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ELEMENTOS ACIDENTAIS DO NEGÓCIO JURÍDICO

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CAPÍTULO III – ELEMENTOS ACIDENTAIS DO NEGÓCIO 
JURÍDICO 
 
Os elementos acidentais do negócio jurídico são aqueles acrescentados pelas partes do 
negócio jurídico, mas não condição obrigatória para a existência dele. Por isso, é 
acidental, pois pode ou não estar presente. Vimos também, nos planos do negócio 
jurídico que esses elementos acidentais estão presentes no plano da eficácia. 
 CONDIÇÃO – A condição é um elemento acidental do negócio jurídico, derivado 
da vontade das partes, que condiciona sua eficácia à um evento futuro e incerto. 
Art. 121. Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da 
vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e 
incerto. 
 Se divide em: 
Condição suspensiva: na condição suspensiva o evento futuro e incerto suspende 
a aquisição do direito enquanto não se realizar. Exemplo: João diz que vai fazer 
a doação de um imóvel para Maria, se ela se casar. Ou seja, estamos diante de 
uma condição suspensiva, pois, enquanto Maria não se casar, ela não irá adquirir 
o direito a propriedade através da doação, tendo seus efeitos apenas quando a 
condição (casamento) for realizada. É um evento futuro (que ainda acontecerá) 
e incerto (não se sabe se Maria irá casar). 
Art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição 
suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o 
direito, a que ele visa. 
Condição resolutiva: na condição resolutiva, diferentemente da suspensiva, a 
pessoa sob a condição já tem o direito adquirido, entretanto, se extinguirá com 
a realização da condição. Exemplo: Paulo faz a doação de um imóvel para Júlia, 
com a condição de que poderá tê-lo até que se case. Sendo assim, Júlia já tem o 
imóvel para ela, entretanto, esse direito irá se extinguir caso ela venha a celebrar 
o casamento. 
Art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, 
vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste 
o direito por ele estabelecido 
A condição resolutiva ao realizar-se, extingue todos os efeitos do negócio, 
entretanto, se a condição for para um negócio de execução periódica (a 
exemplo do aluguel), os atos já praticados antes da extinção não serão 
afetados. 
Art. 128. Sobrevindo a condição resolutiva, extingue-se, para todos os 
efeitos, o direito a que ela se opõe; mas, se aposta a um negócio de 
execução continuada ou periódica, a sua realização, salvo disposição em 
contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde que 
compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos 
ditames de boa-fé. 
 Condições lícitas: são aquelas em conformidade com a lei, à ordem 
pública e os bons costumes 
 Condições que não podem ser utilizadas: 
a) Propriamente ilícitas – contrárias a lei e à ordem pública (tornam 
todo o negócio jurídico inválido) 
b) Imorais – a condição não pode ofender os bons costumes; 
c) Impossíveis – a condição suspensiva não pode ser algo impossível 
de realizar, seja ela impossível física ou juridicamente, pois torna 
o negócio jurídico inválido. Observação: no caso das condições 
resolutivas, se for impossível será considerada inexistente. Art. 
124. Têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quando 
resolutivas, e as de não fazer coisa impossível. 
d) Puramente potestativa – que sujeitem os efeitos ao puro arbítrio 
de uma das partes. Caracterizam-se pelo uso de expressões como: 
“se eu quiser”, “caso seja do interesse deste declarante”, “se na 
data avençada, este declarante considerar-se em condições de 
prestar” etc. Todas elas traduzem arbítrio injustificado, senão 
abuso de poder econômico, em franco desrespeito ao princípio da 
boa-fé objetiva. 
e) Perplexas – não pode existir condições que privem todo efeito do 
negócio jurídico. Exemplo: “Te faço a doação do imóvel desde que 
você não more nele e nem alugue” 
f) Incompreensíveis ou contraditórias – são aquelas que não se 
entende o que está sendo pedido ou que se contradiz com a 
vontade da parte. 
- Se uma pessoa fizer a doação de algum bem para outra com uma condição suspensiva 
e, enquanto ela não se realiza, vende esse bem para outrem, essa nova disposição do 
bem não terá validade. Isso ocorre, pois, a condição pode se realizar a qualquer 
momento, podendo a pessoa sob condição suspensiva reivindicar seu direito. 
Entretanto, se a nova disposição for compatível (ao invés de vender for alugado), esta 
terá valor. 
Art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente 
esta, fizer quanto àquelas novas disposições, estas não terão valor, realizada a 
condição, se com ela forem incompatíveis 
- Se por alguma causa maliciosa (alguém impedir sua realização de propósito) a condição 
são se realizar, ela se considerará realizada. Entretanto, se essa condição for realizada 
de forma maliciosa para ter proveito logo, ela não será considerada. 
Art. 129. Reputa-se verificada, quanto aos efeitos jurídicos, a condição cujo 
implemento for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer, 
considerando-se, ao contrário, não verificada a condição maliciosamente levada 
a efeito por aquele a quem aproveita o seu implemento. 
- O titular do direito eventual (direito que irá ser seu) pode utilizar de atos para que seja 
conservado. 
Art. 130. Ao titular do direito eventual, nos casos de condição suspensiva ou 
resolutiva, é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo. 
 TERMO – Diferentemente da condição, o termo é um evento 
futuro e CERTO, ele é o que determina o dia que começa ou que se 
extingue a eficácia do negócio jurídico. O termo não subordina a 
aquisição dos direitos e deveres decorrentes do negócio, mas apenas o 
seu exercício. 
Termo inicial – é o que determina quando começa a eficácia do negócio, 
ele não suspende a aquisição do direito, mas somente o seu exercício. 
Exemplo: A realização de um contrato de locação que determina o dia 
para a pessoa começar a utilizar o imóvel 
 Art. 131. O termo inicial suspende o exercício, mas não a 
aquisição do direito. 
Termo final – é o que determina a extinção da eficácia do negócio jurídico. 
Exemplo: no mesmo contrato de locação tem a data final em que a pessoa 
poderá continuar alugando a casa. 
O período de tempo entre os termos inicial e final denomina-se prazo: 
Art. 132. Salvo disposição legal ou convencional em contrário, computam-
se os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento. 
§ 1 o Se o dia do vencimento cair em feriado, considerar-se-á prorrogado o 
prazo até o seguinte dia útil. 
§ 2 o Meado considera-se, em qualquer mês, o seu décimo quinto dia. 
§ 3 o Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de 
início, ou no imediato, se faltar exata correspondência. 
§ 4 o Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto. 
Art. 133. Nos testamentos, presume-se o prazo em favor do herdeiro, e, nos 
contratos, em proveito do devedor, salvo, quanto a esses, se do teor do 
instrumento, ou das circunstâncias, resultar que se estabeleceu a benefício do 
credor, ou de ambos os contratantes. 
Os negócios sem prazos são exigíveis de imediato: Art. 134. Os negócios 
jurídicos entre vivos, sem prazo, são exequíveis desde logo, salvo se a execução 
tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo. 
Além disso, o termo pode ser: 
a) Convencional – estabelecido pelas partes; 
b) Legal – estabelecido pela lei; 
c) De graça – estabelecido judicialmente. 
 
 ENCARGO – O encargo é determinação de uma obrigação a ser 
realizada pela pessoa que receber um ato de liberalidade (uma 
doação, por exemplo). Típica dos negócios gratuitos. 
“O encargo ou modo é restrição imposta ao beneficiário da liberalidade. Assim, 
faço doação à instituição, impondo-lhe o encargo de prestar determinada 
assistência a necessitados; doo casa a alguém, impondo ao donatário obrigação 
de residir no imóvel; faço legado de determinada quantia a alguém, impondo-
lhe o dever de construir

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