doença em indivíduos normais. Quanto maior a especificidade maior a chance de um resultado negativo representar um indivíduo normal sem doença. Poucos testes em medicina apresentam 100% de sensibilidade e especificidade. A entrevista clínica encontra-se longe destes valores. Um sintoma pode ser muito sensível (tosse em casos de pneumonia) mas pouco específico (inúmeras doenças produzem tosse); pode ser específico (a dor epigástrica noturna aliviada pela alimentação em casos de úlcera duodenal) mas pouco sensível ( muitas pessoas com úlcera duodenal não apresentam este sintoma). Entretanto, sintomas individuais não são as unidades apropriadas nas quais se basear para a tomada de decisão; devemos nos basear em conjuntos de sintomas, padrões ou quadros clínicos. Devemos considerar a reconstrução detalhada da doença no lugar de valorizarmos um sintoma isolado. Um complexo sintomático ( conjunto de sintomas que caracterizam uma doença) é suficientemente sensível e específico para permitir a realização do diagnóstico e da terapêutica.
A história clínica obtida com objetividade e precisão fornece um conjunto de dados que permitem delinear um eficiente (e pequeno) plano diagnóstico. 
REPRODUTIBILIDADE
A reprodutibilidade é outra importante característica dos procedimentos científicos, incluindo a entrevista clínica. Não é raro observarmos um grau significativo de variabilidade quando a mesma história clínica é obtida por médicos diferentes. Parte das discrepâncias podem ser explicadas pelo fato de que os indivíduos apresentam diferentes níveis de precisão e acurácia quando realizam a observação clínica. Outros fatores envolvidos podem ser atribuídos ao processo de reconstrução da história que melhora à medida que são obtidas histórias ou mesmo ao processo de aprendizado a que o paciente é submetido à medida que interage com a equipe de saúde. Por fim, parte pode ser debitada às diferentes capacidades dos médicos em interagir de forma empática com o paciente, obtendo as informações sem dificuldades maiores. 
ENTENDENDO E SENDO ENTENDIDO CORRETAMENTE
Entender o paciente e ao mesmo ser entendido por ele é absolutamente indispensável para o obtenção de uma história clínica adequada. Inúmeros fatores podem interferir com o entendimento perfeito. As diferenças culturais, religiosas, raciais, de idade e etc. entre médico e paciente constituem as dificuldades normais que tem que ser constantemente avaliadas para serem superadas. Outras dificuldades decorrem da técnica de entrevista. Para que ocorra entendimento perfeito entre médico e paciente e necessário que os dois estejam sintonizados na mesma freqüência emocional. Neste contexto podemos destacar três qualidades que o médico deve desenvolver para melhorar a comunicação entre ele e o paciente: respeito, sinceridade e empatia.
RESPEITO
A capacidade de ter respeito é conseguir separar os sentimentos pessoais sobre o comportamento, as atitudes ou as crenças do paciente, da tarefa fundamental do médico que é auxiliar o paciente a ficar melhor. Pequenos procedimentos devem ser utilizados para demonstrar respeito ao paciente:
Apresentar-se com clareza e deixar claro por qual motivo você esta ali. 
Não demonstre intimidade que você não tem com o paciente. Utilize sempre o nome do paciente e nunca utilize apelidos genéricos como "tia", "mãe", "avó" etc. 
Garanta o conforto e a privacidade do paciente. 
Sente-se próximo, mas não excessivamente, e no mesmo nível do paciente. Evite a presença de barreira física entre você o paciente (mesas, macas, etc.) 
Avise sempre que for realizar uma mudança na condução da entrevista ou uma manobra nova ou dolorosa no exame físico. 
Responda ao paciente de forma a deixar registrado que você o esta ouvindo atentamente. 
SINCERIDADE
Significa não pretender ser alguém ou algo diferente daquilo que você é. Significa ser exatamente quem você é pessoal e profissionalmente. O estudante deve sempre se apresentar como tal e nunca pretender assumir o papel do médico que ele ainda não é.
EMPATIA
É compreensão. Significa colocar-se no lugar do paciente e realizar um esforço para compreendê-lo de forma integral. Para que o relacionamento empático se estabeleça é necessário que o preste atenção em todos os aspectos da comunicação com o paciente: palavras, sentimentos, gestos, etc. Uma vez estabelecida a comunicação empática o paciente fornecerá, não somente dados acurados, mas permitirá a emersão de sentimentos e crenças.
NÍVEIS DE RESPOSTA
Para que o médico mantenha a comunicação empática com o paciente é importante que as respostas, principalmente aos sentimentos que o paciente expõe, sejam adequadas. Quatro categorias ou níveis de resposta devem ser consideradas:
Ignorando \u2013 quando o médico não ouve o que o paciente disse ou age como se não tivesse ouvido. Não existe resposta aos sintomas ou sentimentos expostos pelo paciente. 
Minimizando \u2013 o médico responde aos sintomas ou sentimentos expostos pelo paciente diminuindo a sua importância ou intensidade. 
Intercambiando \u2013 o médico reconhece os sintomas e sentimentos expressos pelo paciente de forma adequada e responde no mesmo nível de intensidade. A resposta de intercâmbio é um objetivo importante no processo de obtenção da história clínica. Em termos práticos significa a repetição das palavras do próprio paciente de forma a demonstrar que o médico esta entendendo o que o paciente esta tentando dizer. 
Adicionando \u2013 o médico reconhece o que o paciente esta tentando expressar e também aquilo que o paciente pode estar sentindo mas não consegue expressar 
O INÍCIO DA ENTREVISTA
O AMBIENTE
Hospital \u2013 O paciente hospitalizado não esta no seu habitat natural. Encontra-se doente, afastado dos seus entes queridos, confinado em um ambiente hostil, com pessoas desconhecidas e não preocupadas com a sua individualidade. Neste ambiente o paciente pode apresentar-se hostil e extremamente ansioso.
Consultório \u2013 O ambiente do consultório é menos hostil. O paciente não foi submetido às privações do paciente hospitalizado. Entretanto, a situação nova (a doença, o médico desconhecido etc.) promove estimulação do sistema nervoso autônomo. A pressão arterial e a freqüência de pulso podem estar aumentadas, as mãos úmidas e frias, o rosto ruborizado.
O primeiro encontro do médico com o paciente nestes ambientes é o acontecimento mais importante para o futuro da relação médico-paciente. O médico tem que se apresentar adequadamente vestido, estar tranqüilo, demonstrar atenção e solicitude. Médicos apressados, frios e indiferentes aumentam a sensação de desconforto do paciente o que vai se refletir em dificuldades no processo de comunicação, diminuindo a precisão dos dados obtidos. 
Para superar os aspectos negativos relacionados