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Impacto Subacromial do Ombro - Resumo do capítulo do Livro Casos Clínicos em Fisioterapia Ortopédica

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Resumo do capítulo 1 do livro - Casos clínicos em fisioterapia ortopédica
Impacto Subacromial do Ombro (sisa)
1. Considerações fisioterapêuticas no tratamento da Impacto subacromial do ombro
a) Cuidados e objetivos gerais fisioterapêuticas no impacto subacromial do ombro:
 Redução da dor;
 Aumentar a amplitude de movimento (ADM) da articulação glenoumeral (se houver limitação);
 Aumentar a flexibilidade muscular;
 Aumentar a força dos músculos componente dos manguito rotador e dos músculos escapulares;
 Incentivar a realização de atividades de vida diária (AVDS) de forma segura e confortável.
b) Intervenções fisioterapêuticas:
 Educação sobre a condição atual do paciente, educação em dor, etc;
 Prescrever modalidades terapêuticas necessárias para reduzir a dor, melhorar o movimento articular e a flexibilidade
muscular;
 Exercícios ativos/assistidos e ativos para aDM e flexibilidade muscular;
 Exercícios resistidos para aumentar a resistência e força muscular;
 Exercícios proprioceptivos para promover o controle articular e muscular.
2. Visão geral da síndrome do impacto subacromial
 A síndrome do impacto Subacromial (sisa) envolve a degeneração e/ou compressão mecânica das estruturas do tecido
mole, na qual, estruturas como, o manguito rotador, a cabeça longa do bíceps e a bolsa subacromial ficam comprimidos
entre o acrômio, ligamento coracoacromial e a cabeça do úmero.
Figura 1: estruturas envolvidas na SISA.
etiologia
 A etiologia da SISA é multifatorial (depende de vários fatores) podendo ser causada por mecanismos extrínsecos e/ou
intrínsecos.
a) Mecanismos extrínsecos:
 Os mecanismos extrínsecos de compressão incluem fatores anatômicos, biomecânicos ou uma combinação dos dois.
 As variações anatômicas que podem estreitar o espaço subacromial incluem variações da forma, da variação e da
orientação da curvatura do acrômio, alterações ósseas na articulação Acrômioclavicular (AC) ou no ligamento
coracoacromial.
 Osteófito na região subacromial e na articulação AC pode ser outro fator anatômico que pode contribuir para a sisa
.
 Entre os fatores biomecânicos incluem anormalidades na cinemática escapular e umeral, alterações posturais, fraqueza
do manguito rotador e dos músculos escapulares e redução da flexibilidade do músculo peitoral menor e da parte
posterior do ombro.
b) Mecanismos intrínsecos:
 Esses mecanismo são resultados de degeneração do tendão em função do processo natural do envelhecimento, problemas
de vascularização, biologia alterada e propriedades mecânicas inferiores resultantes de danos de cargas elásticas ou de
cisalhamento,
 Indivíduos com tendinopatia do manguito rotador apresentam redução do conteúdo total de colágeno, aumento da
proporção de fibras de colágeno tipo 3 e maior morte celular nos tendões em comparação com tendões normais. Esses
fatores podem contribuir para o afilamento e enfraquecimento dos tendões do manguito rotador, podendo levar à dor
subacromial.
3. Exame, avaliação e diagnóstico
 Ao examinar um indivíduo com SISA, é importante avaliar o mesmo em um contexto geral. A história do paciente pode
descrever algum gesto laboral ou atividade esportiva de levantamento de peso repetitivo, envolvendo movimentos que
agravam a dor no ombro. Pode ser que o indivíduo se queixe de dor na região anterior do ombro quando realiza
movimentos que reduzem o tamanho do espaço subacromial. As limitações funcionais do paciente devem ser discutidas,
uma vez que, essas são as razões primárias que levam à busca de tratamento. melhorias em tarefas funcionais (p. ex.,
conseguir passar o cinto pela fivela de trás ou enfiar a camisa na parte de trás das calças) podem ser usadas para
documentar avanços no tratamento fisioterapÊutico. Deve-se perguntar também sobre a história médica prévia,
medicações atuais e exames diagnósticos de imagem já realizados.
.
a) Avaliação da coluna cervical:
 Pode-se iniciar examinando a coluna cervical para eliminar, da etiologia da dor no ombro, sintomas reflexos oriundos
do pescoço. A inexistência de restrições na ADM cervical ativa e a ausência de problemas no exame neurológico ajudam
a eliminar um suposto envolvimento da coluna cervical.
b) Avaliação Postural:
 O fisioterapeuta deve observar a postura do paciente em ortostatismo.
 A partir da visão posterior, observe atrofias nos músculos do manguito rotador nas fossas infraespinal e supraespinal.
Compare a altura dos ombros e identifique a presença de escápula alada quando o paciente deixa os braços nas
laterais. Em função do aumento da atividade do m. trapézio superior e de redução da força do m. serrátil anterior, pode
haver elevação do ombro envolvido e escápula alada.
 A partir da visão lateral, avalie a presença de hipercifose torácica e protração do ombro. Os pacientes com SISA, com
frequência, apresentam hipercifose torácica e redução da mobilidade torácica, e isso pode alterar os padrões de
movimento. O ombro afetado pela SISA costuma ficar em uma posição protraída devido à hipercifose torácica e à rigidez
do M. peitoral menor. Essas duas anormalidades posturais podem contribuir para redução do espaço subacromial e para o
impacto dos tecidos subjacentes.
c) Avaliação da escápula:
 Durante a ADM ativa do ombro, os pacientes com SISA, podem apresentar discinesia escapular. Essa condição refere-se a
alterações visíveis na posição escapular e nos padrões do movimento, podendo ser causada por encurtamento adaptativo
do M. peitoral menor, rigidez posterior do ombro, redução da força dos músculos escapulares e do manguito rotador, e
hipercifose torácica.
 Geralmente, o ombro afetado apresenta redução da inclinação posterior escapular, diminuição da rotação superior e
aumento da rotação interna da escápula. Com isso, a parte anterior do acrômio não consegue se afastar da cabeça do
úmero durante a flexão do ombro, contribuindo para o estreitamento do espaço subacromial e para impacto do
manguito rotador.
 O fisioterapeuta pode realizar o teste de discinesia escapular, na qual o paciente faz cinco repetições de flexão ativa
bilateral do ombro com pesos, seguidas de abdução ativa bilateral do ombro com pesos, enquanto observa todos os
movimentos a partir das visões posterior e superior. O resultado será positivo para discinesia escapular se o paciente
apresentar escápula alada e/ou disritmia dos movimentos escapulares ou ambos (fig. 2).
d) Avaliação de força muscular e teste de reposicionamento manual da escápula:
 A avaliação da força muscular ajuda a identificar fatores que podem ter contribuído para a SISA.
 A fraqueza do m. serrátil anterior e dos mm. trapézios inferior e médio pode levar a uma alteração da cinemática
escapular em pacientes com SISA. Os M. serrátil anterior e os MM que formam trapézio estabilizam a escápula e produzem
rotações superior e externa e/ou a inclinação posterior da escápula, para possibilitar que a cabeça do úmero libere o
acrômio durante a elevação do ombro. Os pacientes com SISA reclamam com frequência de aumento da dor e redução da
força no momento da flexão do ombro. Isso se deve à fraqueza dos músculos escapulares e à alteração cinemática do
ombro afetado, o que pode levar ao impacto do manguito rotador no espaço subacromial.
 o teste de reposicionamento manual da escápula pode ser utilizado para verificar se há redução de dor durante os
movimentos de flexão e abdução do ombro. Esse Teste de Reposição da Escápula envolve a inclinação posterior, a
rotação externa e a retração da escápula exercida manualmente pelo fisioterapeuta, a fim de possibilitar a mecânica
escapular normal, ocorrida na elevação do ombro, para prevenir o impacto do manguito rotador (fig. 3).
Figura 2: teste de discinesia escapular, sendo evidenciada escápula alada à direita.
Figura 3: teste de reposicionamento manual da escapula sendo executado pelo profissional fisioterapeuta.
 também devem ser realizados os testes manuais dos músculos supraespinal, redondo menor, infraespinal
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