Diabetes 1
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Diabetes 1


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outros profissionais, que juntos 
procuram individualizar a terapêutica e conseguir os objetivos descritos anteriormente. Neste 
sentido é desenvolvido um plano de dieta, um plano de atividade física e exercício, o esquema 
de insulina, treinamento para automonitoração da glicemia e suporte para os familiares. As 
 
 
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orientações básicas são fornecidas nas primeiras consultas e vão evoluindo com o 
acompanhamento e o crescimento e desenvolvimento da criança e do adolescente. 
Consideramos que as orientações e os hábitos adquiridos nos primeiros meses de tratamento 
são muito importantes para o paciente em toda a história natural do diabetes. Um ponto que 
deve ser reforçado em todas as fases do tratamento é que, no momento, o diabetes não é 
curável, porém controlável. 
23 - Quais são as sugestões para estabelecimento de um plano alimentar inicial para um 
indivíduo com diabetes melito do tipo 1A (DM1A)? 
O estabelecimento do plano deve levar em consideração a idade, a fase de crescimento e 
desenvolvimento, o índice de massa corpórea, o esquema de tratamento com insulina utilizado, 
a frequência e o tipo de exercícios realizados, o estilo de vida, o nível intelectual e 
socioeconômico, o grupo étnico, entre outros fatores. 
Como participante da equipe multidisciplinar, a nutricionista, após discussão com os outros 
membros da equipe, estabelece um plano alimentar que deve ser reavaliado a cada três a seis 
meses nas crianças e entre seis e 12 meses nos adolescentes e jovens. Uma sugestão para o 
cálculo do total de calorias diárias é fornecido na tabela 1. 
Tabela 1 : Cálculo do total de calorias diárias no plano alimentar do DM1 
Idade Calorias diárias 
0-12 anos 1.000 kcal para o 1º ano de idade + 100 kcal/ano acima de 1 ano 
12-15 anos 
\u2022 Feminino 
\u2022 Masculino 
1.500-2.000 kcal + 100 kcal/ano acima de 12 anos
2.000-2.500 kcal + 100 kcal/ano acima de 12 anos 
15-20 anos 
\u2022 Feminino 
\u2022 MAsculino 
29-33 kcal/kg de peso ideal
33-40 kcal/kg de peso ideal 
 
24 - O que deve ser considerado para a prescrição da atividade física nesses indivíduos? 
A atividade física é um instrumento dentro da terapêutica mas, como qualquer outro tratamento, 
deve ser bem compreendida e avaliada antes de ser aplicada. Do ponto de vista prático, isso 
significa que a equipe multiprofissional necessita estar apta para analisar os riscos e os 
benefícios da atividade física para aquele paciente em particular. Nesse sentido esta equipe 
não deve ficar limitada ao médico, enfermeira, nutricionista e psicóloga, sendo importante a 
participação também de um profissional com formação em fisiologia do exercício. 
A prescrição de atividade física ou de um programa de exercício regular deve ser precedida por 
avaliação médica e testes diagnósticos apropriados. A história clínica e o exame físico 
cuidadosos devem focalizar os sinais e os sintomas referentes, a macro e a microangiopatias, 
que incluem as neuropatias diabéticas. 
Para os pacientes com DM1 recomenda-se cerca de 30 minutos de atividade física moderada 
na maioria dos dias da semana. O ajuste dos esquemas terapêuticos permite uma participação 
segura em formas de atividade física consistentes com o estilo de vida, com a cultura e com a 
fase do diabetes em que o paciente se encontra. 
25 - O que foi o estudo DCCT (Diabetes Control Complication Trial)? 
O DCCT foi o estudo randômico e controlado mais longo já realizado sobre a relação entre o 
controle intensivo da glicemia e a prevenção primária e secundária das microangiopatias no 
DM1. Foram estudados 1.444 pacientes DM1 com dois modelos de tratamento insulínico: 
convencional (uma a duas aplicações diárias de insulina) e intensivo (múltiplas doses: três a 
quatro doses ou bomba de infusão de insulina). Ele demonstrou de maneira inequívoca que o 
tratamento insulínico intensivo diminui em torno de 48% a 70% as diversas complicações 
microvasculares comuns aos pacientes DM1. 
26 - Quais são as insulinas que dispomos atualmente no mercado nacional? 
A tabela 2 descreve as insulinas humanas e animais disponíveis no Brasil. 
 
 
 
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Tabela 2. Insulinas humanas e animais disponíveis no Brasil (2006) 
 Aventis Lilly Novo Nordisk 
Insulinas humanas 
Ultra-rápida 
\u2022 Lispro 
\u2022 Aspart 
 Humalog® Novo Rapid® 
Rápida - R Humulin R® Novolin R® 
Biohulin R® 
Intermediária 
\u2022 NPH - N 
\u2022 Lenta - L 
 Humulin N® 
Humulin L® 
Novolin N® 
Biohulin N® 
Novolin L® 
Prolongada 
\u2022 Ultra-lenta - U 
\u2022 Glargina 
\u2022 Determir 
Lantus® 
Levemir® 
 Novolin U® 
Pré-misturas 
N+R 
\u2022 90/10 
\u2022 85/15 
\u2022 80/20 
\u2022 75/25 
\u2022 70/30 
UR+N 
\u2022 75/25 
\u2022 70/30 
 Humulin 70/30® 
Humalog Mix 25® 
Novolin 90/10® 
Novolin 80/20® 
Novolin 70/30® 
Novo Mix 30® 
Insulinas animais 
Rápidas Neosulin R® (suína) 
Iolin R® (bovina+suína) 
Intermediárias Neosulin N® (suína) 
Iolin N® (bovina+suína) 
 
 
27 - Qual o tempo de ação das insulinas? 
A tabela 3 ilustra o tempo de ação das principais preparações de insulina. 
Tabela 3. Tempo de ação das principais preparações de insulina 
Insulina Início Pico Duração 
Ultra-rápida (lispro e aspart) 5-15 min 30-90 min 5 horas 
Rápida (regular 30-60 min 2-3 horas 5-8 horas 
Intermediária (NPH*) 2-4 horas 4-10 horas 10-16 horas 
Lenta 
\u2022 Glargina 
\u2022 Determir 
2-4 horas 
2-4 horas 
Sem pico 
Sem pico 
20-24 horas 
~18 horas 
Pré-mistura 
\u2022 70% NPH / 30% R 
\u2022 50% NPH / 50% R 
\u2022 75% NPL** / 25% lispro 
\u2022 70% NP / 30% aspart 
30-60 min 
30-60 min 
5-15 min 
5-15 min 
Duplo 
Duplo 
Duplo 
Duplo 
0-16 horas 
0-16 horas 
0-16 horas 
0-16 horas 
*NPH : neutral protamine Hagedorm; 
** neutral protamine lispro 
28 - Como devem ser elaborados os esquemas de administração de insulina nos 
indivíduos com diabetes melito do tipo 1 (DM1)? 
Devemos levar em consideração fatores como a idade do paciente, estadiamento de 
puberdade, duração do diabetes (reserva endógena de insulina), nível educacional e a rotina 
diária (escola, atividade física, trabalho). De qualquer modo, deve-se buscar uma insulinização 
que mimetize o máximo a insulina endógena nos seus componentes basal, bolus prandial e 
bolus corretivos. Assim, deve-se aplicar uma insulina basal (NPH em várias doses, ou análogo 
 
 
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de longa ação - glargina ou detemir) e insulina bolus para correção e após as refeições 
(insulina regular ou análogos rápidos - lispro ou aspart). 
29 - Quais são alguns exemplos de esquemas de múltiplas aplicações diárias de 
insulina? 
Na tabela 4 são apresentados alguns exemplos de esquemas com múltiplas doses diárias de 
insulina. 
Tabela 4. Esquemas com múltiplas doses diárias de insulina 
Antes do desjejum (manhã) Antes do almoço Antes do jantar A noite, ao deitar 
Bolus Bolus Bolus Basal*# 
Basal*# + bolus Bolus Bolus Basal* 
Basal* + bolus Bolus Basal* 
Basal* + bolus Basal*+bolus Bolus Basal* 
 
30 - Como fazer a substituição da insulina NPH pelos análogos de longa ação glargina ou 
levemir? 
A dose inicial corresponde a 2/3 da dose total da NPH e deve ser aplicada de manhã ou a noite 
(dose única). Mantêm-se as insulinas lispro ou aspart. 
31 - Quantas vezes ao dia o paciente deve realizar a glicemia capilar? Em quais 
horários? 
Nos pacientes que realizam tratamento insulínico intensivo, a glicemia deve ser aferida pelo 
menos quatro vezes ao dia: jejum, pré-almoço, pré-jantar, ao deitar. Os pacientes em 
tratamento convencional devem realizar pelo menos duas aferições por dia em horários 
alternados (pré e pós-refeições). Todo paciente deve medir glicemia de madrugada (duas ou 
três horas) pelo menos uma vez a cada 15 dias. 
32 - O que é contagem de carboidrato e quando utilizá-la? 
Os pacientes em tratamento intensivo deverão aplicar insulina rápida antes das refeições 
(bolus) de acordo com o conteúdo de carboidrato dos alimentos a serem ingeridos. Após 
pesquisar em uma tabela o conteúdo de carboidratos de cada alimento, os mesmos serão 
somados e a sua totalidade será dividida pela relação