CCJ0009-WL-PA-02-T e P Narrativa Jurídica-Novo-34113
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DisciplinaTeoria e Prática da Narrativa Jurídica746 materiais3.471 seguidores
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primeira aula, como já dissemos, que o estudante de Direito 
perceba que as peças processuais seguem, independente de suas peculiaridades, uma estrutura regular: narrar, fundamentar e pedir. 
Essa estrutura não existe sem motivação. Uma proposta teórica, internacionalmente conhecida, chamada Teoria Tridimensional do Direito, do jusfilósofo brasileiro Miguel 
Reale, defende que o Direito compõe-se de três dimensões: FATO, VALOR e NORMA. 
E como a universidade pensou as disciplinas de Português Jurídico diante dessa perspectiva? Adiante, uma síntese do que se pretende em cada matéria. 
Em Teoria e Prática da Narrativa Jurídica  (segundo período), serão estudadas com profundidade todas as questões relativas à produção do texto narrativo, primeira 
dimensão do direito, que consiste na exposição de todos os fatos importantes para a adequada solução da lide. 
Teoria e Prática da Argumentação Jurídica  (terceiro período) terá como objeto principal de estudo a Teoria da Argumentação, segundo a proposta de Chaïm Perelman, 
oportunidade em que as técnicas e estratégias para a produção do texto jurídico -argumentativo e a respectiva aplicação da norma serão minuciosamente analisadas. Por 
meio dos tipos de argumento, e todos os demais recursos linguísticos e discursivos disponíveis ao profissional do direito, o aluno será estimulado a defender as teses que 
julgar adequadas. 
Por fim, em Teoria e Prática da Redação Jurídica  (quarto período), não mais produziremos isoladamente as partes narrativa ou argumentativa, mas uma peça inteira. 
Elegemos o parecer técnico-formal especialmente porque não será necessária capacidade postulatória para redigi-lo, ou seja, mesmo não sendo ainda advogado, em 
princípio, já se pode produzir esse documento com validade processual.  
  
Motivado por essa explicação, leia os casos concretos que seguem e responda à questão. 
  
Caso concreto 1 
  
O caso ocorreu em Teresópolis, Região Serrana do Rio de Janeiro, no ano de 2005. Uma mulher de 36 anos, desempregada, estava casada com um mecânico, também 
desempregado. Os dois moravam em um barraco de 10 metros quadrados, junto com seus três filhos. O mais velho tinha seis anos de idade\u37e o filho do meio, quatro\u37e o 
caçula, um ano e meio. 
É importante mencionar que essa mulher, Marcela, estava gestando o quarto filho. No mês de fevereiro daquele ano, em decorrência das fortes chuvas, um deslizamento de 
terra arrastou, ladeira abaixo, o lar em que vivia essa família. A mãe conseguiu salvar os dois filhos mais velhos, entretanto o caçula, ainda aprendendo a andar, não 
conseguiu sair a tempo. Morreu soterrado. Por tudo o que aconteceu, Marcela entrou em trabalho de parto. 
Chegou ao hospital público mais próximo e foi submetida a uma cesariana. Assim que ouviu o choro do bebê, prematuro, pediu para segurá-lo um pouco no colo. A 
enfermeira o permitiu. Marcela beijou a criança e jogou-a para trás. O menino caiu no chão, sofreu traumatismo craniano e morreu. 
Perguntada por que tomara aquela atitude, disse que não gostaria que seu filho passasse por tudo o que os demais estavam passando: fome e miséria. Um exame realizado 
no Instituto Médico Legal apontou que Marcela não se encontrava em estado puerperal
[1]
 no momento em que matou o próprio filho.
 
  
Caso concreto 2 
Este segundo caso ocorreu em São Paulo. A secretária Adriana Alves engravidou do namorado e, sem saber explicar por qual motivo, não contou o fato para ele\u37e também 
não contou para mais ninguém. Seus pais, com quem morava, não sabiam de sua gravidez. Não compartilhou esse segredo com amigas ou colegas de trabalho. 
Definitivamente, ninguém conhecia a gestação de Adriana. 
Com o passar dos meses, Adriana não recebeu qualquer tipo de acompanhamento ou cuidado pré-natal especial; escondia a barriga com cintas e usava roupas largas. No 
mês de dezembro de 2006, quando participava de uma festa de final de ano, no escritório em que trabalha, sentiu-se mal e foi para casa. 
Sua intenção era realizar o parto sozinha e jogar a criança em um rio próximo à sua casa. Ocorre, porém, que o parto não transcorreu tranquilamente. Adriana teve 
complicações e teve de puxar à força a criança. Depois, matou -a afogada na bacia de água quente que separou para realizar o parto. Para se livrar da justiça, jogou a 
criança, já morta, no rio, enrolada em um saco preto. 
Muito debilitada, foi a um hospital buscar ajuda para si, mas não soube explicar o que aconteceu. Após breve investigação da Polícia, Adriana confessou tudo o que fizera. 
Exames comprovaram que ela estava sob o estado puerperal. 
  
Questão 
a)    Vimos que, em ambos os casos, as acusadas praticaram o mesmo  fato (conduta), qual seja, ?matar alguém?. Entretanto, o Código Penal prevê diversos tipos penais 
para essa conduta, a depender das circunstâncias como o fato foi praticado. Produza uma ?tabela? como a do exemplo abaixo. Indique, pelo menos, cinco artigos. 
  
Dispositivo: art. 157, § 3º do CP (latrocínio) 
Transcrição: art. 157: Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido
à impossibilidade de resistência: Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. 
§3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de sete a quinze anos, além da multa\u37e se resulta morte , a reclusão é de vinte a trinta anos, sem 
prejuízo da multa.           
Comentário das especificidades: o agente tem o dolo de matar e de roubar. Nessa hipótese, o roubo é o crime -fim, enquanto o homicídio é crime-meio. 
  
  
Dispositivo: art. 129, §3º do CP (lesão corporal seguida de morte) 
Transcrição: art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: 
Pena - detenção, de três meses a um ano. 
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quís o resultado, nem assumiu o risco de produzí-lo: 
Pena - reclusão, de quatro a doze anos. 
Comentário das especificidades: o agente pratica a lesão corporal de maneira dolosa e o homicídio de maneira culposa, ou seja, trata-se de um crime preterdoloso: dolo 
no antecedente e culpa no consequente. 
  
b)   Ao perceber que as circunstâncias como a conduta é praticada influenciam substancialmente o crime imputado ao agente, o profissional do direito deve estar atento para 
selecionar todas as informações que não podem deixar de constar de sua exposição dos fatos. Identifique nos dois casos concretos quais informações não podem deixar de 
ser narradas e as indique em tópicos. 
c)    Quais crimes praticaram Marcela e Adriana? Defenda seus pontos de vista em um parágrafo. 
 
  
Plano de Aula: Teoria e Prática da Narrativa Jurídica 
TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA
Estácio de Sá Página 3 / 3