A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
11 pág.
Intervenção do Estado na propriedade privada - IndenizaçãoDesapropriação

Pré-visualização | Página 3 de 3

lei específica para área incluída no
plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado,
subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena,
sucessivamente, de:
I - parcelamento ou edificação compulsórios;
II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;
III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão
previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em
parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais.
O doutrinador Hely Lopes Meirelles expõe que a desapropriação para observância do
Plano Diretor do Município está prevista no art. 182, § 4, III, da atual CF e se refere a
uma das mais drástica forma de intervenção na propriedade quando a área não for
edificada, estiver sendo subutilizada ou não utilizada. Ainda, nestes casos ocorrerá o
pagamento da desapropriação em títulos da dívida pública de emissão previamente
aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos.
E, neste sentido, com a edição do Estatuto da Cidade (Lei federal 10.257, de 10.7.2001)
autorizou-se aos Municípios, mediante lei municipal específica para área incluída no
plano diretor, determinar o parcelamento, a edificação ou a utilização compulsória
do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado. Nessas condições, será o
proprietário notificado para, em prazos não inferiores a um ano para protocolo do
projeto e dois anos a partir da aprovação dele para início das obras, adequar a
utilização do imóvel às prescrições da lei, sob pena de tributação progressiva pelo
IPTU no prazo de cinco anos consecutivos, respeitada a alíquota máxima de quinze
por cento.
Assim, decorridos os cinco anos de tributação progressiva sem que o proprietário
tenha cumprido a obrigação de parcelamento, edificação ou utilização,. o Município
poderá proceder à desapropriação do imóvel, com pagamento em títulos da dívida
pública, emitidos mediante aprovação do Senado Federal, que serão resgatados no
prazo de até dez anos, em prestações· anuais, iguais e sucessivas, assegurados o
valor real da indenização e os juros legais de seis por cento ao ano. O valor real da
indenização refletirá o valor de base de cálculo do IPTU, descontado do valor de
eventuais incorporações por obras realizadas pelo Poder Público após a notificação
feita ao proprietário, e não computará expectativas de ganho, lucros cessantes e
juros compensatórios.
Por conseguinte, quanto às desapropriações de imóveis urbanos, de acordo com a
Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101/2000), em seu art. 16, § 4º, II,.
constituem condição prévia de sua realização a estimativa do impacto
orçamentário-financeiro e a declaração do ordenador da despesa de que o aumento
tem adequação orçamentária e financeira com a lei orçamentária anual e
compatibilidade com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias.
Conforme estipulado no art. 46 da referida lei, é nulo de pleno direito o ato de
desapropriação de imóvel urbano sem o pagamento prévio ou depósito judicial do
valor da indenização.
Art. 46. É nulo de pleno direito o ato de desapropriação de imóvel urbano expedido sem o
atendimento do disposto no § 3o do art. 182 da Constituição, ou prévio depósito judicial do
valor da indenização.
d) Confisco (art. 243/CF).
No que tange o confisco, em primeiro lugar é necessário visualizar o que diz a lei. O
confisco aparece no parágrafo único do art. 243 da Constituição Federal. Ele diz:
Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas
culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei
serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem
qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei,
observado, no que couber, o disposto no art. 5º. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 81, de 2014)
Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e da exploração de trabalho escravo será
confiscado e reverterá a fundo especial com destinação específica, na forma da lei. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 81, de 2014).
Confisco é o ato pelo qual o Estado, comumente referido como “fisco”, valendo-se de
seu poder, assume a propriedade de bens de alguém sem pagar a indenização
devida, podendo ser considerada uma expropriação. Para Luciano Amaro, confiscar é
“tomar para o Fisco, desapossar alguém de seus bens em proveito do Estado”
(AMARO, 2010, p. 167). Já Ciro Verner Paula Nunes diz que “pode-se entender por
confisco o ato do poder público de decretação de apreensão, adjudicação ou perda
de bens pertencentes ao contribuinte, sem a contrapartida de justa indenização”.
(NUNES, 2014, p. 1)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art182%C2%A73
Mas o que protege o povo de ter seus bens confiscados pelo Estado? Pode-se dizer
que o maior dispositivo responsável para impedir o confisco é o “princípio da
vedação ao confisco”. Este princípio é um limite constitucional ao poder de tributar
do Estado, que está previsto no art. 150, inciso IV da CF. Ciro Verner Paula Nunes
menciona que este princípio decorre da proteção constitucional do direito à
propriedade, presente no art. 5 da Carta Magna, visto que impede que o Estado a
desrespeite através da imposição de tributos excessivos, configurando que se chama
de confisco por via indireta. Para Irapuã Beltrão, o princípio de vedação ao confisco
também tem como finalidade a possibilidade de reforçar a regra segundo a qual o
tributo não pode ser utilizado como sanção por ato ilícito, conforme diz o art. 3 do
CTN: “Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela
se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada
mediante atividade administrativa plenamente vinculada”.
Portanto, para finalizar a explicação, o confisco é o tipo de “desapropriação” especial
que não dá indenização ao proprietário. Vale informar que no confisco sempre há
uma hierarquia estatal, ou seja, os Estados podem desapropriar bens dos municípios
e a União pode desapropriar bens dos Estados. Nunca ocorrerá o contrário.