ANÁLISE TEXTUAL REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL
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ANÁLISE TEXTUAL REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL


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a diferença entre PARA MIM e PARA EU está na presença ou não de um verbo (= sempre no infinitivo) após o pronome:
Este livro é PARA MIM.
Este livro é PARA EU ler.
 Portanto, sempre que houver um verbo no infinitivo, devemos usar os pronomes pessoais retos. Isso ocorrerá com qualquer preposição:
Exemplos:
Eles compraram o carro antes DE MIM.
Ela almoçou antes DE EU chegar.
Meus pais fizeram isso POR MIM.
Ele fez isso POR EU estar com dúvidas.
Observe, no entanto, a mudança no significado trazida pelo uso da vírgula:
\u201cPARA EU comprar este carro, foi preciso que meus pais ajudassem.\u201d
\u201cPARA MIM, comprar este carro foi uma grande conquista.\u201d
Na primeira frase, o pronome pessoal reto (= EU) é o sujeito do infinitivo (= comprar); na segunda frase, a vírgula indica que o PARA MIM está deslocado. Devemos usar o pronome oblíquo (= MIM), pois não é o sujeito do verbo comprar.
 Não há nada ENTRE EU E VOCÊ ou ENTRE MIM E VOCÊ?
Como explicamos acima, \u2018eu\u2019 é pronome pessoal reto e só pode ser usado na função de sujeito. Assim:
a) com verbo no infinitivo: \u201cNão há nada ENTRE EU sair e você ficar em casa...\u201d;
b) sem verbo no infinitivo: \u201cNão há nada ENTRE MIM E VOCÊ.\u201d 
 
A QUEM. Quando o substantivo que antecede o pronome relativo é pessoa, podemos usar o pronome \u2018quem\u2019
Exemplo: Este é o gerente A QUEM encontrei no congresso.
DE QUE ou DE QUEM ou DO QUAL.
São recursos DE QUE (ou DOS QUAIS) a empresa dispõe. 
(= a empresa dispõe DOS RECURSOS)
b) São os analistas DE QUEM ou DOS QUAIS a empresa dispõe.
 (= a empresa dispõe DOS ANALISTAS)
c1) É a secretária do diretor DA QUAL ele gosta muito.
 (= ele gosta muito DA SECRETÁRIA)
C2) É a secretária do diretor DO QUAL ele gosta muito.
 (= ele gosta muito DO DIRETOR).
 Quando houver dois antecedentes (= a secretária do diretor), devemos evitar o pronome QUEM porque gera ambiguidade (= duplo sentido). Em \u201cÉ a secretária do diretor DE QUEM ele gosta muito\u201d, não saberíamos se ele gosta muito da secretária ou do diretor.
OBSERVAÇÃO:
 Também devemos usar o pronome relativo QUAL sempre que vier antecedido de preposição que não seja monossílaba (= após, contra, desde, entre, para, perante, sobre...):
 \u201cEste é o assunto SOBRE O QUAL conversamos ontem.\u201d
 \u201cEste é o torneio PARA O QUAL eles treinaram tanto.\u201d
CUJO. O pronome relativo \u2018cujo\u2019 deve ser usado sempre que houver ideia de posse.\ufffd 
Exemplos:
Aqui está o engenheiro DE CUJO relatório ninguém gostou. 
 
 A preposição \u2018de\u2019 é exigência do verbo \u2018gostar\u2019
Este é o engenheiro A CUJO relatório eu me referi. 
 O verbo \u2018referir\u2019 rege a preposição \u2018a\u2019.
Este é o gerente COM CUJAS ideias eu não concordo.
O verbo \u2018concordar\u2019 rege a preposição \u2018com\u2019.
Este é o livro EM CUJAS páginas li aquela teoria.
(= eu li aquela teoria NAS PÁGINAS)
Este é o poeta CUJA obra foi premiada.
(= A OBRA foi premiada \u2013 sem preposição).
ATENÇÃO. Não se usa artigo definido entre o pronome \u2018cujo\u2019 e o substantivo. 
Exemplo: Esta é a empresa CUJO presidente viajou para Brasília.
Saiba mais:
A dança do verbo regente
http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11822
Referências bibliográficas
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 37ª ed. Revista e ampliada. Rio de Janeiro: Lucerna, 1999.
CIPRO NETO, Pasquale. Nossa língua em letra e música. São Paulo: EP&A, 2002.
DORNELLES, José Almir Fontella. A gramática do concursando. 13ª ed. Brasília: Vestcon, 2002.
SILVA, Sérgio Nogueira da. O português do dia-a-dia: como falar e escrever melhor. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2009.
FARACO, Carlos Alberto e TEZZA, Cristóvão. Oficina de texto. 3ª ed. Petrópolis, RJ:Vozes, 2003.
INFANTE, Ulisses. Curso de gramática aplicada aos textos. 5ª ed. São Paulo: Scipione, 1999.
MOURA, Fernando. Gramática aplicada ao texto. 2ª ed. Brasília: Vestcon, 2002.
PIMENTEL, Ernani Figueiras. Gramática pela prática. 6ª ed. Brasília: Vestcon, 2002.
\ufffd Nesta aula, trataremos apenas das relações de regência entre o verbo e seus complementos regidos por preposição.
\ufffd Segundo o Professor Sérgio Nogueira, essa regra não é rígida. Muitos autores aceitam a contração da preposição com o pronome como uma variante linguística. Exemplo: \u201cCheguei antes dele sair.\u201d No entanto, embora essa a maneira como muitas pessoas falam, ela não deve ser utilizada em textos formais.
 
\ufffd Todos os exemplos foram retirados de Silva (2009).