OK_DPOC Exarcebação
13 pág.

OK_DPOC Exarcebação


DisciplinaFisioterapia13.173 materiais51.518 seguidores
Pré-visualização6 páginas
de acordo com a gravidade do quadro. 
O brometo de ipratrópio é considerado como tendo feito aditivo aos beta-2 adrenérgicos, 
embora alguns autores o considerem dispensável no tratamento das agudizações da DPOC. 
Recomendamos o seu uso em forma de solução para nebulização a 0,025%, 250 mcg (1 ml ou 
20 gotas) a 500 mcg (2 ml ou 40 gotas) associado ao beta-2. Damos preferência a dose de 500 
mcg. Esta associação em geral permite-nos usar uma menor dosagem do beta-2 adrenérgico 
com menos efeitos colaterais, principalmente tremores e taquicardia, que se apresentam com 
maior intensidade no grupo de pacientes mais idosos. Associamos a esta dose do brometo de 
ipratrópio, o fenoterol ou salbutamol, de 1,25mg a 2,5mg de (5 a 10 gotas). Veja na tabela 4 as 
doses dos broncodilatadores no tratamento da exacerbação da DPOC. 
 
 
www.pneumoatual.com.br 
 
Tabela 4. Tratamento inalatório da exacerbação da DPOC 
MEDICAMENTO OU 
SOLUÇÃO 
DOSES INTERVALO 
INICIAL COM BOA 
RESPOSTA 
COM POUCA 
RESPOSTA 
Fenoterol ou 
salbutamol 
0,5ml ou 
10 gotas 
30 minutos 
entre neb 1 e 
2 
4/4h ou 6/6h 2/2 h até 
melhora 
Brometo de ipratrópio 2ml ou 40 
gotas 
Soro fisiológico 2 ml 
 
29 - Qual o papel das xantinas no tratamento da exacerbação da DPOC? 
Embora seja uma prática frequente a utilização de xantinas como parte do tratamento da 
exacerbação da DPOC, há bastante controvérsia a respeito de sua eficácia e segurança nessa 
situação. Em uma meta-análise recente foi avaliado o papel das xantinas no tratamento dos 
casos de exacerbação da DPOC, atendidos em serviços de urgência. Os resultados levaram as 
seguintes conclusões: 
\u2022 Há uma carência de ensaios randomizados e controlados por placebo, de tal forma que 
somente 4 estudos preencheram os critérios de inclusão da meta-análise (169 
pacientes foram avaliados); 
\u2022 As xantinas não foram significativamente benéficas em relação à função pulmonar, 
sintomas, admissão hospitalar, tempo de permanência hospitalar e recaída precoce da 
exacerbação, quando comparada com o placebo; 
\u2022 As xantinas se relacionaram ao aumento dos eventos adversos, principalmente 
náuseas e vômitos. 
O GOLD, em sua última revisão, aborda da seguinte forma a utilização das xantinas na 
exacerbação da DPOC: \u201capesar do seu amplo uso clínico, o papel das metilxantinas no 
tratamento da exacerbações da DPOC continua controverso. Metilxantinas (teofilina ou 
aminofilina) são atualmente consideradas terapia intravenosa de segunda linha, usadas 
quando a resposta a broncodilatadores de curta-duração é inadequada ou insuficiente. Efeitos 
benéficos possíveis em termos de função pulmonar e desfecho clínico são modestos e 
inconsistentes, ao passo que os efeitos adversos são marcadamente elevados.\u201d 
Com base nas evidências e recomendações atuais podemos concluir que não há indicação 
para a utilização das xantinas no tratamento da exacerbação da DPOC. 
30 - Como deve ser a prescrição de broncodilatadores nas exacerbações tratadas em 
casa? 
O tratamento domiciliar das exacerbações da DPOC envolve aumentar a dose e/ou a 
frequência dos broncodilatadores de curta-duração já em uso, de preferência. Não há evidência 
suficiente, porém, para apontar uma diferença na eficácia entre as diferentes classes de 
broncodilatadores de curta-duração, ou para apontar benefícios adicionais de combinações de 
broncodilatadores de curta-duração. Entretanto, se ainda não estiver sendo utilizado, um 
anticolinérgico pode ser adicionado até que os sintomas melhorem. Não há diferença na 
resposta clínica entre broncodilatadores administrados por inaladores com doses medidas com 
espaçador e nebulizadores. 
 
31 - Está indicado o uso de corticoide sistêmico na exacerbação? 
Sim. Os corticoides sistêmicos são benéficos no tratamento de exacerbações da DPOC. Eles 
diminuem o tempo de recuperação, melhoram a função pulmonar (VEF1) e a hipoxemia (PaO2) 
mais rapidamente e podem reduzir o risco de recaída precoce, falha no tratamento e duração 
de internação. 
Nas agudizações que não requeiram internação, é usado geralmente a dose de 4 0mg de 
prednisona, uma vez ao dia por 10 a 14 dias, com suspensão abrupta, sem necessidade de 
redução progressiva. Pode também ser usado um esquema com 40 mg de prednisona nos 
primeiros 5 a 7 dias e 20 mg nos 5 a 7 dias subsequentes. 
Quando há necessidade de internação, a via endovenosa tem sido preferida, podendo ser 
usada a metilprednisolona (62,5 a 125 mg por dia) ou a hidrocortisona (200 mg a cada 6 ou 8 
 
 
www.pneumoatual.com.br 
horas), em média por 3 dias. Após esta fase inicial, havendo melhora do paciente, pode-se 
passar para a via oral, com prednisona (40 mg/dia), por mais 10 dias. 
Embora um estudo extenso tenha sugerido que a budesonida em nebulização poderia ser uma 
alternativa (embora mais cara) aos corticoides orais no tratamento de exacerbações não-
acidóticas, ainda não há evidência suficiente para a recomendação dos corticoides inalados n o 
tratamento das exacerbações da DPOC. 
32 - Quando os antibióticos devem ser utilizados no tratamento da exacerbação da 
DPOC? 
Trabalho recente mostrou que o aspecto que melhor se correlacionou com a necessidade de 
uso de antibióticos em exacerbação da DPOC foi o escarro de aspecto purulento. Frente a 
essa observação, o GOLD recomenda que os antimicrobianos devam ser utilizados nas 
exacerbações com as seguintes características: 
\u2022 Aumento da dispnéia, do volume do escarro e purulência do escarro (evidência B); 
\u2022 Aumento da purulência do escarro, acompanhado de aumento da dispnéia ou do 
volume do escarro (evidência C); 
\u2022 Exacerbação grave com necessidade de ventilação mecânica invasiva ou não-invasiva 
(evidência B). 
33 - Como escolher o antimicrobiano a ser utilizado no tratamento da exacerbação da 
DPOC? 
A escolha do antibiótico vai ser influenciada pelo estadiamento do paciente, gravidade da 
apresentação clínica da exacerbação e por outras características como aderência ao 
tratamento, possibilidade de resistência antibiótica por parte dos agentes bacterianos 
causadores da infecção e presença de fatores de risco para má evolução da exacerbação. A 
tabela 5 lista as recomendações do Consenso Brasileiro de DPOC para o uso de antibióticos 
na exacerbação da DPOC. 
Tabela 5. Classificação da DPOC com os patógenos causadores das exacerbações e 
tratamento antibiótico ambulatorial recomendado 
VEF1 Patógenos mais 
frequentes 
Tratamento recomendado 
> 50% e ausência 
de fatores de 
risco2 
H. influenzae 
M. catarrhalis 
S. pneumoniae 
C. pneumoniae 
M. pneumoniae 
Amoxicilina/clavulanato1 
Cefuroxima 
Azitromicina ou claritromicina 
> 50% e 
presença de 
fatores de risco2 
H. influenzae 
M. catarrhalis 
SPRP 
Os anteriores 
Quinolonas respiratórias 
 
35% a 50% H. influenzae 
M.catarrhalis 
SPRP 
Enterobactérias 
Quinolona respiratória 
Amoxicilina/clavulanato1 
< 35% H. influenzae 
SPRP 
Enterobactérias 
P. aeruginosa 
Quinolona respiratória (sem suspeita de 
pseudomonas) 
ciprofloxacina (suspeita de pseudomonas)3 
Amoxicilina/clavulanato1 (se há alergia às 
quinolonas) 
SPRP= S. pneumoniae resistente à penicilina 
Quinolonas respiratórias= moxifloxacina, gatifloxacina e levofloxacina 
Obs.: 
1) outros beta lactâmicos associados à inibidores de beta lactamases disponíveis são: 
ampicilina/sulbactam e amoxicilina/sulbactam 
2) os fatores de risco são: idade acima de 65 anos, dispnéia grave, co-morbidade 
significativa, mais de 4 exacerbações/ano, hospitalização por exacerbação no último ano, 
uso de corticóide sistêmico nos últimos três meses, uso de antibióticos nos 15 dias prévios 
e desnutrição. 
3) às vezes pode ser necessário o tratamento intravenoso em pacientes com suspeita ou 
confirmação de infecção por Gram-negativos, incluída a Pseudomonas. Além da cefepima 
e ceftazidime, podemos utilizar a piperacilina/tazobactam ou imipenem ou meropenem. 
 
 
www.pneumoatual.com.br 
 
34 - Quais são os objetivos do uso de suporte ventilatório na