A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
8 pág.
Fichamento O Capital (Cap 23) - Karl Marx

Pré-visualização | Página 2 de 4

utilizados, mas o valor deles diminui em comparação com seu volume. Seu valor aumenta, 
portanto, de modo absoluto, mas não proporcionalmente a seu volume. O aumento da diferença 
entre capital constante e capital variável é, por conseguinte, muito menor do que o da diferença 
entre a massa dos meios de produção e a massa da força de trabalho em que são convertidos, 
respectivamente, o capital constante e o variável. A primeira diferença aumenta com a última, 
mas em grau menor.” (pág. 456-457) 
“Certa acumulação de capital nas mãos de produtores individuais de mercadorias constitui, por 
isso, o pressuposto do modo específico de produção capitalista, razão pela qual tivemos de 
pressupô-la na passagem do artesanato para a produção capitalista. Podemos chamá-la de 
acumulação primitiva, pois, em vez de resultado, ela é o fundamento histórico da produção 
especificamente capitalista. [...]. Devemos assinalar, no entanto, que todos os métodos para 
aumentar a força produtiva social do trabalho surgidos sobre esse fundamento são, ao mesmo 
tempo, métodos para aumentar a produção de mais-valor ou mais-produto, que, por sua vez, 
forma o elemento constitutivo da acumulação. [...]. Esses dois fatores econômicos provocam, 
de acordo com a conjugação dos estímulos que eles exercem um sobre o outro, a mudança na 
composição técnica do capital, o que faz com que a seu componente variável se torne cada vez 
menor em comparação ao componente constante.” (pág. 457-458) 
“Cada capital individual é uma concentração maior ou menor de meios de produção e dotada 
de comando correspondente sobre um exército maior ou menor de trabalhadores. Cada 
acumulação se torna meio de uma nova acumulação. [...]. O crescimento do capital social se 
consuma no crescimento de muitos capitais individuais. [...]. A o mesmo tempo, partes dos 
capitais originais se descolam e passam a funcionar como novos capitais independentes. Nisso 
desempenha um grande papel, com outros fatores, a divisão do patrimônio das famílias 
capitalistas. [...]. Portanto, a acumulação e a concentração que a acompanha estão não apenas 
fragmentadas em muitos pontos, mas o crescimento dos capitais em funcionamento é 
atravessado pela formação de novos capitais e pela cisão de capitais antigos, de maneira que, 
se a acumulação se apresenta, por um lado, como concentração crescente dos meios de produção 
e do comando sobre o trabalho, ela aparece, por outro lado, como repulsão mútua entre muitos 
capitais individuais.” (pág. 458) 
“Essa fragmentação do capital social total em muitos capitais individuais ou a repulsão mútua 
entre seus fragmentos é contraposta por sua atração. Essa já não é a concentração simples, 
idêntica à acumulação, de meios de produção e de comando sobre o trabalho. É concentração 
de capitais já constituídos, supressão [Aufhebung] de sua independência individual, 
expropriação de capitalista por capitalista, conversão de muitos capitais menores em poucos 
capitais maiores. Esse processo se distingue do primeiro pelo fato de pressupor apenas a 
repartição alterada dos capitais já existentes e em funcionamento, sem que, portanto, seu terreno 
de ação esteja limitado pelo crescimento absoluto da riqueza social ou pelos limites absolutos 
da acumulação. [...]. Trata-se da centralização propriamente dita, que se distingue da 
acumulação e da concentração.” (pág. 458-459) 
“As leis dessa centralização dos capitais ou da atração do capital pelo capital não podem ser 
desenvolvidas aqui. Bastará uma breve indicação dos fatos. A luta concorrencial é travada por 
meio do barateamento das mercadorias. O baixo preço das mercadorias depende, caeteris 
paribus, da produtividade do trabalho, mas esta, por sua vez, depende da escala da produção. 
Os capitais maiores derrotam, portanto, os menores. [...]. Abstraindo desse fato, podemos dizer 
que, com a produção capitalista, constitui-se uma potência inteiramente nova: o sistema de 
crédito, que em seus primórdios insinua-se sorrateiramente como modesto auxílio da 
acumulação e, por meio de fios invisíveis, conduz às mãos de capitalistas individuais e 
associados recursos monetários que se encontram dispersos pela superfície da sociedade em 
massas maiores ou menores, mas logo se converte numa arma nova e temível na luta 
concorrencial e, por fim, num gigantesco mecanismo social para a centralização dos capitais.” 
(pág. 459) 
“Na mesma medida em que se desenvolvem a produção e a acumulação capitalistas, 
desenvolvem-se também a concorrência e o crédito, as duas alavancas mais poderosas da 
centralização. Paralelamente, o progresso da acumulação aumenta o material centralizável, isto 
é, os capitais individuais, ao mesmo tempo que a ampliação da produção capitalista cria aqui a 
necessidade social, acolá os meios técnicos daqueles poderosos empreendimentos industriais 
cuja realização está vinculada a uma centralização prévia do capital. [...]. Mas mesmo que a 
expansão relativa e a energia do movimento centralizador sejam determinadas até certo ponto 
pelo volume já alcançado pela riqueza capitalista e pela superioridade do mecanismo 
econômico, de modo nenhum o progresso da centralização depende do crescimento positivo do 
volume do capital social. E é especialmente isso que distingue a centralização da concentração. 
[...]. Se aqui o capital pode crescer nas mãos de um homem até formar massas grandiosas é 
porque acolá ele é retirado das mãos de muitos outros homens. [...]. Numa dada sociedade, esse 
limite [da centralização] seria alcançado no instante em que o capital social total estivesse 
reunido nas mãos, seja de um único capitalista, seja de uma única sociedade de capitalistas.” 
(pág. 459-460) 
“Mas é evidente que a acumulação, o aumento gradual do capital por meio da reprodução que 
passa da forma circular para a espiral, é um procedimento extremamente lento se comparado 
com a centralização, que só precisa alterar o agrupamento quantitativo dos componentes do 
capital social. [...]. E enquanto reforça e acelera desse modo os efeitos da acumulação, a 
centralização amplia e acelera, ao mesmo tempo, as revoluções na composição técnica do 
capital, que aumentam a parte constante deste último à custa de sua parte variável, reduzindo, 
com isso, a demanda relativa de trabalho.” (pág. 460) 
“As massas de capital fundidas entre si da noite para o dia por obra da centralização se 
reproduzem e multiplicam como as outras, só que mais rapidamente, convertendo-se, com isso, 
em novas e poderosas alavancas da acumulação social. Por isso, quando se fala do progresso 
da acumulação social, nisso se incluem – hoje – tacitamente os efeitos da centralização.” (pág. 
460) 
“Evidentemente, o decréscimo absoluto da demanda de trabalho, que decorre necessariamente 
daí, torna-se tanto maior quanto mais já estejam acumulados, graças ao movimento 
centralizador, os capitais submetidos a esse processo de renovação. Por um lado, o capital 
adicional formado no decorrer da acumulação atrai, proporcionalmente a seu volume, cada vez 
menos trabalhadores. Por outro lado, o velho capital, reproduzido periodicamente numa nova 
composição, repele cada vez mais trabalhadores que ele anteriormente ocupava.” (pág. 461) 
3. Produção progressiva de uma superpopulação relativa ou exército industrial de reserva 
“O modo de produção especificamente capitalista, o desenvolvimento a ele correspondente da 
força produtiva do trabalho e a alteração que esse desenvolvimento ocasiona na composição 
orgânica do capital não apenas acompanham o ritmo do progresso da acumulação ou o 
crescimento da riqueza social. Avançam com rapidez incomparavelmente maior, porque a 
acumulação simples ou a ampliação absoluta do capital total é acompanhada pela centralização 
de seus elementos individuais, e a revolução técnica do capital adicional é acompanhada pela 
revolução técnica do capital original. [...]. Como a demanda de trabalho não é determinada