OK_Gasometria Arterial
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OK_Gasometria Arterial


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tecidual. Em função desse fato, a maior parte dos autores 
considera 60 mmHg o limite a partir do qual caracteriza-se insuficiência respiratória. 
Quando o paciente está recebendo alguma suplementação de oxigênio, seja em ventilação 
mecânica ou por cateter ou máscara de oxigênio, a análise isolada da PaO2 não é suficiente, 
sendo necessário o cálculo da relação PaO2/FIO2. 
10 - Como obter e interpretar a relação PaO2/FIO2? 
A relação PaO2/FIO2 é a divisão da PaO2 obtida na gasometria arterial pela FIO2, em valores 
absolutos (ex: 21%=0,21), em que o paciente estava respirando quando foi colhida a amostra 
do sangue arterial. Quando o indivíduo está em ventilação mecânica, o valor da FIO2 é 
fornecido pelo aparelho; quando está recebendo oxigênio por máscara de Venturi, esse valor é 
estimado conforme o tipo de máscara e o fluxo utilizado e vem impresso na mesma. Quando a 
 
 
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suplementação de oxigênio é feita com cateter nasal ou máscaras comuns, a estimativa da 
FIO2 é muito pouco precisa. Nesses casos, em indivíduos adultos, assume-se que para cada 
litro de oxigênio a FIO2 é elevada em 0,03 a 0,04 (ex: a oferta de oxigênio a 3 l/min com cateter 
nasal determina FIO2 de 30% a 33%, que representa 21% do ar ambiente acrescido de 9% a 
12% da oferta suplementar). 
A relação PaO2/FIO2 permite a avaliação da oxigenação em diferentes condições de oferta de 
oxigênio. Os valores normais e as gradações de anormalidade estão relacionados abaixo. 
\u2022 PaO2/FIO2>400 mmHg \u2013 normal; 
\u2022 PaO2/FIO2>300-400 mmHg \u2013 déficit de oxigenação, mas ainda não em níveis 
convencionalmente estabelecidos de insuficiência respiratória; 
\u2022 PaO2/FIO2<300 mmHg \u2013 insuficiência respiratória; 
\u2022 PaO2/FIO2<200 mmHg \u2013 insuficiência respiratória grave. 
Por ser de fácil obtenção e poder ser utilizada em diferentes condições de oferta de oxigênio, a 
PaO2/FIO2 é considerada hoje o melhor parâmetro de monitoração de oxigenação. 
11 - Como se calcula a diferença alvéolo-arterial de oxigênio e qual a sua importância? 
A diferença alvéolo-arterial de oxigênio (P(A-a)O2) é calculada com a seguinte fórmula: 
 
sendo que, 
 
onde: 
PAO2 \u2013 pressão alveolar de oxigênio; 
PaO2 \u2013 pressão arterial de oxigênio; 
PaCO2 \u2013 pressão arterial de gás carbônico; 
Pbar \u2013 pressão barométrica (740 mmHg no nível do mar); 
FIO2 \u2013 fração inspirada de oxigênio; 
R \u2013 coeficiente respiratório, assumido, na prática, como 0,8. 
A diferença alvéolo-arterial de oxigênio permite avaliar se há algum bloqueio à passagem de ar 
entre o alvéolo e o sangue arterial, situação em que ela está aumentada. Nesses casos, a 
hipoxemia está ocorrendo por alteração na relação ventilação-perfusão ou por defeitos na 
difusão. Por outro lado, quando há hipoxemia e a diferença alvéolo-arterial de oxigênio está 
normal, significa que a causa da hipoxemia é hipoventilação. 
Na prática a análise da P(A-a)O2 tem duas aplicações principais: 
\u2022 paciente com suspeita de insuficiência respiratória aguda e hiperventilando, portanto 
com PaCO2 baixa, com PaO2 normal. Nesse caso, a P(A-a)O2, se alargada, mostra que 
já há comprometimento da troca gasosa no pulmão, mas a hipoxemia ainda não surgiu 
por estar sendo compensada pela hiperventilação. A P(A-a)O2 altera-se mais 
precocemente do que a PaO2. 
\u2022 paciente com hipoxemia e hipercapnia, quando há dúvida se, além de hipoventilação, 
existe componente pulmonar na insuficiência respiratória. Se a hipoxemia for decorrente 
exclusivamente da hipoventilação, a P(A-a)O2 estará normal. Caso ela esteja alargada, 
há um componente pulmonar associado. 
 
 
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12 - Quais são as limitações na interpretação do gradiente alvéolo-arterial de oxigênio? 
A P(A-a)O2 parte de uma estimativa do quociente respiratório em 0,8, já trazendo algum grau 
de imprecisão no seu cálculo. Mas a maior limitação para o uso clínico da P(A-a)O2 é que seu 
valor normal varia conforme a FIO2 em que é calculada e essa variação não tem um 
comportamento linear. Assim, para sua interpretação, é necessário o conhecimento do seu 
valor normal na FIO2 em que foi calculada, ou alternativamente, sempre calculá-la na mesma 
FIO2. Os valores normais da P(A-a)O2 nas FIO2 de 21% e 100% são, respectivamente, de 5-15 
mmHg e 150 mmHg. 
13 - Qual a relação existente entre a pressão parcial de oxigênio no sangue arterial 
(PaO2) e a saturação da hemoglobina pelo oxigênio no sangue arterial (SaO2)? 
A relação entre a PaO2 e a SaO2 é representada pela curva de dissociação do oxigênio. O 
oxigênio dissolvido no plasma liga-se facilmente à hemoglobina, originando a oxi-hemoglobina. 
A quantidade de oxigênio que se liga à hemoglobina aumenta rapidamente à medida que a 
PaO2 aumenta até valores em torno de 60 mmHg. A partir daí, já estando a hemoglobina 
saturada em mais de 90%, a curva passa a apresentar um platô, com pequenos aumentos da 
SaO2, mesmo com grandes elevações da PaO2 (figura 1). 
 
14 - O que afeta a curva de dissociação do oxigênio? 
Diversos fatores podem afetar a afinidade do oxigênio pelo hemoglobina, determinando, 
graficamente, desvios da curva de dissociação do oxigênio para a direita (diminuição da 
afinidade pela hemoglobina) ou para a esquerda (aumento da afinidade pela hemoglobina). 
A curva é desviada para a direita pela elevação da temperatura corpórea, elevação da PCO2, 
queda do pH sangüíneo e elevação do 2,3-DPG (produto final do metabolismo das hemácias). 
Nessas situações a afinidade do oxigênio pela hemoglobina está diminuída e, portanto, o 
oxigênio é mais facilmente liberado para os tecidos periféricos. O monóxido de carbono desvia 
 
 
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a curva para a esquerda, resultando em uma maior afinidade do oxigênio pela hemoglobina, 
com dificuldade de sua liberação para a periferia. 
15 - No sangue arterial, qual a proporção do oxigênio dissolvida no plasma e qual a 
ligada à hemoglobina? 
O oxigênio é transportado no sangue sob duas formas: dissolvido no plasma, representado 
pela PaO2, e combinado com a hemoglobina, representado pela SaO2. A solubilidade do 
oxigênio no plasma é baixa \u2013 apenas 0,003 ml de oxigênio são dissolvidos em cada 100 ml de 
sangue. Assim, a maior parte do oxigênio do sangue arterial está ligado à hemoglobina \u2013 cada 
grama de hemoglobina é capaz de combinar-se com 1,36 ml de oxigênio. 
A soma do oxigênio dissolvido no plasma com o ligado à hemoglobina constitui o conteúdo 
arterial de oxigênio, que pode ser calculado pela seguinte fórmula: 
CaO2 = PaO2, x 0,003 + SaO2 x Hb x 1,36 
Para se ter idéia da importância do oxigênio ligado à hemoglobina e a irrelevância do dissolvido 
no plasma em relação ao conteúdo arterial de oxigênio, tomemos o seguinte exemplo prático: 
Hb=15 mg/dl 
PaO2=100 mmHg 
SaO2=97,5% 
Nessa situação normal temos: 
CaO2=20,19 g/dl, dos quais 0,3 estão dissolvidos no plasma e 19,89 ligados à hemoglobina 
16 - A avaliação da PaO2 pode ser substituída pela da SaO2? 
Não, apesar da relação entre as duas variáveis, na prática elas permitem avaliar pontos 
diferentes em relação à oxigenação do paciente. Como a maior parte do oxigênio transportado 
no sangue para os tecidos encontra-se ligado à hemoglobina, uma SaO2 acima de 90% é 
satisfatória do ponto de vista da perfusão dos tecidos com oxigênio, não se justificando 
aumentar os níveis de oxigênio no sangue arterial, pois a variação na SaO2 será mínima. 
Por outro lado, quando queremos monitorar a função pulmonar de oxigenação, a análise da 
PaO2 é melhor do que a da SaO2. Isso porque, nos pacientes com SaO2 acima de 90%, podem 
ocorrer grandes comprometimentos da função pulmonar, com reduções acentuadas da PaO2, 
mas com apenas discretas reduções na SaO2, em função da conformação da curva de 
dissociação da oxi-hemoglobina. Por exemplo, uma redução da PaO2 de 160 mmHg para 80 
mmHg pode resultar em uma redução da SaO2 de 99% para 95%. 
Podemos concluir que a SaO2 não é adequada para avaliar a capacidade de oxigenação do 
sangue arterial pelos pulmões, o que deve