CCJ0009-WL-AMRP-11-Função argumentativa da narração - 01
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CCJ0009-WL-AMRP-11-Função argumentativa da narração - 01


DisciplinaTeoria e Prática da Narrativa Jurídica746 materiais3.471 seguidores
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Como se vê em Lições de Argumentação Jurídica (Professores Néli Cavalieri, Nelson Tavares e Alda Valverde), a narrativa comporta uma função argumentativa, pois é da narrativa que se extraem os fatos e as provas que servem de base para que se possa inferir uma determinada valoração e, em seguida, justificá-la, mediante um tipo de argumento.
Reconhecemos a importância dessa narrativa, por exemplo, quando nos inteiramos de que o Código de Processo Civil, em seu art. 535, II estabelece que é possível embargar uma decisão de mérito quando a fundamentação omitir um ponto sobre o qual o Juiz ou o Tribunal devesse ter se pronunciado. Isso representa dizer que tudo o que se registra no relatório cumpre uma função argumentativa, que se concretiza na fundamentação.
Assim, a seleção daquilo que se narra deve ser criteriosa a fim de fornecer base sólida aos argumentos que visam à defesa de uma determinada tese. Os esquemas abaixo revelam essa conexão que se opera na construção de um argumento:
	Narrativa dos fatos
	
	Fato / prova extraídos da narrativa
	
	Valoração
	
	Justificativa da valoração
	FATO
	VALORAÇÃO
	JUSTIFICATIVA
	A médica indicou o uso do analgésico xyz. 
	Agiu, portanto, com imperícia 
	Porque sabia que a paciente era alérgica ao medicamento 
	Ao desenvolver o parágrafo argumentativo, poderíamos redigi-lo assim: 
Importa destacar que a médica Maria das Dores Silva, que atendeu a paciente e indicou-lhe o analgésico xyz, agiu de forma imperita. Isso porque, segundo a mãe da paciente, essa lhe informou que sua filha tinha alergia àquele medicamento e, mesmo assim, foi-lhe ministrada uma dose suficiente para causar-lhe o choque anafilático.