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ACUMULAÇÃO PRIMITIVA DO CAPITAL
(Marx)
1. O que é acumulação primitiva?
- Acumulação que não é o resultado, mas o ponto de partida do sistema capitalista
- Instrumento de acumulação para um novo grupo: empobrecimento dos senhores feudais + expropriação dos trabalhadores
- Dinheiro e mercadoria tem de se transformar em capital
- Criação de um novo tipo de trabalhador, mais apropriado à forma de produção
Acumulação primitiva = surgimento do capital = separação entre burguesia e proletariado
2. Quando e onde aconteceu a acumulação primitiva? Inglaterra, nos séculos XVI e XVII
Crise da nobreza
Cercamentos: empobrecimento, centralização
	Reforma anglicana: cercamentos, arrendamento, venda de terras
		Revolução Gloriosa: cercamentos parlamentares
3. Cercamentos:
- Os servos não conseguem sustentar sua pequena propriedade, e a terra acaba passando para as mãos do senhor feudal. Criam-se assim a propriedade privada e a concentração de terras
- A produção nas terras do senhor será de caráter capitalista, em geral através do arrendamento
Séculos XVI-XVII: processo inflacionário \u2192distribuição de renda em favor do arrendatário \u2192 o senhor feudal se endivida e hipoteca/vende as terras
- Esforço do Estado para transformar os camponeses expropriados em assalariados, através das leis de vagabundagem e da regulação do salário
- Criação de mercado interno, pois a subsistência dos trabalhadores tem agora de ser comprada
4. Sentido da acumulação primitiva: acumular capital (através de relações extra econômicas \u2013 políticas/especulativa) e concentrar o capital em uma nova classe
5. Caminhos para a acumulação primitiva:
Expropriação da terra e dos meios de produção do trabalhador
Ascensão da burguesia: aquisição de terras, estado, políticas mercantilistas
Moderna colonização: extração do excedente da periferia
Dívida pública: multiplica o dinheiro improdutivo
Sistema tributário: complemento do sistema de empréstimos
Protecionismo: encurta a transição fabricando fabricantes
6. Resultado da acumulação primitiva:
Formação do trabalho assalariado
Fortalecimento da propriedade privada
Desenvolvimento das forças produtivas
 7. Acumulação primitiva como pecado original: uma vez iniciado o processo de formação do capitalismo, ele não pode ser parado, pois quem não aderir ao novo modo de produção não sobrevive
8. Tendência histórica da acumulação capitalista: concorrência \u2192 monopólio \u2192 aumento da exploração \u2192 entrave ao desenvolvimento do capitalismo \u2192 revolução
O CONCEITO DE REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
(Paul Mantoux)
O que é revolução? Transformação política: mudança qualitativa, ruptura
Revolução industrial:
- Emergência de um novo modo de produção que transforma profundamente a sociedade
- Indústria = grande indústria: não se trata de tamanho, mas do caráter da produção (são produzidas mercadorias, valor de troca, tendo a venda como objetivo final) e de uma organização de trabalho peculiar
 Regime de produção típico do capitalismo
 Busca de aumentos no rendimento \u2192 introdução de tecnologia: substituição da força humana por força motriz inanimada, mas precisa, aumentando a capacidade de produção
	 Divisão social do trabalho (fábrica) e divisão da sociedade em duas classes
 Acumulação de capital é o objetivo final
	 Os efeitos da grande indústria se estendem por toda a ordem econômica e social
Produção de mercadorias:
Realização no mercado			 Elemento contraditório do processo:
Ampliação da produção				 aumenta o consumo
Redução dos custos				 MAS
Ampliação do consumo	há um conflito entre burguesia e proletariado
CONCORRÊNCIA	 (pois o trabalho é degradante)
 Disputa internacional por mercados
França e Inglaterra no século XVIII:
França: indústria artificial, estado protecionista, fabricação de produtos de luxo para um mercado específico
Inglaterra: empresas capitalistas (grande indústria)
Da manufatura à grande indústria:
- Máquinas: ampliam a cooperação (levam a divisão social do trabalho, presente na manufatura, ao extremo \u2192 ordem, continuidade)
Transformação qualitativa	- Fábricas: ampliação separação entre capital e trabalho \u2192 amplia a produtividade (capital fixo, máquinas, acumulação)
- Acumulação pelo modo de produção, não pelo comércio
- Grande indústria \u2192 capitalismo
SUBORDINAÇÃO DO TRABALHO AO CAPITAL: transforma completamente a organização e o sentido da produção
A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL EM DEBATE
	(Ashton)
Gênese da Revolução Industrial
Leitura depois de Marx: ênfase econômica (organização da produção, trabalhador)
Mantoux: subordinação do trabalho ao capital \u2192 mudança qualitativa
Nef/Ashton: há um processo mais longo e lento de alteração que acaba por permitir que haja mudança (aspectos culturais, sociais, intelectuais) \u2192 mudança quantitativa
Nef (alicerces culturais da civilização industrial)
- Industrialismo: renascimento
Mudanças na técnica e no pensamento
Século XVI: origem do mundo moderno
Grandes navegações \u2192 aumento do comércio \u2192 aumento da produção
Itália: 
Início da
transformação- Desenvolvimento da arte, da arquitetura e da ciência
- Novas formas de consumo
- Desenvolvimento da agricultura e da metalurgia
- Aumento populacional + urbanização
Não é uma revolução: não há consumo em massa, o processo é lento
- Segundo momento: reforma protestante
Inglaterra: transformação da noção de propriedade privada
Possibilita transformaçõesexpropriação da Igreja
novo sentido à terra
novas técnicas agrícolas
- Economia quantitativa (séculos XVI-XVII)
Expansão na produçãoqueda nos preços
disseminação do consumo
Novas técnicas para atender o consumo crescente: ferro fundido + carvão vegetal
unidades produtivas maiores
Inglaterra: desenvolvimento da ciência
Século XVII: tecnologias modernas \u2192 resolução de problemas cotidianos
Espírito inventivo, expansão do empreendedorismo individual
Pensamento científico + liberdade individual
Ashton
- Inglaterra: crescimento da população \u2192 queda na mortalidade (1740-1820)
melhora na alimentação
aumento da qualidade de vida
- Aumento conjunto da população, do capital e da superfície cultivada
- Indústria e população: desenvolvimento social integrado
- Por que a Inglaterra? História \u2192 cultura + elementos sociais \u2192 avanço mais acelerado
- A revolução industrial também foi uma revolução nas ideias
- As invenções foram possibilitadas pelo razoável nível de educação, e incentivadas pela possibilidade de mobilidade social
- A palavras \u201crevolução\u201d implica uma rapidez na mudança que não é características dos processos econômicos: o capitalismo teve sua origem muito antes de 1760 e atingiu seu pleno desenvolvimento muito depois de 1830
- Elementos para a expansão industrial:
Inglaterra, século XVIII: surgimento dos banqueiros \u2192 aumento da poupança
1750: queda dos juros + leis de patentes + política liberal
Busca de novas formas de investimento \u2192 inovações
Transformação nas ideias + nova organização social \u2194 novo tipo de sociedade
A REVOLUÇÃO AGRÍCOLA NA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
(Nick Crafts)
1. Essa \u201crevolução industrial\u201d não é observável: não há um salto de produtividade, há um processo lento e contínuo de crescimento
2. Existe nesse período uma revolução agrícola, não industrial. É na agricultura que se encontra a grande mudança.
3. Problemática: caráter da revolução industrial
- Rostow (1950): 
para que os países subdesenvolvidos se desenvolvam, basta que eles se industrializem 
a Revolução Industrial inglesa (ferro e algodão, 1780-1820) é um protótipo a ser seguido por outros países, pois marca o início do crescimento sustentável
- Crafts: 
Apenas algumas indústrias (têxtil, por exemplo) têm grandes aumentos na produtividade, mas elas não empregas uma parcela muito significativa da população. De maneira geral, a indústria é predominantemente tradicional
O período é marcado por um crescimento contínuo, sendo grande parte dele devido ao uso extensivo de mão-de-obra e capital
O crescimento da produtividade foi maior na agricultura, transferindo mão-de-obra
Os aumentos de produtividade na agricultura vieram das rotações de cultura envolvendo legumes,