OK_Bronquiectasia
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superior direito e, com o progredir da 
doença, tornam-se difusas. São, geralmente, identificadas nas duas primeiras décadas de vida. 
Crianças com quadros infecciosos pulmonares recorrentes devem ter a fibrose cística entre as 
hipóteses diagnósticas. 
 
 
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9 - Quais os agentes infecciosos mais relacionados ao desenvolvimento de 
bronquiectasias? 
Outrora, o sarampo e a coqueluche eram causas freqüentes de bronquiectasias, porém, com a 
extensa imunização, a importância dessas doenças entre as causas de bronquiectasias 
diminuiu. As infecções por vírus, principalmente adenovírus, têm potencial para gerar 
bronquiectasias. Estudos brasileiros mostraram que, na população pediátrica, a ocorrência de 
bronquiectasia após quadro de bronquiolite viral é relativamente comum. Uma série publicada 
por Santos e colaboradores revelou que entre 48 crianças que apresentaram bronquiolite 
obliterante infecciosa, 54% tiveram bronquiectasia como complicação pós-infecciosa. 
As infecções por bactérias provocadoras de processos necrotizantes, entre elas, o 
Staphylococcus aureus, a Klebsiella pneumoniae, a Pseudomonas aeruginosa, o Mycoplasma 
pneumoniae, os anaeróbios e o Mycobacterium tuberculosis também são causas de 
bronquiectasias. 
A tuberculose, em nosso meio, ainda é uma doença infecciosa bastante comum. A infecção 
pelo BK pode gerar bronquiectasias pelo processo infeccioso brônquico em atividade ou por 
cicatrizes pulmonares de infecções prévias ou, ainda, por compressão brônquica por 
adenopatia hilar. 
Os fungos também contribuem para o surgimento de bronquiectasias, principalmente o 
Aspergillus fumigatus e o Histoplasma capsulatum. 
10 - O que é a aspergilose broncopulmonar alérgica? 
A aspergilose broncopulmonar alérgica (ABPA) é uma entidade clínica resultante de um estado 
de hiperimunidade, desencadeado pela presença do Aspergillus fumigatus nas vias aéreas 
inferiores. Deve ser suspeitada em pacientes asmáticos refratários à terapêutica. 
Classicamente a tosse associada à ABPA é descrita como produtiva e com expectoração de 
coloração marrom, eliminada sob a forma de moldes brônquicos, embora não é sempre que 
esta característica está presente. 
Na propedêutica encontram-se eosinofilia no sangue periférico, níveis elevados de IgE sérica e 
presença de anticorpos específicos contra o fungo. A ABPA leva ao desenvolvimento de 
bronquiectasias caracterizadas por sua localização central, fato pouco comum em 
bronquiectasias de outras etiologias. 
11 - O que é o seqüestro pulmonar? 
O seqüestro pulmonar é uma alteração congênita caracterizada por uma porção mal 
desenvolvida e não funcionante do tecido pulmonar, que apresenta comunicação normal com a 
árvore traqueobrônquica, porém com irrigação sanguínea proveniente da circulação sistêmica. 
Essa porção do tecido pulmonar freqüentemente contém dilatação brônquica, propiciando a 
ocorrência de infecções e o desenvolvimento de bronquiectasias. 
12 - Quais são as principais localizações das bronquiectasias? 
As bronquiectasias ocorrem, preferencialmente, nos lobos pulmonares com maior dificuldade 
de drenagem das secreções brônquicas. Assim, o lobo inferior esquerdo é o mais acometido, 
pois o brônquio esquerdo forma um ângulo mais agudo com a traquéia e seu diâmetro é mais 
estreito, em razão do cavalgamento que sofre da artéria pulmonar e da aorta. 
Todavia, a localização também depende da sua etiologia; desta forma, as bronquiectasias 
restritas a determinado segmento pulmonar geralmente estão relacionadas à aspiração de 
corpo estranho, à obstrução por tumores ou adenopatias ou à tuberculose, entre outras causas. 
Aquelas com envolvimento difuso do parênquima pulmonar tendem a estar relacionadas às 
causas sistêmicas, como imunodeficiência, fibrose cística, discinesia ciliar, entre outras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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13 - Como podem ser classificadas as bronquiectasias? 
As bronquiectasias podem ser classificadas de acordo com: 
1. Morfologia 
o Cilíndricas: brônquios uniformemente dilatados 
o Císticas: brônquios dilatados somente em determinado ponto de seu diâmetro 
o Varicosas: dilatações que se alternam com segmentos normais 
2. Localização 
o Localizadas 
o Difusas 
3. Etiologia 
o Congênita 
o Adquirida 
Embora a classificação morfológica seja a mais comumente citada na literatura, sua aplicação 
prática é pequena, pois não há diferença clínica, fisiopatológica e epidemiológica entre as 
formas cilíndricas, císticas e varicosas. Por outro lado, a localização e a distribuição das 
bronquiectasias podem ser úteis na determinação da etiologia: lesões difusas sugerem 
processo sistêmico, enquanto bronquiectasias localizadas falam a favor de alterações locais. 
14 - Como é o típico paciente portador de bronquiectasia? 
O típico paciente portador de bronquiectasia é aquele indivíduo que apresenta, 
persistentemente, tosse produtiva, com expectoração mucopurulenta, em grande quantidade, 
principalmente pela manhã. A evolução da doença é crônica, meses a anos, e é intercalada por 
períodos de acentuação dos sintomas, com necessidade de uso freqüente de antibióticos. 
Assim, todo paciente com quadro crônico de tosse, principalmente produtiva, deve ter a 
bronquiectasia entre os diagnósticos diferenciais. Com o avançar da doença, há maior 
extensão do acometimento pulmonar, de tal forma que a dispnéia, acompanhada ou não de 
sibilância, passa ser uma queixa freqüente. Episódios de hemoptise de gravidade variável 
podem eventualmente acontecer. 
15 - Quais são os principais sintomas da bronquiectasia? 
King e colaboradores avaliaram retrospectivamente 103 indivíduos adultos portadores de 
bronquiectasias atendidos em um centro de referência. A tabela 3 lista os principais sintomas 
encontrados pelos autores. 
Entre os pacientes avaliados, o volume médio diário de escarro era de aproximadamente 40 ml 
e a persistência de tosse produtiva era o motivo inicial mais freqüente para buscar atenção 
médica especializada. 
Tabela 3. Prevalência dos sintomas em pacientes adultos com bronquiectasias 
Sintomas % dos pacientes 
Tosse produtiva 96% 
Expectoração na maioria dos dias da semana 87% 
Expectoração diária 76% 
Fadiga 73% 
Sintomas de rinossinusite 71% 
Dispnéia 60% 
Hemoptise 26% 
Dor torácica 19% 
King PT et al. Respir Med 2006;100:2183-2189. 
16 - Quais são os principais achados do exame físico do paciente com bronquiectasias? 
Os achados no exame físico do paciente com bronquiectasias não são sensíveis e tão pouco 
específicos para essa entidade. Além disso, podem variar de acordo com o estágio em que se 
encontra a doença e a sua etiologia. A tabela 4 mostra os achados de exame físico 
encontrados nos pacientes descritos por King e colaboradores. 
A evidência de perda de peso é um sinal comum na doença avançada, sendo que o IMC 
(índice de massa corpórea) é um dado importante a ser obtido no acompanhamento desses 
pacientes. 
 
 
 
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Tabela 4. Achados do exame físico de pacientes adultos com bronquiectasia 
Sinal % dos pacientes 
Crepitações 73% 
Sibilos e roncos 21% 
Baqueteamento digital 2% 
King PT et al. Respir Med 2006;100:2183-2189. 
17 - O que é bronquiectasia seca? 
Bronquiectasia seca é aquela que se manifesta por meio de episódios de hemoptise e com 
quase nenhuma produção de escarro. Geralmente, surge em decorrência de lesões de 
tuberculose, curadas e cicatrizadas, nos ápices pulmonares. Não há acúmulo de secreções em 
função da drenagem contínua promovida pela ação da gravidade. 
18 - Quais são as complicações relacionadas à bronquiectasia? 
A mais freqüente intercorrência clínica no paciente com bronquiectasia são as exacerbações 
infecciosas. Essas podem ser resultado de infecção restrita aos brônquios ou de uma 
pneumonia. Além disso, o paciente pode desenvolver, em menor freqüência, empiema, 
abscesso pulmonar, hemoptise volumosa e pneumotórax. Nas fases avançadas da doença 
pode surgir o cor pulmonale. 
19 - Como reconhecer