CBM_2009
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CBM_2009


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médico, representa a maior evolução do 
ensino da relação médico-paciente, o que é 
totalmente diferente do psicodrama onde há um 
jogo de papéis, um role-playing. No laboratório 
de habilidades não há esse jogo de papéis. Tudo é 
feito com scripts que vão nos levar às situações 
que desejamos explorar. 
Na última edição da Semiologia Médica 
publicada em 2009, inserimos um DVD, aonde 
registramos esta técnica com o máximo de 
desenvolvimento. Escolhemos uma atriz 
acompanhada de seu marido que apresentava 
como queixa principal um \u201ccaroço na mama\u201d. Ela 
estava com muito medo de estar com câncer. 
Examinada por um \u201cmédico\u201d, dentro da sala-
espelho, foi possível analisar seu relato e suas 
reações. Como disse, é possível reproduzir, uma 
serie de questões o que é absolutamente 
impossível com o paciente \u201creal\u201d. Pode-se pedir, 
por exemplo, para ele parar de chorar, embora 
pareça estar absolutamente emocionada. 
Podemos dizer \u2013 \u201cVamos parar aí, vamos voltar 
um pouco para ver o que aconteceu!\u201d O que 
levou a esse momento de pranto? É algo novo no 
ensino da semiologia, e da relação médico-
paciente. 
Vamos concluir esta exposição tentando 
responder às perguntas iniciais: 
Quando iniciar o ensino-aprendizagem 
da relação médico-paciente? No meu 
entendimento deve ser no primeiro dia de aula! 
Não podemos mais esperar o segundo ano ou o 
terceiro ano do curso, como antigamente. Para 
nós evoluirmos no ensino da semiologia, temos 
que começá-lo no primeiro dia de aula. Aquela 
aula inaugural tradicional das escolas não precisa 
mais ser no anfiteatro de anatomia; ela pode ser 
num local aonde nós vamos mostrar para os 
estudantes de medicina o encontro deles com os 
pacientes. Minha proposta é começar pelo 
encontro clínico com o paciente e não o 
encontro com o cadáver. 
Insisto que é necessário e possível 
integrar o ensino-aprendizagem da semiotécnica 
com o da relação médico-paciente. Como 
metodologia posso utilizar qualquer uma destas 
alternativas: discussão de grupo, método Balint, 
método psicossociodramático e o laboratório de 
habilidades clínicas. Ainda não temos estudos 
que permitam dizer qual o melhor método para 
formar bons médicos. 
Para finalizar, deixo como mensagem esta 
figura magnífica de Frida Khalo, aonde procurei 
sintetizar o que entendo por arte clínica. Arte 
clínica é levar para cada paciente a ciência 
médica, e isso só é possível se eu colocar a ética 
como a base de todo ato médico. A medicina 
baseada em evidências nos dá fortes elementos 
para trabalhar cientificamente, mas é a medicina 
baseada em vivências, aquela que só se aprende 
no encontro com o paciente, que caracteriza a 
medicina de excelência. 
 
Muito obrigado! 
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REFERÊNCIAS 
1. Balint M. O Médico, seu Paciente e a Doença. 
Ed. Atheneu, 2005. 
 
2. Branco RFGR. A Relação com o Paciente: 
Teoria, Ensino e Prática. Ed. Guanabara Koogan, 
2003. 
 
3. Kübler-Ross E. Morte, Estágio Final da 
Evolução. Ed. Record, 1984. 
 
4. Moreno JL. Quem sobreviverá? Fundamentos 
da Sociometria, Psicoterapia de Grupo e 
Sociodrama. Dimensão Editora, 1992. 
 
5. Perestrello DA. Medicina da Pessoa. Atheneu, 
1974. 
 
6. Porto C, Porto CC. Semiologia Médica, 6ª 
edição, Ed. Guanabara Koogan, 2009. 
 
7. Tähkä V. O Relacionamento Médico Paciente. 
Artes Médicas, 1988. 
 
 
 
 
A SEMIOLOGIA HOJE 
 
THE SEMEIOLOGY TODAY 
 
José Rodolfo Rocco1 
 
 
 
 
RESUMO 
O autor descreve como é ensinada a semiologia e a parte inicial da clínica médica, no assim chamado 
programa curricular integrado, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 
ambas coordenadas por ele, mostrando mesmo os títulos das aulas ministradas. Relata, outrossim, a que 
unidades pertencem os professores e monitores que participam do curso. Discute a importância de 
detalhes considerados nos respectivos exames dos doentes, inclusive com respeito a equipamentos 
empregados. 
 
 
Palavras-chave: Semiologia; Clínica Médica; Ensino. 
 
 
ABSTRACT 
The author describes how the semeiology and the initial part of the internal medicine are taught , in the 
so called integrated curricular program, of the Faculty of Medicine of the Federal University of Rio de 
Janeiro, both coordinated by him, even showing the titles of the classes given. Reports, likewise, to 
which unities belongs the professors and monitors that take part in the course. Discusses the importance 
of details taken into account in the respective examination of patients , even as far as equipments are 
concerned. 
Key words: Semeiology; Internal Medicine; Teaching. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
_______________________________________________________________________________________ 
Professor Associado de Clinica Médica Propedêutica da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Médico do Hospital 
Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Coordenador das Disciplinas de Propedêutica e 
Medicina Interna I da Faculdade de Medicina da UFRJ; Mestre e Doutor em Clinica Médica pela Universidade Federal do Rio de 
Janeiro; Título de Especialista em Medicina Intensiva pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira e Federação; 
Panamericana e Ibérica de Medicina Intensiva; Titular-colaborador do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. 
E-mail: jrrocco@globo.com 
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Prof. José Rodolfo Rocco - Bom dia a 
todos! Eu agradeço o Sr. Presidente, os Srs. 
secretários pela presença, é, realmente, uma 
grande honra estar nesta Casa e vamos falar 
sobre como é o nosso ensino de semiologia na 
Universidade Federal do Rio de Janeiro. 
Eu costumo iniciar minhas apresentações 
declarando não ter conflito de interesses, por que 
vamos falar sobre alguns aparelhos. 
Em nossa universidade nós temos a semiologia 
ensinada no 4º e no 5º período, sendo 98 alunos 
por semestre, sendo divididos em 14 grupos. 
O 4º período é ministrado o Programa 
Curricular Integrado (PCI) de Propedêutica 
Clínica; no 5º período o PCI de Medicina Interna 
I e, atualmente, eu sou o Coordenador dos dois 
períodos. 
O PCI de Propedêutica Clínica é 
ministrado duas vezes por semana: 2ª e 3ª feiras, 
iniciando-se com uma aula teórica de duas horas 
com exercícios de diagnósticos e depois com duas 
horas de prática na enfermaria. E como é um 
programa curricular integrado o aluno também 
tem aulas de enfermagem, dermatologia, 
psicologia médica e noções de semiologia 
pediátrica. 
Essas são algumas das aulas teóricas 
ministradas sobre sinais e sintomas (Tabela 1). E 
as aulas práticas a beira do leito, geralmente são 
ministradas na enfermaria e algumas vezes em 
ambulatório, são aulas que visam basicamente o 
aluno preceder o conhecimento da anamnese e 
depois a ectoscopia e os sinais vitais. 
 Tabela 1. Aulas teóricas ministradas no PCI de Propedêutica Clínica 
Dor Edema 
Dor Torácica Icterícia 
Dor Abdominal Lombalgia 
Alterações Gastrintestinais I e II Alterações da Consciência 
Anemia e Hemograma Dispnéia e cianose 
Hipertensão Arterial Tuberculose 
Cefaléia Infecção hospitalar 
Febre História da Pessoa 
 
Quem ministra as aulas são os professores 
do Departamento de Clínica Médica no esquema 
de rodízio, nesse período principalmente os 
professores chefes de serviços e os professores 
titulares da casa. 
Nós temos uma folha de observação 
clínica, que foi criada em 1975, foi descontinuada 
e que nós resgatamos. Está é a nossa identidade: é 
uma folha que se anota a identificação, a queixa 
principal, o estado da doença atual, tem parte de 
todas as perguntas para história, a revisão de 
sistemas, anamnese dirigida, história patológica 
pregressa,