OK_Asma
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obstrutivas, sobretudo a DPOC, 
\u2022 síndrome de hiperventilação, 
\u2022 ataque de pânico, 
\u2022 disfunção de cordas vocais, 
\u2022 obstrução de vias aéreas superiores (ex. corpo estranho, estenose de traquéia, 
tumores, lesões granulomatosas), 
\u2022 doenças pulmonares não obstrutivas (doenças difusas do parênquima pulmonar), 
\u2022 insuficiência ventricular esquerda. 
O principal diagnóstico diferencial da asma em adultos é a DPOC, sendo, às vezes, impossível 
a separação entre as duas. 
21 - Como diferenciar asma de DPOC? 
Por serem duas doenças que se caracterizam por obstrução ao fluxo aéreo, asma e DPOC têm 
várias características clínicas e funcionais em comum, fazendo com que nem sempre seja fácil, 
 
 
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ou mesmo possível, a distinção entre as duas. A tabela 5 lista características que auxiliam 
nesta diferenciação. 
A despeito disso, calcula-se que aproximadamente 20% dos pacientes com DPOC apresentem 
características asmáticas. Nessa situação o tratamento da DPOC será praticamente igual ao 
tratamento da asma. Por outro lado, algumas formas de asma comportam-se como DPOC, ou 
seja, mantêm quadro obstrutivo persistente a despeito do tratamento adequado. Tais quadros, 
principalmente quando se desenvolvem em indivíduos fumantes, não têm como ser 
diferenciados da DPOC. Esta é a uma situação em que a asma pode ser considerada como 
DPOC. O dado aqui indicativo de asma, na maioria das vezes, é a história de asma na infância. 
Tabela 5. Características que auxiliam na diferenciação entre asma e DPOC 
Asma DPOC 
\ufffd Início na infância, mas pode haver um grande 
período assintomático com reinício dos sintomas 
após os 40 anos 
\ufffd Início após os 40 anos de idade 
\ufffd Antecedentes de atopias: presentes com 
freqüência 
\ufffd Antecedentes de atopias: 
ausentes ou presentes 
\ufffd História familiar de asma ou outras atopias: 
presente com freqüência 
\ufffd História familiar de asma ou 
outras atopias: ausente ou presente 
\ufffd História de tabagismo ou exposição prolongada 
a partículas inaladas \u2013 presente ou ausente 
\ufffd História de tabagismo ou 
exposição prolongada a partículas 
inaladas: presente 
\ufffd Desaparecimento dos sintomas com o 
tratamento adequado 
\ufffd Diminuição variável dos sintomas 
com o tratamento 
\ufffd Espirometria normal nas intercrises ou com 
distúrbio obstrutivo com acentuada reversibilidade 
\ufffd Espirometria com distúrbio 
obstrutivo com pouca ou nenhuma 
reversibilidade 
 
22 - Qual o papel da espirometria no diagnóstico da asma? 
A espirometria é o método recomendado para se caracterizar a obstrução ao fluxo aéreo e sua 
resposta ao broncodilatador, sendo, pois, importante no diagnóstico de asma, embora, em 
muitos casos, este possa ser feito apenas com bases clínicas. 
A obstrução ao fluxo aéreo é caracterizada, na espirometria, pela relação VEF1/CVF menor que 
70%, ou, sendo mais rigoroso, abaixo do limite inferior particular (calculado por equações 
baseadas em sexo, idade e altura). A reversibilidade ao broncodilatador é definida pelo 
aumento do VEF1 maior ou igual a 12% (ou maior ou igual a 200 ml). 
Vale a pena lembrar que a espirometria pode ser normal em períodos de estabilidade da 
doença, com ou sem medicação, a mesmo tempo que a resposta ao broncodilatador pode ser 
negativa em pacientes já em uso desta classe de medicamento. 
23 - Quais as outras aplicações da espirometria na asma? 
Além de auxiliar no diagnóstico, a espirometria permite avaliar a gravidade da obstrução 
brônquica, auxiliando no acompanhamento do paciente e de sua resposta ao tratamento, em 
conjunto com os dados clínicos. Assim, idealmente, a espirometria deve ser realizada na 
avaliação inicial do paciente (objetivo diagnóstico), após a estabilização dos sintomas com o 
tratamento e a cada um ou dois anos. 
Na crise de asma, quando disponível, a espirometria traz dados objetivos sobre a gravidade, 
podendo auxiliar em algumas tomadas de decisão, como, por exemplo, internar ou não o 
paciente. 
24 - Qual a importância do pico de fluxo expiratório na asma? 
O pico de fluxo expiratório (PFE) é o fluxo máximo de ar obtido durante uma manobra de 
expiração forçada. Pode ser medido durante a espirometria ou por meio de pequenos 
aparelhos portáteis elaborados especificamente para isso, os chamados "mini peak-flow 
meter". 
A medida do PFE pode ser útil no diagnóstico da doença, pois asmáticos apresentam uma 
variação diurna exagerada do PFE. Assim, a monitoração do PFE no período de 2 a 3 semanas 
 
 
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pode identificar uma diferença percentual média entre o PFE matinal e o noturno superior a 
20%, fato bastante sugestivo de asma. Outro dado extraído da medida do PFE que é indicativo 
de asma é o aumento do PFE 15 minutos após o uso do beta-2 agonista de curta duração (> 
20% nos adultos e > 30% nas crianças). No entanto, convém salientar que a medida do VEF1, 
obtida na espirometria, e sua resposta ao broncodilatador é um parâmetro diagnóstico de 
melhor acurácia do que o PFE. 
O PFE também é importante na monitoração dos pacientes, especialmente naqueles com 
maior gravidade. Em pacientes com má percepção dos sintomas, pode-se usar a redução do 
PFE como sinal de alerta para a busca do recurso médico ou a implementação de um plano 
terapêutico. 
Nas crises de asma, o PFE também pode trazer dados objetivos sobre a gravidade, podendo 
auxiliar em algumas tomadas de decisão, como, por exemplo, internar ou não o paciente. Ele é 
mais amplamente disponível e fácil de ser obtido do que o VEF1; por isso, mesmo que com 
menor acurácia, tem substituído este parâmetro espirométrico na avaliação da crise de asma. 
25 - Qual a indicação de se realizar a radiografia de tórax na asma? 
Com exceção dos quadros mais graves, a asma por si só não provoca alterações radiográficas. 
Assim, a importância da radiografia na avaliação do asmático é principalmente excluir outras 
patologias associadas. De maneira geral, recomenda-se realizar a radiografia de tórax no início 
do acompanhamento do paciente asmático e nas crises mais graves da doença. 
Os pacientes com formas leves e moderadas da doença habitualmente apresentam radiografia 
de tórax normal, enquanto aqueles com doença grave podem ter sinais radiográficos de 
hiperinsuflação pulmonar. Nas exacerbações graves da doença, a radiografia está indicada 
para afastar ou identificar complicações relacionadas, como pneumotórax e pneumomediastino 
(figuras 1 e 2). 
 
Figura 1. Radiografia de tórax em PA mostrando pneumomediastino em paciente com crise 
grave de asma, mais evidente junto à borda cardíaca e hilo a esquerda. 
 
 
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Figura 2. Pneumotórax ocupando todo o terço superior do campo pleuropulmonar a esquerda 
(A). O detalhe da radiografia mostra o limite entre o pulmão colapsado e o espaço pleural 
ocupado pelo pneumotórax (B). 
26 - Quando e como realizar a pesquisa da hiperresponsividade das vias aéreas no 
paciente com suspeita de asma? 
Não é raro o paciente com sintomas sugestivos de asma apresentar espirometria normal e 
ausência de resposta ao broncodilatador durante o exame espirométrico. Tal fato ocorre em 
função da asma ser uma doença que caracteristicamente intercala períodos de sintomas com 
outros em que o paciente permanece assintomático. Assim, a espirometria pode não detectar a 
obstrução se for realizada em um momento de remissão dos sintomas, principalmente nos 
pacientes com doença mais leve. 
Como a asma se caracteriza por apresentar hiperresponsividade brônquica, a detecção desta 
resposta exagerada das vias aéreas pode sugerir o diagnóstico da doença. Assim, em 
indivíduos com função pulmonar normal e suspeita clínica de asma a detecção da 
hiperresponsividade brônquica através de testes de broncoprovocação pode ser muito útil. Tais 
 
 
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testes consistem em submeter o paciente a estímulos externos e verificar o grau de 
broncoconstrição desencadeada. Os exames mais realizados são: 
1. teste de broncoprovocação com agentes