A anamnese
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A anamnese


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sintoma principal é apenas um motivo para iniciar a consulta e não a causa real que o paciente não revelou por algum motivo. 
Algumas vezes o esclarecimento do estímulo iatrotrópico não é fácil, aparecendo tardiamente no curso da entrevista. A forma de evitar é sendo empático e aberto ao paciente. 
3. HISTÓRIA DA MOLÉSTIA ATUAL (HMA)
A HMA é a parte principal da anamnese e a chave-mestra para se chegar a um diagnóstico. É a história cronológica do sintoma principal e sintomas associados desde o momento de seu aparecimento. A melhor estratégia para se obter uma HMA fidedigna é deixar, a principio, o paciente relatar livre e espontaneamente suas queixas (anamnese espontânea). Nesta fase o médico deve interferir o menos possível, limitando-se à utilização de facilitadores do tipo: Sim ? Humm ? O que mais ? É ? Além de sinais não verbais como balançar a cabeça em sinal de aprovação. Nesta fase é fundamental que o paciente tenha tempo para contar a sua história. Nesta primeira parte da HMA o foco da entrevista é dirigido completamente pelo paciente sendo ele quem comanda. Após o paciente ter tido tempo suficiente para relatar sua história a entrevista deve sofrer uma mudança de rumo transferindo o controle do foco para o médico que agora irá perguntar ativamente para esclarecer detalhadamente os sintomas referidos pelo paciente. É boa técnica para esta transição fazer-se um resumo do que o paciente contou e então avisar que a partir de agora você deseja saber alguns detalhes e para tanto irá fazer perguntas específicas ou mais fechadas. Nesta segunda fase da entrevista o médico deve caracterizar o sintoma principal e os sintomas secundários ou associados em relação à localização, irradiação, freqüência, intensidade, qualidade, fatores que melhoram ou pioram, evolução, sintomas associados e características atuais. Nesta fase o médico deve evitar a utilização de perguntas indutórias ou do tipo \u201csim\u201dou \u201cnão\u201d. 
para a obtenção adequada da HMA:
Respeite os dois principais focos em que se divide a entrevista clínica:
O foco do paciente
O foco do médico
Mantenha o fluxo de informações utilizando os facilitadores da comunicação.
Determine o sintoma-guia (sintoma principal).
Registre a época de seu início na linha do tempo (técnica ensinada em aula).
Utilize o sintoma-guia como fio condutor da história e estabeleça as relações das outras queixas com ele.
Garanta que a  história obtida tenha começo, meio e fim.
O HMA nõa é o registro puro e direto das informações fornecidas pelo paciente. Estas informações precisam ser elaboradas ou digeridas pelo médico que as purifica dos elementos inúteis. 
SINAIS E SINTOMAS
Os pacientes expressam suas doenças em termos de sinais e sintomas. Sintomas são as sensações subjetivas anormais sentidas pelo paciente mas não visualizada pelo médico (dor, náusea, tontura). Sinais são as manifestações objetivas reconhecidas por meio da inspeção, palpação, percussão, ausculta e outros meios subsidiários(edema, palidez, hematúria etc.). Às vezes sintomas e sinais se confundem (dispnéia, febre, vômito, tosse).
Síndrome - é o conjunto de sinais e sintomas que ocorrem associados, podendo ser ocasionada por causas diferentes. O reconhecimento de uma síndrome delimita o número de possíveis doenças causadores, facilitando o raciocínio clínico.
CARACTERIZAÇÃO DOS SINTOMAS
As palavras usadas pelos pacientes para descrever seus sintomas não são inequívocas. A mesma palavra pode descrever sensações diferentes. A palavra tontura, p.ex., pode ser o descritor de pelo menos 4 tipos diferentes de sensações:
desequilíbrio \u2013 a sensação de que o equilíbrio, principalmente na posição ortostática e durante a marcha esta prejudicada, causando insegurança ao paciente;
vertigem \u2013 a sensação de rotação na cabeça ou no ambiente que gira ao redor do paciente;
pré-síncope \u2013 sensação iminente de perda de consciência;
cabeça no ar \u2013 sensação de distanciamento do ambiente, diferente da vertigem e da pré-síncope. 
Nesta situação é fundamental caracterizar exatamente qual o tipo de tontura que o paciente esta sentindo. Da mesma forma outros sintomas precisam ser caracterizados detalhadamente. 
Todos os sintomas referidos na anamnese devem ser caracterizados pormenorizadamente com relação aos seguintes pontos:
Início \u2013 caracterizar detalhadamente a época em que o sintoma surgiu, a forma como surgiu (insidiosa ou aguda), os fatores ou situações que desencadearam o seu aparecimento, a sua duração e o seu desaparecimento.
Características semiológicas dos sintomas - localização, irradiação, qualidade, intensidade, relacionamento com a função do orgão ou sistema relacionado com o sintoma. 
Evolução - comportamento do sintoma em relação ao tempo, modificações ocorridas e influência dos tratamentos realizados.
Relação com outros sintomas
Características do sintoma no momento presente.
INTERROGATÓRIO SOBRE OS DIFERENTES APARELHOS
	O IDA tem a função de revelar quaisquer outros sintomas adicionais relacionados ou não ao problema que levou o paciente a procurar o médico. É parte importante da anamnese podendo revelar problemas ou sintomas significativos que não apareceriam se não fossem diretamente perguntados. O IDA pode ser realizado em qualquer momento da anamnese e alguns médicos a realizam concomitantemente ao exame físico. No início do aprendizado da anamnese é importante que os estudantes perguntem todos os ítens descritos no IDA.
em Situações Especiais
   O paciente Adolescente
            A consulta médica com pacientes adolescentes é potencialmente mais complicada e difícil do que com pacientes adultos. O adolescente geralmente é confuso ou ambivalente em relação aos seus sentimentos  e muitas vezes resiste em falar a seu respeito. Durante a adolescência ocorre uma progressão do indivíduo em termos de independência dos pais em relação aos cuidados com a saúde. Esta mudança nem sempre é bem aceita pelos pais e pelos próprios adolescentes. 
            A melhor forma de iniciar a entrevista médica com pacientes adolescentes é indo direto ao ponto:
    " Olá, sou o Dr. X e é um prazer conhecê-lo. Diga-me o que o levou a decidir-se por me procurar; (ou o que é mais frequente) o que levou seus pais a trazerem você para a consulta ?"
            Esta aproximação inicial franca é importante para estabelecer um base de confiança visto que você é estranho ao paciente. Muitos médicos tentam superar esta dificuldade inicial tornando-se "amigos instantâneos" do adolescente o que geralmente determina confusão e antagonismo por parte do paciente. É importante que a entrevista médica seja conduzida com o paciente sozinho, sem a presença dos pais que deverão retornar no momento do exame físico. Muitos pais entendem perfeitamente esta necessidade quando você explicar:
    "Vocês sabem como é importante para o paciente possuir um relacionamento privativo e confidencial com o seu médico. O seu filho deve sentir o mesmo. Portanto, solicito a vocês que aguardem na sala de espera até que eu termine a entrevista."
            É importante que você deixe claro para o adolescente que a conversa entre vocês é confidencial e protegida pelo segredo médico:
    "Sempre costumo deixar claro para os meus pacientes que o que eles me contam aqui no consultório é assunto privado. Jamais direi o que você me contar a menos que você me autorize. Você sabe que a sua mãe se preocupa com você e pode  querer saber o que nós conversamos aqui. Caso ela me faça alguma pergunta, para proteger a sua privacidade, direi que ela deverá perguntar esta questão a você. Você deve pensar no que você gostaria de dizer a este respeito para a sua mãe."
            Esta declaração respeita o desejo de autonomia do adolescente e ao mesmo tempo aconselha em relação ao legítimo interesse  dos pais pela saúde dos filhos que ainda não são adultos. Sugere que os pais e filhos devem conversar sobre  todos os assuntos importantes, mesmo aqueles que são difíceis como a sexualidade. 
            A história sexual particulamente é difícil de ser