OK_Asma
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broncoconstritores (metacolina, histamina, 
carbacol), com queda do VEF1 acima de 10% a 15%,.com alta sensibilidade e alto valor 
preditivo negativo; 
2. teste de broncoprovocação por exercício demonstrando queda do VEF1 acima de 10% 
a 15%. 
Importante destacar que a presença de hiperresponsividade brônquica não é exclusiva do 
asmático, pacientes atópicos não asmáticos, fumantes ou idosos podem ter teste de 
broncoprovocação positivo sem que sejam necessariamente asmáticos, ou seja, os testes de 
broncoprovocação têm alta sensibilidade para o diagnóstico de asma, porém limitada 
especificidade. Isso significa que, se em um indivíduo com suspeita de asma o teste para a 
pesquisa da hiperresponsividade brônquica for negativo, o diagnóstico de asma pode ser 
praticamente excluído. Por outro lado, a identificação de hiperresponsividade não permite 
afirmar com toda certeza que o paciente tem asma. 
27 - Que outros testes podem ser úteis na avaliação da asma? 
Como a asma é uma doença inflamatória, a identificação e o monitoramento dessa inflamação 
poderiam ser úteis no acompanhamento do asmático. Assim, desenvolveram-se exames não 
invasivos com esse objetivo, com destaque para a quantificação dos eosinófilos no escarro 
induzido e para a medida do óxido nítrico exalado (está elevado em asmáticos quando 
comparados com indivíduos saudáveis). No entanto, a aplicação dessas medidas de avaliação 
da inflamação na prática clínica ainda não está bem estabelecida. 
Testes cutâneos para pesquisa da sensibilização aos alérgenos e pesquisas da IgE alérgeno-
específica também podem ser realizados na avaliação do asmático. O objetivo seria identificar 
os alérgenos de risco para a ocorrência de sintomas de asma. No entanto, tal pratica não tem 
subsídio científico para que seja adotada como medida de rotina na avaliação do asmático. 
28 - Como a asma pode ser classificada segundo sua gravidade? 
O GINA (Global Initiative for Asthma) classifica a asma, conforme a gravidade, em quatro 
níveis: intermitente, persistente leve, persistente moderada e persistente grave. Esta 
classificação tem seu maior valor na avaliação inicial do paciente, pois ela não leva em conta a 
possível resposta ao tratamento, que, sendo boa, pode levar ao paciente para um nível menor 
de gravidade. A tabela 6 mostra esta classificação. 
Tabela 6. Classificação de gravidade da asma \u2013 GINA 2006 
Intermitente 
\u2022 Sintomas: menos do que 1 vez na semana 
\u2022 Exacerbações leves 
\u2022 Sintomas noturnos: até 2 vezes no mês 
\u2022 VEF1 ou PFE: >80% do previsto 
\u2022 Variabilidade do PFE ou VEF1: <20% 
Persistente leve 
\u2022 Sintomas: mais do que 1 vez na semana, porém menos do que 1 vez ao dia 
\u2022 Exacerbações podem afetar as atividades do cotidiano e o sono 
\u2022 Sintomas noturnos: mais do que 2 vezes no mês 
\u2022 VEF1 ou PFE: >80% do previsto 
\u2022 Variabilidade do PFE ou VEF1: <20-30% 
Persistente moderada 
Sintomas: diários 
Exacerbações podem afetar as atividades do cotidiano ou o sono 
Sintomas noturnos: mais de 1 vez na semana 
Uso diário de beta-2 agonista inalatório de curta duração 
VEF1 ou PFE: 60-80% do previsto 
Variabilidade do PFE ou VEF1: >30% 
Persistente grave 
Sintomas: diários 
Exacerbações freqüentes 
Sintomas noturnos: freqüentes 
Limitação à realização de atividades físicas 
 
 
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VEF1 ou PFE: <60% do previsto. 
Variabilidade do PEF ou VEF1: >30% 
Obs: classificar o paciente sempre pela manifestação de maior gravidade. 
Adaptado do GINA, 2006. 
29 - Como classificar a asma em relação ao seu controle? 
Como a classificação da gravidade da asma não contempla sua evolução com o tratamento, o 
próprio GINA optou por estratificar a doença em três níveis de controle: controlada, 
parcialmente controlada e descontrolada. Esses níveis determinarão a necessidade de 
aumento da medicação ou a possibilidade de sua redução. Eles estão descritos na tabela 7. 
Tabela 7. Níveis de controle da asma segundo o GINA - 2006 
Características Controlada* Parcialmente 
controlada** 
Descontrolada 
Sintomas diurnos Até 2 
vezes/semana 
Mais de 2 
vezes/semana 
Limitação de 
atividades 
Ausente Qualquer 
Sintomas noturnos 
ou despertares 
Ausente Qualquer 
Medicação de 
resgate 
Até 2 
vezes/semana 
Mais de 2 
vezes/semana 
Função pulmonar 
(VEF1 ou PFE) 
Normal <80% do previsto ou 
do melhor valor 
pessoal 
Três ou mais 
características da 
asma parcialmente 
controlada presente 
em qualquer 
semana 
Exacerbações Ausentes 1 ou mais por ano 1 na semana (mostra 
descontrole na 
semana) 
 
30 - Quais são os objetivos do tratamento da asma? 
Apesar de não haver cura para a asma, pode-se obter um bom controle da doença, com 
excelente impacto na qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares, além de benefícios 
 para a sociedade como um todo. 
Os principais objetivos do tratamento da asma recomendados por diferentes diretrizes são: 
\u2022 alcançar e manter o controle dos sintomas, 
\u2022 manter atividade física normal, incluindo a possibilidade de executar exercícios 
físicos, 
\u2022 manter a função pulmonar o mais perto possível do normal, 
\u2022 prevenir exacerbações, 
\u2022 evitar efeitos adversos das medicações, 
\u2022 prevenir mortalidade por asma. 
 
31 - Qual o papel da educação em asma para o controle desta doença? 
Assim como os medicamentos, a educação é um dos pilares do tratamento da asma, que pode 
melhorar o controle da doença e permitir vida normal aos pacientes. A educação dos pacientes 
e dos familiares deve ser feita com uma linguagem clara e acessível e com conteúdo adequado 
ao público alvo. Neste processo, deve-se estabelecer uma boa relação entre médico, paciente 
e familiares, adequando-se o que eles precisam saber (julgado pelo médico) com o que eles 
querem saber (as necessidades dos próprios pacientes). 
Todos envolvidos no processo de educação devem ter em mente que se trata-se de um processo 
contínuo, em que conhecimentos e experiências são trocados mutuamente, com ampla discussão 
sobre expectativas, receios e crenças de cada um. 
32 - Que pontos devem ser abordados em um programa de educação em asma? 
Os programas de educação em asma devem ser adaptados para as realidades locais, segundo 
as disponibilidades profissionais e físicas da instituição, levando em conta também as 
características da população atendida. A seguir, listamos alguns pontos recomendados pela 
 
 
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Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e pelo GINA para um programa de educação 
em asma: 
1. Informar sobre a doença: conceitos básicos sobre a fisiopatologia e a clínica. 
2. Informar sobre fatores desencadeantes de asma, ensinando como evitá-los. 
3. Abordar medos, crenças e outros sentimentos acerca da asma. 
4. Ensinar sobre os medicamentos: 
a. Reconhecer medicações de controle e de alívio de sintomas 
b. Uso dos dispositivos inalatórios 
c. Conhecer efeitos colaterais 
d. Desfazer crenças infundadas 
5. Ensinar a reconhecer precocemente os sintomas da asma e iniciar o plano de ação 
proposto para os períodos de exacerbação. 
6. Ensinar reconhecer a necessidade de ir a um serviço de emergência. 
7. Ensinar como monitorar a estabilidade da asma. 
8. Incentivar o restabelecimento das atividades físicas e sociais, minimizar a perda de 
dias de escola ou de trabalho. 
9. Criar um canal de comunicação efetiva entre o médico, outros participantes da equipe 
de saúde, o paciente e seus familiares. 
Para maiores detalhes sobre educação em asma, sugerimos a aula da Profa. Ana Luisa Godoy 
Fernandes, no Simpósio PneumoAtual sobre Asma (2004), a qual se acompanha de um texto 
em pdf. 
33 - Medidas que reduzem a exposição do paciente asmático alérgenos são eficazes? 
A asma nitidamente piora com a exposição a uma série de fatores denominados gatilhos, que 
incluem alérgenos, irritantes, infecção viral, ar frio e medicamentos. A redução da exposição a 
esses fatores facilita o controle da doença. Recomenda-se atenção a: 
\u2022 tabagismo ativo ou passivo: deve ser evitado;