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Intervenção do Estado na propriedade privada - IndenizaçãoDesapropriação

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por interesse social não
se destinam à Administração ou a seus delegados, mas sim à coletividade ou,
mesmo, a certos beneficiários que a lei credencia para recebê-los e utilizá-los
convenientemente" (MEIRELLES, 2007).
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/109257/lei-4132-62
Ademais, percebe-se que a desapropriação por interesse social está especificada na
Lei 4.132 de 1962 e se destina às situações em que o Poder Público entende que, por
meio da desapropriação, poderá dar melhor aproveitamento, utilização ou
produtividade à propriedade, em benefício do coletivo. A lista dos casos de
desapropriação por interesse social encontra-se no art. 2º da Lei 4.132/62. Além disso,
destaca-se que o prazo de validade da declaração de interesse social, para fins de
desapropriação, é de dois anos e caso, após o período, não houver o decreto da
desapropriação e o pagamento de indenização, acarretará na invalidez da
declaração.
Art. 2º . Considera-se de interesse social:
I - o aproveitamento de todo bem improdutivo ou explorado sem correspondência com as
necessidades de habitação, trabalho e consumo dos centros de população a que deve ou
possa suprir por seu destino econômico;
II - a instalação ou a intensificação das culturas nas áreas em cuja exploração não se obedeça
a plano de zoneamento agrícola (VETADO);
III - o estabelecimento e a manutenção de colônias ou cooperativas de povoamento e
trabalho agrícola:
IV - a manutenção de posseiros em terrenos urbanos onde, com a tolerância expressa ou
tácita do proprietário, tenham construído sua habilitação, formando núcleos residenciais de
mais de 10 (dez) famílias;
V - a construção de casa populares;
VI - as terras e águas suscetíveis de valorização extraordinária, pela conclusão de obras e
serviços públicos, notadamente de saneamento, portos, transporte, eletrificação
armazenamento de água e irrigação, no caso em que não sejam ditas áreas socialmente
aproveitadas;
VII - a proteção do solo e a preservação de cursos e mananciais de água e de reservas
florestais.
VIII - a utilização de áreas, locais ou bens que, por suas características, sejam apropriados
para o desenvolvimento de atividades turísticas.
b) Reforma agrária;
Inicialmente, é importante ressaltar, que a desapropriação impõe a sujeição da
propriedade privada do indivíduo ao interesse público do Estado, porém para que
esta manifestação estatal não se constitua em mero ato expropriatório, é necessário
que haja uma contrapartida apta a ressarcir o particular do dano causado pela perda
de sua propriedade. Em que pese a desapropriação para fins de reforma agrária,
deve-se mensurar, ainda, a ratio essendi do instituto, ou seja, a punição do particular
que deixou de cumprir a função social de sua propriedade, uma vez que esta espécie
de desapropriação tem caráter nitidamente sancionador. Além disso, a
desapropriação do imóvel rural deve ser exercida mediante prévia e justa
indenização, como previsto pela Lei 8.629/93, que considera justa aquela
“indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade”.
Neste sentido, o jurista Hely Lopes Meirelles apresenta que a desapropriação para
Reforma Agrária é privativa da União e realizada pelo Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária - INCRA. Ainda, a Constituição/88 possibilita a
expropriação do "imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social'', nos
termos dos arts. 184 a 186. Bem como, que o ato expropriatório é da competência do
Presidente da República ou da autoridade a quem ele delegar poderes específicos, e
a fixação da indenização faz-se segundo os critérios estabelecidos na Lei 8.629, de
25.2.93 (modificada pela MP 2.183-56, de 24.8.2001).
Assim, a Constituição Federal de 1988 trouxe em seu Título VII, que trata da Ordem
Econômica e Financeira, um capítulo inteiro dedicado ao tema, isto é, o Capítulo III
da Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária, que inicia o seu texto
apresentando:
Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o
imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização
em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo
de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em
lei.
§ 1º - As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro.
§ 2º - O decreto que declarar o imóvel como de interesse social, para fins de reforma agrária,
autoriza a União a propor a ação de desapropriação.
§ 3º - Cabe à lei complementar estabelecer procedimento contraditório especial, de rito
sumário, para o processo judicial de desapropriação.
§ 4º - O orçamento fixará anualmente o volume total de títulos da dívida agrária, assim como
o montante de recursos para atender ao programa de reforma agrária no exercício.
§ 5º - São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência
de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária.
Este artigo, em seu caput, manteve a tradição, presente em algumas das
constituições anteriores, de condicionar a desapropriação ao pagamento prévio do
valor do bem expropriado, além de restabelecer o conceito de “justa” indenização.
Assim, o pagamento da indenização deve preceder à perda da propriedade, além de
ressarcir o dano causado pela expropriação.
No âmbito infralegal, o tema é regulado, pela Lei 8.629, de 25 de fevereiro 1993, que
trata das questões materiais, e pela Lei Complementar 76, de 6 de julho de 1996, que
dispõe sobre o procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o processo
de desapropriação de imóvel rural, por interesse social, para fins de reforma agrária.
São também aplicáveis, subsidiariamente, as disposições do Decreto-Lei 3.365, de 21
de junho de 1941.
Ademais, a indenização nas desapropriações para fins de reforma agrária é efetuada
por meio de Títulos da Dívida Agrária – TDA’s, resgatáveis no prazo de até vinte anos,
a partir do segundo ano de sua emissão. O fato de o pagamento ser efetuado por
meio de títulos não fere o princípio da prévia indenização, já que esta foi justamente
a sanção imposta pelo legislador ordinário ao particular que deixa de explorar seu
imóvel, tornando-o improdutivo. Exige-se apenas que sua emissão seja anterior à
efetiva perda da propriedade. Conforme o previsto no art. 184, § 1º, e Lei
Complementar 76/93, art. 14.
c) Reforma urbana;
A desapropriação por descumprimento da função social da propriedade urbana
possui caráter sancionatório, que se manifesta pelo pagamento da indenização não
em dinheiro, mas em títulos da dívida pública.
A Constituição Federal de 1988 trouxe em seu Título VII, que trata da Ordem
Econômica e Financeira, Capítulo II Da Política Urbana, e prevê a desapropriação
urbanística, em seu dúplice aspecto, no art. 182 da Carta Magna de 1988, que tratou
da desapropriação para urbanificação no § 3º, fazendo, ainda, expressa menção à
desapropriação por descumprimento da função social da propriedade urbana no §
4º, do mesmo dispositivo, atribuindo-lhe caráter sancionatório que se verifica pelo
pagamento da indenização não em dinheiro, mas em títulos da dívida pública.
Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal,
conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento
das funções sociais da cidade e garantir o bem estar de seus habitantes.
§ 1º O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de
vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão
urbana.
§ 2º A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências
fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor.
§ 3º As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa indenização em
dinheiro.
§ 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante

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