SDRA
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o paciente pode 
desenvolver respiração paradoxal, dado sugestivo de fadiga do diafragma. Todos esses dados 
desaparecem com a instituição do suporte ventilatório bem ajustado. Na ausculta pulmonar, 
crepitações bilaterais são os achados mais comuns. 
Como a hipoxemia grave é uma característica da SDRA, os sintomas e sinais a ela 
relacionados são observados. Assim, além da cianose, que não é um sinal precoce de 
hipoxemia, o paciente pode apresentar taquicardia, sinais de vasoconstrição periférica, 
alterações do sistema nervoso central, inicialmente com agitação e instabilidade motora, 
podendo evoluir para rebaixamento da consciência. A intensidade da hipoxemia, refratária à 
oferta de oxigênio sob máscara, e o desconforto respiratório determinam, na grande maioria 
dos pacientes, necessidade de ventilação mecânica. A gravidade da doença de base, 
sobretudo quando há instabilidade hemodinâmica, contribui para a indicação do suporte 
ventilatório. 
12 - Quais as alterações na radiografia de tórax na síndrome do desconforto respiratório 
agudo (SDRA)? 
A alteração radiográfica característica na SDRA é a presença de opacidades alveolares 
bilaterais, as quais fazem parte, inclusive, da definição da síndrome (figuras 1 e 2). Porém, 
antes da completa definição do quadro alveolar, com opacidades homogêneas, às vezes até 
com broncograma aéreo, nas fases iniciais, pode haver opacidades intersticiais, seguidas de 
opacidades alveolares menos homogêneas, em um padrão de vidro despolido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 1. Paciente com pancreatite necro-hemorrágica grave, inicialmente com radiografia 
de tórax normal, evolui com SDRA. Notam-se opacidades alveolares difusas e bilaterais, 
características da síndrome. (Imagens de Marcelo A. Holanda \u2013 UFC) 
 
 
 
 
Figura 2. Paciente com grave, evoluindo com SDRA, com opacidades alveolares bilaterais 
e provável derrame pleural a direita. A evolução mostra acentuada melhora radiológica, 
mantendo ainda opacidades acinares na base direita, mas já não mais caracterizando um 
quadro de SDRA (Hospital Universitário - UFJF) 
 
Em relação à distribuição das lesões nos campos pleuropulmonares, ela tende a ser 
homogênea nos quadros secundários às doenças sistêmicas (SDRA extrapulmonar). Já nas 
causas pulmonares, é comum a distribuição mais heterogênea das lesões, com as áreas 
primariamente lesadas mostrando alterações mais acentuadas. O principal exemplo dessa 
situação é na SDRA por aspiração de conteúdo gástrico, na qual a lesão tende a predominar 
no local da aspiração, em geral no lobo inferior direito. 
Durante toda a evolução da SDRA, o paciente deve ser submetido a radiografias de tórax 
diárias, que permitirão monitorar a melhora do quadro e o surgimento de complicações. Entre 
 
 
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as complicações estão o desenvolvimento de pneumotórax, pneumomediastino ou áreas 
localizadas de hiperinsuflação ou mesmo com formação de cistos. Outra complicação 
freqüente, nem sempre de fácil distinção na radiografia de tórax, é a pneumonia, que deve ser 
sempre lembrada quando há surgimento de nova área de opacidade alveolar ou progressão de 
alterações já existentes. 
13 - A radiografia de tórax permite a distinção entre síndrome do desconforto 
respiratório agudo (SDRA) e edema agudo de pulmão (EAP)? 
Se estivéssemos diante de uma questão de sim ou não, a resposta seria simples: não. Mas o 
raciocínio clínico, na maioria das vezes, não é dicotômico e sim construído a partir de dados 
que sugerem ou não determinada condição. Assim, na radiografia de tórax compatível com 
edema pulmonar, alguns achados podem auxiliar na diferenciação entre SDRA e EAP, embora 
nenhum deles seja definitivo. Entre eles destacam-se: 
\u2022 área cardíaca: quando aumentada sugere EAP, quando normal, SDRA. 
\u2022 Hilos proeminentes e alargamento da ázigos, evidenciado como alargamento do 
mediastino superior: sugerem EAP. 
\u2022 Na SDRA, a distribuição do edema é mais periférica e no EAP, mais central. 
\u2022 Nas fases iniciais, no EAP pode-se observar a inversão da trama vascular, que 
torna-se mais proeminente para os ápices do que para as bases. 
\u2022 O EAP é habitualmente acompanhado de derrame pleural, mais freqüentemente 
bilateral ou a direita. Derrames pequenos podem não ser visualizados na 
radiografia em decúbito e a SDRA também pode cursar com essa alteração. 
\u2022 Evolutivamente, no EAP a melhora radiográfica é mais rápida. 
 
14 - Quais as alterações na tomografia computadorizada de tórax (TC) na síndrome do 
desconforto respiratório agudo (SDRA)? 
A TC de tórax tem contribuído muito para a compreensão da lesão pulmonar na SDRA. Por 
permitir avaliar os pulmões sem a superposição de imagens, problema característico da 
radiografia de tórax, ela mostrou que a expressão do acometimento pulmonar não é 
homogênea, com nítido predomínio nas regiões dorsais, ditas dependentes (dependentes da 
gravidade). 
Assim, nas porções dorsais observam-se opacidades homogêneas e densas, muitas vezes 
com broncograma aéreo, resultado não só da distribuição gravitacional do edema, mas também 
do colapso que o pulmão doente e o mediastino impõem sobre as porções dependentes dos 
pulmões. Mais dorsalmente a essas áreas, em alguns pacientes, observa-se uma lâmina de 
derrame pleural. Ventralmente às áreas consolidadas, é comum observar uma área de 
opacidade em vidro fosco e, nas porções mais ventrais, o pulmão é normal ou mesmo 
hiperluscente (figura 3). A TC de tórax permite ainda a identificação de complicações da 
ventilação mecânica na SDRA, como pneumotórax, pneumomediastino ou áreas localizadas de 
hiperdistensão pulmonar. Quando a SDRA é de causa pulmonar, ao lado das alterações 
decorrentes da síndrome, são observadas as alterações da doença de base, como, por 
exemplo, focos de consolidações nas pneumonias (figura 4). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 3. TC de tórax de paciente com SDRA decorrente de sepse abdominal 
mostrando consolidações homogêneas, com broncograma aéreo, nas porções 
dorsais, com áreas de vidro fosco e de pulmões normais mais ventralmente. 
Observa-se ainda fina lâmina de derrame pleural (setas) 
 
 
 
Figura 4. TC de tórax de paciente com SDRA decorrente de pneumonia grave 
mostrando acometimento pulmonar bilateral e difuso, mas heterogêneo, com 
áreas de consolidação (talvez os focos pneumônicos iniciais) entremeadas com 
vidro fosco. Observa-se ainda fina lâmina de derrame pleural a esquerda (seta) 
 
Com a resolução da SDRA, há regressão progressiva das imagens alveolares, podendo 
permanecer, em alguns pacientes, opacidades reticulares e, mais raramente ainda, áreas de 
destruição da arquitetura pulmonar. 
 
 
 
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15 - Quais são os princípios da ventilação mecânica na síndrome do desconforto 
respiratório agudo (SDRA)? 
A ventilação mecânica é uma medida de suporte na SDRA e, embora seja essencial para a 
manutenção do paciente vivo até a recuperação da lesão pulmonar, ela não contribui para que 
esta recuperação ocorra; pelo contrário, ela pode favorecer o aparecimento de complicações, 
como pneumonia, ou mesmo induzir a lesão pulmonar. Assim, a estratégia de ventilação 
mecânica na SDRA deve se preocupar com: 
Manter a oxigenação adequada do paciente 
A lesão pulmonar da SDRA é extensa, traduzindo em hipoxemia grave e necessidade de 
ventilação mecânica para sua correção. Na ventilação mecânica, além maiores FIO2, podem 
ser implementadas manobras para reduzir as áreas colapsadas, reduzindo assim as alterações 
de V/Q e shunt, melhorando a hipoxemia. Essas manobras, que serão detalhadas mais 
adiante, incluem estratégias de recrutamento alveolar e manutenção dos alvéolos recrutados 
com PEEP. 
Reduzir o trabalho respiratório do paciente 
As alterações na mecânica respiratória na SDRA tornam o trabalho respiratório muito 
aumentado, gerando grande desconforto para o paciente. Esse trabalho aumentado pode ainda 
requerer grande parte