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FICHAMENTO COMERCIAL III - FALÊNCIA - MANUAL DE DIREITO FALIMENTAR FRANCISCO DE ASSIS BASÍLIO DE MORAES

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FICHAMENTO COMERCIAL III (2018.2)
LIVRO: MANUAL DE DIREITO FALIMENTAR — FRANCISCO DE ASSIS BASÍLIO DE MORAES (2013 ED)
AULA 2: TEORIA GERAL DO DIREITO FALIMENTAR – ORIGEM ETIMOLÓGICA DO TERMO FALÊNCIA E NOÇÕES CONCEITUAIS 
· ITENS 1.2 E 1.3 DO CAPÍTULO 1
· Expor a origem etimológica do termo falência, abordando as questões históricas;
· Mostrar os conceitos relacionados ao Direito Falimentar no ordenamento jurídico brasileiro;
· Expor as características do Regime Falimentar e da Insolvência Civil;
· Analisar os aspectos jurídicos e econômicos do processo falimentar e do processo de recuperação de empresas
1.2) ORIGEM ETIMOLÓGICA DO TERMO FALÊNCIA
O termo falência deriva do verbo falir que se origina, por sua vez, do verbo fallere, significando faltar, enganar (fallo, is, fefelli, falsum, fallere). Em tempos distantes usava-se a palavra quebra.
O termo bancarrota, originário do italiano banco rotto, banco quebrado, era utilizado para denominar a falência ou quebra criminosa.
A falência é uma patologia empresarial, ocasionada por gestão temerária ou fraudulenta da sociedade empresária, praticada pelos administradores (sócios ou não sócios), porque societas delinquere non potest (um ente jurídico não pode cometer ilícito), ou pela prática de atividades temerárias ou fraudulentas do empresário individual.
Uma regra empírica, que foi obtida pela nossa observação em relação às empresas em dificuldades, nos aponta que há um “caminho da falência” (ITER FALLERE):
1.3) NOÇÕES CONCEITUAIS
Podemos dizer que existe uma correlação direta entre as dívidas e os bens do devedor. Ou seja, a garantia dos credores é o património do devedor.
Hoje, no estado capitalista e contemporâneo, se alguém não cumpre obrigação, legal ou contratual, de pagar o que deve, o sujeito ativo pode promover, perante o Poder Judiciário, a execução de tantos bens do patrimônio do devedor quantos bastem à integral satisfação de seu crédito.
No âmbito jurídico, o termo falência significa falta do cumprimento de uma obrigação ou do que foi prometido. Neste diapasão, o juiz identifica, a partir do título que lhe é apresentado pelo credor, a existência e o descumprimento de crédito líquido, certo e exigível; determina, então, a constrição de um bem do patrimônio do devedor (penhora), para vende-lo sob os auspícios da justiça e com a observância de determinadas formalidades: com o dinheiro da venda paga-se o exequente.
A execução processa-se, em regra, individualmente, ou seja, só um credor move processo contra o devedor, para dele haver a satisfação da obrigação descumprida; o aparato judiciário, acionado pelo processo, busca um bem do sujeito passivo da obrigação, expropria-o(pela penhora e venda judicial) e paga o titular do crédito.
Porém, pode ocorrer, a situação em que os bens do devedor não são suficientes para pagar todas suas dívidas, e, neste caso, se as ações individuais forem processadas uma a uma, pode ocorrer de existirem credores sem a satisfação de seus créditos. A regra da individualidade, neste caso, se torna injusta.
Para evitar injustiça, o direito afasta a regra da individualidade da execução e prevê, na hipótese, a instauração da execução concursal, isto é, do concurso de credores. Se o devedor possui patrimônio negativo, menos bens que os necessários ao integral cumprimento de suas obrigações, a execução dos bens não poderá ser feita de forma individual, o que levaria a injustiça referida no início. Deve processar-se, como recurso, ou seja, envolvendo todos os credores e abrangendo todos os bens, reunindo a totalidade do passivo e do ativo do devedor.
PAR CONDICIO CREDITORUM, isto é, tratamento paritário dos credores.
(valor básico de justiça, base do direito falimentar)
Os titulares de crédito perante sujeito de direito que não possui condições de saldar, na integralidade, as dívidas devem receber da justiça tratamento igualitário, em que se dê preferencia aos necessitados (os trabalhadores), efetivem-se as garantias legais (do Fisco ou dos credores privados com privilégio) ou contratuais (dos credores com garantia real) e assegurem-se chances iguais de realização do crédito aos credores de uma mesma categoria (v.g., no caso dos rateios quirografários, proporcionais ao crédito de cada um).
Os agentes econômicos sentem-se menos inseguros em conceder em conceder o crédito, entre outros elementos porque podem contar com esse tratamento igualitário, na hipótese de o devedor ir à bancarrota.
A falência é assim o processo judicial de execução concursal do patrimônio do devedor empresário, que normalmente, é uma pessoa jurídica revestida da forma da sociedade limitada ou anônima. Para os não empresários sem meios de honrar a totalidade de suas obrigações, o direito destina um processo diferente de execução concursal, que é a insolvência civil, disciplinada pelo Código de Processo Civil (art. 748 e seguintes). Entre as diferenças que separam esses regimes cabe destacar:
Os privilégios conferidos pelo Direito Falimentar justificam-se como medida de socialização de perdas derivadas do risco inerente às atividades empresariais.
Ainda nesta seara, segundo AMADOR PAES DE ALMEIDA a falência pode ser vista sob dois ângulos completamente distintos, a saber:
a) ECONÔMICO: revela um estado patrimonial, pois revela a condição de quem, havendo recebido uma prestação a crédito, não tenha disponível, para o cumprimento da contraprestação, um valor suficiente;
b) JURÍDICO: demonstra um processo de execução coletiva contra o devedor comerciante (hoje empresário).
Portanto, e por fim, a falência é o procedimento judicial a que está sujeita a sociedade empresária ou o empresário individual devedor, que não paga as obrigações líquidas na data do vencimento, consistindo em uma execução coletiva de seus bens, à qual concorrem todos os credores, e que tem por objetivo a venda forçada do patrimônio disponível, a verificação dos créditos, a liquidação do ativo e a solução do passivo, de forma a distribuir os valores arrecadados, mediante rateio entre os credores, de acordo com a ordem legal de preferência, depois de feita a chamada classificação dos créditos.
Saliente J. X. CARVALHO DE MENDONÇA: “falência é o efeito da função anormal do crédito”, constituindo-se, portanto, nas palavras de JOSÉ FRANCELINO DE ARAÚJO, em “um conjunto de bens de execução forçada coletiva patrocinada pelo Estado que, visando à proteção do crédito como fator de riqueza, cumpre a promessa de partilhar os bens do devedor para que haja a par conditio creditorum.
O produtor rural, pessoa física ou jurídica, conforme o art. 971 do Código Civil, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos do mesmo Códex, requerer inscrição na junta comercial da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro, ou seja, poderá falir à luz da Lei nº 11.101/05; ao contrário, se não for inscrito na junta comercial, em caso de insolvência, a mesma processará pelo CPC
*JURISPRUDÊNCIAS:*
· O empresário rural será tratado como empresário se assim o quiser, isto é, se se inscrever no Registro das Empresas, caso em que será considerado um empresário, igual aos outros
· A opção pelo registro na Junta Comercial poderá se justificar para que, desfrutando da posição jurídica de empresário, o empresário rural possa se valer das figuras da recuperação judicial e da recuperação extrajudicial, que se apresentam como eficientes meios de viabilizar a reestruturação e preservação da atividade empresarial, instrumentos bem mais abrangentes e eficazes do que aquele posto à disposição do devedor civil (concordata civil – código de processo civil, art 783)
· Só a partir da opção pelo registro, estará o empresário rural sujeito integralmente ao regime aplicado ao empresário comum
AULA 3: TEORIA GERAL DO DIREITO FALIMENTAR – NATUREZA JURÍDICA DA FALÊNCIA; LEGISLAÇÃO BRASILEIRA RELATIVA AO DIREITO FALIMENTAR; LEGITIMADOS OU SUJEITOS PASSIVOS DO PROCESSO

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