RevistaOAB_91
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digital. Aprovamos um instrumento interno de controle fiscal; o Exame de Ordem tornou-se Unificado; a marca OAB una e padronizada; o sistema OAB-PREV agregado a uma orientação uniforme; as subseções ganharam um cadastro nacional; a Assessoria Jurídica Nacional, a Ouvidoria e a Corregedoria foram criadas; a UNE, Federação Nacional dos Estudantes de Direito e os movimentos sociais tinham conosco diálogos permanentes; passamos a emitir até seiscentos mil e-mails/ dia para todos os advogados, três revistas eletrônicas, um site mais moderno, com mais de oitocentos mil acessos e um milhão e seiscentas mil visitas por páginas todo mês; a doação de mais de mil computadores para as salas dos fóruns e a instalação de biometria automatizada para emissão da identidade do advogado. O resultado não se fez tardar, patrocinamos várias campanhas institucionais, realizamos seminários, investimos na acessibilidade dos nossos prédios, combatemos a criminalização dos movimentos sociais, fomos procurados para intermediar conflitos, realizamos congressos e, sobretudo, agimos para fazer com que, no bom dizer de J. Bourbon, \u201cas diferenças não sejam mais capazes de separar\u201d. Mas o homem não se resume ao habitat que se desnuda diante do seu olhar físico. Destroçar fronteiras também era preciso. E neste período o Brasil ocupou a presidência da UALP e do COADEM, fez de Foz do Iguaçu a sede da advocacia sul-americana. Participou ativamente dos trabalhos da UIBA e colaborou com a UIA. Organizou e participou de congressos, estendeu os trabalhos da Escola Nacional de Advocacia - ENA - para os países de língua portuguesa, promoveu intercâmbios com a República Dominicana, Honduras, Angola, Moçambique, EUA, Cuba, Guiné Bissau, Cabo Verde, Timor Leste, Macau e São Tomé y Príncipe, e se preocupou com a proteção da pessoa humana, aí se destacando o convênio celebrado com o Conselho Geral da Advocacia Espanhola que garantiu assistência jurídica aos brasileiros e espanhóis quando vitimas de lesão a direitos humanos, assim como o novo foco internacional de combate ao tráfico de pessoa humana. O Brasil que quer ser grande no campo internacional não poderia pensar pequeno na sua área jurídica. E não se fez nesses já distantes três anos. Contribuímos ainda para esta história quando decidimos eleger o ensino jurídico como pilar fundamental para garantir que os atuais estudantes, futuros advogados, juízes, procuradores, delegados e bacharéis, tenham nos direitos humanos, nos princípios fundamentais e na ética, fontes irrecusáveis de aprendizado. Assim passamos a exigir expressamente a observância desses mandamentos nas grades curriculares e no Exame de Ordem. Não mais queríamos ouvir de alguns magistrados e autoridades de que o Brasil tem leis civilizadas demais para combater a barbárie ou que o Supremo peca porque julga com base nos princípios fundamentais. Eles passarão a aprender nos bancos escolares a respeitar 
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a Constituição. Mas, antes, necessário se fez combater a fome e a ganância de empresários que mercantilizavam o sonho de ascensão social pelo saber. Já no primeiro dia do mandato, em reunião com o Ministro da Educação, Fernando Haddad, implantou-se um novo marco regulatório para os cursos de direito, em que se destacou a despolitização na criação de cursos, a participação da OAB na fase de renovação de reconhecimento e uma nova força normativa para o nosso opinamento. Com estas medidas, reforçadas pela ampliação da Comissão de Ensino Jurídico e o Exame de Ordem Unificado, começou a ruir este quadro perverso que tem como maior vítima o pobre que busca no ensino uma forma de conquistar a igualdade. Hoje, com muito orgulho, a OAB pode dizer que está há quase três anos sem a criação de um curso de direito sem a concordância da instituição, podendo-se ainda dizer que dez cursos foram fechados, assim como centenas de vagas. Mas também a OAB tinha que fazer o seu dever de casa. O saber não é estático, assim como o advogado não pode abdicar da educação continuada. Era fundamental que se dotasse a ENA de condições técnicas para o exercício de sua missão. E ela o fez de forma inovadora. A gestão organizou inúmeros cursos de aperfeiçoamento e, pela primeira vez, cursos de pós-graduação, inclusive para os países africanos. É de se destacar, também no campo do saber, a criação da Revista da ENA, a Revista Atualidades Jurídicas da OAB Editora e a Revista de Direitos Humanos. E a tudo isso se acresce a XX Conferência Nacional dos Advogados, ocorrida na cidade de Natal, com a presença de mais de cinco mil participantes. O IX e X Seminário sobre o Ensino Jurídico, O Fórum Brasil Contra a Violência, II Seminário sobre o Quinto Constitucional, o I Seminário Sul-americano de Promoção da Igualdade, I Seminário Nacional das Comissões de Defesa das Pessoas com Deficiência, Conferência Nacional sobre Direito Ambiental e a questão da Amazônia, IV Conferência Internacional de Direitos Humanos, I Seminário Internacional sobre a Exploração do Pré-sal, I Seminário Nacional de Combate à Corrupção Eleitoral, I Seminário sobre a Criminalização dos Movimentos Sociais, Encontros das Comissões dos Advogados em Início de Carreira, Encontro Nacional de Comissões de Prerrogativas, duas oficinas no Fórum Social Mundial (Pará e Porto Alegre), concurso de poemas e desenhos para o calendário ambiental da OAB, entre os alunos das escolas de ensino fundamental da rede pública, encontro para discutir a advocacia internacional e os desafios contemporâneos, Encontro Internacional Diáspora Jurídica e Fórum da Cidadania pela Reforma Política. Nesses três anos a OAB, lamentavelmente, teve que dedicar grande parte do seu tempo a implodir adágios autoritários e edificar pensamentos libertários, a fazer compreender que a Constituição-Cidadã é defensora, não é acusadora. Na defesa do Estado 
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Democrático de Direito e em memória às vitimas da ditadura militar, a OAB exigiu a abertura dos arquivos do Regime Militar, a punição dos torturadores e o Direito à Verdade e à Memória. Lembrou que ao se desconhecer que o Poder Judiciário já fora castrado na sua missão de livre decidir, violado na sua independência, desrespeitado em prerrogativas, humilhado com a cassação dos Ministros Evandro Lins e Silva, Victor Nunes Leal e Hermes Lima, se poderá repetir estes mesmo gravíssimos erros, apontando como exemplo a aprovação da Emenda Constitucional 62/2009 conhecida como PEC do CALOTE, que reduz o Poder Judiciário a um percentual ínfimo do que vale o Poder Executivo e que concede carta branca para que governantes confisquem direitos, humilhem cidadãos, pois seus atos somente serão reparados décadas depois. Reafirmou que se renovam estes mesmos erros quando apagamos da nossa memória de que na época em que o cômodo era se calar, fora a advocacia quem reagira à brutal intervenção do Executivo sobre o Judiciário, esquecimento que faz com que hoje alguns magistrados, corporativa e ingratamente, ataquem o quinto constitucional, preguem a sua extinção ou que se retire da OAB o poder de indicar os representantes da própria advocacia. Firmou que ao não mais lembrarmos de que o habeas 
corpus fora extirpado do ordenamento jurídico durante a ditadura militar como forma de ampliar o poder repressivo do Estado, hoje ousaram repetir esta mesma lógica ao reduzirem a força constitucional do mandado de segurança. Ao retirarem da nossa memória que a imprensa vivia censurada, com agentes do estado trabalhando diretamente nas redações, interferindo nas linhas editorias, volta à tona a tese de que o Estado pode praticar censura prévia a jornais e ainda estabelecer o monopólio sobre o controle das comunicações, ainda que para combater outros monopólios. A considerarmos a tortura como simples crime político, revogando a sua tipificação como crime