CBM_2009
135 pág.

CBM_2009


DisciplinaPropedêutica Clínica178 materiais1.754 seguidores
Pré-visualização45 páginas
fisiológica, familiar e o estado da 
pessoa. 
 
Ela é profundamente incompleta e, 
excepcionalmente, útil, posto que o aluno 
realizando a anamnese repetidas vezes, depois da 
10ª ou 20ª anamnese, ele já vai decorar a folha, 
então ele vai saber a ordem das perguntas, isso 
facilita, e muito o ensino. E a anamnese nesta 
folha é corrigida semanalmente pelo professor. 
Cad Bras Med, XXII (1,2,3,4): 1-135 - Jan-Dez, 2009 18
Damos as avaliações, inclusive 
instituímos a chamada \u201cprova final\u201d, que é um o 
grande terror dos alunos. 
Já no PCI de Medicina Interna I, as aulas 
são ministradas quatro vezes por semana. Temos 
aulas teóricas (Tabela 2) e alguns casos clínicos 
(no total de 16) que são simulações de casos reais 
com perguntas; aulas de radiologia que 
acompanham as síndromes e o aprendizado. 
Então, o aluno está tendo uma aula sobre 
semiologia do aparelho respiratório, a radiologia 
é do tórax e os casos clínicos são sobre doenças 
do tórax; temos aulas de cirurgia experimental, 
aulas práticas na enfermaria ou ambulatório e 
encontros de psicologia médica que persiste, 
começa pelo 4º período, pelo 5º e também, no 6º 
período, e também tem noções de semiologia 
pediátrica. 
 
Tabela 2. Aulas teóricas ministradas no PCI de Medicina Interna I 
Metabolismo ácido-base Hemorragia Digestiva 
Alterações do Equilíbrio Hidroeletrolítico I e II Aumento do Volume Abdominal 
Semiologia do Desenvolvimento Hipertensão Portal 
Semiologia Neonatal Insuficiência Hepática 
Semiologia Genética Doenças das Artérias 
Semiologia do Adolescente Doenças das Veias e Linfáticos 
Introdução aos Exames Complementares Exame Neurológico I e II 
Choque Convulsões 
Hemoptise Paralisias 
Insuficiência Respiratória Aguda e Crônica Lombalgias 
Asma e Rinite Alérgica Disfunções Osteomioarticulares 
Insuficiência Cardíaca Lesões Osteomioarticulares relacionadas ao Esforço 
Semiologia Cardiovascular Reações Adversas a Drogas 
Sopros Cardíacos Imunodeficiências 
Insuficiência Renal Dermatites Alérgicas 
Urticária e Angioedema Semiologia do Idoso 
 
É claro que o número de aulas teóricas é 
muito maior do que no 4º período, também, 
basicamente, sobre sinais e sintomas e grandes 
síndromes. 
As aulas práticas visam um treinamento 
continuo na coleta da anamnese, ectoscopia e 
sinais vitais, ou seja, o aluno continua tendo que 
entregar uma anamnese por semana para que o 
professor a corrija; e semiologia segmentar 
classicamente estudada: cabeça e pescoço, 
aparelho respiratório, aparelho cardiovascular, 
abdome, vascular, neurológico e osteoarticular. 
Cad Bras Med, XXII (1,2,3,4): 1-135 - Jan-Dez, 2009 19
Quem ministra as aulas? São todos os 
professores do Departamento de Clínica Médica, 
aí entrando também os Mestrandos de Clínica 
Médica e os Monitores de Clínica Médica 
concursados. Então, para cada grupo de oito 
alunos temos um ou dois professores, um ou dois 
mestrandos e dois monitores. 
Também temos uma folha clássica em 
que é anotado o exame físico. Esta também é 
incompleta, mas serve para que o aluno se 
acostume com os itens. Para a avaliação temos 
provas de radiologia e de cirurgia, além das 
provas de discursivas, uma prova prática com o 
paciente e a terrível prova final. 
A grande preocupação era que, como 
vocês já observaram, é um grande número de 
professores com formações, às vezes um pouco 
distintas, que ministram as aulas, as aulas eram 
um pouco díspares, então, os alunos se 
queixavam da desigualdade de ensino. Então, nós 
procuramos fazer aulas de revisão oferecidas aos 
monitores, que são grandes disseminadores de 
conhecimento, para os mestrandos e também 
para os professores, com o intuito de educar e 
fazer uma recordação da matéria. E essas aulas 
acompanham, à pari passo, o curso. 
Nós distribuímos também um CD-ROM 
com material didático que inclui todas essas aulas 
de revisões e mais as aulas teóricas e mais o 
material didático que produzimos, fotos e filmes 
do exame físico. Uma vasta bibliografia 
disponibilizada. 
O que nós devemos atualmente ensinar? 
Como conseguimos separar o que é importante 
aprender? O aluno virtualmente sempre se 
queixa do enorme número de epônimos e 
manobras que ele nunca mais vai ver na vida, e o 
que é realmente importante na prática, o que é 
realmente útil? 
Então nós temos aqui alguns exemplos do 
que ainda é útil: 
\u2022 A pesquisa da voz sussurrada, a pesquisa da 
broncofonia, é bastante útil; 
\u2022 O ensino da posição Shuster para palpar o 
baço, é útil; 
\u2022 Ensinar que o sinal de Chaddock, às vezes, é 
mais sensível que o próprio sinal de Babinsk, 
que é o sinal mais importante na neurologia 
também, é útil, por aí vai... 
Mas também a não devemos mais ensinar 
o que não é útil, que às vezes o aluno encontra 
nos livros antigos de semiologia, que são muito 
bons. Entretanto, alguns sinais como sucussão 
hipocrática; sinal da moeda, pesquisa da 
elasticidade torácica; percussão do precórdio; 
inalação de nitrito de amilo para fazer 
diagnóstico diferencial de sopro cardíaco, não são 
manobras utilizadas na prática médica, mas que 
ainda encontramos nos livros mais antigos. 
Assim, é necessário certa modernização. 
Por exemplo, a pesquisa de frêmito 
tóraco-vocal, é o famoso 33. Se observarmos 100 
médicos, 98% dos deles só fazem a ausculta do 
tórax, eles se esquecem de pesquisar o frêmito 
tóraco-vocal. E quando você faz essa pesquisa, o 
paciente para e pensa - Opa, esse médico é 
diferente, ele me examina como os médicos de 
antigamente! - É como se fosse uma coisa que foi 
perdida, é muito mais fácil e muito mais rápido 
pedir para o paciente respirar fundo, do que você 
pesquisar o frêmito tóraco-vocal. A pesquisa do 
frêmito tóraco-vocal é importante, pois ele só 
estará aumentado se a pessoa tiver uma 
condensação pulmonar. O que pode ajudar no 
diagnóstico de uma pneumonia, por exemplo. 
Então, se o paciente apresentar uma broncofonia, 
ou seja, você pede para o doente falar 33 
baixinho, ausculta o tórax, e ao invés de sílabas 
inaudíveis e \u201cborradas\u201d você ausculta uma 
melhor dicção ou como se fosse um balido de 
cabra (uma ressonância vocal maior), é o mesmo 
significado do frêmito tóraco-vocal aumentado, 
significando que ali tem uma condensação; Em 
outro exemplo, a presença de estertores finos 
Cad Bras Med, XXII (1,2,3,4): 1-135 - Jan-Dez, 2009 20
localizados em um paciente com febre e tosse 
produtiva, você faz o diagnóstico de pneumonia 
sem a necessidade de realizar o Raios-X do tórax. 
É claro que se houver uma suspeita de 
derrame pleural ou alguma outra complicação, é 
obvio que devemos solicitar a radiografia do 
tórax ou tomografia computadorizada ou 
ressonância torácica, o que for necessário para o 
caso. 
Em relação à posição de Schuster e sua 
variação Schuster-Rocco que é interessante para 
relaxar a musculatura (Figura 1). 
Então, ensinar como é a posição: perfeito 
decúbito lateral da cintura pélvica e semi-
decúbito da cintura escapular, a mão esquerda do 
examinador na região costo-lombar e a mão 
direita palpando da fossa ilíaca direita (é direita 
mesmo, e não da esquerda, devido a direção do 
aumento do baço) em direção ao hipocôndrio 
esquerdo ou a palpação em garra. O ensino da 
posição de Schuster, o ensino da técnica de 
palpação do baço, é importante. 
 
 
 
Figura 1. (A) Posição de Schuster clássica. (B) Posição de Schuster-Rocco, na qual a musculatura lateral 
da parede abdominal fica mais relaxada 
 
O sinal de Babinski é o clássico! Enfim, 
deve ser ensinado, mas também o sinal de 
Chaddock, às vezes, em alguns casos em que você 
não tem o Babinski aparente, o Chaddock é 
positivo, ou seja, a pessoa tem a dorsoflexão do 
halux. Então, isso é importante saber \u2013 Ah, 
existem muitos sucedâneos do sinal de Babinski!