Parte 2
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Parte 2


DisciplinaImunologia Básica2.791 materiais93.329 seguidores
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eventualmente, num grande influxo de cálcio para o interior da célula.
Os detalhes da rota de transdução de sinais não será detalhadamente apresentado
neste livro, entretanto, é sabido que a estimulação dos receptores das células T ativa
uma série de fosfoquinases as quais, por sua vez, ativam a fosfolipase C que cliva os
fosfoinositídeos produzindo inositol trifosfato, abrindo os canais de cálcio. O cálcio
ativa a calcineurina, uma serino-fosfatase. A calcineurina migra para o núcleo e está
envolvida na ativação dos genes para IL-2 e seu receptor. A calcineurina é bloqueada
pela ciclosporina A, uma das drogas mais efetivas usada na prevenção de rejeição em
transplantes de órgãos.
O resultado final desta série de eventos é a ativação das células T auxiliares que leva
à produção de linfocinas, IL-2 bem como do receptor de IL-2. A IL-2, também
conhecida como fator de crescimento de células T, estimula a multiplicação clonal
das células T auxiliares em células T auxiliares específicas ao antígeno. A maioria
dessas células clonais executam funções efetoras e regulatórias, mas algumas
tornam-se células de "memória", as quais são capazes de serem, mais tarde,
rapidamente ativadas quando expostas novamente ao antígeno. (Células T
citotóxicas e células B também formam células de memória.) Note que IL-2 estimula
células T citotóxicas CD8 positivas, bem como células T auxiliares CD4 positivas.
Células T auxiliares CD4 positivas também produzem uma outra linfocina chamada y-
interferon que aumenta a expressão das proteínas de classe 11do MHC em APCs. Este
aumenta a habilidade das APes de apresentarem o antígeno às células T e regula a
resposta imune positivamente.
O processo de ativação .das células T não funciona simplesmente como uma chave
"ligado-desligado". A ligação de um epitopo ao receptor de células T pode resultar
numa ativação total, parcial (na qual somente algumas linfocinas são produzidas) ou
nenhuma ativação, dependendo qual foi a via da transdução de sinais estimulada
pelo dado epitopo. Esta observação tem profundas implicações no entendimento de
como as células T auxiliares montam a resposta aos agentes infecciosos.
Há três genes no locus de classe I (A, B, e C) e três genes no de classe 11(DP, DQ e
DR). Nós herdamos uma série dos genes de classe I e uma série dos genes de classe 11
de cada um dos pais. Portanto, nossas células podem expressar até seis proteínas
diferentes para o locus da classe I e seis para os genes do locus de classe 11.Além
disso, existem múltiplos alelos em cadalocus gênico. Cada uma dessas proteínas do
MHC pode apresentar peptídeos com uma sequência de aminoácidos diferentes. Isso
explica, em parte, nossa habilidade de responder a diversos antígenos diferentes.
* Macrófagos são as células apresentadoras de antígenos mais importantes, embora as
células B, as células dendríticas do baço e as células de Langerhans da pele também
apresentem antígeno, isto é, possuem proteínas de classe 11do MHC na sua superfície
* Proteínas LFA pertencem à família de proteínas de superfície celular denominadas
integrinas, as quais medeiam a adesão a outras células. As integrinas estão embebidas
na superf.ície da membrana celular e possuem domínios extra e intracelulares,
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interagindo externamente com outras células e internamente com o citoplasma. LFA,
antígeno linfocitário com função de associação; IÇAM, molécula de adesão intercelular.
Receptores de Células T
o receptor de células T (TCR) para um antígeno, consiste de dois polipeptídeos, a e (3
os quais estão associados com as proteínas CD3. As proteínas TCR são similares às
cadeias pesadas das imunoglobulinas pois: (1) os genes que as codificam são
formados por um rearranjo em múltiplas regiões do DNA; (2) existem segmentos V
(variável), D (diversidade), J (ligação) e C (constantes) que rearranjam, dando origem
à diversidade, produzindo um número estimado de mais de 107 proteínas receptoras
diferentes; (3) cada célula T possui um único receptor de célula T na sua superfície e,
(4) células T ativadas,. bem como células B ativadas, expandem clonalmente,
produzindo um grande número de células específicas para determinado antígeno.
Embora os TCRs e as imunoglobulinas sejam análogos, pois ambos interagem com o
antígeno de uma maneira altamente específica, o receptor de células T diferencia-se
por: (1) possuir duas cadeias ao invés de quatro e (2) reconhecer o antígeno somente
em associação com as proteínas do MHC, enquanto as imunoglobulinas reconhecem
o antígeno livre.
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Efeito dos Superantígenos nas Células T
Certas proteínas, principalmente as enterotoxinas e a toxina da síndrome do choque
tóxico de estafilococos, atuam como "superantígenos". Ao contrário dos antígenos
comuns, os quais ativam somente uma (ou poucas) células T auxiliares, os
superantígenos ativam um grande número dessas células. Por exemplo, a toxina da
síndrome do choque tóxico liga-se diretamente a proteínas de classe" do MHC sem
o processamento interno da toxina. Este complexo interage com a porção variável da
cadeia (V~) do receptor de célula T de várias células T." Este processo ativa as células
T, levando à liberação de IL-2 pelas células T e IL-1 pêlos macrófagos. Essas
interleucinas são responsáveis por várias características observadas na doença
mediada pela toxina do estafilococos. Certas proteínas virais, por exemplo, aquelas
do vírus do tumor de mama de camundongos (um retrovírus), também pos-sui
atividade de superantígeno.
Características das Células T
As células T constituem 65 a 80% do número total de pequenos linfócitos circulantes.
Nos nódulos linfáticos elas estão localizadas no interior dê! região subcortical e não
nos centros germinais (as células B compõem o restante da população de pequenos
linfócitos e são encontradas, principalmente, nos centros germinais dos nódulos
linfáticos). O tempo de vida dos linfócitos T é bastante longo, de meses a anos. Elas
podem ser estimuladas a dividir quando expostas a certos agentes mitogênicos como
a fito-hemaglutinina e a concanavalina A (endotoxina, um lipopolissacarídeo
encontrado na superfície das bactérias gram negativas, é um agente mitogênico para
células B mas não para células T). A maioria das células T humanas possuem
receptores para eritrócitos de ovelha em sua superfície podendo formar "rosetas"
entre as células. Essa propriedade é usada na identificação das células T em uma
população celular.
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/I Algumas TCRs possuem uma série de polipeptídeos diferentes, chamados gam e delta.
Algumas células T, portanto esses receptores, estão envolvidas na imuni dade mediada
por células contra Mycobacterium tuberculosis.
/I Cada superantígeno, como as diferentes enterotoxinas de estafilococos, interagei com
diferentes cadeias V(3. Isso explica por que muitas mas não todas as células' auxiliares
são ativadas por superantígenos.
Funções Efetoras das Células T
Há dois componentes principais da defesa imune mediados por células T:
hipersensibilidade tardia e citotoxicidade.
A. Hipersensibilidade tardia:
A reação de hipersensibilidade tardia é produzida, particularmente, contra antígenos
de microrganismos intracelulares, incluindo certos fungos (por exemplo,
Histoplasma e Coccidioides) e certas bactérias intracelulares, por exemplo,
micobactéria. A hipersensibilidade tardia é mediada por macrófagos e células C04,
principalmente da subpopulação Th I das células CD4. As linfocinas importantes
nessa reação são:
y-interferon, fator de ativação de macrófagos e fator de inibição da migração de
macrófagos. Células CD4 produzem interleucinas, e os macrófagos são as efetoras da
hipersensibilidade tardia. A deficiência na imunidade mediada por células manifesta-
se como uma marcante susceptibilidade a infecções por tais microrganismos.
B. Citotoxicidade:
A resposta citotóxica está relacionada, primariamente, com a rejeição a enxertos e
com a destruição das células infectadas por vírus e célulastumorals. Na resposta às
células infectadas por vírus, os linfócitos CD8 devem reconhecer os antígenos virais