OK_DPOC Exarcebação
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OK_DPOC Exarcebação


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fator determinante para internação do paciente. 
Na presença de alteração da oximetria, a gasometria arterial deve ser realizada, pois permite 
confirmar e avaliar de forma mais precisa o comprometimento de oxigenação. Além disso, a 
 
 
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gasometria permite verificar alterações na PaCO2 e no pH, que também são marcadores de 
gravidade da exacerbação. 
19 - É necessário realizar radiografia de tórax nas exacerbações da DPOC? 
A radiografia de tórax não precisa ser realizada de forma rotineira em pacientes com 
exacerbação da DPOC. Este exame deve ser solicitado se houver alguma dúvida quanto ao 
diagnóstico e nas exacerbações graves que requeiram hospitalização. 
20 - É necessário solicitar exame microbiológico do escarro para identificar o agente 
etiológico da exacerbação da DPOC? 
A pesquisa microbiológica do escarro não deve ser feita rotineiramente na exacerbação da 
DPOC, pelos seguintes motivos: 
\u2022 bacterioscopia e cultura do escarro apresentam resultados semelhantes durante a 
exacerbação e a fase estável; 
\u2022 não tem como distinguir entre patógenos verdadeiros e flora que \u201ccoloniza\u201d a via aérea; 
\u2022 as bactérias mais comuns (H. influenzae. S. pneumoniae e M catarrhalis) são difíceis 
de serem isoladas no escarro. 
A presença de escarro purulento já é sinal suficiente para pensar em etiologia bacteriana. Por 
outro lado, o GOLD em sua última revisão afirma que uma situação de exceção seria um 
paciente com forte suspeita de infecção bacteriana, porém que não responde ao esquema 
antimicrobiano inicial. Neste caso o estudo microbiológico do escarro poderia ser solicitado. 
21 - Quais são os objetivos do tratamento da exacerbação da DPOC? 
Tratar adequadamente uma exacerbação da DPOC é fundamental, pois reduz as chances de 
óbito e melhora a qualidade de vida do paciente. Além disso, o tratamento adequado é capaz 
de reduzir a recorrência precoce da exacerbação. Assim, para que haja sucesso na condução 
do paciente com agudização, alguns objetivos devem ser alcançados: 
\u2022 Identificar e tratar a causa, se possível; 
\u2022 Otimizar a função pulmonar, principalmente através da administração mais intensiva de 
broncodilatadores; 
\u2022 Garantir oxigenação adequada; 
\u2022 Tentar prevenir, se possível, a necessidade de intubação; 
\u2022 Prevenir as complicações relacionadas à imobilidade, como o descondicionamento 
físico e a embolia pulmonar; 
\u2022 Garantir a manutenção das necessidades nutricionais. 
 
22 - Como decidir se o tratamento da exacerbação da DPOC deve ser em ambiente 
ambulatorial ou hospitalar? 
Não existe um critério exato que permita tomar tal decisão. Em linhas gerais, deveriam ser 
hospitalizados os pacientes com exacerbação mais grave ou aqueles com risco grande de 
complicações. No entanto, alguns fatores devem alertar o médico sobre a necessidade de 
conduzir o tratamento em ambiente hospitalar: 
\u2022 Insuficiência respiratória aguda grave: caracterizada por aumento acentuado da 
dispnéia (com incapacidade para alimentar, dormir ou deambular) e/ou alteração do 
nível de consciência; 
\u2022 Hipoxemia ou, em pacientes com hipoxemia crônica, piora dos níveis prévios de 
oxigênio e/ou presença acidose respiratória; 
\u2022 Presença de complicações como tromboembolismo pulmonar, pneumonia ou 
pneumotórax; 
\u2022 Presença de condições associadas, como insuficiência cardíaca congestiva, diabetes, 
arritmia, insuficiência renal ou hepátioca; 
\u2022 Impossibilidade de realizar o tratamento ambulatorial por falta de condição 
socioeconômica; 
\u2022 Apoio domiciliar insuficiente; 
\u2022 DPOC grave. 
 
 
 
 
 
 
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23 - Qual o algoritmo para o tratamento domiciliar da exacerbação? 
O critério exato para o tratamento domiciliar vs hospitalar continua incerto e varia de acordo 
com os recursos de saúde locais. Se for determinado que os cuidados possam ser iniciados em 
casa, o algoritmo da figura 2 fornece uma abordagem terapêutica passo-a-passo. 
 
Figura 2. Algoritmo para condução domiciliar da exacerbação de DPOC. 
24 - Quais os fatores que podem predizer a má evolução no tratamento da exacerbação? 
\u2022 Idade maior que 65 anos; 
\u2022 Dispnéia muito intensa; 
\u2022 Comorbidade significativa; 
\u2022 Mais de 4 exacerbações no ano anterior; 
\u2022 Internação por exacerbação no ano prévio; 
\u2022 Uso de esteróides sistêmicos nos últimos 3 meses; 
\u2022 Uso de oxigenoterapia domiciliar; 
\u2022 Uso de ventilação não invasiva; 
\u2022 Uso de antibióticos nos últimos 15 dias. 
 
25 - Quais as indicações para Internação na UTI de pacientes com exacerbações da 
DPOC 
Nas seguintes situações deve-se considerar a internação na UTI: 
\u2022 Dispnéia grave que responde inadequadamente à terapia emergencial inicial; 
\u2022 Mudança no status mental (confusão, letargia, coma); 
 
 
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\u2022 Hipoxemia persistente ou piorando (PaO2<40 mm Hg), e/ou hipercapnia grave/piorando 
(PaCO2>60 mmHg), e/ou acidose respiratória grave/piorando (pH<7,25), apesar do 
oxigênio suplementar e ventilação não-invasiva; 
\u2022 Necessidade de ventilação mecânica invasiva; 
\u2022 Instabilidade hemodinâmica \u2013 necessidade de vasopressores. 
 
26 - Como manejar a oxigenoterapia no tratamento da exacerbação da DPOC? 
A oxigenoterapia é fundamental no tratamento hospitalar de exacerbações da DPOC. O 
oxigênio suplementar deve ser titulado para melhorar a hipoxemia do paciente. Níveis 
adequados de oxigenação (PaO2>60 mmHg, ou SaO2>90%) são fáceis de alcançar em 
exacerbações não complicadas, mas retenção de CO2 pode ocorrer de maneira insidiosa com 
pouca mudança nos sintomas, com destaque para o rebaixamento do nível de consciência. 
Assim, uma vez iniciada a suplementação de oxigênio, esta deve ser monitorada através de 
oximetria de pulso e/ou gasometria arterial. Deve-se ter como objetivo manter a saturação 
arterial periférica de oxigênio de 90% a 94%, ofertando para isto o menor fluxo de oxigênio 
possível. 
27 - Quais broncodilatadores utilizar na exacerbação da DPOC? 
Os beta-2 agonistas inalados de curta-duração são geralmente os broncodilatadores preferidos 
para tratamento das exacerbações da DPOC. Se uma resposta imediata a esses fármacos não 
ocorre, a adição de um anticolinérgico é recomendada, mesmo que haja controvérsias nas 
evidências sobre a eficácia dessa combinação. Apesar do seu amplo uso clínico, o papel das 
metilxantinas no tratamento das exacerbações da DPOC continua controverso. Não há 
evidências científicas capaz de recomendar o uso das metilxantinas no tratamento da 
exacerbação da DPOC. 
Não há estudos clínicos que tenham avaliado o uso de broncodilatador inalado de longa-
duração (beta-2 agonistas ou anticolinérgicos) com ou sem corticoides inalados durante uma 
exacerbação. Em termos práticos, o paciente deve ser orientado a intensificar o uso do 
broncodilatador de resgate assim que aparecerem os primeiros sinais da exacerbação. 
28 - Como utilizar os broncodilatadores no tratamento da exacerbação da DPOC? 
Os broncodilatadores aqui considerados vão ser os beta-2 adrenérgicos de curta ação 
(salbutamol, fenoterol e terbutalino) e o anticolinérgico (brometo de ipratrópio). O paciente com 
DPOC, principalmente em exacerbações, utiliza melhor a via inalatória por meio dos 
nebulizadores, geralmente de ar comprimido, embora os aerossóis dosimetrados, comumente 
chamados de sprays ou bombinhas, também possam ser utilizados. Nas agudizações graves, 
as nebulizações devem ser feitas com oxigênio ou associadas ao uso do mesmo, pois os beta-
2 adrenérgicos podem alterar a relação ventilação/perfusão gerando ou agravando uma 
hipoxemia preexistente. 
Os beta-2 adrenérgicos de curta duração por via inalatória são considerados como a 
medicação broncodilatadora de escolha para tratamento das agudizações da DPOC. No nosso 
meio dispomos do fenoterol e do salbutamol em solução a 0,5% para nebulização. A dose 
utilizada varia de 2,5 mg (0,5 ml ou 10 gotas) a 5 mg (1 ml ou 20 gotas), associada a 1 ou 2 ml 
de soro fisiológico, dose esta que é repetida com intervalos variáveis de trinta minutos a 6 
horas