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Fisiologia do Sistema Digestório

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natural e 
procedente de Salvador-BA, acompanhado pela 
mãe L.G.S. Queixa Principal: Dor abdominal há 5 
dias. HDA: Criança cursava com um quadro de dor 
abdominal em quadrante inferior esquerdo e 
náuseas na madrugada, cerca de 1h após ingesta 
de “vitamina com leite”. Relata que há dois dias 
cursou com flatulências devido ao excesso de 
gases, fezes volumosas e amolecidas. 
Exame Físico: Regular estado, bem nutrido, 
desidratada +/++++, anictérico, acianótico e 
normocorado, FR=30 ipm e FC= 80 bpm. 
Exames complementares: paciente realizou teste 
de glicemia e testes de eliminação de H2 pelos 
pulmões, após ingerir uma certa quantidade de 
lactose. Os resultados estão indicados nos 
gráficos abaixo (curva azul). 
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Quais alterações no exame complementar 
indicam o diagnóstico de intolerância à 
lactose? Explique 
O exame complementar indica que os níveis de 
lactose continuam elevados e a glicemia não 
aumenta, portanto, não conseguiu fazer a digestão 
desta. Desse modo, é possível concluir que não 
possui ação da enzima lactase por algum fator 
relacionado com a ação da enzina no intestino 
delgado. 
Quando ingere só glicose, glicemia aumenta. Mas, 
quando ingere só lactose, a glicemia não aumenta. 
Isso mostra que não está conseguindo digerir a 
lactose. 
Eliminação de H2 pelos pulmões: quando ingere 
lactose, elimina uma grande quantidade H2. Uma 
vez que a lactose não é digerida, chega até o 
intestino grosso na região do cólon, onde possuem 
bactérias que formam a microbiota. Essas 
bactérias fazem fermentação da lactose, gerando 
H2. 
Paciente tem diarreia, pois não absorve água junto 
com a não absorção da lactose. A água é 
absorvida com a digestão, portanto, se não tem 
digestão, não absorve água, então é eliminada 
junto com a lactose nas fezes. 
Causa: com a idade, diminui a síntese de lactase. 
Etnia também tem relação ➔ negros e asiáticos 
possuem maior queda na produção de lactase 
 
Digestão de proteínas 
• Começa no estômago. 
• Mais abundante no intestino delgado: 
consegue absorver dipeptídeos, tripeptídeos e 
aminoácidos. 
• Proteína é quebrada em di, tri ou aminoácidos. 
Quando são quebrados em oligopeptídeos, 
peptidase (está nas vilosidades) precisa 
quebrar para esses componentes 
 
• O último estágio da digestão das proteínas é 
no lúmen intestinal, nos enterócitos que ficam 
nas vilosidades. As enzimas peptidases ficam 
nas membranas das microvilosidades. 
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• Dipeptídeo pode ser absorvida, mas também 
pode ser quebrado 
Absorção de aminoácidos, 
dipeptídeos e tripeptídeos 
• Bomba de sódio potássio joga sódio para fora, 
diminuindo sódio intracelular. Dessa forma 
estimula entrada de sódio, que entra 
carregando aminoácido (transporte ativo 
secundário do tipo Simporte). Isso graças ao 
gradiente químico criado pelo sódio 
• Dipeptídeo e tripeptídeo são transportados 
juntos com um átomo de hidrogênio. São 
quebrados pela peptidase em aminoácidos. 
• Aminoácidos são jogados para o interstício 
(extracelular) através dos transportadores 
específicos 
 
Digestão de gorduras 
• Ocorre no intestino delgado através da ação 
das lipase pancreáticas e bile ➔ bile faz 
emulsificação (separa gordura em micelas) 
• Vesícula biliar: armazena e concentra a bile 
(tira água) 
• A bile faz emulsificação da gordura. Essa 
gordura emulsificada (triacilglicerídeos) é 
quebrada em ácidos graxos e 2 
monoglicerídeos pela lipase pancreática. 
• Triacilglicerídeo é o principal tipo de gordura 
• Os sais biliares cobrem as gotas de gordura e 
a lipase e colipase pancreáticas quebram as 
gorduras em monoacilgliceróis e ácidos graxos 
estocados em micelas. Assim, entram nos 
enterócitos por difusão. 
• O colesterol é transportado para as células e 
os lipídios e proteínas se juntam a ele e 
formam os quilomícrons, que são removidos 
pelo sistema linfático. 
 Quilomícron é empacotado pelo Golgi e 
secretado por exocitose 
Absorção de vitaminas 
• Hidrossolúveis são absorvidas por transporte 
ativo (vitamina B1, B2, B6, B5, C, biotina -B7-, 
ácido fólico-B9-) 
• Lipossolúveis (ADEK) são absorvidas junto 
com gorduras 
• Vitamina B12 (cobalamina) precisa do fator 
intrínseco produzido no estomago pela célula 
parietal para absorção no íleo terminal ➔ 
• Conjugação entre a cobalamina e o fator 
intrínseco forma o complexo fator intrínseco-
cobalamina. O complexo vai para o enterócito 
no íleo, onde vai ser absorvido através do 
receptor para o fator intrínseco. Forma 
endossomo (vacúolo), captando o fator 
intrínseco com a cobalamina junto. Vai par ao 
interstício e depois jogado para corrente 
sanguíneo 
• BARIÁTRICA: retira porção do estômago ➔ 
diminui produção de fato intrínseco, então não 
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consegue absorver muito bem vitamina B12. 
➔ toma por via injetável 
• Falta de anemia B12 causa um tipo de anemia 
Absorção de cálcio: regulada pela 
vitamina D, que é um hormônio por agir em 
diversos órgãos. Regula absorção de cálcio nos 
rins e intestino. 
• No intestino delgado, vitamina D ativada regula 
canal de cálcio 
• Absorção de Ferro: alguns transportadores 
específicos de ferro na forma iônica e pode ser 
absorvido também pelo grupo heme 
 Vitamina C ajuda absorção do ferro pelos 
enterócitos 
Intestino delgado: maior reabsorção de água 
INTESTINO GROSSO 
• Quimo entre no intestino grosso pela válvula 
ileocecal (óstio ileal) 
• Ceco ➔ colo ascendente ➔ colo transverso ➔ 
colo descendente ➔ colo sigmoide ➔ reto 
Absorção no cólon 
 
• Primeira parte do cólon: absorção de água e 
eletrólitos ➔ cólon ascendente 
• Segunda parte: armazena fezes ➔ transverso 
em diante 
• Canal de sódio ENaC permite entrada de 
sódio, absorvendo água junto por aquaporina. 
• Entra sódio devido a bomba de sódio e 
potássio ATPase 
• Cloreto também é absorvido porque o sódio ta 
entrando. Então, para manter a carga neutra, 
absorve cloreto que é negativo (sódio é 
positivo) por via paracelular 
• Aldosterona (neurotransmissor) regula ENaC 
➔ mais aldosterona, mais canal de sódio para 
absorção (age mais nos rins, mas também age 
no intestino) 
 
• CASO CLÍNICO 
Paciente feminina, 2 anos, iniciou quadro de 
dejeções líquidas há 48hs. Refere 6 episódios por 
dias de dejeções, sem sangue ou muco nas fezes. 
Refere febre baixa (Tax: 37,9oC) e 4 episódios de 
vômitos. Genitora refere que a criança está 
aceitando alimentação e água. 
Ao exame físico, regular estado geral, ativa e 
reativa, irritada, FC 100 bpm, PA 90×65 mmHg, 
olhos fundos, lágrimas ausentes, está sedenta por 
água, sinal da prega desaparece lentamente e o 
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pulso está rápido e fraco. Peso: 5kg. Exames 
indicaram que a paciente apresentava infecção 
pelo vibrião colérico (Vibrio cholerae). Essa 
bactéria produz uma toxina que aumenta a 
secreção ativa de cloreto pelas células intestinais. 
Conduta: A desidratação foi tratada por via oral 
com soro de reidratação oral (SRO) na unidade de 
saúde. E após isso, será ofertado soro caseiro 
após cada episódio de perda hídrica. 
Perguntas: 
a) Explique por que a infecção pelo vibrião 
colérico causa diarreia. 
R: produz uma toxina, que aumenta a secreção 
ativa de cloreto, ou seja, mais cloreto está indo 
para o lúmen. Quando sai cloreto, também sai 
água. Por isso, causa a diarreia (eliminação de 
água pelas fezes) ➔ junto com o íon, sai água. ➔ 
água vai para onde soluto vai. 
b) Explique por que a utilização do soro 
caseiro é eficaz no controle da perda 
hídrica. Quais são os principais 
transportadores ativados? 
R: soro caseiro é usado sal (NaCl) e açúcar 
(sacarose ➔ glicose + frutose) ➔