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Anatomia da pelve e mecanismo de parto

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 Nas apresentações cefálicas o diâmetro de insinuação 
corresponde ao biparietal e nas apresentações pélvicas, 
ao bitrocantérico; 
 Na maioria das mulheres, quando a parte fetal 
apresentada está insinuada, significa que o ponto de 
referência ósseo fetal está no nível das espinhas 
isquiáticas maternas (plano 0 de De Lee ou terceiro 
plano de Hodge) ou muito próximo dele; 
 A ocorrência de insinuação indica que o estreito superior 
é adequado para a passagem do feto, mas não permite 
inferir as características dos estreitos médio e inferior; 
 
 Em primigestas a insinuação ocorre, na maioria das 
vezes, por volta de 15 dias antes do parto. Já em 
multíparas, a insinuação pode ocorrer a qualquer 
momento, desde antes do início do trabalho de parto até 
após a dilatação completa do colo uterino; 
 Para fazer a insinuação o feto precisa fazer três 
movimentos (que ocorrem ao mesmo tempo): 
- Flexão: colocar o queixo no peito; 
- Acavalgamento: diminuição do diâmetro das suturas, em 
que o frontal e o occipital se locam por baixo dos ossos 
parietais e as bordas internadas dos parietais se 
sobrepõem; 
- Acincletismo: é um movimento de flexão lateral da cabeça, 
em que o feto joga um parietal e depois o outro, para 
passar no diâmetro transverso do estreito médio. 
 
2. Descida: 
 A descida ou progressão, também considerada segundo 
tempo de mecanismo de parto, é o momento definido 
pela passagem do polo cefálico (ou da apresentação 
fetal em geral) do estreito superior para o estreito 
inferior da pelve materna; 
 A definição e o estudo desse momento do parto têm 
apenas fins didáticos, já que sempre ocorre de forma 
sincrônica com o primeiro tempo, o terceiro tempo ou 
ambos; 
 Por essa razão, é de suma importância ter em mente 
que, enquanto a descida está ocorrendo, a insinuação 
pode não ter ocorrido ainda e a rotação interna está 
acontecendo concomitantemente; 
 É a passagem do estreito superior ao inferior, 
ocorrendo com o movimento de espira descendente da 
cabeça fetal para orientação do diâmetro 
anteroposterior da cabeça com o da bacia; 
 Se inicia com o trabalho de parto e termina com a 
expulsão fetal. 
3. Rotação interna: 
 O objetivo da rotação interna é coincidir o diâmetro 
anteroposterior do polo cefálico com o maior diâmetro 
da bacia materna; 
 Começa quando entra no plano 0 de De Lee, para que o 
ponto de referência fetal (lambda) possa ficar púbico ou 
sacro; 
 Os diâmetros com maiores proporções variam, 
dependendo do estreito em que se encontra a cabeça 
fetal, assim, o estreito superior apresenta maior 
dimensão no sentido transverso; no estreito médio, o 
sentido anteroposterior é maior ou eles tem iguais 
proporções; e no inferior, o anteroposterior é maior; 
 Durante a descida do feto, ocorre movimento de rotação 
para locar o polo cefálico sob o púbis, descrevendo-se 
assim um movimento de espira; 
 A rotação normalmente traz o ponto de referência 
fetal para a frente, junto ao púbis, o que é denominado 
rotação anterior (ou púbica). Quando, excepcionalmente, 
o feto roda para trás, diz-se que ocorreu rotação 
posterior (ou sacra). 
 Simultaneamente com a rotação interna da cabeça 
ocorre a penetração das espáduas (bi-acromial) no 
estreito superior da bacia, reduzindo o diâmetro da 
cintura escapular por meio do aconchego dos ombros. O 
feto progride em espiral juntamente com o polo cefálico, 
de modo que o dorso fetal se mantém a 45° da linha de 
orientação; 
 Nas apresentações cefálicas fletidas, o occipício é o 
ponto de referência que irá percorrer a distância de um 
arco de circunferência, necessária para sua locação no 
subpúbis. Dessa forma, será observada a rotação, em 
graus, conforme as seguintes variedades: 
- 45° nas anteriores (occipitoesquerda anterior e 
occipitodireita anterior); 
- 90° nas transversas (occipitoesquerda transversa e 
occipitodireita transversa); 
- 135° nas posteriores (occipitoesquerda posterior e 
occipitodireita posterior). 
 
 
4. Deflexão e desprendimento cefálico: 
 O desprendimento cefálico ocorre com a descida final da 
cabeça fetal em posição occipitopúbica, até que seja 
possível a locação do suboccipício no subpúbis materno; 
 Como o polo cefálico está em flexão, é necessário que 
ocorra movimento de deflexão ou extensão da cabeça 
para ocorrer exteriorização do maciço frontal. Dessa 
forma, o diâmetro suboccipitobregmático (9,5 cm) ocupa 
o diâmetro anteroposterior do estreito inferior e a 
fronte do feto rechaça o cóccix, aumentando esse 
diâmetro de 9 cm para 11 cm, o que se denomina 
retropulsão coccígea; 
 Ou seja, a cabeça se desprende do estreito inferior pela 
retro pulsão do cóccix, que ocorre para haver a locação 
do suboccipício no subpúbis materno; 
 O hipomóclio é o movimento de deflexão da cabeça fetal 
para sua expulsão; 
 Por meio de duas forças antagônicas (contração uterina 
e resistência perineal), o feto é impulsionado para baixo 
e para fora do canal de parto. Ao vencer tal resistência, 
a cabeça fetal desfere movimento abrupto de extensão, 
externando os diâmetros anteroposteriores do polo 
cefálico na sequência: suboccipitobregmático (9,5 cm), 
suboccipitofrontal (10,5 cm) e suboccipitomentoniano 
(9,5 cm). Ocorre, portanto, exteriorização do bregma, da 
fronte, do nariz e do mento do feto, sucessivamente. 
 
5. Rotação externa: 
 A rotação externa da cabeça fetal, também denominada 
movimento de restituição, leva o occipício a votar-se 
para o lado materno que ocupava no interior do canal de 
parto; 
 A sutura sagital apresenta-se em sentido transversal ao 
da fenda vulvar ao fim desse tempo; 
 Nessa ocasião, as espáduas, que se insinuaram do 
diâmetro oblíquo oposto ao da cabeça fetal rodam, 
trazendo o diâmetro biacromial para o diâmetro 
anteroposterior do estreito inferior. 
6. Desprendimento do tronco: 
 As escápulas penetram no estreito superior da bacia, 
reduz-se o diâmetro da cintura escapular por meio do 
aconchego dos ombros e esse movimento progride em 
espiral juntamente com o polo cefálico, em que o 
restante do feto sai sem resistência; 
 O ombro anterior apoia o ângulo subpúbico e deflete 
lateralmente, desprendendo, de modo que o ombro 
posterior sofre flexão e se desprende. Para o que 
ocorra o desprendimento do polo pélvico basta uma leve 
inflexão lateral no sentido do plano ventral para liberá-lo.