OK_Bronquiectasia
16 pág.

OK_Bronquiectasia


DisciplinaFisioterapia13.151 materiais51.301 seguidores
Pré-visualização6 páginas
uma exacerbação infecciosa de bronquiectasia? 
Na exacerbação infecciosa de bronquiectasia, tal qual na DPOC, o paciente apresenta 
aumento do volume e da purulência do escarro em relação ao habitual, bem como surgimento 
ou aumento (no caso dessa ser previamente existente) da dispnéia. Associadamente podem 
surgir sibilância, hemoptise e adinamia. Febre e calafrios são incomuns. A radiografia do tórax 
pode mostrar imagens alveolares nas regiões comprometidas por bronquiectasias. 
20 - Quais são os agentes infecciosos relacionados às exacerbações de bronquiectasia? 
A flora bacteriana, durante as exacerbações de pacientes com bronquiectasia, é bastante 
semelhante a dos pacientes com DPOC. Na fase inicial da doença, há um predomínio de 
infecções por Streptococcus pneumoniae e HaemophIius influenzae. Entretanto, com o evoluir 
da patologia e, principalmente, nos pacientes com fibrose cística, as bactérias multirresistentes, 
entre elas, a Pseudomonas aeruginosa e o Staphylococcus aureus, passam a colonizar as vias 
aéreas, exercendo um papel importante nas agudizações. 
21 - Como deve ser feita a avaliação diagnóstica das bronquiectasias? 
Como a bronquiectasia consiste em uma alteração anatômica, a confirmação de sua presença 
requer um exame de imagem: radiografia simples do tórax, tomografia computadorizada de alta 
resolução do tórax ou broncografia. 
Após o diagnóstico da bronquiectasia, os próximos passos são identificar a possível etiologia, 
direcionada de acordo com a apresentação clínica, e avaliar o estado funcional do paciente, ou 
seja, o impacto da doença sobre o seu estado de saúde. Importante destacar que em menos 
de 50% dos casos, mesmo após extensa investigação, a etiologia é definida. 
22 - Quais são as possíveis alterações na radiografia simples de tórax nos pacientes 
com bronquiectasias? 
A radiografia de tórax é um método de baixa sensibilidade e especificidade no diagnóstico de 
bronquiectasias, 88% e 74%, respectivamente, segundo alguns autores. No passado, em 
função do grande número de casos avançados, as radiografias geralmente eram anormais. 
Com a diminuição do número de pacientes com doença grave, pelo menos nos países 
desenvolvidos, e com a disponibilidade da tomografia computadorizada de alta resolução 
(TCAR) para identificar precocemente os casos leves de bronquiectasias, trabalhos mais 
recentes mostraram que a radiografia freqüentemente é normal ou evidencia achados 
inespecíficos. 
As alterações na radiografia de tórax de pacientes com bronquiectasias podem ser 
caracterizadas em: 
 
 
 
 
www.pneumoatual.com.br 
Sinais diretos 
\u2022 Opacidades lineares paralelas (em \u201ctrilho de trem\u201d), representando paredes brônquicas 
espessadas. 
\u2022 Opacidades tubulares, representando brônquios cheios de muco. 
\u2022 Opacidades em anel ou espaços císticos, algumas vezes contendo níveis hidroaéreos. 
 
Figura 2. Opacidades lineares paralelas (\u201ctrilhos de trem\u201d), correspondentes a paredes 
brônquicas espessadas em paciente com bronquiectasias. Cedido por Paulo de Tarso Roth 
Dalcin \u2013 HC de Porto Alegre \u2013 UFRGS. 
 
Figura 3. Radiografia de tórax em PA evidenciando várias imagens císticas, algumas com nível 
líquido, em paciente com bronquiectasias secundárias a tuberculose. Cedido por Paulo de 
Tarso Roth Dalcin \u2013 HC de Porto Alegre \u2013 UFRGS. 
 
 
www.pneumoatual.com.br 
 
Figura 4. Radiografia de tórax em PA evidenciando múltiplas imagens císticas, em terços médio 
e inferior do campo pleuro-pulmonar esquerdo e no ápice direito, em paciente com 
bronquiectasias secundárias a tuberculose. Nota-se ainda redução volumétrica do pulmão 
esquerdo, com desvio das estruturas do mediastino para o mesmo lado. 
Sinais indiretos 
\u2022 Aumento da trama pulmonar e perda de sua definição em áreas segmentares do 
pulmão, resultante de fibrose peribrônquica e, em menor extensão, de secreções 
retidas. 
\u2022 Aglomeração de trama vascular pulmonar indicando a quase invariável perda de 
volume associada a esta condição. 
\u2022 Evidências de oligoemia como resultado da redução da perfusão da artéria pulmonar. 
\u2022 Sinais de hiperinsuflação compensatória do pulmão remanescente. 
 
23 - Qual o papel da tomografia computadorizada de tórax no diagnóstico das 
bronquiectasias? 
A tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) tornou-se o método diagnóstico de 
escolha na suspeita de bronquiectasias, alcançando uma sensibilidade de 97%, bem superior à 
da radiografia de tórax. A figura 5 exemplifica um caso em que a radiografia apresenta 
alterações discretas, que poderiam passar despercebidas, enquanto a TC não deixa dúvidas 
sobre a existência de bronquiectasias no lobo médio. 
A TCAR permite também identificar ou afastar outras doenças, bem como orientar a terapêutica 
cirúrgica. É importante destacar que ela caracteriza-se pela reconstrução espacial da imagem e 
pela realização de cortes finos (1 a 3 mm), visualizando, assim, as vias áreas distais. 
 
 
www.pneumoatual.com.br 
 
Figura 5. A. Radiografia de tórax em PA praticamente normal, deixando dúvidas sobre a 
presença de opacidades lineares no terço inferior do campo pleuro-pulmonar direito, junto à 
borda cardíaca. B. TC de tórax evidencia claramente a presença de bronquiectasias em lobo 
médio, com brônquios aglomerados e com suas paredes espessadas. 
24 - Quais as alterações na tomografia de tórax de pacientes com bronquiectasias? 
As alterações na tomografia de tórax sugestivas de bronquiectasias são: 
\u2022 diâmetro brônquico interno maior do que 1,5 vezes o diâmetro da artéria pulmonar 
adjacente (sinal do anel); 
\u2022 ausência de afunilamento brônquico, definido como um brônquio que tem o mesmo 
diâmetro do que o originou, por uma distância maior que 2 cm; 
\u2022 visualização de brônquio na periferia de 1 cm a partir da pleura costal; 
\u2022 visualização de brônquios adjacentes à pleura mediastinal; 
\u2022 espessamento de paredes brônquicas; 
\u2022 constrições varicosas ao longo das vias aéreas; 
\u2022 formação cística ao final de um brônquio. 
 
Figura 6. TC de tórax mostra extensas bronquiectasias. As duas setas amarelas mostram 
claramente o maior diâmetro do bônquio em relação à artéria adjacente (\u201csinal do anel\u201d). 
 
 
www.pneumoatual.com.br 
 
Figura 7. TC de tórax mostra extensas bronquiectasias, representadas por imagens císticas, 
algumas com nível líquido. A direita observa-se uma imagem longitudinal de um brônquio (seta 
amarela), que nitidamente não se afunila em direção à periferia, um sinal tomográfico de 
bronquiectasia. Este brônquio apresenta, ainda, dilatação varicosa ao seu final (seta verde). 
Cedido por Paulo de Tarso Roth Dalcin \u2013 HC de Porto Alegre \u2013 UFRGS. 
 
 
Figura 8. TC de tórax mostra múltiplas bronquiectasias císticas, bilateralmente. 
 
25 - O que é bronquiectasia de tração? 
Bronquiectasia de tração é um termo utilizado para descrever a dilatação brônquica que surge 
em função da retração do parênquima, provocada por fibrose pulmonar. É tipicamente um 
achado de imagem e na maior parte dos casos não apresenta as características clínicas das 
bronquiectasias propriamente ditas. 
 
 
www.pneumoatual.com.br 
 
Figura 9. TC de tórax de paciente com fibrose pulmonar idiopática, com extensas áreas de 
faveolamento, bem como bronquiectasias de tração (setas amarelas). 
26 - Qual o papel da broncografia no diagnóstico das bronquiectasias? 
A broncografia é um exame radiológico da árvore brônquica que utiliza a aplicação de contraste 
iodado nos brônquios por meio de um cateter ou por broncoscopia, permitindo a identificação 
adequada das bronquiectasias. Atualmente, no entanto, é raramente realizada, pois é um 
exame invasivo, não isento de complicações, apresenta dificuldades técnicas na sua realização 
e, principalmente, pelo surgimento da tomografia computadorizada de alta resolução. 
27 - Quais são as alterações encontradas na avaliação funcional pulmonar nos pacientes 
com bronquiectasias? 
Do ponto de vista espirométrico, caracteristicamente, os pacientes com bronquiectasias