Atividade Dirigida Ventilação Mecânica_02_respostas
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Atividade Dirigida Ventilação Mecânica_02_respostas


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corrente e do fluxo inspiratório, portanto também é um 
parâmetro ajustado 
 
 
 
 
 
 
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16 - Como ajustar a fração inspirada de oxigênio (FIO2)? 
A FIO2 é a proporção de oxigênio contida no ar inspirado, no caso aqui no ar fornecido pelo 
ventilador, podendo variar de 21% a 100% (0,21 a 1,0). Deve-se usar a menor FIO2 capaz de 
manter a SaO2 adequada, ou seja, ao redor de 95%. Em situações críticas, quando a lesão 
pulmonar é extensa, eventualmente aceitam-se valores menores de SaO2 (em torno de 88%). 
Em função de possível toxicidade pelo oxigênio, quando a FIO2 encontra-se acima de 0,5 
(50%), deve-se tentar outras medidas para a melhora da oxigenação. Entre elas, a elevação da 
PEEP é a mais eficaz. A necessidade de FIO2 elevada também funciona como um indicador de 
que há áreas importantes de baixa V/Q e/ou shunt, sugerindo a necessidade de aplicação da 
PEEP para tentar revertê-las. 
A FIO2 deve ainda funcionar como o ajuste de emergência para a correção da hipoxemia, ou 
seja, identificada a hipoxemia pela gasometria arterial ou pela oximetria de pulso, aumenta-se a 
FIO2 para corrigi-la imediatamente e depois se verifica o motivo da dessaturação e as possíveis 
medidas para reverter o problema. 
17 - Como ajustar a freqüência respiratória (FR) na ventilação mecânica? 
Na ventilação mecânica assistido-controlada, a FR ajustada será a mínima oferecida ao 
paciente. Ciclos adicionais ocorrerão caso o paciente dispare o aparelho. Portanto, não se tem 
controle completo sobre a FR, devendo o operador estar atento à FR total e não à ajustada. 
A FR total determina a duração dos ciclos respiratórios, os quais serão menores quanto maior a 
FR. Por exemplo, quando a FR encontra-se em 15 irpm, o ciclo respiratório (inspiração e 
expiração) tem duração de 4 segundos. 
Habitualmente a FR é ajustada entre 12 a 16 irpm e se aceita freqüência total até, 
aproximadamente, 24 irpm. Em pacientes com doença obstrutiva, entretanto, ela deve ser 
limitada em valores baixos, muitas vezes menores que 12 irpm (veja no tema Crise de asma). 
Já naqueles com complacência baixa mas sem problema de resistência aumentada, valores 
maiores, em torno de 24 irpm, podem ser ajustados. 
18 - Como ajustar o volume corrente no decorrer da ventilação assistido-controlada? 
Em pacientes que não apresentam obstrução das vias aéreas ou doença parenquimatosa 
extensa (ex: pacientes em pós-operatório, doenças neurológicas ou neuro-musculares), o 
volume corrente pode ser ajustado pelo conforto do paciente e por sua demanda metabólica. 
Nesses casos, volumes de 10 ml/kg geralmente são adequados. 
Entretanto, em doentes com obstrução brônquica, esses volumes podem determinar 
hiperinsuflação pulmonar e suas complicações, devendo ser evitados. Volumes menores (entre 
6 e 8 ml/kg) são preferidos (veja no tema Crise de asma). 
Em pacientes com extenso envolvimento do parênquima pulmonar (lesão pulmonar aguda e 
síndrome do desconforto respiratório agudo - SDRA) volumes correntes elevados são lesivos e 
comprovadamente pioram o prognóstico. Aqui também volumes menores são utilizados, 
iniciando-se com 6 ml/kg, reduzindo progressivamente, se necessário, para manter a pressão 
de platô abaixo de 30 cmH2O (alguns autores toleram 35 cmH2O) (veja no tema SDRA). 
Tanto nos pacientes com doença obstrutiva, quanto naqueles com SARA ou lesão pulmonar 
aguda, os níveis baixos de volume corrente podem induzir a retenção de gás carbônico, que 
pode ser tolerada sem efeitos deletérios para o paciente (hipercapnia permissiva). Nesses 
pacientes, quando o pH cai para níveis inferiores a 7,20, repomos bicarbonato de sódio 
(infusão de 1 mEq/kg de bicarbonato, ou seja, 1 ml/kg de bicarbonato de sódio a 8,4%, em uma 
hora, repetindo a gasometria para verificar se níveis acima de 7,20 foram alcançados). 
19 - Como ajustar o fluxo inspiratório no decorrer da ventilação assistido-controlada? 
Existem dois ajustes distintos em relação ao fluxo inspiratório: 
\u2022 tipo de fluxo (onda de fluxo), 
\u2022 valor do fluxo. 
 
 
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São vários os tipos de fluxo disponíveis nos respiradores microprocessados (quadrado, 
acelerado, desacelerado, em sino). Entre eles, o fluxo quadrado (o ventilador oferta o mesmo 
valor de fluxo ao longo de toda inspiração) e o desacelerado (inicia-se o fluxo em seu pico, com 
redução progressiva do valor ao longo da inspiração) são os mais comuns. Optamos, sempre 
que disponível, pelo fluxo desacelerado, pois parece estar relacionado com uma melhor 
distribuição do ar em diferentes unidades dos pulmões. 
O valor do fluxo inspiratório talvez seja o parâmetro mais difícil de ser ajustado. Sua escolha, 
além de ser baseada em alguns parâmetros subjetivos, muitas vezes dependerá basicamente 
de tentativas e observações de erros e acertos. Ela deve levar em conta os seguintes fatores: 
\u2022 o tempo inspiratório desejado para determinada condição de freqüência respiratória e 
volume corrente; 
\u2022 o pico de pressão nas vias aéreas; 
\u2022 a demanda metabólica e o conforto do paciente. 
Sendo assim, para uma dada condição de freqüência respiratória e volume corrente, quanto 
maior o fluxo, menor será o tempo inspiratório, pois mais rapidamente o volume corrente é 
ofertado, e maior o expiratório. Esse ajuste, que determina uma relação inspiração-expiração 
pequena (por exemplo, 1:4, 1:5, 1:6) é importante nas condições de obstrução das vias aéreas 
(ex: asma e DPOC), nas quais um tempo expiratório prolongado é necessário para se evitar 
hiperinsuflação pulmonar (veja no tema Crise de asma). Entretanto, quanto maior o fluxo, maior 
a pressão gerada nas vias aéreas, sobretudo em condições de obstrução. Muitas vezes esse 
dado limita a utilização de altos fluxos nos pacientes obstrutivos. 
Durante os ciclos assistidos, fluxos inspiratórios maiores podem ser necessários para alcançar 
a demanda metabólica dos pacientes (fluxos entre 60 e 80 l/min em pacientes 
hipermetabólicos). Devemos suspeitar dessa necessidade em pacientes \u201cbrigando\u201d com o 
respirador, observando se há melhora na interação entre o paciente e o respirador após o 
aumento do fluxo. 
Podemos resumir os ajustes dos valores de fluxo inspiratório do seguinte modo: 
\u2022 ventilação controlada: utilizar fluxos entre 40-60 l/min (sempre usando fluxos maiores 
em pacientes com doença obstrutiva, reduzindo-o se o pico de pressão estiver alto) 
\u2022 ventilação assistido-controlada: utilizar fluxos entre 60-80 l/min (sempre usando fluxos 
maiores em pacientes com maior demanda metabólica) 
20 - Como ajustar a sensibilidade no decorrer da ventilação assistido-controlada? 
A sensibilidade é o parâmetro que permite o paciente disparar o respirador, gerando os ciclos 
assistidos. Ela pode ser ajustada sob duas formas: 
\u2022 Pressão: estabelece-se uma pressão negativa que o paciente precisa gerar no circuito, 
por meio de seu esforço inspiratório, para deflagrar o ciclo. 
\u2022 Fluxo: estabelece-se um valor de fluxo que, se gerado no circuito pelo esforço do 
paciente, deflagra o aparelho. 
Alguns autores acreditam que a sensibilidade por fluxo é mais facilmente deflagrada, exigindo 
um menor trabalho respiratório por parte do paciente. O significado clínico dessas diferenças 
ainda não foi comprovado de modo convincente. 
O valor da sensibilidade deve ser sempre ajustado em níveis baixos, ou seja, deve-se tornar 
fácil o disparo do respirador pelo paciente. Em geral, ajusta-se a sensibilidade a pressão em -1 
cmH2O e a fluxo em 1-3 l/min. 
No ajuste da sensibilidade, dois cuidados importantes devem ser observados: 
\u2022 valores baixos de sensibilidade podem gerar auto-ciclagem, ou seja, disparo do 
aparelho sem o esforço do paciente, por movimentos no circuito. 
\u2022 quando o paciente estiver \u201cbrigando\u201d com o respirador, gerando altas freqüências 
respiratórias, nunca devemos elevar a sensibilidade para evitar os disparos do 
paciente. Fazendo isso, o paciente continuará \u201cbrigando\u201dcom o respirador, só que 
agora sem conseguir dispará-lo.