cicero_diabetico
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cicero_diabetico


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na região plantar com 
sobrecarga e reação da pele com 
hiperceratose local (calo), que com a 
contínua deambulação evolui para ulceração 
(ex. mal perfurante plantar), que se 
constitui em uma importante porta de 
entrada para o desenvolvimento de 
infecções.4,7,8 
b) A neuropatia autonômica através da lesão 
dos nervos simpáticos, leva a perda do 
tonus vascular, promovendo uma 
vasodilatação com aumento da abertura de 
comunicações artério-venosas e 
conseqüentemente passagem direta do 
fluxo sangüíneo da rede arterial para a 
venosa, causando a redução da nutrição aos 
tecidos. E leva também a anidrose 
tornando a pele ressecada e com fissuras 
que também servem de porta de entrada 
para infecções.3,10 
Com relação ao \u201cpé de Charcot\u201d (neuro-
ósteoartropatia), acredita-se que a neuropatia 
autonômica com o conseqüente aumento de 
fluxo através das comunicações artério-
venosas, promove um aumento da reabsorção 
óssea com conseqüente fragilidade do tecido 
ósseo.11 
Esta fragilidade óssea associada a perda da 
sensação dolorosa e a traumas sucessivos 
levam a múltiplas fraturas e deslocamentos 
ósseos (sub-luxações ou luxações), causando 
deformidades importantes (ex. desabamento 
do arco plantar) que podem evoluir também 
para calosidade e ulceração.7,11,12 
Angiopatia 
O paciente diabético pode apresentar a 
macroangiopatia e a microangiopatia. A 
macroangiopatia afeta vasos de maior calibre , 
é causada pela aterosclerose, que no paciente 
diabético tem um comportamento peculiar : É 
mais comum, mais precoce e mais difusa, 
quando comparada com aterosclerose nos 
pacientes não diabéticos. Outra característica 
em diabetes é a calcificação da camada média 
de artérias musculares, principalmente nas 
extremidades inferiores.1,9 
A microangiopatia é caracterizada 
morfologicamente pelo espessamento difuso 
das membranas basais, mais evidentes nos 
capilares da pele, músculos esqueléticos, 
retina, glomérulos renais e medula renal.13,14 É 
considerada quase que exclusiva dos pacientes 
portadores de diabetes.9,14 
A angiopatia do \u201cpé diabético\u201c, representada 
principalmente pelas lesões estenosantes da 
aterosclerose, reduz o fluxo sangüíneo para as 
partes afetadas dos membros inferiores, 
causando inicialmente interrupção da marcha 
pelo surgimento de dor no membro 
(claudicação intermitente). 
A evolução da doença vascular agrava a 
redução do fluxo sangüíneo, surgindo uma 
condição na qual mesmo o paciente em repouso, 
a dor estará presente (dor de repouso). E 
finalmente, a progressão da doença vascular 
 Pé Diabético Cícero Fidelis 
 16/05/2003 Página 4 de 21 
Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. 
Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: URL: http://www.lava.med.br/livro 
pode atingir níveis tão graves de redução de 
fluxo, que pode ocorrer dano tissular com a 
aparecimento de uma ulceração ou gangrena.8,9 
Esta mesmo mecanismo também pode causar 
alteração de coloração e redução da 
temperatura da pele , alteração de fâneros 
(pêlos e unhas) e atrofia de pele, sub-cutâneo 
e músculos.8,9 
Com relação à microangiopatia há relatos de 
que o espessamento de membrana basal não 
diminui a luz do vaso , a rigidez da membrana 
pode limitar a dilatação arteriolar 
compensatória em resposta à redução de 
perfusão, pode interferir na permeabilidade 
impedindo a migração de leucócitos mas, seu 
verdadeiro papel patológico é discutível,15 e 
não se deve aceitá-la como causa primária de 
uma lesão de pele.1 
Infecção 
A infecção no paciente diabético pode variar 
de uma simples celulite localizada à uma 
celulite necrotizante, abcesso profundo ou 
uma gangrena e são oriundas de traumas, 
úlceras e principalmente de lesões 
interdigitais e / ou peri -ungueais.14,16 
As infecções leves em pacientes sem uso 
prévio de antibiótico são geralmente causadas 
por uma ou duas espécies de cocos gram 
positivos aeróbios, dos quais, o Estafilococos 
áureus e Estreptococos são os mais 
comuns.1,16,17 
As infecções mais graves (ex. profundas, com 
necrose e/ou isquemia), freqüentemente, são 
causadas por uma flora polimicrobiana. E os 
germens geralmente encontrados são: 
Estafilococos aureus (gram positivo), 
Escherichi coli e Proteus sp (gram negativos) e 
Bacterióides sp , Peptoestreptococos, 
Peptococos e Clostrídio sp 
(anaeróbios).1,14,16,17,18 
A pan-neuropatia (fissuras, úlceras, perda da 
sensibilidade dolorosa, etc.), a insuficiência 
vascular e a disfunção imunológica tornam o 
paciente diabético susceptível à infecção.1,14,18 
 
COMO RECONHECER UM PÉ DIABÉTICO? 
 
Para se fazer o diagnóstico de \u201cpé diabético\u201c é 
necessário entender de forma clara as suas 
causas e principalmente as suas conseqüências, 
das quais falamos nos itens destinado a 
patogênese e a fisiopatologia. 
Felizmente, a despeito do avanço tecnológico 
nesta área, o diagnóstico de pé diabético 
depende muito de um exame clínico adequado, 
ou seja, uma boa anamnese e um bom exame 
físico. 
Portanto, se faz necessário entender, 
pesquisar e interpretar todos os sintomas e 
sinais apresentados pelo paciente. Nos casos 
duvidosos ou quando merecem maior 
investigação deve-se utilizar os exames 
auxiliares. 
Com o exame clínico. Que sinais e sintomas 
caracterizam o pé diabético? Para 
exercitarmos as informações expostas acima, 
abordaremos os sintomas e sinais mais 
importantes, relacionando-os com a sua origem. 
Relacionados com a neuropatia. Os sintomas e 
sinais relacionados com a neuropatia são 
divididos de acordo com o tipo de nervo que é 
comprometido: 
a) sensoriais: dores tipo queimação, pontadas, 
agulhadas, sensação de frieza, parestesias, 
hipoestesias e anestesias. Relembrando , 
há uma perda progressiva da sensação de 
proteção tornando o paciente vulnerável ao 
trauma. 
b) motores: atrofia da musculatura intrínseca 
do pé, deformidades ósteo-articulares com 
suas mais freqüentes apresentações como: 
Dedos em martelo, dedos em garra, hálux 
valgus, proeminências de cabeças de 
metatarsos. Presença de calosidades em 
áreas de pressões anômalas e ulcerações 
(Mal perfurante plantar). 
c) autonômicos: diminuição da sudorese com 
ressecamento da pele e fissuras. 
Vasodilatação e coloração rosa da pele (\u201cpé 
de lagosta\u201d) oriunda da perda da auto -
regulação das comunicações artério-
venosa. 
Vale lembrar que também está relacionado com 
a neuropatia a condição denominada como \u201cpé 
de Charcot\u201d (neuro-ósteoartropatia), já 
 Pé Diabético Cícero Fidelis 
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Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. 
Maceió: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponível em: URL: http://www.lava.med.br/livro 
descrita acima, que se caracteriza na sua fase 
aguda por sinais clássicos de inflamação (calor, 
rubor, edema, com ou sem dor) e na sua fase 
crônica por deformidades importantes, 
chegando a alterar a configuração normal do 
pé. 
Os sintomas e sinais relacionados com a 
angiopatia são dependentes essencialmente da 
macroangiopatia com suas lesões estenosantes 
que leva a redução de fluxo sangüíneo e 
consequentemente a redução dos nutrientes 
para os tecidos como já foi descrito 
anteriormente. 
Assim, a redução de fluxo sangüíneo pode 
promover o aparecimento de claudicação 
intermitente, dor de repouso, alteração de 
coloração de coloração da pele como palidez ou 
cianose, alteração da temperatura da pele 
como hipotermia, alterações tróficas dos 
tecidos como atrofia de pele , sub-cutâneo, 
músculos e de fâneros como rarefação de 
pelos e unhas quebradiças. 
A lesão estenosante da luz do vaso pode levar 
também a alteração de pulsos periféricos, 
facilmente avaliados, traduzindo-se 
clinicamente por diminuição ou ausência à 
palpação. Deve-se, portanto,