A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
7 pág.
20- Dopplervelocimetria obstétrica

Pré-visualização | Página 1 de 3

1 
Referência: aula do prof. Moises Lima 
Princípios básicos da dopplervelocimetria 
• A frequência de som emitida e refletida é 
proporcional à velocidade das hemácias em 
movimento. 
• A velocidade de deslocamento das hemácias é 
proporcional ao diâmetro do vaso e, em geral, é 
constante. 
 
Se o vaso está dilatado, a velocidade é mais lenta, 
se ele está contraído, por outro lado, a velocidade é mais 
alta. Assim, conseguimos inferir o diâmetro do vaso em 
função da velocidade dos elementos sólidos. 
Avaliação quantitativa do sonograma arterial 
1. Relação sístole (A) / diástole (B): A/B (Índice de Stuart, 
1990) 
 
 A imagem acima (do lado direito) mostra as ondas 
do Doppler. Tal exame detecta tanto movimento sistólico 
(pico da onda), quanto movimento diastólico. Essa é uma 
análise espectral, em que se tem apenas desenho das 
ondas, o que permite avaliação subjetiva do vaso. 
No desenho acima, do lado esquerdo, o movimento 
sistólico é representado pela letra A e o diastólico pela 
letra B. 
É mostrado, por exemplo, que o momento 
diastólico do vaso é bem alto em relação à linha de base. 
Isso nos demonstra, do ponto de vista subjetivo, que o 
vaso tem complacência adequada, permitindo fluxo 
diastólico abundante. É exatamente nesse momento que 
ocorre a perfusão do órgão, já que a sístole tem apenas 
função de ejeção. Quanto mais diástole dirigida para o 
órgão, mais perfusão ele tem. 
 Determinados órgãos não precisam de fluxo 
diastólico tão abundante. A diástole reflete a resistência 
vascular periférica. Se o componente diastólico do vaso é 
muito dilatado – amplo, é porque a perfusão é adequada, 
sendo o inverso verdadeiro. Uma resistência vascular 
diminuída faz o vaso ser complacente, o inverso também 
é verdadeiro. Isso pode ser normal ou patológico, 
dependendo da necessidade ou não de fluxo no vaso. 
 Procura-se uma análise mais objetiva dessa onda 
de fluxo. Temos basicamente quatro índices, através de 
equações matemáticas, para definir se o vaso é de baixa 
ou alta resistência. A partir dessa análise, faz inferência 
clínica do que aquilo representa naquele momento. 
Lembre-se de sempre contextualizar esse estudo às 
condições clínicas da gestante. 
 A relação sístole/diástole é uma equação entre o 
pico da velocidade sistólica dividido pelo pico da 
velocidade diastólica. O valor obtido, dentro de uma curva 
de normalidade, diz se o componente de fluxo está 
adequado ou não para a perfusão do órgão analisado. Essa 
relação, na obstetrícia, é pouco utilizada. 
2. Índice de resistência: S(A) – D(B) / S(A) (Índice de 
Pourcelot, 1974) 
É uma equação que leva em consideração a 
subtração do pico da sístole pelo da diástole, dividindo 
pelo pico sistólico. Quanto maior o índice de resistência 
(IR), menos fluxo diastólico e, portanto, o vaso está mais 
comprimido. Por outro lado, quanto menor o IR, maior o 
componente diastólico, então mais dilatado e 
complacente é o vaso. 
Quando se analisa a artéria umbilical, no decorrer 
da gestação, ela vai aumentando cada vez mais a sua 
amplitude e diâmetro, a fim de proporcionar ao feto o 
máximo de volume sanguíneo e, consequentemente, de 
oxigenação. 
Sabendo que a artéria umbilical dilata 
progressivamente ao longo da gestação, se encontrarmos 
uma resistência alta em idade gestacional avançada, 
podemos inferir que o vaso está com pouca complacência 
e pouca perfusão para o feto. 
3. Índice de pulsatilidade: S(A) – D(B) / VM (Índice de 
Gosling, 1975) 
 É a relação entre o pico da sístole menos o pico da 
diástole, dividido pela velocidade média da onda que está 
sendo estudada. 
É um dos índices mais estudados. 
 
2 
Avaliação qualiquantitativa do sonograma venoso 
1. Índice de pulsatilidade venosa: Sv – As / VM 
 
Acima, onda clássica do compartimento do ducto 
venoso, o qual consiste em um vaso que faz shunt da veia 
umbilical, a qual entra na parede abdominal e se dirige 
imediatamente para o fígado. Nesse percurso, existe o 
ducto venoso, que drena 30 a 40% do fluxo, levando o 
sangue diretamente para o AD. O forame oval desvia para 
o AE, VD e aorta. 
Esse desvio de fluxo faz com que a oxigenação 
chegue mais rapidamente ao coração do feto, bem como 
aos demais órgãos fetais. Isso vai ter uma importância 
muito grande, porque quando há alta resistência na 
artéria umbilical, fala-se de resistência também no espaço 
interviloso placentário, lá na localização do shunt da 
placenta com o útero materno, onde se dá a perfusão 
dessa estrutura e, consequentemente, a concentração 
maior de oxigênio. 
Havendo degeneração placentária, a placenta se 
torna pobre em vascularização, então a artéria umbilical 
vai ficando cada vez mais contraída, tentando vencer essa 
barreira. Naturalmente, isso não é possível, o que faz com 
que haja um aumento de pressão retrógrada das artérias 
umbilicais, aorta, VE, AE, AD e câmaras direitas do 
coração. Isso pode ser facilmente detectado pelo doppler 
venoso do ducto venoso. 
Quando o feto atinge alterações no fluxograma do ducto 
venoso, ele está em uma situação de vitalidade bastante 
comprometida, podendo chegar ao óbito. 
Voltando a imagem acima... a primeira onda é a 
sístole ventricular, a segunda é a diástole ventricular e a 
terceira é a sístole atrial. O aumento de pressão 
retrógrada do AE para AD, através do forame oval, faz o 
fluxo ficar com uma resistência tão grande a ponto de 
desaparecer a onda da sístole atrial. Na medida em que 
ela desaparece em relação a linha de base, infere-se que 
o coração direito do feto está sobrecarregado. O padrão 
normal é o que está contido na imagem acima. 
À medida que o coração direito começa a sofrer pressão, 
a onda pode desaparecer ou ser detectada abaixo da 
linha de base, no lado negativo do fluxo. 
Do ponto de vista objetivo, procuramos identificar 
o índice de pulsatilidade, que significa a sístole ventricular 
menos o pico da sístole atrial, dividido pela velocidade 
média do ciclo selecionado. Esse índice também é 
colocado em uma curva de normalidade, para identificar 
se o feto está em boas condições de fluxo do 
compartimento venoso. 
Na insuficiência cardíaca (IC) do adulto, é feita a 
mesma observação. No que se refere à pulsação da veia 
jugular em pacientes com IC, se fizer doppler de tal vaso, 
busca-se exatamente as mesmas informações. No doppler 
do ducto venoso, queremos extrair informações quanto à 
funcionalidade do coração fetal. A patologia obstétrica em 
questão gera uma IC no feto, que deve ser corrigida da 
melhor forma possível, a fim de protege-lo. 
Principais vasos analisados 
• Compartimento materno: artéria uterina 
• Compartimento placentário: artéria e veia 
umbilical. Lembrando que o cordão umbilical é 
formado por duas artérias e uma veia. 
• Compartimento fetal: artéria cerebral média, 
ducto venoso (próximo do fígado do feto), aorta 
fetal. 
 
Acima, vascularização do útero. A artéria uterina é 
procedente da ilíaca, que se dirige junto à região do 
ligamento do paramétrio, capilarizando-se na parede 
uterina. A artéria uterina também tem contribuição da 
artéria ovárica, ramo direto da aorta. 
Anastomose da capilarização da artéria uterina: 
não é possível fazer doppler de vasos microscópicos, 
porém, através da artéria uterina, pode-se ter uma ideia 
da perfusão terminal capilar do útero. Os vasos que nos 
interessam são as artérias espiraladas, as quais vão até a 
superfície do endométrio – inclusive, durante a 
menstruação, um segmento endometrial descama e é 
eliminado, junto a uma parte necrosada das artérias 
 
3 
espiraladas, até que o endométrio retome seu 
crescimento. 
Artéria uterina 
Quando se fala em artéria uterina, estamos 
analisando de forma indireta todo o sistema vascular até 
o sistema mais capilar do útero. Por conseguinte, 
avaliamos a perfusão uterina. 
A partir do momento em que uma mulher 
engravida, ocorre um processo

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.