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Metodologia o caminho que leva às metas Extrato do livro Desafios Educacionais na Formação de Empreendedores UN 5

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Texto: Extrato do livro HENGEMÜHLE, Adelar. Desafios Educacionais na 
Formação de Empreendedores. Porto Alegre: Penso, 2014. P. 108 a 129. 
 
Cap. 8: METODOLOGIA: O CAMINHO QUE LEVA ÀS METAS 
 
No método articula-se a teoria e a prática, os pressupostos ético-políticos 
da educação, os conteúdos conceituais do ensino, com as características 
grupais e pessoais dos sujeitos em interação, nas condições concretas, 
conjunturais de operacionalização1 
A metodologia visa a discutir os caminhos didáticos que nos levem 
às metas. 
Partimos do pressuposto de que, ao fazer algo, preciso ter método 
definido. Essa definição permite desenvolver as ações com objetividade e 
qualidade. Não ter método, leva à perda do foco e com isso se esvai a motivação 
e se perde o objetivo em qualquer atividade humana e na educação não é 
diferente. Se queremos formar pessoas: 
• empreendedoras; 
• competentes; e 
• com espírito de pesquisa; 
sabendo que para atingir essas metas precisamos 
• de conteúdos empíricos e teóricos classificados, ressignificados e 
problematizados; e 
• desenvolver a mente com habilidades reflexivas; 
então, já temos dados bastantes para pensar o método, ou seja, o caminho que 
nos levará a essas metas. 
Na prática, no entanto, não é bem assim. Para os professores, além das 
limitações já apontadas, soma-se agora a falta de clareza quanto ao conceito de 
metodologia. Às vezes, o conceito até está claro, mas não transparece na 
 
1MARQUES, 1993, p. 111 
prática. Exemplo disso são as definições que encontramos escritas nos planos 
de trabalho, no caso da Educação Básica, ou nos planos de ensino, no Ensino 
Superior. 
É comum ver que, ao definir a metodologia, nos deparamos com 
relatos como, vou usar o quadro, vou fazer trabalhos em grupo, 
aulas dialogadas, saídas de campo, vou usar o data show, fazer 
seminários, usar o livro didático, os alunos devem produzir 
resenhas, entre outros. 
Isso são recursos que podem e são usados durante o processo, no 
entanto não apontam os passos do caminho – início, meio, fim – (sem início e 
nem final pleno) que nos levará às metas. 
Portanto, para situar-nos quanto a metodologia, trazemos as concepções 
dos professores, em seguida apontamos referenciais teóricos e, no final, 
procuramos apontar possíveis caminhos para a prática. 
a) A metodologia de acordo com as concepções dos profissionais da 
educação 
Para discutir a metodologia, recorremos aos três livros por nós 
organizados, onde os professores, co-autores, após terem passado por processo 
de formação, no qual refletiram as temáticas da ressignificação, da 
problematização, da metodologia, focados no Arco de Maguerez (1970), o qual 
abordaremos adiante na fundamentação teórica, expressam as suas 
concepções. 
No referencial metodológico aqui sugerido, os professores: 
• iniciam suas aulas (compreende a abordagem de um 
novo conteúdo teórico – que pode ter a duração de vários períodos) 
com um problema ou curiosidade (conteúdo empírico do presente); 
• provocam o desejo dos alunos, a partir de 
questionamentos; 
• situam os alunos nos acontecimentos similares do 
passado (conteúdo empírico do passado); 
• desenvolvem o conteúdo teórico, levando os alunos à 
compreensão ou à solução dos problemas e curiosidades iniciais; 
• exercitam os estudantes, apresentando-lhes novos 
problemas ou curiosidades onde, apoiados no conteúdo teórico, 
demonstram que compreenderam ou conseguem resolver os 
problemas; e 
• no final, na mesma dinâmica do caminho metodológico, 
os alunos são submetidos a avaliações em que produzem 
compreensões ou soluções teoricamente fundamentadas. 
 
Vejamos algumas opiniões dos professores acerca do tema metodologia. 
Num primeiro momento, encontramos reflexões sobre a teoria e prática 
presentes na metodologia, quando se afirma2 que ao pautar-se na importância 
do entendimento do problema vivido (prática) e no problema estudado (teoria), 
faz-se mister que pensemos na união destes dois pontos. Assim, uma maneira 
de se entrelaçar teoria e prática é desenvolver teorias partindo das vivências das 
pessoas (prática), e interferir no cotidiano, partindo de análises e 
recomendações acadêmicas (teoria). Em outro momento (p. 233) os mesmos 
professores dizem que a escolha metodológica, baseada em Maguerez, 
possibilitou o ganho de apresentar a dinamicidade entre dados e conceitos que 
se revelaram na prática pedagógica do curso e possibilitou aos alunos 
vivenciarem a articulação entre a teoria e prática educacional tão propalada, mas 
pouco praticada. 
Ao mesmo tempo, optar por tal procedimento significou o ganho de 
apresentar a dinamicidade emergente entre dados e conceitos que 
 
2 HENGEMÜHLE (org.), 2010c, p. 236 
se revelaram na prática pedagógica das disciplinas, bem como de 
possibilitar a articulação linear entre teoria e prática, na qual uma 
age sobre a outra, permitindo a recomposição mútua. 
Em outra passagem3 encontramos o pensamento de educar para a vida, 
e principalmente para a preservação do meio ambiente, quando a abordagem de 
situações-problema para debater e buscar soluções implantando ação inovadora 
diante dos problemas que atingem o planeta terra, torna-se fundamental. 
O debate das soluções, de acordo com essa última citação, deu-se 
embasado no conteúdo teórico. Em ambos os casos, podemos perceber que os 
professores adquiriram propriedade do seu fazer, com visão nas metas a serem 
buscadas e delineando caminhos para construi-las. Outro depoimento4 sugere 
que desenvolver esse tipo de prática aproxima-nos do ideal de uma pedagogia 
mais libertadora, em que não só o aluno é o grande conquistador, mas o 
professor também desfruta desse ganho. 
Ambos sobem ao pódio como vencedores, pois são incentivados a 
participar de um esforço coletivo de criar, construir, reconstruir e 
adquirir conhecimento, transitando por conhecidas e novas 
competências. 
Percebe-se que a autoestima e a motivação profissional adquirem novas 
dimensões onde educadores e educandos vão sendo instigados e provocados 
no processo. Segue outra afirmação5 esclarecendo que a prática pedagógica, 
pautada numa situação-problema, conseguiu atingir muitos objetivos: motivou a 
curiosidade dos estudantes por possuir uma temática atual, dinamizou o estudo 
teórico por efetivar diferentes formas de pesquisa, teve como finalidade a 
aplicação do conhecimento em situações concretas, proporcionou a discussão 
em grupo, a crítica e a tomada de decisões e oportunizou a integração de alunos 
 
3HENGEMÜHLE, MENDES e CAMPOS (org.), 2010b, p. 113. 
4HENGEMÜHLE (org.), 2008a, p. 127. 
5 HENGEMÜHLE (org.), 2008a, p. 175. 
que pouco se conheciam e que, a partir de certo momento, aprenderam a 
valorizar e a complementar as ideias dos demais. 
Vemos que a integração dos alunos é outro fator a ser considerado nesse 
processo. As aulas são dinâmicas, reflexivas, participativas. As discussões vão 
envolvendo os estudantes. 
Segue a afirmação de um professor6 de que à medida em que cada 
etapa do proposto foi sendo vencida, percebia-se o quanto havia 
sido significativa para os alunos. 
Acrescenta-se ainda outro aspecto interessante a observar durante o 
processo, que é a relação de conhecimentos que os alunos vão estabelecendo 
naturalmente, levando a novos questionamentos e interesses, onde a 
aprendizagem se dá repleta de significados e referências positivas para os 
alunos, que foram tão responsáveis quanto a sua professora por esse processo. 
Assim, concretizamos nossas ações apoiadas nos ideais de vários teóricos, 
entre eles Vygotsky (1993), quando afirma que o professor é o mediador e que 
todos aprendem durante o processo pedagógico. 
Percebe-se a dinamicidade e as progressões que têm um professor 
quando seu conteúdo está significativo, problematizado e tem clara a 
metodologia para dinamizar o processo. Da mesma passagem anterior7 
complementamos que 
os alunos vão se dando

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