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Explique e diferencie o Estado de Defesa do Estado de Sítio

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Estado de Sítio?
O estado de sítio é um dispositivo definido pela Constituição Federal para ser
utilizado em momentos em que a ordem do Estado Democrático de Direito esteja
gravemente ameaçada. Essa medida de exceção deve ser autorizada pelo
Congresso Nacional e já foi utilizada em diversos momentos de nossa história O
Estado de Sítio, previsto no art. 137 da Constituição Federal, pode ser acionado em
três hipóteses, com aplicações diferentes:
● Comoção grave de repercussão nacional (inciso I, primeira parte);
● Fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o Estado de
Defesa (inciso I, parte final);
● Declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira
(inciso II).
2.1. Objeto
Da mesma maneira que no Estado de Defesa, o Estado de Sítio é decretado
pelo Presidente da República, depois de ouvir os Conselhos da República e o
Conselho da Defesa. Em conformidade no que diz a respeito à necessidade de
relatar suas justificativas ao Congresso Nacional, que deve decidir por maioria
absoluta. Todavia, uma diferença significativa reside no fato de que, no Estado de
Sítio, a Constituição menciona a necessidade de autorização do Congresso. Dessa
forma, o Congresso é consultado antes da decretação do Estado de Sítio, podendo
impedir sua entrada em vigor.
Uma distinção a ser destacada é que, diferentemente do ocorrido com o Estado de
Defesa, a CF/88 não menciona a necessidade de atingir “locais restritos e
determinados”. De fato, por abranger situações de repercussão nacional, não faria
sentido incluir tal restrição.
A Presidência de Artur Bernardes (1922-1926) se deu quase que totalmente sob a
vigência do Estado de Sítio, renovado sucessivamente pelo Presidente mineiro, o
que demonstra que o Estado de Sítio não foi uma inovação trazida pela Constituição
brasileira atual.
2.2. Prazos e procedimentos
A Constituição faz separação entre as hipóteses para a decretação do Estado de
Sítio, sendo visível novas distinções com relação ao Estado de Defesa.
Conforme o inciso I, em que a motivação para sua decretação foi comoção grave de
repercussão nacional ou a existência de fatos que comprovem a ineficácia de
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medida tomada durante o Estado de Defesa , o prazo inicial previsto é de não mais
que 30 dias (análogo ao do Estado de Defesa). Diante disso, a diferença reside na
inexistência de limite para a quantidade de prorrogações, que devem ser feitas por
igual prazo, até a normalização da situação.
Segundo o inciso II, em que haja estado de guerra ou resposta a agressão armada
estrangeira, o Estado de Sítio poderá durar enquanto perdurar a guerra ou agressão.
Dessa forma, considerando que não seria possível antecipar a duração do conflito, o
Decreto Presidencial não precisaria dizer seu prazo. De outro moo, o Estado de Sítio
continua sendo temporário e tendo seu prazo determinado, ainda que impreciso.
No que se refere aos procedimentos, o Estado de Sítio também é acionado por
Decreto Presidencial, que deve prever: o prazo de duração; as normas necessárias
para sua execução; e as garantias constitucionais que ficarão suspensas.
Diferentemente do que ocorre no Estado de Defesa, a CF/88 determina que o
Congresso deve ser consultado previamente. Caso esteja em recesso, será
convocado em um prazo de 05 dias. Dessa forma, restam duas possibilidades: se o
Congresso rejeitar a decisão, o Estado de Sítio não entrará em vigor; caso aprove,
por maioria absoluta, deverá permanecer em funcionamento até que se encerre o
Estado de Exceção.
2.3. Garantias Constitucionais Suspensas
Aqui percebemos nova diferença entre os Estados de Defesa e Estado de Sítio, bem
como entre as duas hipóteses de Estado de Sítio.
Na hipótese do inciso I do art. 137, sete medidas podem ser adotadas contra a
população, não sendo permitidas outras não previstas. Assim, são possíveis durante
o Estado de Sítio:
● A obrigação de permanência em localidade determinada;
● A detenção em edifício não destinado a acusados ou condenados por crimes
comuns;
● Restrições relativas à inviolabilidade da correspondência, ao sigilo das
comunicações, à prestação de informações e à liberdade de imprensa,
radiodifusão e televisão, na forma da lei;
https://www.politize.com.br/crimes-de-guerra-regulacao-internacional/
https://www.politize.com.br/liberdade-de-expressao-liberdade-de-imprensa/
● A suspensão da liberdade de reunião;
● A busca e apreensão em domicílio;
● A intervenção nas empresas de serviços públicos;
● A requisição de bens.
Na hipótese do inciso II, são possíveis as suspensões de quaisquer garantias
constitucionais, desde que devidamente previstas no Decreto Presidencial,
justificadas pelo Presidente da República e autorizadas pelo Congresso Nacional.
2.4. Quais são as formas de controle político e jurisdicional do Estado de
Defesa e do Estado de Sítio?
Os Estados de Defesa e de Sítio são medidas excepcionais, as quais podem colocar
em risco direitos e garantias fundamentais. Por esse motivo, devem ser adotadas
apenas em situações de extrema necessidade e mediante um controle rigoroso dos
Poderes Legislativo e Judiciário. Nesses casos, as formas de controle adotadas para
os Estados de Defesa e de Sítio podem confundir-se, possuindo diversos elementos
em comum.
Além do já mencionado controle imediato (realizado pelo Congresso imediatamente
após a decretação do Estado de Defesa ou anteriormente ao Estado de Sítio), são
previstas outras hipóteses de controle, de forma a evitar arbitrariedades.
Assim, durante os Estado de Defesa e de Sítio: a Mesa do Congresso Nacional
deverá compor uma Comissão, composta por cinco membros, para acompanhar e
fiscalizar a execução das medidas referentes ao Estado de Exceção em vigor; por
sua vez, o Poder Judiciário continuará atuando, de forma a reprimir abusos e
ilegalidades.
Ademais, uma vez encerrado o Estado de Defesa ou o Estado de Sítio, o Presidente
relatará ao Congresso as providências adotadas, com relação nominal dos atingidos
e das medidas utilizadas. Comprovada a ilegalidade em alguma das restrições
adotadas, o Presidente poderá ser acionado por Crime de Responsabilidade.
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2.5. Diferenças entre Estado de Defesa e Estado de Sítio
● Enquanto o Estado de Defesa prescinde de autorização, podendo ser
decretado pelo Presidente, o Estado de Sítio deve ser autorizado pelas casas
do Legislativo;
● O Estado de Defesa possui prazo máximo: 30 dias, podendo ser prorrogado
uma única vez. Já o Estado de Sítio não possui. Dessa maneira, não existe
prazo máximo.
● O Estado de Defesa possui local restrito e determinado, enquanto o Estado
de Sítio pode ser aplicado genericamente em todo território nacional;
● No Estado de Defesa não se faz restrição à liberdade de ir e vir, enquanto no
Estado de Sítio esse direito pode ser restringido.
3.Conclusão
O Estado de Defesa se dará a partir de um decreto presidencial. Para tanto, o
Presidente da República deve ouvir o Conselho da República e o Conselho de
Defesa Nacional previamente. Estes órgãos têm função meramente consultiva, o
que significa dizer que o Presidente não está vinculado à decisão dos conselhos.
Caso ele entenda pela necessidade da instituição do Estado de Defesa, poderá
fazê-lo ainda que em desacordo com os conselhos.
Uma vez que o Congresso aprove o decreto, o Estado de Defesa continuará
vigorando e, ao final, o Presidente terá que prestar as contas a este órgão,
informando as medidas aplicadas e as justificando juntamente com a entrega da
relação nominal de quem sofreu medidas coercitivas, apontando, igualmente, quais
as medidas sofridas. É possível que, com isto, o Congresso