OK_Gasometria Arterial
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OK_Gasometria Arterial


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Gasometria arterial 
 
Autor(es) 
Bruno do Valle Pinheiro1 
 Erich Vidal Carvalho2 
Mar-2005 
 
1 - Quais artérias devem ser preferencialmente puncionadas para coleta de sangue? 
Idealmente deve-se puncionar uma artéria que tenha trajeto superficial, pois assim a punção 
será menos dolorosa e mais fácil, e que tenha circulação colateral adequada para a perfusão 
dos tecidos distais caso haja espasmo com a punção. A artéria que melhor preenche essas 
características é a radial. Outras opções satisfatórias são a dorsal do pé, a tibial posterior e a 
temporal superficial, está última apenas em recém-nascidos. As artérias braquiais e femorais 
devem ser evitadas, sobretudo em pacientes com problemas de hemostasia, pois, em caso de 
sangramento, a compressão pode ser difícil. 
2 - A gasometria arterial pode ser colhida com seringa de plástico? 
Idealmente a gasometria arterial deveria ser colhida com seringa de vidro, isso porque pode 
haver difusão de gases através do plástico, determinando imprecisões nas análises. Entretanto, 
a praticidade das seringas de plástico, descartáveis, praticamente pôs fim às de vidro. Além 
disso, a magnitude do erro que pode haver com a utilização de seringas de plástico é muito 
pequena, ocorrendo apenas com valores de PaO2 acima de 220 mmHg e quando a análise é 
feita após 15 minutos da coleta. Em função desses aspectos, as seringas de plástico podem 
ser usadas para a coleta de sangue para gasometria arterial. 
3 - Quais cuidados devem ser observados com a amostra de sangue arterial até a sua 
análise? 
Após a coleta do sangue arterial, as seguintes providências devem ser tomadas: 
\u2022 remover bolhas de ar eventualmente presentes dentro da seringa; 
\u2022 ocluir a seringa para manter a amostra em ambiente anaeróbio; 
\u2022 movimentar a seringa entre as mãos durante 10 a 15 segundos para misturar a heparina 
com o sangue; 
\u2022 manter a seringa em gelo até a análise do material, sobretudo se essa não for feita 
imediatamente após a coleta. 
4 - Quais são as possíveis causas de erro na gasometria, relacionadas à coleta e ao 
transporte da amostra? 
O resultado da gasometria arterial pode ser afetado por alguns artefatos durante a realização 
da coleta e o transporte do sangue. 
Bolhas de ar 
A presença de bolhas de ar ocupando mais de 2% do volume de sangue na seringa pode 
provocar erro no resultado da gasometria. Tal artefato eleva a PaO2 e subestima a PaCO2. A 
retirada, sem agitação, das bolhas da seringa e a realização imediata da análise atenuam o 
problema. 
 
 
1 Médico da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de 
Fora e Doutor em Pneumologia pela UNIFESP - Escola Paulista de Medicina. 
2 Pneumologista do Serviço de Pneumologia do Hospital Universitário da UFJF e Especialista em 
Pneumologia, titulado pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. 
 
 
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Uso de heparina 
Quantidade exagerada de heparina na seringa utilizada para a coleta do sangue pode reduzir 
de forma significativa a medida da PaCO2. Assim, a quantidade de heparina empregada deve 
ser a mínima possível, apenas o suficiente para lubrificar as paredes da seringa. Além disso, 
pelo menos 2 ml de sangue deve ser obtido, diluindo assim o pequeno volume de heparina. 
Demora no transporte e no processamento do exame 
A partir de dois minutos da coleta do sangue, já se observa redução da PaO2 e do pH e 
elevação da PaCO2, devido ao metabolismo dos leucócitos. Esse fenômeno é mais acentuado 
em pacientes com leucocitose importante. Para prevenir esse problema é necessária a 
colocação do material em gelo até a análise, que deve ser feito o mais rápido possível. 
5 - Quais são as complicações possíveis com a coleta da gasometria arterial? 
As complicações não são freqüentes quando a técnica da coleta é observada. A coleta do 
sangue arterial é mais dolorosa do que a punção venosa. Alguns autores recomendam a 
infiltração com anestésico local antes da punção arterial, medida que comprovadamente reduz 
a dor do procedimento. Mais raramente pode ocorrer reação vaso-vagal durante a punção 
arterial. 
Sangramento e formação de hematoma no local de punção ocorrem sobretudo quando o 
paciente já apresenta distúrbio de coagulação e quando não se faz a compressão adequada do 
local, a qual deve durar pelo menos cinco minutos. Artérias mais profundas, como a braquial e 
a femoral, impõem maior dificuldade à compressão, implicando em riscos maiores de 
sangramento. Quando a artéria femoral é inadvertidamente puncionada acima do ligamento 
inguinal, o sangramento pode se dirigir para o retroperitônio. Essa complicação pode 
determinar perdas sangüíneas importantes, inclusive com repercussão hemodinâmica, às 
vezes de difícil diagnóstico. 
Trombose, embolização e infecção são complicações descritas com a implantação de cateteres 
intra-arteriais para monitoração invasiva da pressão arterial, mas não com punções arteriais 
para gasometria. 
6 - Quais são os parâmetros avaliados na gasometria arterial? 
Os parâmetros são: 
\u2022 pH 
\u2022 PaO2 
\u2022 PaCO2 
\u2022 SaO2 
\u2022 Bicarbonato 
\u2022 Excesso de base 
7 - Quais as indicações de se realizar a gasometria arterial? 
Como a realização das trocas gasosas, ou seja, absorção do oxigênio e eliminação do gás 
carbônico, é o objetivo principal do sistema respiratório, a gasometria arterial é importante teste 
de avaliação funcional do sistema respiratório. Assim, ela deve ser realizada na suspeita de 
insuficiência respiratória, aguda ou crônica. Além da importância no diagnóstico da insuficiência 
respiratória, a gasometria permite, a partir da avaliação dos níveis dos gases arteriais, 
quantificar o problema e acompanhá-lo evolutivamente. 
 
 
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Na prática clínica, a gasometria arterial, em geral, é solicitada quando há sinais e sintomas 
sugestivos de hipoxemia ou hipercapnia, os quais nem sempre são de fácil reconhecimento, 
pois são comuns a outras situações e nem sempre estão presentes, sobretudo nas fases 
iniciais (tabela 1). Ela também é realizada na monitoração de condições em que o risco de 
distúrbio nas trocas gasosas é sabidamente alto. 
Tabela 1. Principais sintomas e sinais associados a hipoxemia e hipercapnia 
Hipoxemia Hipercapnia 
\u2022 Cefaléia 
\u2022 Alterações de comportamento 
\u2022 Confusão, sonolência e coma 
\u2022 Convulsões 
\u2022 Taquicardia (mais raramente 
bradicardia) 
\u2022 Arritmias 
\u2022 Hipertensão 
\u2022 Hipotensão (fases mais avançadas), 
choque 
\u2022 Dispnéia, taquipnéia 
\u2022 Cefaléia, vertigem 
\u2022 Confusão 
\u2022 Sonolência, coma 
\u2022 Hipertensão intracraniana, 
papiledema 
\u2022 Asterixis 
\u2022 Sudorese 
\u2022 Hipotensão (nas fases mais 
precoces pode haver hipertensão) 
\u2022 Choque 
A possibilidade de avaliar o bicarbonato e o pH faz com que a gasometria esteja indicada na 
investigação de distúrbios metabólicos. Entretanto, não havendo suspeita de comprometimento 
das trocas gasosas, pode-se optar pela gasometria venosa, cuja coleta é menos invasiva e 
menos dolorosa. 
8 - Qual o valor normal da pressão parcial de oxigênio no sangue arterial (PaO2)? 
Como há uma tendência natural da PaO2 cair com o avançar da idade, existem fórmulas para 
estimar o seu valor nas diferentes faixas etárias. A seguir estão apresentadas duas das 
fórmulas mais utilizadas e igualmente corretas. 
PaO2 = 108,75 \u2013 (0,39 x idade em anos) 
PaO2 = 104,2 \u2013 (0,27 x idade em anos) 
Obs: ambas pressupõem respiração em ar ambiente 
9 - Como interpretar o valor da pressão parcial de oxigênio no sangue arterial (PaO2)? 
Quando a gasometria arterial é colhida com o paciente respirando ar ambiente (FIO2=21%), 
considera-se hipoxemia quando a PaO2 está abaixo do valor esperado para a idade, conforme 
as fórmulas descritas anteriormente. A hipoxemia assume níveis importantes quando a PaO2 
está abaixo de 60 mmHg, pois, conforme será discutido mais a frente, a partir daí passa-se a 
comprometer a oxigenação