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Fichamento O Capital (Cap 23) - Karl Marx

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ruinosas que aquela lei natural da produção 
capitalista acarreta para sua classe...” (pág. 467-468) 
4. Diferentes formas de existência da superpopulação relativa. A lei geral da acumulação 
capitalista 
“A superpopulação relativa existe em todos os matizes possíveis. Todo trabalhador a integra 
durante o tempo em que está parcial ou inteiramente desocupado. [...]. ... a superpopulação 
relativa possui continuamente três formas: flutuante, latente e estagnada.” (pág. 468-469) 
“Nos centros da indústria moderna – fábricas, manufaturas, fundições e minas etc. – os 
trabalhadores são ora repelidos, ora atraídos novamente em maior volume, de modo que, em 
linhas gerais, o número de trabalhadores ocupados aumenta, ainda que sempre em proporção 
decrescente em relação à escala da produção. A superpopulação existe, aqui, sob a forma 
flutuante.” (pág. 469) 
“Essa fonte da superpopulação relativa flui, portanto, continuamente, mas seu fluxo constante 
para as cidades pressupõe a existência, no próprio campo, de uma contínua superpopulação 
latente, cujo volume só se torna visível a partir do momento em que os canais de escoamento 
se abrem, excepcionalmente, em toda sua amplitude. O trabalhador rural é, por isso, reduzido 
ao salário mínimo e está sempre com um pé no lodaçal do pauperismo.” (pág. 470) 
“A terceira categoria da superpopulação relativa, a estagnada, forma uma parte do exército ativo 
de trabalhadores, mas com ocupação totalmente irregular. Desse modo, ela proporciona ao 
capital um depósito inesgotável de força de trabalho disponível. Sua condição de vida cai abaixo 
do nível médio normal da classe trabalhadora, e é precisamente isso que a torna uma base ampla 
para certos ramos de exploração do capital. Suas características são o máximo de tempo de 
trabalho e o mínimo de salário.” (pág. 470) 
“O sedimento mais baixo da superpopulação relativa habita, por fim, a esfera do pauperismo. 
Abstraindo dos vagabundos, delinquentes, prostitutas, em suma, do lumpemproletariado 
propriamente dito, essa camada social é formada por três categorias. Em primeiro lugar, os 
aptos ao trabalho. [...]. Em segundo lugar, os órfãos e os filhos de indigentes. [...]. Em terceiro 
lugar, os degradados, maltrapilhos, incapacitados para o trabalho. [...]. O pauperismo constitui 
o asilo para inválidos do exército trabalhador ativo e o peso morto do exército industrial de 
reserva. Sua produção está incluída na produção da superpopulação relativa, sua necessidade 
na necessidade dela, e juntos eles formam uma condição de existência da produção capitalista 
e do desenvolvimento da riqueza.” (pág. 471) 
“Quanto maiores forem a riqueza social, o capital em funcionamento, o volume e o vigor de 
seu crescimento e, portanto, também a grandeza absoluta do proletariado e a força produtiva de 
seu trabalho, tanto maior será o exército industrial de reserva. A força de trabalho disponível se 
desenvolve pelas mesmas causas que a força expansiva do capital. A grandeza proporcional do 
exército industrial de reserva acompanha, pois, o aumento das potências da riqueza. Mas quanto 
maior for esse exército de reserva em relação ao exército ativo de trabalhadores, tanto maior 
será a massa da superpopulação consolidada, cuja miséria está na razão inversa do martírio de 
seu trabalho. Por fim, quanto maior forem as camadas lazarentas da classe trabalhadora e o 
exército industrial de reserva, tanto maior será o pauperismo oficial. Essa é a lei geral, absoluta, 
da acumulação capitalista.” (pág. 471) 
“A lei segundo a qual uma massa cada vez maior de meios de produção, graças ao progresso da 
produtividade do trabalho social, pode ser posta em movimento com um dispêndio 
progressivamente decrescente de força humana, é expressa no terreno capitalista – onde não é 
o trabalhador quem emprega os meios de trabalho, mas estes o trabalhador – da seguinte 
maneira: quanto maior a força produtiva do trabalho, tanto maior a pressão dos trabalhadores 
sobre seus meios de ocupação, e tanto mais precária, portanto, a condição de existência do 
assalariado, que consiste na venda da própria força com vistas ao aumento da riqueza alheia ou 
à autovalorização do capital.” (pág. 471) 
“Na seção IV, ao analisarmos a produção do mais-valor relativo, vimos que, no interior do 
sistema capitalista, todos os métodos para aumentar a força produtiva social do trabalho 
aplicam-se à custa do trabalhador individual; todos os meios para o desenvolvimento da 
produção se convertem em meios de dominação e exploração do produtor. [...] Mas todos os 
métodos de produção do mais-valor são, ao mesmo tempo, métodos de acumulação, e toda 
expansão da acumulação se torna, em contrapartida, um meio para o desenvolvimento desses 
métodos. Segue-se, portanto, que à medida que o capital é acumulado, a situação do trabalhador, 
seja sua remuneração alta ou baixa, tem de piorar. Por último, a lei que mantém a 
superpopulação relativa ou o exército industrial de reserva em constante equilíbrio com o 
volume e o vigor da acumulação prende o trabalhador ao capital mais firmemente do que as 
correntes de Hefesto prendiam Prometeu ao rochedo. Ela ocasiona uma acumulação de miséria 
correspondente à acumulação de capital.” (pág. 471-472) 
Caráter antagônico da acumulação capitalista