OK_Pneumonia hospitalar
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OK_Pneumonia hospitalar


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desenvolvimento de pneumonia hospitalar? 
A ventilação mecânica é a principal condição associada ao desenvolvimento de pneumonia 
hospitalar. Além dos fatores de risco aos quais qualquer paciente pode estar exposto, a 
ventilação mecânica adiciona outros específicos. Os principais são: 
Biofilme de bactéria no interior do tubo: 
Com pouco tempo de ventilação mecânica, às vezes até 24 horas, forma-se um biofilme de 
bactérias na luz interna da cânula traqueal. A multiplicação das bactérias e suas inoculações 
com o fornecimento do volume corrente favorecem a infecção. Essas bactérias são 
inacessíveis a qualquer medida terapêutica. 
Vazamentos ao redor do balonete 
Acima do balonete da cânula traqueal pode haver acúmulo de secreção contaminada. Mesmo 
com o balonete insuflado, parte dessa secreção pode alcançar a traquéia e as vias aéreas 
inferiores, propiciando a infecção. Obviamente, se o balonete for desinsuflado, volumes 
maiores atingirão as vias aéreas inferiores, aumentando-se o risco de infecção. Por essa razão, 
não se indicam desinsuflações periódicas do balonete das cânulas traqueais. 
 
 
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Intubações repetidas 
Seja por extubações acidentais ou por desmames sem sucesso, as re-intubações impõem 
maior risco de desenvolvimento de pneumonia aos pacientes. 
Formação de condensado nos circuitos 
Embora os condensados sejam contaminados por bactérias dos próprios pacientes, elas 
podem se proliferar e retornarem ao hospedeiro em maior número, favorecendo a infecção. Os 
condensados que se acumulam nos circuitos devem ser desprezados periodicamente, devendo 
ser manipulados como material contaminado. 
Aspiração traqueal inadequada 
As aspirações traqueais, sejam por sistemas abertos ou fechados, devem ser feitas sob técnica 
estéril. Caso contrário, favorecem a ocorrência de pneumonia. 
Contaminação dos equipamentos respiratórios (nebulizadores, ambu, espirômetros, 
analisadores de oxigênio) 
O CDC de Atlanta orienta medidas de desinfecção específicas para cada um desses 
equipamentos. Essas medidas devem ser implantadas pelas comissões de infecção hospitalar 
e seguidas rigorosamente. 
9 - A alcalinização do estômago como profilaxia para úlcera de estresse favorece a 
ocorrência de pneumonia? 
Embora haja indícios de que a elevação do pH gástrico para a proteção de úlcera de estresse 
com o uso de bloqueador-H2 ou anti-ácido aumente a incidência de pneumonia hospitalar, ao 
contrário do que ocorre quando a prevenção é feita com sucralfato, a literatura não é unânime 
em relação a essa posição. Em 1998, Cook e colaboradores não demonstraram diferenças em 
relação à ocorrência de pneumonia e em relação à mortalidade, entre pacientes em ventilação 
mecânica, que receberam ranitidina ou sucralfato como profilaxia para úlcera de estresse 
(NEJM 1998;338:791). Por outro lado, em metanálise publicada em 2000, observou-se maior 
risco de pneumonia com o uso de ranitidina em relação ao sucralfato (BMJ 2000;321:1). 
Enquanto discute-se essa posição, um outro ponto parece melhor estabelecido: a população de 
pacientes internados que se beneficia da profilaxia de úlcera de estresse é pequena, sendo o 
seu uso indiscriminado incorreto. As condições em que a profilaxia está indicada são: 
\u2022 pacientes em ventilação mecânica, 
\u2022 traumatismo cranioencefálico, 
\u2022 queimaduras extensas, 
\u2022 choque circulatório, 
\u2022 sepse, 
\u2022 distúrbios da coagulação. 
10 - Quais são as medidas preventivas para a pneumonia hospitalar? 
Em função da participação de diferentes fatores em sua patogenia e pelas dificuldades do 
diagnóstico de certeza, não é simples se estabelecer com certeza as medidas preventivas que 
são comprovadamente eficazes na pneumonia hospitalar. Em artigo de revisão, Kollef listou 
uma série de medidas, farmacológicas ou não, para a prevenção de pneumonia 
especificamente associada à ventilação mecânica (tabela 1). Muitas podem ser estendidas a 
todas as pneumonias hospitalares (NEJM, 1999;340:627-634). 
 
 
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Tabela 1. Medidas preventivas para pneumonia associada à ventilação mecânica 
Medidas não farmacológicas Medidas farmacológicas 
\u2022 Remoção o mais precocemente 
possível de sonda nasogástrica e 
cânula traqueal 
\u2022 Presença de um programa 
estruturado de controle de 
infecção 
\u2022 Lavagem adequada das mãos 
\u2022 Manter o paciente com cabeceira 
elevada 
\u2022 Evitar re-intubações 
\u2022 Intubação oro e não nasotraqueal 
\u2022 Nutrição adequada 
\u2022 Evitar hiperdistensão gástrica 
\u2022 Remoção periódica do 
condensado do circuito 
\u2022 Manter pressão adequada do 
balonete da cânula 
\u2022 Evitar antibióticos desnecessários 
\u2022 Limitar a profilaxia de úlcera de 
estresse aos pacientes de risco 
\u2022 Rotação periódica dos antibióticos 
usados na UTI 
\u2022 Limpeza da cavidade oral com 
clorexidine 
\u2022 Fator estimulador de crescimento de 
colônias para pacientes 
neutropênicos e com febre 
\u2022 Antibióticos para pacientes 
neutropênicos e com febre 
\u2022 Vacina contra pneumococo, H. 
influenzae tipo B e influenza 
O CDC (Center of Disease Control and Prevention \u2013 Atlanta, EUA), em documento publicado 
em 2003, estabelece uma lista de medidas preventivas para pneumonia hospitalar, separando-
as nos seguintes grupos: 
\u2022 Medidas educativas 
\u2022 Prevenção de transmissão de microrganismos 
o A partir de equipamentos 
o Pessoa-a-pessoa 
\u2022 Modificação de fatores de risco do hospedeiro 
o Aumento das defesas do paciente potencial 
o Prevenção de aspiração 
o Medidas específicas para o pós-operatório 
11 - Quais medidas educativas o CDC orienta para prevenção de pneumonia hospitalar? 
Programas de educação continuada com os profissionais que atuam no hospital, sobretudo em 
unidades de terapia intensiva, abordando os fatores de risco e as medidas preventivas eficazes 
em relação à pneumonia hospitalar, comprovadamente reduzem a ocorrência desta infecção. 
A coleta de dados epidemiológicos e a divulgação periódica dos mesmos também são medidas 
importantes e servem de alerta e motivação para o combate do problema. Os principais dados 
que devem ser analisados e divulgados são: 
\u2022 Taxas de ocorrência medidas por incides padronizados, o que permite análises ao longo 
do tempo e comparações entre diferentes unidades (ex. número de pneumonias 100 dias 
de internação ou número de pneumonias por 1.000 dias de ventilação mecânica). 
\u2022 Agentes etiológicos. 
\u2022 Perfil de sensibilidade dos patógenos isolados. 
12 - Quais são as medidas sugeridas pelo CDC para evitar a transmissão de patógenos 
por meio de equipamentos e dispositivos? 
Relacionados à ventilação mecânica 
Os circuitos do ventilador não devem ser trocados rotineiramente, mas somente quando se 
apresentarem visivelmente sujos ou com mau funcionamento (ex. com vazamentos). Por outro 
lado, o condensado que se forma no circuito pode ser importante fonte de contaminação e 
deve, portanto, ser desprezado periodicamente, evitando que retorne ao paciente através da 
cânula traqueal. Sua manipulação deve ser conduzida considerando-o material contaminado, 
ou seja, com luvas e com posterior lavagem das mãos. Não se recomenda desinfecção ou 
esterilização das peças internas do ventilador. Particularidades em relação ao uso de 
umidificadores ou filtros trocadores de calor e umidade (HME) serão comentadas em pergunta 
específica. 
 
 
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Ambu 
Um ambu deve estar disponível para cada leito. Entre o uso em pacientes diferentes, ele deve 
ser esterilizado ou submetido a desinfecção de alto nível. 
Equipamentos para oferta de oxigênio e nebulização 
Estes equipamentos devem ser esterilizados ou submetidos a desinfecção de alto nível entre o 
uso por diferentes pacientes. Enquanto estão sendo usados no mesmo paciente, recomenda-
se uma limpeza diária e desinfecção de baixo nível (ex. ácido acético a 2%), com secagem com 
ar seco. Especificamente em relação aos nebulizadores, eles não devem ser mantido no 
circuito do ventilador entre duas nebulizações. 
13 - Em relação à ocorrência de pneumonia