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por três meses, a 
estreptomicina, e os efeitos colaterais das demais aumentam a taxa de abandono do 
esquema 3. O Ministério da Saúde admite o uso da estreptomicina em aplicações de 2a 
a 6a feira nos primeiros dois meses e duas vezes por semana por mais 4 meses, para 
facilitar a aderência e supervisão da administração da medicação. 
\u2022 O esquema 3 deve ser conduzido, sempre que possível, em centros de referência para 
o tratamento da tuberculose. A cultura do M. tuberculosis e os testes de sensibilidade 
são recomendados. Em casos excepcionais, em pacientes rebeldes ao tratamento, 
com abandonos prévios, pode-se optar por esquema supervisionado (um profissional 
de saúde administra a medicação diariamente) ou até mesmo pela internação do 
paciente. 
 
21 - Quando e como é feito o tratamento com o esquema 2? 
O esquema 2 é sugerido como tratamento para os casos de meningite tuberculosa. As doses 
das medicações são iguais ao esquema 1, com aumento no tempo de administração da 
segunda fase do tratamento. Veja no quadro abaixo o esquema 2: 
Esquema 2 
Peso do paciente 
Mais de 20 kg 
até 35 kg 
Mais de 35 
kg até 45 kg 
Mais de 
45 kg 
Dose 
máxima 
Fases 
do 
tratamento 
Drogas 
Doses para 
todas as 
idades 
mg/kg/dia mg/dia Mg/dia mg/dia 
R 10 a 20 300 450 600 600 
H 10 a 20 200 300 400 400 
1a fase 
(2meses) 
RHZ Z 35 1000 1500 2000 2000 
R 10 a 20 300 450 600 600 2a fase 
(7meses) 
RH H 10 a 20 200 300 400 400 
R = Rifampicina H = Isoniazida Z = Pirazinamida 
 
 
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Nos casos de concomitância entre tuberculose meningoencefálica e tuberculose em outra 
localização, é também recomendado o esquema 2. 
O Ministério da Saúde recomenda o uso de corticosteróides (prednisona, dexametasona ou 
outros) por um período de 1 a 4 meses, a partir do início do tratamento. Nas crianças, a 
prednisona é administrada na dose de 1 a 2mg/kg até a dose máxima de 30mg/dia. Se for 
usado outro corticosteróide, uma dose equivalente à prednisona deve ser calculada. 
 
22 - Quando encaminhar um paciente para o tratamento de prova para a tuberculose 
pulmonar? 
O tratamento de prova poderá ser feito em casos de forte suspeita clínica e radiográfica de 
tuberculose (ver perguntas sobre quadro clínico e radiográfico da tuberculose pulmonar no 
adulto), mas sem diagnóstico bacteriológico mesmo depois de esgotadas as possibilidades 
diagnósticas (exceto a biópsia pulmonar). Nesses casos, sugere-se a realização do PPD. Se o 
paciente for não-reator, o tratamento de prova deverá ser desencorajado, exceto se ele 
apresentar alguma condição clínica que se acompanhe de PPD não-reator (ver pergunta sobre 
o papel do PPD no diagnóstico da tuberculose). 
Vale a pena ressaltar que em determinadas localidades, a única possibilidade diagnóstica é a 
baciloscopia do escarro. O tratamento de prova não deveria ser realizado nessas condições, 
devendo o paciente ser encaminhado a serviços com melhores recursos, para somente depois 
de uma investigação mais extensa (de preferência até a broncoscopia) a prova terapêutica ser 
proposta. Além da disponibilidade de métodos diagnósticos mais sofisticados, os centros de 
referência dispõem de profissionais mais habituados com apresentações menos típicas da 
doença e principalmente com outros diagnósticos diferenciais (ex: abscesso pulmonar, câncer 
de pulmão, micoses pulmonares, granulomatose de Wegener) Entretanto, se o 
encaminhamento não é possível, em função das conseqüências do não tratamento do paciente 
com tuberculose, tanto em relação à evolução de sua doença, quanto em relação ao possível 
contágio de outros indivíduos, a prova terapêutica pode ser instituída. No Brasil, em 1995, 38% 
das tuberculoses pulmonares foram tratadas sem o diagnóstico bacteriológico, o qual foi 
negativo em 22% e não realizado em 16% dos casos. 
 
23 - O que é tuberculose multirresistente e qual a conduta nesses casos? 
Tuberculose multirresistente (TBMR) é a resistência in vitro a pelo menos rifampicina e 
isoniazida e a mais um ou mais dos medicamentos componentes dos esquemas 1, 1R e 3, ou 
resistência à rifampicina e isoniazida associada à falência terapêutica do esquema 3. 
O Ministério da Saúde recomenda que estes pacientes e seus familiares sejam atendidos por 
equipe multiprofissional especializada e que cumpram as normas de biossegurança. Nesses 
locais, o paciente receberá um esquema alternativo de drogas disponibilizado pelo SUS, após 
teste de sensibilidade e, composto da combinação dos medicamentos: amicacina, ofloxacina, 
terizidona, etambutol e clofazimina. 
Os estudos apontam para a necessidade do uso de pelo menos quatro medicamentos com 
sensibilidade in vitro, e pelo menos dois nunca usados, sendo um injetável como 
aminoglicosídeo ou derivado polipeptídeo e uma quinolona oral, por período de 18 a 24 meses. 
O tratamento deverá ser supervisionado, de preferência com o paciente hospitalizado na fase 
inicial. O critério de alta são duas culturas negativas sucessivas para micobactérias com o 
paciente fazendo uso das drogas por pelo menos 12 meses, cumprindo um tempo total de 
tratamento igual ou superior a 18 meses. Para acompanhar a tendência e controlar a 
tuberculose multirresistente, um sistema de Vigilância Epidemiológica, controlado pelo Centro 
de Referência Prof. Hélio Fraga vem sendo realizado. O controle implica no armazenamento 
dos medicamentos em uso e sua liberação contra o recebimento da Ficha Individual de 
Notificação de Caso, oriunda das Secretarias Estaduais de Saúde. 
Um inquérito de 6000 pacientes ambulatoriais, realizado no Brasil, de 1996 a 1997, mostra que 
embora as taxas de resistência permaneçam baixas, o problema não é desprezível no que se 
refere às taxas de resistência adquirida. Veja o quadro abaixo: 
 
 
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Inquérito nacional de resistência Brasil, 1998 
Droga Resistência primária Resistência adquirida 
Rifampicina 0,2% 0,8% 
Isoniazida 3,7% 6,7% 
Etambutol 0,1% 0,2% 
Estreptomicina 2,5% 3,9% 
Multidroga Resistência 
R + H 0,8% 5,7% 
R + H + S 0,3% 1,4% 
Total 9,2% 21,8% 
Fonte: CRPHF, FUNASA, MS 
 
24 - Como é feito o controle do tratamento da tuberculose? 
Acompanhar a evolução da doença e supervisionar o uso correto das medicações são medidas 
importantes no controle do tratamento da tuberculose. O paciente deve estar ciente 
principalmente sobre a duração do tratamento e dos riscos da interrupção da medicação. A 
distribuição gratuita dos remédios pode ser um fator adjuvante na adesão do paciente, assim 
como o atendimento clínico de manifestações adversas, acompanhamento social e psicológico 
do paciente. Se disponível, o exame radiológico pode ser realizado para acompanhamento 
evolutivo das lesões, mas não há um consenso sobre a periodicidade destes exames. 
 
25 - Quais são as recomendações para o tratamento da tuberculose na gestante, no 
nefropata e no diabético? 
Gestação: 
Segundo o II Consenso Brasileiro de Tuberculose, o tratamento da tuberculose pulmonar na 
gestante não deve ser alterado, mantendo-se o esquema 1, com isoniazida, rifampicina e 
pirazinamida. 
Nefropatia: 
É necessário realizar o ajuste das doses de acordo com a depuração da creatinina, veja os 
ajustes na tabela abaixo: 
 
Ajuste das doses das drogas antituberculose na insuficiência renal 
Depuração da creatinina 
ml/min Droga Método 
> 50-90 10-50 < 10 
Suplementação 
por diálise 
Etambutol Redução da dose 100% 50-100% 25-50% 
HEMO: desconhecida 
CAPD: desconhecida 
CAVH: desconhecida 
Etionamida Redução da dose 100% 100% 50% 
HEMO: desconhecida 
CAPD: desconhecida 
CAVH: desconhecida 
Isoniazida Redução da dose 100% 
75 \u2013 
100% 50% 
HEMO: dose após diálise 
CAPD: dose p/ clearence 
10-50 
CAVH: dose p/ clearence 
10-50 
Pirazinamida 
Aumento 
do 
intervalo 
entre as 
doses 
q 24h q 24h q 48 \u2013 72h 
HEMO: dose após diálise 
CAPD: desconhecida 
CAVH: provável remoção-