Doenças Valvares
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Doenças Valvares


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e devido ao comprometimento da valva ou da raiz aórtica. As 
causas mais freqüentes são: doença reumática, degeneração mixomatosa, valva bicúspide, 
hipertensão arterial, ectasia idiopática da aorta, síndrome de Marfan, endocardite infecciosa e 
dissecção aguda da aorta ascendente. 
Outras causas menos freqüentes são: trauma de tórax, espondilite anquilosante, artrite 
reumatóide, aortite sifilítica, síndromes de Ehlers Danlos e de Reiter, estenose subaórtica e 
defeito septal ventricular subaórtico com prolapso das valvas. 
Endocardite infecciosa, dissecção de aorta e trauma usualmente cursam com insuficiência 
aguda da valva que pode levar a comprometimento hemodinâmico significativo. 
35 - Quais as principais características da fisiopatologia da insuficiência aórtica crônica? 
O ventrículo esquerdo adapta-se ao refluxo com aumento do volume diastólico e da 
complacência sem aumentar a pressão diastólica pela combinação de hipertrofia excêntrica e 
concêntrica. Esta última ocorre, pois, ao contrário da insuficiência mitral, a ejeção é somente 
contra a resistência sistêmica. Em muitos pacientes o equilíbrio entre pré-carga, pós-carga e 
hipertrofia não se mantém para sempre e, então, a disfunção sistólica aparece. 
36 - Quais os sintomas da doença? 
Enquanto a função ventricular se mantém normal, sem aumento da pressão diastólica, e a 
circulação coronariana equilibrada ao grau de hipertrofia, os pacientes permanecem 
assintomáticos, por vários anos. Os principais sintomas, quando surgem, são dispnéia, angina 
e fraqueza. 
37 - Como é a história natural da insuficiência aórtica? 
Os pacientes assintomáticos com insuficiência aórtica importante e com função ventricular 
esquerda normal, têm taxa de aparecimento de sintomas ou disfunção ventricular menor do 
que 6% ao ano, risco de morte súbita menor do que 0,2% ao ano e de desenvolver disfunção 
ventricular sem sintomas de 3,5% ao ano. Os pacientes sem sintomas, mas com disfunção 
ventricular, têm alta taxa de desenvolver sintomas em 2 a 3 anos (25% ao ano). Entre os 
sintomáticos, o risco de morte é de 10% ao ano para os com angina e de 20% aos com 
insuficiência cardíaca. 
38 - Como fazer o diagnóstico e quais os exames complementares necessários? 
O diagnóstico, como nas demais doenças valvares, é clínico, pelo achado dos sinais periféricos 
(pulsos amplos e diferencial da pressão arterial aumentado) e do sopro holodiastólico clássico, 
aspirativo, decrescendo, audível na borda esternal esquerda baixa ou no foco aórtico. A 
ecocardiografia é utilizada para confirmar o diagnóstico, identificar a etiologia, quantificar o grau 
de refluxo, as dimensões e a função sistólica do ventrículo esquerdo. A ressonância magnética 
e a medicina nuclear podem ser usadas para as mesmas finalidades, caso a qualidade das 
imagens do ecocardiograma não seja adequada. 
39 - Como o ecocardiograma avalia o grau de refluxo na insuficiência aórtica? 
Da mesma forma que para a insuficiência mitral, a insuficiência aórtica é classificada em leve, 
moderada ou importante, e nos graus intermediários (leve a moderada e moderada a 
 
 
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importante). Para obter esta classificação o ecocardiografista usa sua impressão subjetiva ou 
métodos semiquantitativos, como dimensões do jato no nível da valva, fração de regurgitação, 
inclinação da rampa de desaceleração da curva de velocidade do refluxo, sinais de fluxo 
reverso em diferentes níveis na aorta descendente ou abdominal. 
40 - Há necessidade de avaliar a capacidade funcional dos pacientes com insuficiência 
aórtica? 
Nos pacientes com sintomas não característicos, ou duvidosos, o teste ergométrico pode ser 
eventualmente útil para avaliar a capacidade funcional. Outra situação em que um teste de 
esforço pode ser necessário é nos pacientes com a doença e que desejam participar de 
atividades esportivas ou de condicionamento físico. 
41 - Quais as opções e indicações de tratamento clínico na insuficiência aórtica crônica? 
O uso de vasodilatadores não tem sido mais recomendado para pacientes assintomáticos com 
insuficiência aórtica importante e dilatação ventricular. Atualmente o uso prolongado é 
recomendado aos pacientes sintomáticos ou com disfunção ventricular, quando a cirurgia não 
pode ser feita por razões cardíacas ou não cardíacas. Nos pacientes assintomáticos e com 
função ventricular normal o uso dos vasodilatadores tem benefício incerto. Os pacientes devem 
ser orientados para profilaxia de endocardite infecciosa e febre reumática, se necessário; os 
com insuficiência cardíaca devem ser tratados adequadamente para posteriormente 
submeterem-se à cirurgia. 
42 - Quais as indicações de tratamento cirúrgico da insuficiência aórtica crônica? 
O tratamento cirúrgico é indicado aos pacientes com insuficiência aórtica importante e que 
tenham sintomas nas atividades habituais ou desenvolvem sintomas durante teste de esforço. 
A cirurgia também é recomendada aos pacientes sem sintomas, mas que tenham disfunção 
ventricular esquerda caracterizada por fração de ejeção menor do que 0,50. Os pacientes 
assintomáticos com diâmetro sistólico do ventrículo esquerdo entre 50 e 55 mm ou diastólico 
entre 70 e 75 mm, podem se beneficiar do tratamento cirúrgico. 
43 - Quando o cateterismo cardíaco é indicado nos pacientes com insuficiência aórtica? 
Deve ser utilizado para avaliação diagnóstica caso os exames não invasivos não tenham sido 
suficientes ou quando há discrepância com os dados clínicos. Além disso, a coronariografia 
deve ser realizada antes da cirurgia nos pacientes de risco para doença arterial coronariana. 
44 - Como deve ser feita a profilaxia de novos surtos de febre reumática? 
A prevenção secundária de novos surtos reumáticos é sempre recomendada para os pacientes 
que tiveram febre reumática, com ou sem cardite, porém com regimes diferentes. Os pacientes 
que tiveram febre reumática com cardite e lesão valvar persistente devem usar profilaxia até os 
40 anos de idade ou por toda a vida se for de alto risco e alta probabilidade de contato com 
estreptococos, como professores e trabalhadores de creches. Os pacientes que tiveram febre 
reumática com cardite, mas sem seqüela, a profilaxia é recomendada por 10 anos ou até a vida 
adulta, o que for mais longo. Os que tiveram febre reumática sem cardite, usar profilaxia por 5 
anos ou até os 21 anos de idade, o que for maior. 
45 - Quais os medicamentos utilizados para profilaxia de febre reumática? 
O mais utilizado é a penicilina benzatina, na dose de 1.200.000, intramuscular, a cada 4 
semanas, ou 3 semanas para os de alto risco. Os medicamentos alternativos são a penicilina 
V, 250 mg, duas vezes ao dia, ou sulfadiazina 0,5 g para peso menor que 27 Kg ou 1,0 g para 
os com mais de 27 Kg, uma vez ao dia, por via oral. Aos alérgicos à penicilina, recomenda-se 
eritromicina 250 mg duas vezes ao dia, por via oral. 
46 - Como escolher a prótese valvar mais adequada? 
Há dois tipos básicos de próteses valvares: 
\u2022 mecânicas: são duráveis, mas necessitam anticoagulação oral; 
 
 
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\u2022 biopróteses: não requerem anticoagulantes orais, mas são sujeitas a alterações 
estruturais relacionadas ao tempo. 
Há várias próteses de cada tipo. Entre as biológicas há as com suporte (mais usadas) ou sem 
suporte, além das homólogas (homoenxertos). Não há grandes estudos randomizados que 
permitam concluir qual o melhor tipo de prótese para cada paciente ou situação clínica. É 
consenso recomendar prótese mecânica em pacientes que já tenham outra prótese mecânica e 
bioprótese em pacientes que não querem usar anticoagulante oral ou têm contra-indicação 
importante para uso de varfarina. Em pacientes com menos de 65 anos, é razoável o uso de 
prótese mecânica na posição aórtica e na posição mitral se houver fibrilação atrial permanente, 
assim como de biopróteses dependendo do estilo de vida e se o paciente estiver consciente de 
eventual nova cirurgia. Bioprótese é razoável nos pacientes com mais