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ATIVIDADE INDIVIDUAL FALENCIA E RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS _ Passei Direto

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ATIVIDADE INDIVIDUAL 
 
Disciplina: Falências e Recuperação de Empresas - 0721-1_2 
Aluno: Lucas Vinicius Salomé – Turma 2. 
 
 
Matriz de resposta 
São Paulo, 20 de agosto de 2021. 
 
Trata-se de parecer que visa analisar viabilidade ou não da recuperação da 
empresa VFC Comércio e Indústria de Material Esportivo LTDA. 
 
Atualmente, a empresa VFC possui um passivo composto da seguinte forma: 
R$1.000.000,00 de débitos trabalhistas; R$ 3.500.000,00 de débitos para fornecedores não garantidos; –
R$ 6.500.000,00 de débitos bancários, garantidos por hipoteca; R$ 1.500.000,00 de débitos para 
fornecedores ME ou EPP não garantidos; e R$ 100.000,00 de débitos perante a operadora de prestação –
de serviço de energia elétrica. 
 
A seguir iremos analisar quais as possibilidades de recuperação existem para a 
empresa VFC e qual a medida, em nosso entendimento, deve ser adotada para a atual situação. 
 
1. Falência e Recuperação de empresa. 
 
Importante para prosseguirmos é entender a diferença entre falência e a 
recuperação da empresa, pois com a clarificação dos conceitos poderemos definir o caminho a ser traçado. 
 
Tanto a falência e a recuperação são institutos regidos pela lei n.º 11.101/2005, 
reformada pela LEI Nº 14.112, DE 24 DE DEZEMBRO DE 2020 que visam a satisfação dos créditos devidos 
por uma empresa, porém a distinção reside no intuito da continuidade ou não do empreendimento. 
 
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Quando tratamos da recuperação, tem como princípio guiador a preservação da 
empresa, busca-se tempo para que se haja uma restruturação do negócio com a finalidade de se recuperar 
a capacidade de gerar resultados positivos. 
 
Assim nos ensina o artigo 47 da lei n.º 11.101/2005: 
 
 Art. 47. A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da situação 
de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da 
fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, 
promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à 
atividade econômica. 
 
Em contrapartida, a falência tem como princípio basilar a satisfação e pagamento 
dos credores, uma vez que não haverá uma restruturação da empresa, somente seu fim. Conforme incisos 
primeiro e segundo do artigo 75 da lei n.º 11.101/2005: 
 
Art. 75. A falência, ao promover o afastamento do devedor de suas atividades, 
visa a: 
I - preservar e a otimizar a utilização produtiva dos bens, dos ativos e dos recursos 
produtivos, inclusive os intangíveis, da empresa; 
II - permitir a liquidação célere das empresas inviáveis, com vistas à realocação 
eficiente de recursos na economia (...). 
 
Nesse sentido ainda, Ricardo Negrão p.21, afirma que: 
“Falência é um processo de execução coletiva, no qual todo o patrimônio de um 
empresário declarado falido pessoa física ou jurídica é arrecadado, visando –
pagamento da universalidade de seus credores, de forma completa ou 
proporcional. É um processo judicial complexo que compreende a arrecadação 
dos bens, sua administração e conservação, bem como a verificação e o 
acertamento dos créditos, para posterior liquidação dos bens e rateio entre os 
credores. Compreende também a punição de atos criminosos praticados pelo 
devedor falido.” 
 
A falência tem como escopo principal o cumprimento do par condicio creditorum, 
isto é, perpetrar situação igualitária entre os credores presentes no rol, trazendo satisfação coletiva no que 
tange seus créditos. 
 
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2. Da Autofalência. 
 
Como exposto no caput do artigo 105 da lei n.º 11.101/2005, o próprio 
empresário pode pedir a falência da empresa: 
 
Art. 105. O devedor em crise econômico-financeira que julgue não atender aos 
requisitos para pleitear sua recuperação judicial deverá requerer ao juízo sua 
falência, expondo as razões da impossibilidade de prosseguimento da atividade 
empresarial, acompanhadas dos seguintes documentos: (...) 
 
Para que seja realizado o pedido de autofalência, importante analisar se a crise 
que passa a empresa não preenche os quesitos de uma recuperação judicial, quesitos esses que trataremos 
mais à frente. 
 
Para o doutrinador Waldo Fazzio, 2006, p.716: A falência requerida pelo próprio 
devedor é uma liquidação voluntária sob a égide jurisdicional, ou seja, quando a 
empresa pede a própria falência, esta tem amparo jurisdicional para que seja 
realizada uma liquidação voluntária. 
 
2.1. Vantagens da autofalência. 
 
As vantagens da autofalência estão pontuadas no artigo 159 da lei de Falência 
11.101/2005, o qual nos ensina que o falido fica livre de suas dívidas, bem como o empresário será rá
reabilitado, ainda que não salde seus débitos, caso não tenha cometido nenhum crime falimentar, após cinco 
anos do fim do processo de falência; e, caso tenha cometido, o prazo será de dez anos: 
 
Art. 159. Configurada qualquer das hipóteses do art. 158 desta Lei, o falido poderá 
requerer ao juízo da falência que suas obrigações sejam declaradas extintas por 
sentença. 
§ 1o O requerimento será autuado em apartado com os respectivos documentos 
e publicado por edital no órgão oficial e em jornal de grande circulação. 
§ 2o No prazo de 30 (trinta) dias contado da publicação do edital, qualquer credor 
pode opor-se ao pedido do falido. 
§ 3o Findo o prazo, o juiz, em 5 (cinco) dias, proferirá sentença e, se o 
requerimento for anterior ao encerramento da falência, declarará extintas as 
obrigações na sentença de encerramento. 
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§ 4o A sentença que declarar extintas as obrigações será comunicada a todas as 
pessoas e entidades informadas da decretação da falência. 
§ 5o Da sentença cabe apelação. 
§ 6o Após o trânsito em julgado, os autos serão apensados aos da falência. 
 
Poderá se livrar também de parte do débito, caso pague até 25% dos credores 
quirografários conforme disposto no artigo 158 da lei n.º 11.101/2005, reformada pela lei Nº 14.112/2020. 
 
2.2. Desvantagem da Autofalência. 
 
No entanto, a desvantagem desse procedimento é que existe um tempo mínimo 
de restrição. 
 
Com apontando no item anterior, o período de reabilitação do empresário será de 
05 (cinco) a 10 (dez) anos, calculados a partir da finalização da falência, o qual se diferencia com base na 
existência, ou não, de crime falimentar por parte da empresa falida ou seus representantes. 
 
Assim, o empresário ficará por determinado período impossibilitado de atuar no 
ramo empresarial, tempo este que poderá ser aproveitado para o seu restabelecimento financeiro para início 
de eventual “nova” empresa. 
 
Contudo, durante este período, e caso o empresário possua uma rentabilidade 
mensal que seja superior a um salário-mínimo nacional, parte de seus recebimentos serão penhorados pelo 
juízo para a amortização de parte de seus débitos. 
 
 Ainda nesse sentido, caso o empresário possua bens em seu nome, ele deverá 
entregar os seus bens, seja móvel ou imóvel, isto é, qualquer bem que possam ser vendidos para adimplir 
os valores em questão. 
 
Com o exposto acima, entendemos que o pedido de autofalência não seja o 
caminho mais viável

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