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Bioestatística Responsável pelo Conteúdo: Prof. Esp. Philippe Alexandre Divina Petersen Revisão Textual: Prof. Me. Luciano Vieira Francisco Coleta de Dados e o Planejamento de Estudos Experimentais Coleta de Dados e o Planejamento de Estudos Experimentais • Saber planejar um estudo experimental ou observacional, entendendo as diferenças básicas entre eles. OBJETIVO DE APRENDIZADO • Estatística Inferencial; • População e Amostra; • Variável Resposta, Fatores, Níveis e Tratamentos; • Aleatorização na Constituição de Grupos numa Experiência; • Emparelhamento, Constituição de Blocos, Experiências Simplesmente Cega e Duplamente Cega; • Estudos Observacionais, Transversais, Prospectivos e Retrospectivos; • Estudos Experimentais Versus Estudos Observacionais. UNIDADE Coleta de Dados e o Planejamento de Estudos Experimentais Estatística Inferencial Quando se trata da estatística inferencial, pode-se descrevê-la como mais especí- fica, na qual serão determinados parâmetros. Ou seja, qual o intervalo numérico que se terá a avaliação, qual o nível de confiança (que pelo nome diz, a confiabilidade dos valores) e o tamanho da população que foi utilizado para os estudos. Para isso, devemos definir o que é população e amostra. Estatística Descritiva Versus Estatística Inferencial Estatísticas descritivas fornecem um resumo conciso dos dados. Os dados podem ser resumidos de forma numérica ou gráfica. Por exemplo, o gerente de um restau- rante fast-food registra os tempos de espera dos clientes durante o horário de almoço durante uma semana e sumariza os dados. O gerente, então, calcula as seguintes estatísticas descritivas numéricas: Tabela 1 Estatística Valor amostral Média 6,2 minutos Desvio padrão 1,5 minutos Intervalo 3 a 10 minutos N (tamanho amostral) 50 O gerente examina os seguintes gráficos para visualizar os tempos de espera: Fr eq uê nc ia Tempos de Espera 0 2 4 6 8 10 4 6 8 10 12 14 16 18 Figura 1 – Histograma de tempos de espera 8 9 Te m po s d e E sp er a 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 ” Figura 2 – Boxplot de tempos de espera Por sua vez, estatísticas inferenciais usam uma amostra aleatória dos dados co- letados de uma população para descrever e fazer inferências sobre a população. As estatísticas inferenciais são valiosas quando não é conveniente ou possível examinar cada membro de uma população inteira. Por exemplo, não seria prático medir o diâmetro de todos os pregos fabricados em uma empresa, mas é possível medir o diâmetro de uma amostra representativa de pregos e usar essas informações para fazer generalizações sobre os diâmetros dos pregos produzidos. O que são estatísticas descritivas e inferenciais? Leia a matéria completa. Disponível em: https://bit.ly/3oF60i8 População e Amostra Tanto a população e amostra são de simples definições, porém, deve-se atentar à representatividade, ou seja, o quanto a amostra representa a população. Um exem- plo para ajudar a entender: suponha que uma pesquisa queira observar um hábito alimentar da população brasileira: qual é a quantidade de pessoas (em valores per- centuais) que comem diariamente arroz com feijão no almoço? Ao se realizar a pesquisa, você pode imaginar que ter os dados de todos os brasileiros seria algo que necessitaria de muito tempo, além de custos elevados. No entanto, uma sugestão poderá ajudar: ao invés de realizar a pesquisa com todos os brasileiros, poderia executá-la com uma representação da população? Em outras palavras, uma amostra. Assim, por definição, população é o conjunto de dados de uma ou mais caracte- rísticas que se quer investigar e amostra é um subconjunto da população. Ficará claro de utilizar este conceito quando a amostra apresentar as características de estudo que representem a população. 9 UNIDADE Coleta de Dados e o Planejamento de Estudos Experimentais Figura 3 – Exemplo dos conceitos de população (em caras felizes em azul) e da amostra (caras felizes amarelas) Variável Resposta, Fatores, Níveis e Tratamentos Em pesquisas com amostras, devem ser consideradas as opções de avaliação de variáveis que possam interferir ou não nos resultados. Um exemplo é relacionar o paladar de uma amostra de 100 pessoas com idades entre 6 e 60 anos. Haverá dife- rentes respostas (paladares) com a idade? A resposta é sim. Com o passar dos anos, há perdas do paladar. Nesse caso, a variável resposta avaliada foi o paladar, pois é dependente da idade. No entanto, suponha que além da idade, o gênero possa também ser considerado dentro de nossa amostra. Das 100 pessoas utilizadas, 9 apresentam idades entre 35 e 40 anos e inicialmente possuem alterações do paladar e percebe-se que pessoas do sexo feminino possuem um paladar melhor que pessoas do sexo masculino. Ou seja, um fator que pode influenciar a avaliação do paladar. Se considerarmos que com a idade o paladar decresce, consideram-se diferentes respostas como níveis de avaliação e, neste caso, do maior para o menor. Por fim, se considerar que gênero e paladar possam ser estudados de forma conjunta, ou seja, dois fatores, realiza-se a combinação de ambas as condições e verifica-se, desta forma, o tratamento. Tabela 2 – Esquema de interação níveis e variáveis em que a resposta é o tratamento Variável 1 Variável 2 Variável 3 Nível 1 Tratamento 1,1 Tratamento 1,2 Tratamento 1,3 Nível 2 Tratamento 2,1 Tratamento 2,2 Tratamento 2,3 Nível 3 Tratamento 3,1 Tratamento 3,2 Tratamento 3,3 10 11 Aleatorização na Constituição de Grupos numa Experiência Em testes no desenvolvimento de vacinas e medicamentos, torna-se necessária a formação de dois ou mais grupos para verificar as reações adversas em relação à dosagem ou ao placebo (para efeito de entendimento, é a dosagem zero a ser aplicada), e que também poderá apresentar reações. No entanto, é importante que nesse tipo de tratamento não haja tendência na seleção por fatores que poderão influenciar os resultados. Diante disso, é importante que para a experiência ocorra a aleatorização, que é a designação de indivíduos para o tratamento, sendo importante separar em blocos (faixa de idade, gênero etc.) e em seguida, dentro de cada bloco dividir-se em grupos para avaliação, sendo alguns indivíduos desse grupo recebedores do tratamento, enquanto o outro grupo, a quantidade de controle para que haja a comparação entre ambos. Além disso, garante que qualquer indivíduo dentro da população tenha a mesma probabilidade de ser selecionado. Figura 4 – Efeito placebo (de origem latina placere, que signifi ca agradar) é o tratamento sem comprovação científi ca, porém, que age como forma de atenuar efeitos Fonte: Getty Images Emparelhamento, Constituição de Blocos, Experiências Simplesmente Cega e Duplamente Cega Como descrito, é importante a formação de blocos e que ocorra o emparelha- mento, que é a análise em pares que consiste em observações de um grupo de 11 UNIDADE Coleta de Dados e o Planejamento de Estudos Experimentais controle e outro que está em tratamento. Porém, indivíduos que recebem placebo podem apresentar reações características do tratamento e consequentemente apre- sentar influências nos resultados. Nesse caso, é importante aplicar a experiência simplesmente cega, na qual o indivíduo que receberá o tratamento não deverá saber se é tratado ou se recebe placebo, mas o pesquisador saberá quais são os indivíduos. A falha nessa experiência é que poderá ocorrer direcionamento do pesquisador, o que tornaria a análise tendenciosa. Assim, a experiência duplamente cega é aplicada, pois nem o pesquisador e os participantes saberão quem é efetivamente tratado; a informação dos que receberam o tratamento e o placebo é dada ao pesquisador so- mente após a coleta de todos os dados. Indivíduos Bloco 2 Controle Tratamento Controle ControleTratamento Tratamento Bloco 3Bloco 1 Figura 5 – Exemplo de testes em blocos aleatórios Estudos Observacionais, Transversais, Prospectivos e RetrospectivosOs estudos observacionais são baseados na exposição de pacientes distribuídos de forma aleatória em condições de risco, tais como toxinas ou ambientes. Com o tempo, são observadas as variações conforme os grupos aos quais pertencem (risco ou de controle). Nos estudos transversais existe a coleta de dados a partir de um grupo de indi- víduos, os quais selecionados de forma aleatória, um intervalo específico de tempo, ao invés de um período de acompanhamento, com objetivo de análise diagnóstica instantânea, sem que haja projeções futuras. Os estudos temporais são avaliados dentro de um intervalo, (conhecido como coorte), podendo ser classificados como prospectivos e retrospectivos. Para o pri- meiro caso, ao se iniciar os estudos de uma infecção ou situação de risco, é conside- rado o período determinado para a análise, desconsiderando os efeitos anteriores ao período determinado. Para os estudos retrospectivos são considerados os dados pré- vios e uma possível conclusão pode ter sido alcançada, enquanto para o prospectivo deverá ocorrer o acompanhamento para se verificar se há conclusão das análises. 12 13 Estudos Experimentais Versus Estudos Observacionais Em estudos experimentais, conhecidos também como ensaios clínicos, são avaliados os resultados de tratamentos e intervenções sobre uma conclusão na qual se deseja atingir. A utilização desse estudo é para verificar, a partir de dados estatís- ticos, as condições de causa e efeito em que o pesquisador pode alterar as condições de exposição para verificar a resposta, podendo ou não possuir grupos de controle, caso haja divisão de grupos. Tais estudos podem ser conduzidos em pessoas, animais e produtos oriundos de processos industriais, sendo os participantes escolhidos de forma aleatória ou não, sendo controlados (nos quais pode ocorrer o autocontrole e estudo cruzado de vari- áveis) ou não controlados. Quanto aos estudos observacionais, são considerados estudos de caso, ou seja, análises prévias nas quais são referências para situações existentes, servindo de apoio para avaliações e estudos futuros. O termo relato de caso é utilizado na área de Saúde e possui a análise de informações sobre uma enfermidade ou infecção, tais como sintomas, tratamentos, estado do paciente e a forma de tratamento que este foi submetido, a forma que tal enfermidade evolui e o resultado do tratamento são analisados, com relatos simples e diretos, de forma que se tenha o entendimento sobre o que foi realizado e, ao mesmo tempo, seja verificada a condução presente. Assim, a diferença entre os estudos é que o primeiro se utiliza de dados estatísti- cos para avaliação de alterações provocadas ou condições pré-determinadas ou não, enquanto o segundo tipo se baseia em estudos prévios e seus resultados para com- parar situações presentes e verificar a aplicabilidade para o tratamento. Nedel e Silveira apresentam os diferentes delineamentos de pesquisa apresentam diversas vantagens e limitações, ambas inerentes às suas características principais. O conhecimento sobre o emprego adequado de cada um deles é de grande importância na aplicabilidade da epidemiologia clínica. Em terapia intensiva, uma classificação hierárquica dos delineamen- tos, sem compreender suas peculiaridades nesse contexto pode muitas vezes ser errônea, devendo-se atentar para problemas corriqueiros em ensaios clínicos randomizados e em revisões sistemáticas/metanálises que abordem questões clínicas referentes a cuidados de pacientes gravemente enfermos. Disponível em: https://bit.ly/2HGCfN0 13 UNIDADE Coleta de Dados e o Planejamento de Estudos Experimentais Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Estatística inferencial https://youtu.be/MHvNFbTcSlM Efeito Placebo, Efeito Hawthorne e Experimento duplo-cego https://youtu.be/6oSHWOwUDtg Estudos prospectivos x Estudos observacionais https://youtu.be/BN1unzkYyaU Leitura Como identificar uma amostra e uma população https://bit.ly/35OwS6I Variável resposta, fatores, níveis e tratamentos https://bit.ly/37PUuKP Linguagem metodológica – Parte 1 https://bit.ly/2J7HSV5 Tipos de estudos estatísticos https://bit.ly/3mLskoP 14 15 Referências FONTELLES, M. J. Bioestatística aplicada à pesquisa. v. 1. São Paulo: Livraria da Física, 2012. GLANTZ, S. A. Princípios de Bioestatística. 7. ed. Porto Alegre, RS: AMGH, 2014. HOGG, R. V. Statistical education: improvements are badly needed. The American Statistician, v. 45, n. 4, p. 342-343, 1991. MARTINEZ, E. Z. Bioestatística para os cursos de Graduação da área da Saúde. São Paulo: Blucher, 2015. 15