A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
11 pág.
Anatomia da pelve e mecanismo de parto

Pré-visualização | Página 2 de 3

sínfise púbica. 
 Dois diâmetros devem ser citados: o sacromediopúbico 
(anteroposterior), que vai do meio do da concavidade do 
osso sacro (S4/S5) até o meio da face posterior da 
sínfise púbica, medindo 12 cm; e o bi-isquiático 
(transverso), que se estende de uma espinha isquiática à 
outra, mede 10,5 cm e é o ponto de maior 
estreitamento do canal de parto. 
 
Estreito inferior: 
 Borda inferior da sínfise púbica ao cóccix. 
 É delimitado, no sentido posteroanterior, pela ponta do 
cóccix, estende-se pela borda inferior do grande 
ligamento sacroisquiático, pela face interna da 
tuberosidade isquiática e pela borda inferior do ramo 
isquiopúbico, até atingir a borda inferior da sínfise púbica. 
 Esse estreito é representado por dois triângulos, tendo 
como base uma linha que passa pelas tuberosidades 
isquiáticas. 
 O anterior tem seu ápice no meio da borda inferior da 
sínfise púbica, e o posterior o tem na ponta do cóccix. 
 O diâmetro anteroposterior (cóccix-subpúbico), que se 
estende da ponta do cóccix à borda inferior da sínfise 
púbica e mede 9,5 cm, é de interesse obstétrico e, na 
fase final da expulsão fetal após a retropulsão do 
cóccix, amplia-se em 2 a 3 cm, recebendo o nome de 
conjugata exitus. 
 Já o diâmetro transverso se situa entre as duas faces 
internas da tuberosidade isquiática, mede 11 cm e é 
chamado de bituberoso. 
 
 
 
 
 
 
A pelve feminina pode possuir vários tipos: 
 Ginecoide (50%): diâmetros anteroposterior e 
transverso igual em formato arredondado; 
 Antropoide (25%): tem diâmetro anteroposterior maior 
que o transverso, de modo que o ângulo subpúbico é 
levemente estreitado; 
 Androide (20%): tem formado triangular, ângulo 
subpúbico estreitado e diâmetro anteroposterior e 
transverso reduzido; 
 Platipeloide (5%): duas espinhas isquiáticas estão mais 
afastadas, possuindo maior diâmetro transverso em 
relação ao anteroposterior. Tem amplo ângulo subpúbico 
e facilita durante o parto normal. 
 
São os movimentos exercidos pelo feto sob ação 
das contrações uterinas ao transitar pelo canal de parto, 
permitindo sua adaptação às dificuldades do trajeto. Assim, a 
progressão do trabalho de parto é mais ou menos facilitada, 
de acordo com a relação entre as características de forma 
e tamanho da pelve materna e as do produto conceptual. 
Deve-se pensar que o feto é o objeto que percorre o 
trajeto (bacia) impulsionado pelo motor (útero), ou seja, as 
contrações uterinas são a força motriz do trabalho de 
parto, a qual impulsiona o feto através da pelve da gestante 
para alcançar a vulva e desprender-se, finalizando o ato de 
nascer. 
Relações urofetais: 
 São as relações espaciais entre o organismo 
materno e o produto conceptual, utilizando-se para isso 
nomenclatura e definições convencionadas. 
Atitude: 
 É a relação entre as partes fetais entre si, sendo que 
depende da posição dos membros e da coluna vertebral; 
 Ou o feto está em flexão ou deflexão (que representa 
sofrimento fetal); 
 Na maioria das vezes, o feto apresenta atitude de 
flexão generalizada durante toda a gestação e o parto; 
 A coluna vertebral se curva ligeiramente, produzindo 
uma concavidade voltada para a face anterior de 
concepto, enquanto os membros se apresentam 
flexionados e anteriorizados. Assim, configura-se uma 
formação de aspecto oval ou ovoide, com duas 
extremidades representadas pelo polo cefálico e pélvico; 
 Em situações anômalas, pode haver extensão da coluna 
com deflexão do polo cefálico, o que leva às 
apresentações defletidas de 1°, 2° e 3° graus; 
 A ausência persistente de flexão de todos os membros 
é anormal e pode significar sofrimento fetal grave por 
perda do tônus muscular. 
Situação: 
 A situação consiste na relação entre o maior eixo da 
cavidade uterina e o maior eixo fetal; 
 Essa relação dá origem a três possibilidades de situação 
fetal: longitudinal, transversa e oblíqua; 
 Longitudinal: cabeça e eixo corpóreo no mesmo eixo da 
mãe; 
 Transverso: eixo do bebê está transverso em direção ao 
útero; 
 Oblíquo: eixo oblíquo ao da mãe. 
Apresentação: 
 A apresentação é definida como a região fetal que 
ocupa a área do estreito superior e nela vai se insinuar; 
 Quando a situação fetal é longitudinal, há duas 
possibilidades de apresentação: cefálica ou pélvica, 
dependendo do polo fetal que ocupa a região inferior do 
útero; 
 Nas situações transversas, nas quais se distinguem as 
apresentações córmicas (ou de ombro), em que o dorso 
fetal se apresenta anterior ou posteriormente, ou as 
apresentações dorsais superior e inferior, em que o 
dorso fetal se apresenta superior ou inferiormente 
(raro); 
 Na posição transversa, quando uma parte fetal menor 
(por exemplo, um dos membros) se antepõe à 
apresentação durante o trabalho de parto, ocupando a 
vagina, ou mesmo se exteriorizando pela vulva, 
denomina-se procidência ou prolapso – com bolsa rota; 
 Quando uma parte menor se antepõe a apresentação 
durante o trabalho de parto, ocupando vagina e vulva, 
com bolsa íntegra, temos o procúbito. 
 As apresentações cefálicas podem ser: 
1) Cefálica fletida: mento está aconchegado ao esterno. 
2) Cefálica defletida: quando a cabeça está em extensão, 
com o mento longe do esterno. Se divide em: 
 Defletida de primeiro grau: fontanela bregmática no 
estreito superior (testa); 
 Defletida de segundo grau: fronte no estreito superior 
glabela/nariz); 
 Defletida de terceiro grau: queixo no estreito superior 
(mento/queixo). 
 
 As apresentações pélvicas podem ser: 
1) Pélvica completa: atitude fisiológica do polo pélvico, quando 
as coxas estão fletidas e aconchegadas ao abdome, e as 
pernas fletidas junto às coxas. 
2) Pélvica incompleta: qualquer atitude assumida pelos 
membros inferiores. Divide-se em modo nádegas (membros 
inferiores estirados e rebatidos de encontro à parede 
abdominal fetal – figura A) ou modo joelhos-pés (joelhos e 
pés na parte inferior do útero – figura C). 
 
Posição: 
 É a relação dorso fetal com o lado materno; 
 A finalidade da posição é buscar a melhor localização 
para ausculta cardíaca fetal durante o trabalho de 
parto, que será ipsilateral a seu dorso na maioria das 
vezes, exceção para as apresentações cefálicas 
defletidas de terceiro grau, em que os batimentos 
cardíacos fetais são audíveis com maior nitidez na face 
anterior do tronco do cencepto; 
 A variedade posição complementa a orientação espacial 
do concepto ao relacionar um ponto de referência da 
apresentação fetal com um ponto de referência ósseo 
da bacia materna, levando-se em consideração as faces 
anterior, posterior ou lateral da gestante; 
 O feto está dentro da pelve, voltado para um dos pontos 
de referência materno; 
 Condicionou-se, para tal, o emprego de três letras como 
nomenclatura definidora de apresentação, posição e 
variedade de posições fetais: 
- A primeira letra representa o ponto de referência da 
apresentação fetal, em que: O – occipício; B – bregma; N – 
naso; M – mento; S – sacro; A – acrômio. 
 
- A segunda letra refere-se ao lado materno para o qual 
está voltado o ponto de referência fetal (posição): D – 
direita e E – esquerda. É importante lembrar que essa letra 
é suprimida nas variedades anteroposteriores (sacral e 
púbica). 
- A terceira letra indica a variedade de posição, conforme o 
feto esteja voltado para o ponto de referência ósseo da 
bacia materna: A (anterior) – eminência íleopectínea; T 
(transversa) – extremidade do diâmetro transverso; P 
(posterior ou púbis) – sinostose sacroilíaca ou púbis; S 
(sacro) – materno. 
 
 
Tempos do mecanismo de parto: 
1. Insinuação: 
 É definida como a passagem do maior diâmetro da parte 
apresentada, perpendicular à linha de orientação fetal, 
pelo estreito superior da bacia materna; 
 É a passagem do maior diâmetro da apresentação fetal 
através do estreito superior;