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Resumo O que é Sociologia - Carlos Benedito Martins

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Resumo “O que é Sociologia” - Carlos Benedito Martins 
INTRODUÇÃO 
 Sociologia como projeto intelectual tenso e contraditório: forma de serviço aos interesses dominantes ou caminho 
teórico para os movimentos revolucionários 
o Já foi banida de muitos meios sociais, com acusações de doutrina marxista e revolucionária 
 Sociologia: conjunto de conceitos, técnicas e métodos de investigação produzidos para estudar o contexto social 
 O livro parte do princípio de que essa ciência foi criada com o objetivo de estudar e entender o funcionamento da 
nova sociedade capitalista 
o Não tem a intenção apenas de refletir, mas de interferir no futuro de uma sociedade (manter ou alterar as 
relações de poder) 
o As relações políticas e econômicas de uma sociedade e das classes sociais (que no capitalismo é bem 
divergente) tem uma influência muito grande na formação do pensamento sociológico 
O SURGIMENTO 
 É umas das manifestações do pensamento moderno 
o O pensamento cientifico já vinha se desenvolvendo desde Copérnico, mas com a Sociologia, o estudo do 
mundo social foi incorporado 
 Contexto histórico: fim da sociedade feudal e consolidação das relações capitalistas 
o Acontecimentos do século XVIII precipitam e tornam a Sociologia possível: transformações sociais, políticas 
e econômicas com as revoluções francesa e industrial 
 Revolução Industrial foi mais do que introdução das máquinas a vapor e dos aperfeiçoamentos tecnológicos, mas 
sim a conquista do mercado capitalista pelo grande empresário, que passou a dominar terras, ferramentas, 
máquinas, “convertendo grandes massas humanas em simples trabalhadores despossuídos” 
o “Cada avanço com relação à consolidação da sociedade capitalista representava a desintegração, o 
solapamento de costumes e instituições até então existentes e a introdução de novas formas de organizar 
a vida social” (artesões substituídos pelas máquinas e submetidos a disciplinas e regras desgastantes) 
o 1780 a 1860: a Inglaterra, que antes era excepcionalmente rural, com cidades pequenas, agora abrigava 
grandes centros industriais e muito povoados. Todo esse contexto de transformação (industrialização e 
urbanização  reordenação da sociedade rural, destruição da servidão, desorganização da família 
patriarcal, crianças e mulheres no mercado de trabalho, doenças, violência, miséria) com certeza geraria 
mudanças nas realidades dos indivíduos 
o Surgimento da classe proletária: condições em que viviam levaram-nos às revoluções por melhorias (desde 
destruição de máquinas, atos de sabotagens, roubos, até à criação de associações livres e sindicatos). Tudo 
isso apontava para o socialismo como caminho para a mudança 
 Qual é a importância desses acontecimentos para a sociologia? “A profundidade das transformações em curso 
colocava a sociedade num plano de análise, ou seja, esta passava a se constituir em "problema", em "objeto" que 
deveria ser investigado. ”  Aqueles que estudavam inicialmente não eram sociólogos formados, mas militantes 
políticos e indivíduos que participavam dos debates e tinham interesse nos problemas de suas cidades 
o “Não é por mero acaso que a sociologia, enquanto instrumento de análise, inexistia nas relativamente 
estáveis sociedades pré-capitalistas, uma vez que o ritmo e o nível das mudanças que aí se verificavam não 
chegavam a colocar a sociedade como "um problema" a ser investigado. ” 
 Mudanças no campo dos pensamentos também contribuíram: explicação dos fatos da natureza passaram de 
sobrenatural para racional; observação para a criação de métodos científicos; abandono da teologia como 
fundamento; obras literárias que desmascaravam o poder político e geravam novos hábitos e costumes mentais 
 Mudança do estudo individual/isolado para o dos grupos 
 Os filósofos iluministas, grandes representantes da burguesia, condenavam o sistema feudal, acusando-os de 
exercer privilegio e restrições sobre os burgueses 
o Estudavam as instituições da época, para mostrarem que elas eram irracionais e injustas, impedindo os 
seres de exercerem suas liberdades sociais, intelectuais e econômicas (“reivindicavam a liberação do 
indivíduo de todos os laços sociais tradicionais, tal como as corporações, a autoridade feudal etc.) 
o Pág 11: “os iluministas conferiam uma clara dimensão crítica e negadora ao conhecimento” Como assim? 
 “O visível progresso das formas de pensar, fruto das novas maneiras de produzir e viver, contribuía para afastar 
interpretações baseadas em superstições e crenças infundadas, assim como abria um espaço para a constituição 
de um saber sobre os fenômenos histórico-sociais. Esta crescente racionalização da vida social, que gerava um 
clima propício à constituição de um estudo científico da sociedade, não era, porém, um privilégio de filósofos e 
homens que se dedicavam ao conhecimento. O "homem comum" dessa época também deixava, cada vez mais, de 
encarar as instituições sociais, as normas, como fenômenos sagrados e imutáveis, submetidos a forças 
sobrenaturais, passando a percebê-las como produtos da atividade humana, portanto passíveis de serem 
conhecidas e transformadas. ” 
 Todas essas críticas iluministas ao sistema feudal revelavam as tramas que aconteciam por parte da burguesia 
contra aqueles que dominavam na época. A desorganização e os privilégios do feudalismo (monarquia com isenção 
de impostos, com tributos feudais; proibição da livre-empresa e dificuldade à exploração eficiente da terra). 
Quando a burguesia assume o poder em 1789, ela busca destruir todos esses fundamentos do feudalismo e 
implementar um estado totalmente livre da influência da igreja e com interesse em investir no mercado capitalista. 
 “O objetivo da revolução de 1789 não era apenas mudar a estrutura do Estado, mas abolir radicalmente a antiga 
forma de sociedade, com suas instituições tradicionais, seus costumes e hábitos arraigados, e ao mesmo tempo 
promover profundas inovações na economia, na política, na vida cultural etc. É dentro desse contexto que se situam 
a abolição dos grêmios e das corporações e a promulgação de uma legislação que limitava os poderes patriarcais 
na família, coibindo os abusos da autoridade do pai, forçando-o a uma divisão igualitária da propriedade. A 
revolução desferiu também seus golpes contra a Igreja, confiscando suas propriedades, suprimindo os votos 
monásticos e transferindo para o Estado as funções da educação, tradicionalmente controladas pela Igreja. Investiu 
contra e destruiu os antigos privilégios de classe, amparou e incentivou o empresário. ” 
 Alguns pensadores franceses entendiam a revolução como causadora de uma nova crise e desordem. Eles se 
propõem a estudar formas de encontrar novamente o equilíbrio nessas sociedades e, para isso, precisam entender 
como elas estão funcionando  instituindo uma ciência da sociedade 
 A própria burguesia se assusta com alguns impactos da revolução (como quando os jacobinos desejavam continua-
la de forma intensa). Então, ela própria precisa “moldar” novamente o que estava regendo aquela sociedade, para 
prevenir novos surtos revolucionários. Ou seja, as interpretações que levaram às revoluções e às transformações 
precisariam ser “superadas” por outras que trouxessem a “ordem” novamente 
 Os fundadores da Sociologia assumem a função de estudar e estabilizar essa nova ordem 
 Início do século XIX na França: cada vez mais industrializada e, por isso, com as mesmas problemáticas que isso 
gerava no início  mais revoltas da classe trabalhadora 
o “A partir da terceira década do século XIX, intensificam-se na sociedade francesa as crises econômicas e as 
lutas de classes. A contestação da ordem capitalista, levada a cabo pela classe trabalhadora, passa a ser 
reprimida com violência (...). Cada vez mais ficava claro para a burguesia e seus representantes intelectuais 
que a filosofia iluminista, que passava a ser designada por eles como "metafísica", "atividade

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