A anamnese
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A anamnese


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obtida dos adolescentes. O médico, como para outros pacientes, deve usar linguagem clara que o paciente entenda e proceder com questões menos íntimas em primeiro lugar (Conte-me a respeito de sua família e de seus amigos. Você tem algum amigo em especial ? E a respeito de namorado ?)  indo para questões mais íntimas no decorrer da entrevista ( Suas amigas saem para encontros com rapazes ? O que elas pensam a respeito de relacionamentos sexuais ? O que você pensa ? Você é ativa sexualmente ?).
            Certifique-se de que o adolescente esteja entendendo claramente suas palavras.
  É importante obter informações a respeito da interação do adolescente com o seu ambiente social e escolar. Questões relacionadas ao uso de drogas, alcool, sexualidade, contracepção e doenças sexualmente transmissíveis são importantes de serem abordadas com este grupo de pacientes.  Para evitar confronto direto, coloque as questões em relação ao passado: você fumou cigarros ou bebeu ou usou drogas há 6 meses atrás ?
Outras questões dizem respeito ao desempenho escolar, ausência ou presença de amigos íntimos e dificuldades de comportamento em casa e na escola. 
paciente idoso
É difícil definir o paciente idoso apenas com base na idade cronológica. O melhor é individualizar a aproximação  preferindo uma avaliação em relação ao estágio da vida do indivíduo. Neste sentido é possível encontrarmos pacientes com menos de 60 anos que se sentem velhor e desmotivados, apresentando inúmeros problemas da velhice e, ao contrário, encontrarmo pacientes com mais de 75 anos em plena forma física e intelectual. Especial atenção deve ser dirigida na investigação da capacidade do paciente idoso  de realizar suas atividades diárias e das suas habilidades em manter atividades que tornam a vida agradável. Neste tópico devemos verificar a capacidade de se alimentar (incluindo mastigação e deglutição), de dormir, banhar, trocar, e de se movimentar com ou sem ajuda. Para pessoas idosas que moram sózinhas é importante verificar se conseguem cozinhar e realizar as atividades de forma independente. A questão da dieta também é importante, devendo ser meticulosamente avaliada a quantidade e a qualidade dos alimentos ingeridos, lembrando das necessidades maiores de cálcio e fibras. Pessoas idosas frequentemente utilizam-se  cronicamente de medicamentos que devem ser detalhadamente checados.
Avaliação do Estado Mental
   O médico deve inicialmente realizar uma rápida avaliação da capacidade mental do paciente em  contar a história clínica e da necessidades de ajuda ou não nesta tarefa. Como fazer esta avalição inicial ?   Inicialmente avaliando a intereção do paciente com os familiares ou acompanhantes:  o paciente marcou a consulta sózinho ou não ? comparecer sózinho ou acompanhado ? necessitou ajuda para entrar na sala ? Cumprimentou o médico de forma adequada ?  Esqueceu-se da consulta ? etc.  O próximo passo é avaliar  o grau de alerta mental do paciente.  O paciente se encontra alerta o suficiente para responder de forma adequada às questões formuladas ? O médico também deve prestar atenção  à aparência do paciente e ao seu comportamento. O paciente se apresenta limpo e quieto ou se apresenta sujo e agitado ? O próximo passo é avaliar o desempenho verbal do paciente. A sua fala esta normal em velocidade e fluência. Apresenta-se empastada, coerente, incoerente ? O paciente encontra-se orientado no tempo e no espaço ? Apresenta a memória conservada ? Existem algoritmos para avaliação do estado mental (Ex. Folstein Mini-Mental Status Exam -  J Psychiatry Res 1975; 12:189-198)
na Relação Médico-Paciente
    Muitas vezes a relação médico-paciente é dificultada por problemas que impedem o livre fluxo de informações necessário para a realização da anmenese. Alguns destes problemas estão relacionados na tabela 1.
	1. Dificuldades na relação médico-paciente
	1. Dificuldades Técnicas
Orgânicas (delírio, coma, demência )
Barreiras de Comunicação (culturais, linguísticas, estilos de conversação)
	2. Dificuldades decorrentes do Estílo do Paciente
O paciente lacônico ou reticente
O paciente prolixo
O paciente vago
	3. Dificuldades decorrentes do teor do assunto abordado
Alcool e drogas
Atividade sexual
	4. Dificuldades decorrentes da difícil caracterização dos sintomas
Distúrbio Neuro Vegetativo (DNV)
	5. Dificuldades decorrentes de comportamentos difíceis e de defesa
5.1 Do paciente
Ansiedade
Raiva
Depressão
Negação
Manipulação e sedução
5.2 Do médico
    Os problemas técnicos decorrem de situações que impedem a perfeita comunicação entre médico e paciente, seja porque o paciente apresenta uma afecção orgânica que lhe afete a capacidade de comunicação (pacientes com problemas de demência, delírios, audição, emissão da voz, etc) ou de entendimento devido a diferenças culturais ou linguísticas. Neste tópico também se inclui os pacientes que apresentam estilos de comunicação difíceis como o paciente reticente, o paciente prolixo e o paciente vago. Nestas situações, o médico geralmente abdica de obter uma anamnese adequada procurando outras fontes de informação. No caso das alterações orgânicas e linguísticas o acompanhante pode auxiliar. 
paciente Lacônico ou Reticente
    É aquele que não diz o suficiente a respeito dos seus sintomas. Em certas situações, informações detalhadas sobre os sintomas são fundamentais para o diagnóstico. O paciente lacônico representa uma armadilha potencial para o médico que pode enveredar para o questionamento seriado diante de um paciente que responde "sim"  ou "não". O médico deve evitar proceder dessa maneira, assumindo um questionamento mais ativo, mas baseado em questões abertas, e usar de forma intensa os facilitadores : conte-me mais...., esclareça melhor este ponto ...., quantifique este sintoma ...., conte-me de forma detalhada ... etc. O paciente pode estar reticente em decorrência da sua doença (depressão, demência, hipotireoidismo etc) ou por ansiedade ou negação da doença. 
paciente Prolixo
    É aquele que relata seu problema com uma quantidade imensa de detalhes relacionados ou não com a doença que motivou a consulta. Este tipo de paciente, deixado livremente, não respeita o limitado tempo da consulta médica e pode levar o médico à impaciência e à indelicadeza. Deve-se evitar estes perigos. A solução é dirigir o paciente para a queixa principal sempre que necessário. Também é útil lembrar ao paciente que o tempo da consulta é limitado e que ele deve se concentrar nos pontos principais das suas queixas. Quando ocorre a exposição simultânea de inúmeros problemas a melhor abordagem é abordar cada um dos problemas por vez, sempre mantendo o paciente no foco, não permitindo que ele faça algum desvio. A prolixidade pode ser determinada pela ansiedade, solidão ou problemas psiquiátricos.
paciente Vago
    É o paciente que não consegue descrever seus sintomas com precisão. A solução desta dificuldade reside em fornecer alternativas claras ao paciente, tomando o cuidado de não dirigí-lo: a dor foi aguda ou se instalou progressivamente ? É localizada ou não ? É superficial ou profunda ? etc.
 
    Todos os pacientes devem fornecer uma história clínica. O desejo do médico é que a história seja clara e coerente. Os pacientes também desejam - a maioria pelo menos - contar uma história que faça sentido e permita ao médico ajudá-lo. As dificuldades decorrem de entendimento divergente sobre o que é importante. A primeira tarefa do médico é educar, esclarecer, ensinar o paciente  daquilo que seria desejável em termos de história. 
Difíceis
    Álcool e Drogas - questões que dizem respeito à intimidade do paciente ou relacionados com hábitos ilícitos sempre são difícieis de serem feitas. Entretanto, pela sua relevância na determinação das doenças não podem deixar de serem feitas. A regra de ouro é nunca abordar o paciente com questões diretas, mas sim adotar uma aproximação progressiva a partir de perguntas menos problemáticas. A questão do uso de álcool se segue às questões de uso de café e cigarro.