CCJ0009-WL-AMRP-12-Função argumentativa da narração - 02
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DisciplinaTeoria e Prática da Narrativa Jurídica746 materiais3.471 seguidores
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Escreveu Errico Malatesta, teórico italiano, que, sendo a prova o meio objetivo pelo qual 
o espírito humano se apodera da verdade, sua eficácia será tanto maior, quanto mais clara, 
mais plena e mais seguramente ela induzir no espírito a crença de estarmos de posse da 
verdade. Para se conhecer, portanto, a eficácia da prova, é preciso conhecer como se refletiu a 
verdade no espírito humano, é preciso conhecer, assim, qual o estado ideológico, 
relativamente à coisa a ser verificada, que ela induziu no espírito com sua ação. 
Assim, o profissional do direito, diante de um caso concreto, analisa e interpreta os fatos 
para, em seguida, valorar tais elementos de acordo com as alternativas oferecidas pelas fontes 
do Direito. Fica, pois, evidente a importância da narrativa dos fatos e das provas a fim de 
fornecer os elementos necessários para que se compreenda o caso, interprete-o e concretize 
essa interpretação mediante a argumentação. 
 
Caso concreto 
Dijanira Baptista foi fumante inveterada por trinta anos. Ela era casada com Mauro 
Costa e tinha dois filhos: Mauro Costa Jr. e Paulo Baptista Costa. Seus familiares alegam que a 
companhia de cigarros sempre ocultou informações e dados sobre a nocividade do cigarro à 
saúde. A vítima fumava dois maços de cigarro por dia, cerca de 500.000 cigarros em trinta 
anos, e que tal fato, aliado à falta de informações sobre o produto nocivo, teria sido o 
responsável pelo contraimento da doença. 
Além do mais, só recentemente as companhias são obrigadas a restringir o horário de 
veiculação de propagandas e a emitir comunicado de que o fumo é prejudicial à saúde. Isso, 
infelizmente, não chegou a impedir que Dijanira se tornasse viciada em cigarros, uma vez que 
era fumante de longa data, motivo pelo qual a família pleiteia indenização por dano. 
Após a descoberta do câncer, lutou duramente contra o vício: "Minha mãe tentou parar 
de fumar, mas as crises horríveis de abstinência e a depressão atrapalharam muito. Quando 
conseguiu vencer o vício, a metástase estava diagnosticada". 
Em 28 de setembro de 1999, faleceu em decorrência de câncer pulmonar, provocado 
pelo fumo excessivo do cigarro de marca Hollywood, da companhia Souza Cruz S.A. 
Paulo Gomes, advogado representante da Souza Cruz, afirma que a empresa cumpre as 
determinações legais e que seu produto apresenta todas as informações aos consumidores. 
Em relação às propagandas, sustenta que a apresentação de jovens saudáveis em ambientes 
paradisíacos não é prática apenas da indústria tabagista: "Desconheço a existência de 
publicidade que vincule produtos a modelos desgraciosos ou cenários deprimentes, que 
causem repulsa ao público-alvo. Ademais, os consumidores têm o livre-arbítrio de escolher o 
que consumir e o quanto consumir". 
Segundo o advogado da família, os estudos comprovam a nocividade do cigarro, que 
contêm mais de quatro mil substâncias químicas: "Entre elas está o formol usado na 
conservação de cadáver, o fósforo, utilizado como veneno para ratos e o xileno, uma 
substância cancerígena que atrapalha o crescimento das crianças. Se o cigarro não mata de 
câncer, há 56 outras doenças causadas por seu uso e exposição. É óbvio que a propaganda é 
indutora de seu consumo". 
Notícia de jornal (adaptação) 
 
Questão 1 
Faça breve pesquisa jurisprudencial e identifique se existe condenação transitada em 
julgado para empresas tabagistas cujos consumidores morreram ou ficaram com doenças 
graves decorrentes desse produto. Cite as fontes de sua pesquisa. 
 
Questão 2 
Continue sua pesquisa a fim de esclarecer se há como demonstrar nexo causal entre a 
conduta e o resultado. Justifique sua resposta. 
 
Questão3 
Na impossibilidade ou na dificuldade de recorrer às fontes citadas nas questões 
anteriores, como você propõe que seja defendida a tese de que a empresa Souza Cruz tem 
responsabilidade civil com os consumidores ou com seus sucessores?