RevistaOAB_91
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DOS ADVOGADOS DO BRASIL ANO XL N° 91 JULHO/DEZEMBRO 2010 
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O direito ao voto veio em 1932, por decreto de Getúlio Vargas, confirmado na Constituição de 1934. As nordestinas foram grandes lutadoras. A primeira prefeita brasileira foi uma potiguar, da cidade de Lajes, Alzira Soriano de Souza. Mas a Comissão de Poderes do Senado impediu que tomasse posse. Anulou os votos das mulheres da cidade. A participação houvera sido concedida por intervenção do candidato à presidente da Província, Juvenal Lamartine. O Rio Grande do Norte foi, assim, o primeiro Estado a permitir a eleição de uma mulher. Outra nordestina, desta feita, uma maranhense, Joana da Rocha Santos, foi a primeira prefeita a cumprir um mandato, apesar de não ter sido eleita pelo voto popular. Noca, como era conhecida, foi nomeada em 1934 pelo Governo Federal para ser prefeita de São João dos Patos. Foi prefeita por 16 anos consecutivos, até bem depois do Estado Novo. Em 54, voltou pelo voto popular. Em 1974, por ato de uma corajosa mulher, Therezinha Zerbini, foi deflagrada a luta pela anistia aos presos e exilados políticos no Brasil. Corajosamente, Therezinha Zerbini conseguiu chamar a atenção da opinião pública entregando uma carta a uma autoridade americana, que estava em visita pelo Brasil, denunciando a existência e condições dos presos políticos e das torturas então praticadas contra os perseguidos pela ditadura. A partir daí inúmeros grupos de mulheres foram se juntando em Comitês Femininos pela Anistia, que como pequenos furos em uma grande muralha da represa, geraram o transbordamento do movimento que derrotou a ditadura. Atualmente, em pleno Século Vinte e Um, com o Código Civil brasileiro renovado, a condição jurídica da mulher, é verdade, mudou. Mas há ainda muito que avançar para a garantia da democracia paritária. Como única mulher a ocupar cargo na Diretoria do Conselho Federal da OAB, na gestão 2010/2012, há que se perguntar a razão da quase ausência \u2013 ou, melhor dizendo, da reduzida presença das mulheres advogadas nos cargos de direção de nossa entidade. Antes que se tire alguma conclusão precipitada, é interessante observar que esse fenômeno não é exclusivo da advocacia. Ele permeia o Judiciário. As mulheres representam mais de 45% das inscrições na Ordem dos Advogados do Brasil e já em número maior que os homens nas incontáveis faculdades espalhadas pelo País, o que nos faz crer que, em pouco tempo, o Poder Judiciário, no qual se inserem as carreiras jurídicas, será predominantemente feminino. Mas, ainda assim, observa-se uma ocupação quase ínfima em cargos de direção ou em seus postos de destaque. 
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No próprio Conselho Federal da OAB, com 81 integrantes titulares, somente seis são mulheres. A pergunta, portanto, é a seguinte: se nós, mulheres, somos a maioria nas faculdades de Direito de todo o País, representamos hoje quase a metade dos inscritos nas seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil, temos constitucionalmente os mesmos direitos e os mesmos deveres dos homens, lutamos tanto por nossa igualdade, inserção e respeito, por que a nossa participação em cargos de direção ou em postos de destaque ainda é tão pequena? Refuto qualquer análise que nos leve a concluir que esse fenômeno tenha a sua origem num aparente desinteresse ou falta de estímulo das mulheres em alcançar cargos de direção. Em todo o mundo, e em nosso País em particular, é preciso ir mais fundo quando se trata da relação do poder com a mulher. E o preconceito ainda é uma causa presente que afeta os rumos da igualdade plena. Entre as discriminações que as mulheres advogadas enfrentam estão violações às suas prerrogativas profissionais, especialmente na advocacia criminal, no trato das mulheres nas delegacias. As advogadas de primeira instância também relatam serem menosprezadas por juízes. O caminho que temos percorrido, sem nenhuma sombra de dúvida, é mais tortuoso. As estatísticas estão aí, a revelar esse percurso: Mesmo apresentando mais anos de estudo e competência, as mulheres trabalhadoras continuam recebendo salários em média 70% inferiores aos dos homens; As mulheres negras recebem, também em média, metade do rendimento das mulheres brancas; cerca de dez milhões de mulheres no Brasil correm risco de gravidez indesejada por uso inadequado e falta de conhecimento de métodos anticoncepcionais; quatro mulheres são espancadas a cada minuto em nosso País. Espalhados pelo mundo, outros casos dramáticos de violação aos direitos humanos do gênero feminino se perpetram. Há mulheres, como a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenadas à morte sob extrema violência, subjulgadas ao apedrejamento, violentadas por seus próprios parentes, ou brutalizadas em razão de costumes culturais. Não podemos nos orgulhar de nenhuma de nossas inúmeras conquistas enquanto ainda existirem mulheres tratadas com escárnio. Relatório da Anistia Internacional revela que uma em cada três mulheres do planeta é espancada, estuprada, mutilada, escravizada ou morta por conta da violência doméstica. 
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Ou seja, mais de um bilhão de mulheres sofrem algum tipo de agressão física ou psicológica. Essa violência acaba sendo transferida também para os filhos e para toda a família em geral. Claro que devemos respeito às culturas, aos costumes, às religiosidades, às diferenças. Mas, antes, devemos respeito incondicional ao ser humano, independente de sexo, raça, opção sexual ou crença, não importa em que solo esteja pisando. As mulheres, especialmente as mulheres advogadas, devem estar em permanente combate. A luta ainda é atual e diária. Todas as mulheres da carreira jurídica têm plena consciência sobre o papel da condição feminina na sociedade, principalmente onde as tradições culturais induzem ao errático conceito da desigualdade dos gêneros. É chegado o tempo de privilegiarmos a opção pela liderança e assunção de postos dentro das nossas múltiplas tarefas. A efetiva participação da mulher advogada em todos os segmentos da sociedade é a forma de protagonizar mudanças nas relações de poder, no mercado de trabalho, nos valores culturais, nos padrões comportamentais. 
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A HISTÓRIA DA OAB COMO A HISTÓRIA DO BRASIL 
 Miguel Ângelo Cançado Diretor-Tesoureiro do Conselho Federal da OAB O histórico de lutas da Ordem dos Advogados do Brasil, desde a sua origem com a criação do Instituto dos Advogados (IAB), em 1843, revela toda sua complexidade e, sobretudo, seu absoluto enraizamento na história política do Brasil, sendo sempre marcado por muitas lutas e expressivas conquistas em favor da sociedade e da advocacia brasileiras. Chegamos agora às comemorações pelo octogésimo ano desde a expedição da certidão de nascimento da OAB, o que se deu em 18 de novembro de 1930 e atingimos a data com expressivo cabedal de fatos que merecem registro. Assim dispõe o artigo 17 do Decreto 19.408: Fica criada a Ordem dos Advogados Brasileiros, órgão de disciplina e seleção da classe dos advogados, que se regerá pelos estatutos que forem votados pelo Instituto da Ordem dos Advogados Brasileiros, com a colaboração dos Institutos dos Estados, e aprovados pelo Governo. Sem dúvida, a análise da história da entidade revela a origem dos princípios que norteiam a atuação da OAB e, entre eles, está o empenho político-classista dos advogados brasileiros para assegurar sua efetiva participação na administração da Justiça, o que foi conquistado efetivamente com a Constituição Federal de 1988, por meio do artigo 133, além da sua disposição de ser sempre a porta-voz da sociedade civil brasileira, com ênfase na defesa do cidadão e dos seus direitos e garantias fundamentais, em especial as liberdades. Com certeza, muitos episódios marcam