A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
38 pág.
Coma, AVE e morte encefálica

Pré-visualização | Página 2 de 6

A 
principal causa é hipernatremia, que causa perda de água do neurônio (que está 
hiposmolar) para o meio extracelular (que está hiperosmolar), lesando a bainha de mielina 
> isso é chamado de crenação dos neurônios. 
 
• Hiponatremia: pode ser causada por: 
o SIADH (Síndrome da Secreção Inapropriada do Hormônio Antidiurético): 
causa hiponatremia (redução da concentração plasmática de sódio por 
conta do excesso de água) e consequente hiposmolaridade (meio 
extracelular fica hiposmolar, ou seja, menos concentrado), lembrando que 
o sódio é o principal responsável pelo controle da osmolaridade. Com isso, 
o neurônio (que está mais concentrado) vai puxar água para dentro dele, 
causando um edema cerebral celular que pode causar aumento da HIC. 
OBSERVAÇÃO: SIADH pode ser causado também por lesão cerebral primária. 
o Síndrome perdedora de sal. 
Foto: 
 
o No SIADH: o sódio sérico é baixo. A osmolaridade é baixa. A 
osmolaridade urinária é alta. 
 TXXXIX | Carollayne Mendonça Rocha 
P á g i n a 84 | 115 
 
o No diabetes insipidus: o sódio sérico é alto, a osmolaridade sérica é alta e 
a osmolaridade urinária é baixa. 
• Hipoglicemia: o paciente chega com uma descarga adrenérgica, em coma, 
sudorese profusa, pálido, gelado. 
• Hiperglicemia por cetoacidose diabética: 
 
o O paciente vai referir na história que estava perdendo peso, polidipsia, 
poliúria, evoluiu para desidratação. 
o A desidratação leva à taquicardia, e a lipólise leva à liberação de corpos 
cetônicos (acúmulo de corpos cetônicos = hálito cetônico), causando 
acidose metabólica. 
o A acidose metabólica causa hiperventilação compensatória (tampão de 
CO2) caracterizada pela respiração de Kussmaul. 
o Portanto, esse paciente em coma tem desidratação + perda de peso + 
poliúria + polidipsia + respiração de Kussmaul + taquicardia + hálito 
cetônico. 
• Intoxicações exógenas: álcool, venenos, drogas lícitas (mais comum) e ilícitas. 
• Encefalopatia hepática: paciente possui hálito de amônia (maçã podre). 
o O paciente tem os estigmas de hepatopatia crônica: ascite, circulação 
colateral, icterícia, anemia, edema hipoproteico, movimentos 
involuntários como asterix ou flapping. 
 TXXXIX | Carollayne Mendonça Rocha 
P á g i n a 85 | 115 
 
 
o A encefalopatia hepática é classificada segundo Critérios de West Haven: 
 
o Do estágio 2 em diante que o paciente começa a rebaixar. 
• Encefalopatia urêmica: paciente possui hálito urêmico; pode ter fácies renal, cor 
amarelo palha (se for renal crônico estágio 5, na fase já de indicação de diálise), 
pode ter flapping ou asterixis. 
 
• Outras causas de coma metabólico: 
o Síndrome de Sheehan: hipopituitarismo por choque hipovolêmico e 
hemorrágico. É comum em pacientes com hemorragia peri parto, 
descolamento prematuro de placenta, que tem choque hemorrágico e faz 
 TXXXIX | Carollayne Mendonça Rocha 
P á g i n a 86 | 115 
 
isquemia da hipófise e desenvolve a partir daí insuficiência da supra renal, 
hipotireoidismo, insuficiência ovariana (deficiência de estrógeno e 
progesterona), cai os pelos, para de menstruar. Começa a desenvolver 
distúrbios do sódio, dos hormônios da tireoide e acaba que se não 
diagnosticado, pode entrar em coma. 
 
o Coma mixedematoso: hipotireoidismo grave e muito raro. 
 
o Crise tireotóxica: é uma descompensação da doença de Basedow-Graves; 
paciente tem taquiarritmia, rebaixamento do nível de consciência. 
o Insuficiência supra renal aguda: acontece em pacientes que fazem uso de 
altas doses de corticoide exógeno e param abruptamente e, com isso, faz 
uma falência da supra renal porque a produção endógena está suprimida. 
 TXXXIX | Carollayne Mendonça Rocha 
P á g i n a 87 | 115 
 
• Coma metabólico X Delirium: 
 
OBSERVAÇÃO: Delirium ≠ Delírio. 
o Delirium é comum no rebaixamento de nível de consciência de origem 
metabólica, é de início agudo (assim como as outras causas de coma), mas 
o paciente tem uma flutuação do nível de consciência. 
o No delirium há muito comprometimento da atenção, pensamento 
desorganizado e alteração do nível de consciência. 
o É mais comum em idosos. 
o No coma não tem flutuação do nível de consciência, ou seja, no coma ele 
superficializa e acorda; ou não superficializa e não acorda (afunda e fica – 
estado vegetativo). 
o Delírio é um sintoma psiquiátrico. 
o Há delírio auditivo, visual e o mais comum é auditivo (escuta coisas, 
vozes). 
o No delírio, mesmo na fase aguda, ele flutua. 
o Tratamos a causa e ele continua flutuando até que melhora e se mantém. 
• Delirium 
• Etiologias do Delirium: 
o IC 
o DPOC exacerbado 
o Asma brônquica – crise asmática 
o Encefalopatia hepática 
o Insuficiência renal 
o *Pneumonia 
o *ITU 
o *Desidratação 
 TXXXIX | Carollayne Mendonça Rocha 
P á g i n a 88 | 115 
 
o *Distúrbios eletrolíticos 
o Cirurgias: geral e ortopédicas 
o Meningites 
o Encefalites 
o TCE 
o Convulsão: O delirium pode ocorrer após uma crise convulsiva. 
▪ Aura = sensações que antecedem convulsões. 
▪ Icto = crise convulsiva. 
▪ Estado pós-ictal = estado sonolento, rebaixado que o paciente fica 
após a crise convulsiva. 
o Intoxicações: álcool, drogas ilícitas, anestesia (muito comum em idoso que 
recebeu anestesia) 
“Confusão no ancião = Infecção” > Aí na hora que trata a infecção, o paciente volta ao 
normal. As causas mais comuns de delirium no idoso são as infecções, desidratação, 
distúrbios eletrolíticos. 
O paciente com delirium pode ficar hipoativo (idoso deprimido, letárgico, sonolento, fica 
só na cama) ou hiperativo (idoso fica agitado, começa a ficar mal educado, com um 
comportamento bizarro em relação ao seu basal). 
• Como manejar o paciente com rebaixamento do nível de consciência: 
 
o Instalar monitorização multifunção (MOV): cardioscópio, FC, FR, 
temperatura e oximetria de pulso. Pode ter entradas para PIC e para 
eletroencefalograma contínuo. 
o Colher glicemia capilar e gasometria. 
o Avaliar e restabelecer a condição respiratória e hemodinâmica: verificar 
se tem indicação de intubação, se está chocado, melhorar a perfusão 
 TXXXIX | Carollayne Mendonça Rocha 
P á g i n a 89 | 115 
 
cerebral > não sabemos a causa do rebaixamento, se é coma por lesão 
cerebral primária, se é delirium por infecção… 
o Laboratório: de acordo com demanda da anamnese 
o Triagem infecciosa: fundamental no idoso rebaixado, pois pode ser um 
quadro de delirium hipo ou hiperativo. 
o Culturas: se foco da infecção for erisipela e tiver bolha na perna, colher 
swab dali; se for encefalite ou meningite, colher líquido. 
o Faz raio X de tórax. 
o Após fazer todos esses procedimentos e o paciente estiver ok, levar para 
neuroimagem para fazer diagnóstico diferencial da etiologia do 
rebaixamento. 
o Avaliar o padrão respiratório: 
 
▪ A hiperventilação neurogênica é comum nesses pacientes > Fica 
com frequência de 60 incursões por min. 
▪ Cheyne-Stokes: paciente faz taquipneia, bradipneia e apneia de 
acordo com PCO2 > Na apneia, a PCO2 aumenta, aí o paciente 
hiperventila, fazendo com que a PCO2 diminua, fazendo apneia 
novamente. 
▪ Atáxica: padrão respiratório de Biot que é totalmente anárquico. 
▪ Apnêustica: paciente faz uma respiração profunda e uma apneia, 
podendo chegar no gasping. 
▪ No gasping, ele já está em pré-parada respiratória (faz uma 
inspiração de pequeno volume-corrente e já faz apneia). 
▪ Apneia pós-hiperventilação: apneia seguida de hiperventilação. 
▪ Essas alterações mostram que centro respiratório foi afetado por 
lesão primária ou secundária (maioria das vezes). 
 
➢ ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO – AVE 
 TXXXIX | Carollayne Mendonça Rocha 
P á g i n a 90 | 115 
 
• Na tomografia do AVE isquêmico vemos uma área mais escura que o cérebro > 
área de hipodensidade. 
 
• AVE: déficit neurológico atribuída a uma lesão focal aguda do SNC por uma