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Objetivos 1. Discorra sobre o desenvolvimento e maturação mamária 2. Sobre o câncer de mama descreva: a) Aspectos epidemiológicos b) Patogênese e tipos histológicos c) Fatores de risco e fatores de proteção d) Sinais e sintomas e) Rastreamento f) Marcadores tumorais g) Exames diagnósticos (MINTI) h) Tratamento (fármacos utilizados, complicações de radioterapia e quimioterapia em geral). i) Políticas públicas Respostas 1. Discorra sobre o desenvolvimento e maturação mamária Embriologia As glândulas mamárias são glândulas sudoríparas modificadas, as quais se desenvolvem a partir do ectoderma na face ventral do embrião, como faixa galáctica, que se estende da axila à virilha por volta da 5ª semana de gestação. A partir da faixa, podemos observar a formação de pares de botões, onde os demais regridem durante o desenvolvimento e o par localizado na região peitoral permanece. Quando os botões extras não desaparecem completamente formam mamas acessórias extranuméricas (polimastia) ou papilas acessórias (politelia). Até a 20ª semana de gestação, o desenvolvimento mamário não depende de hormônios, embora o testosterona possa influenciar no seu desenvolvimento após a 15ª semana. Entre a 20ª e 32ª semana de gestação, há um estágio de canalização do epitélio ramificado e, entre a 32ª e 34ª semana, há um estágio vesicular final em que as estruturas lobuloalveolares contém colostro (leite de bruxa – colostro no recém-nascido nos primeiros 4-7 dias). Assim, a glândula mamária permanece quiescente até a puberdade. Na puberdade, a telarca ocorre sob a influência cíclica dos hormônios esteroides (estrogênio e progesterona). O estrogênio influencia no crescimento ductal e (E a vida continua) diferenciação do estroma periductal e a progesterona estimula o desenvolvimento dos alvéolos e prepara a mama para a lactação. Anatomia da mama As mamas são constituídas por parênquima do tecido glandular, estroma do tecido conjuntivo e pele, localizada na parede torácica anterior, ventralmente aos músculos grande peitoral, serrátil anterior e oblíquo externo, com tamanho médio de 10 a 12cm de diâmetro. Seus limites são: • Superior: 2ª ou 3ª costela • Inferior: 6ª ou 7ª costela, no sulco inframamário • Medial: borda do osso esterno • Lateral: linha axilar média • Posterior: fáscia do musculo grande peitoral, serrátil anterior e oblíquo externo. Divide-se a mama em quatro quadrantes, que são: • Quadrante superior externo ou lateral (QSE/QSL) • Quadrante inferior externo ou lateral (QIE/QIL) • Quadrante superior interno ou medial (QSI/QSM) • Quadrante inferior interno ou medial (QII/QIM) A mama é envolta por uma fáscia superficial constituída por um folheto anterior e posterior. Essa fáscia encontra-se 2-3mm abaixo da pele e separa o envelope cutâneo com a gordura subcutânea do tecido mamário. Anteriormente, a camada superficial da tela subcutânea envia ligamentos fibrosos fortes e largos para a superfície posterior da pele que recobre a mama (ligamentos suspensores de Cooper ou fibras de Sharpey). O folheto posterior da fáscia é adjacente a fáscia Comentado [BMN1]: CONTÉM A MAIOR PORÇÃO DO TECIDO GLANDULAR – LOCAL DE MAIOR INCIDENCIA DE TUMORES MAMÁRIOS do musculo grande peitoral e serrátil anterior, separando-se por uma faixa de tecido conjuntivo frouxo, chamado de espaço retromamário de Chassaignac. A mama adulta é composta de epitélio glandular, tecido conjuntivo e tecido adiposo. A junção do tecido conjuntivo e adiposo é chamada de estroma e confere sustentação à mama. O epitélio glandular é formado por componentes lobulares e ductais, entremeados pelo estroma mamário, por onde passam vasos sanguíneos, linfáticos e nervos. O parênquima da mama é composto de 15 a 20 lobos de tecido glandular tubuloalveolar, formados por 20 a 40 lóbulos. Cada lóbulo é formado por 10 a 100 alvéolos, os quais coalescem e drenam ductos que se unem e desembocam na superfície do mamilo. O lóbulo é a unidade morfofuncional da mama, enquanto que o alvéolo (ácino) é a unidade secretora desenvolvida na gravidez. Cada lóbulo tem seu ducto principal e suas ramificações que seguem até o mamilo. Os ductos coletores drenam cada lóbulo, em um número de 6 a 10, os quais apresentam dilatações terminais (seios lactíferos). A aréola é a porção central da mama, localizada no 4º espaço intercostal, composta de glândulas sudoríparas e sebáceas formadoras de tubérculos que aumentam durante a gravidez. No centro da aréola, emerge o mamilo, com formado cilíndrico, com 10 a 20 óstios que correspondem a desembocadura dos ductos lactíferos. Fisiologia das mamas A formação do mamilo e das glândulas mamárias é regulada pela interação parácrina entre as células mesenquimais e epiteliais, as quais são orientadas pela ação da proteína relacionada ao hormônio da paratireoide (PTHrp) e de membros das vias de sinalização da proteína morfogenética óssea e de Wnt. Na puberdade, o estrogênio, o fator de crescimento (GH) e o fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1) combinam-se para estimular o alongamento e a ramificação do sistema de glândulas mamárias. Com a secreção de progesterona durante a fase lútea do ciclo ovulatório, há o desenvolvimento lobular dessas glândulas, com a expansão e diferenciação funcional dos alvéolos por meio da ação parácrina de ligantes RANKL e da rota sinalizadora JAK/STAT. Na puberdade e adolescência, a maturação das mamas ocorre pela liberação de FSH e LH hipofisários, que liberam estrogênios para o desenvolvimento dos ductos mamários, sendo o hormônio responsável pelo desenvolvimento da glândula até 2 a 3 anos após o início da puberdade. Nesse momento, o volume e densidade do tecido conjuntivo ao redor dos ductos aumentam, bem como a vascularização e a deposição de gorduras. Assim, estrogênio e progesterona determinam o desenvolvimento completo da glândula e pigmentação da aréola. Quando a forma, o mamilo pode ser classificado em: • Protuso: saliente, bem delimitado, formando um ângulo de 90º na junção mamilo-areolar. • Semiprotuso: pouco saliente, sem delimitação entre o mamilo e a aréola. • Invertido: malformado, onde mesmo após estímulos, permanece inalterado. • Pseudo-invertido: malformado, porém exterioriza-se um pouco após estímulos. Na gravidez, podemos observar o aumento das mamas em volume, dilatação das veias superficiais, aumento da pigmentação da aréola e do mamilo. Na 20ª semana, o epitélio alveolar inicia sua atividade secretora, o que determina o crescimento contínuo da mama decorrente da progressiva dilatação alveolar, produzida pelo colostro e vascularização. Após o parto, as mamas aumentam de volume e secretam o colostro. O fluxo sanguíneo também aumenta, bem como as células secretoras. REFERÊNCIAS: Silva, Carlos Henrique, M. et al. Manual SOGIMIG de mastologia. Disponível em: Minha Biblioteca, MedBook Editora, 2018. Bassil, LASMAR, R. Tratado de Ginecologia. Disponível em: Minha Biblioteca, Grupo GEN, 2017. https://www.sanarmed.com/fisiologia-da-lactacao-delineamento-da-bebida- mais-valiosa-do-mundo-colunista https://adm.online.unip.br/img_ead_dp/36268.PDF 2. Sobre o câncer de mama descreva: a) Aspectos epidemiológicos O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células anormais da mama, que forma um tumor com potencial invasivo. Segundo o INCA, estima-se que no triênio de 2020/2022, sejam diagnosticados no Brasil 66.280 novos casos de câncer de mama, com risco estimado de 61 casos a cada 100 mil mulheres. O tipo histológico mais comum de câncer de mama é o carcinoma de células epiteliais, que se divide em lesões in situ e invasoras, sendo eles frequentemente ductais ou lobulares. No mundo, o câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres, independente da condição socioeconômica do país/estado. A taxade mortalidade mundial, em 2019, foi de 10 casos a cada 100 mil mulheres. Assim, no Brasil, a taxa de mortalidade por câncer de mama ocupa o primeiro lugar no país, representando 16,1% do total de óbitos. REFERÊNCIAS: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-mama http://www.oncoguia.org.br/conteudo/estatisticas-para-cancer-de- mama/6562/34/ https://www.inca.gov.br/controle-do-cancer-de-mama/conceito-e-magnitude https://www.sanarmed.com/fisiologia-da-lactacao-delineamento-da-bebida-mais-valiosa-do-mundo-colunista https://www.sanarmed.com/fisiologia-da-lactacao-delineamento-da-bebida-mais-valiosa-do-mundo-colunista https://adm.online.unip.br/img_ead_dp/36268.PDF https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-mama http://www.oncoguia.org.br/conteudo/estatisticas-para-cancer-de-mama/6562/34/ http://www.oncoguia.org.br/conteudo/estatisticas-para-cancer-de-mama/6562/34/ https://www.inca.gov.br/controle-do-cancer-de-mama/conceito-e-magnitude b) Patogênese e tipos histológicos O câncer de mama é uma proliferação clonal que se origina de células com mutações genéticas, adquiridas por influencia a exposições hormonais ou genes herdados. Câncer de mama hereditário Aproximadamente 12% dos casos de câncer de mama ocorrem devido a hereditariedade de um gene. Em alguns casos, o câncer de mama possui um traço autossômico dominante (um alelo mutado e um normal). Assim, uma única mutação esporádica no alelo normal remanescente é necessária para a perda completa da função supressora tumoral. Os genes mais importantes envolvidos no câncer de mama familiar são os supressores tumorais BRCA1, BRCA2, TP53 e CHEK2. Então, uma perda completa de função desses proteínas cria uma fenótipo mutante, aumentando a propensão de lesões genéticas que aceleram o desenvolvimento da neoplasia. As mutações no BRCA1 e BRCA2 são responsáveis por 80% a 90% dos casos de câncer de mama hereditários de “gene único”. Tais genes são grandes, onde centenas de mutações distribuídas ao longo de suas regiões codificadoras se associam ao câncer de mama hereditário. Carcinomas BRCA1 são geralmente pouco diferenciados, com características medulares (padrão de crescimento sincicial e limites expansivos). Carcinomas BRCA2 são também pouco diferenciados. Câncer de mama esporádico Os principais fatores de risco para o câncer de mama esporádico são relacionados a exposição hormonal de gênero, idade, história reprodutiva, amamentação e estrogênios exógenos. Tal exposição hormonal aumenta o numero de células com potencial para originar o câncer. Uma vez que células pré-malignas ou malignas estejam presentes, os hormônios podem estimular seu crescimento. Quase todas as neoplasias malignas da mama são adenocarcinomas que se originam a partir do sistema lobular na forma de carcinomas in situ, ou seja, está limitada aos ductos e lóbulos pela membrana basal. Já o carcinoma invasivo infiltra a membrana basal e se desenvolve em meio do estroma, capaz de invadir a vascularização e linfonodos regionais. Carcinoma in situ Carcinoma ductal in situ (CDIS) O CDIS é uma proliferação clonal de células epiteliais malignas, limitadas aos ductos e lóbulos pela membrana basal, uma vez que envolve os lóbulos e assume uma aparência de pequenos ductos. O CDIS pode ser dividido em dois subtipos arquiteturais, que são: • Comedocarcinoma: pode produzir alguma modularidade, encontrado como áreas de calcificação, lineares e com ramificações. Assim, ele é definido por células neoplásicas com núcleo pleomórfico de alto grau e áreas de necrose central. • Não comedocarcinoma: pode apresentar calcificações associadas a necrose focal ou secreções intraluminais, assim podem ser encontrados na forma cribiforme (espaços arredondados), micropapilífero (protusões bulbares sem eixos fibrovasculares). • Doença de Paget: manifestação rara de câncer de mama que se apresenta como uma erupção eritematosa unilateral com uma crosta escamosa, o que comumente apresente prurido. As células neoplásicas (células de Paget) se disseminam pelo sistema ductal por meio dos seios galactíferos para a pele do mamilo. Essas células rompem a barreira epitelial, permitindo que o fluido extracelular seja exteriorizado para a superfície do mamilo. Carcinoma lobular in situ O CLIS é uma proliferação clonal de células dentro de ductos e lóbulos que crescem desordenadamente, geralmente devido a perda da E-caderina. Esse tipo é geralmente um achado incidental de biopsia, uma vez que não apresenta calcificações ou reações estromáticas. Morfologicamente, consiste em uma população uniforme de células com núcleos ovais ou arredondados e pequenos nucléolos. Podemos observar células mucoprodutoras com aspecto de anel de sinete. O CLS é um fator de risco para carcinomas invasivos. Carcinoma invasivo Carcinoma luminal É caracterizado RE-positivo e HER-negativo, sendo a forma mais comum de carcinoma invasivo. Com base na proliferação, ele é subdividido em: • RE-positivo, HER-negativo e baixa proliferação: se relaciona com os genes que são regulados pelo receptor de estrogênio. Fazem metástases após cerca de 6 anos, geralmente para os ossos. • RE-positivo, HER-negativo e alta proliferação: subtipo mais comum de carcinoma associado a mutações germinativas BRCA2. Esses dois tipos apresentam padrões morfológicos bem diferenciados, com padrão mucinoso, papilar, cribiforme e lobular. HER positivo É o segundo subtipo mais comum de carcinoma invasivo, onde o perfil do RNA mostra o aumento na expressão do HER2, devido a translocações cromossômicas complexas, amplificações de HER2 de alto nível e uma alta carga mutacional. A maioria desses carcinomas é pouco diferenciado. Carcinoma medular Caracterizado por neoplasias RE-negativas e HER2-negativas, decorrentes de mutações BRCA1, o qual apresenta uma alta taxa de proliferação e rápido crescimento. Quase todos esses tumores são pouco diferenciados, com vários padrões morfológicos, margens abauladas e circunscritas com um centro fibrótico ou necrótico central. Morfologicamente, é caracterizado por (1) ninho sólido, de aspecto sincicial, composto por células de núcleo pleomórfico e nucléolos proeminentes; (2) figuras mitóticas frequentes; (3) infiltrado linfoplasmocitário de moderado a intenso; e (4) borda abaulada não infiltrativa. Carcinoma lobular A maioria dos casos depende da perda bialélica da expressão CDH1, o gene que codifica a E-caderina. Isso culmina na perda de adesão célula-célula, o que determina o crescimento lobular desorganizado. Geralmente se apresenta na forma de massa irregular, com um padrão infiltrativo difuso. Histologicamente, apresenta células tumorais infiltrativas não coesas, geralmente na forma de anel de sinete, contendo gotículas de mucina intracitoplasmática. Possui uma disseminação metastática que envolve o peritônio e retroperitônio. Carcinoma mucinoso (coloide) É um tipo de carcinoma macio ou elástico com consistência e aspecto de uma gelatina pálida azul-acinzentada, com bordas abauladas ou circunscritas. Assim, as células tumorais são dispostas em ninhos e pequenas ilhas de células dentro de grandes lagos de mucina. Carcinoma micropapilífero É caracterizado por um padrão de crescimento independente de ancoragem. Assim, embora as células sejam aderentes umas às outras, elas não mostram adesão estromática. Esse tipo produz papilas reais, eixos de tecido fibrovascular recobertos por células tumorais. Assim, forma bolas ocas com células que flutuam dentro do fluido intercelular. Morfologia Os carcinomas invasivos geralmente se apresentam como uma massa de pelo menos 2 a 3cm de tamanho, como massas radiodensas irregulares e firmes. Carcinomas maiores podem invadir o músculo peitoral, fixar-se a parede torácica ou invadir a derme e causar ulcerações na pele.Quando o tumor envolve a porção central da mama, pode ocorrer retração do mamilo. REFERÊNCIA: V Kumar. Robbins & Cotran Patologia - Bases Patológicas das Doenças. Disponível em: Minha Biblioteca, (9th edição). Grupo GEN, 2016. c) Fatores de risco e fatores de proteção Fatores de risco Os fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama envolvem: História familiar Dentre as mulheres com câncer de mama, 23% tem uma história familiar da doença. Assim, se um parente de primeiro grau teve câncer de mama unilateral antes da menopausa, o risco cumulativo de desenvolver a doença se aproxima a 30%. Se um parente de primeiro grau teve câncer de mama bilateral antes da menopausa, o risco aumenta para 40 a 50%. Isso tem uma forte relação com oncogenes hereditários. As mutações mais comuns são deleções genicas de BRCA1 e BRCA2, onde portadoras dessas mutações tem um risco de até 4% ao ano de desenvolver o câncer de mama e um risco cumulativo de 35 a 85%. • BRCA1: aumenta o risco de câncer de ovário e próstata • BRCA2: aumenta o risco de câncer de mama masculina e próstata. Alimentação, obesidade e álcool Uma alimentação saudável se relaciona a um menor risco de câncer de mama, além do consumo moderado de álcool. Fatores reprodutivos e hormonais O risco de câncer de mama aumenta com a duração da fase reprodutiva da mulher. A menarca precoce predispõe ao aumento da incidência de câncer de mama, enquanto que a menopausa precoce parece proteger contra o desenvolvimento da doença. Mulheres que nunca engravidaram estão sob maior risco de desenvolver câncer do que as multíparas. Ainda, a idade avançada do primeiro filho (>30 anos) é um outro fator de risco associado ao câncer de mama. História de câncer Nas mulheres com história de câncer de mama, há um risco aproximado de 50% de câncer microscópico e de 20 a 25% de câncer contralateral. Além disso, a história de câncer de endométrio, ovário ou cólon está associada ao aumento do risco de câncer de mama subsequente, bem como o histórico de radioterapias prévias. Fatores de proteção Por isso, os fatores de proteção contra o câncer de mama podem ser realizados com a adoção de hábitos saudáveis, como: • Prática de atividade física • Manter o peso corporal adequado • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas • Amamentação: deve-se amamentar o máximo possível para se evitar o câncer de mama • Não fumar e evitar o tabagismo passivo REFERÊNCIAS: BEREK. Tratado de Ginecologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (15th edição). Grupo GEN, 2014. https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-mama Comentado [BMN2]: MUITA OCITOCINA E PROLACTINA: SIMULAM A GRAVIDEZ (MENOS ESTROGÊNIOS). https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-mama d) Sinais e sintomas O câncer de mama normalmente é percebido em fases iniciais pelos seguintes sinais e sintomas: • Nódulo (caroço) fixo e geralmente indolor: principal manifestação da doença, normalmente percebido pela própria mulher. • Pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja • Alterações do mamilo • Pequenos nódulos nas axilas ou pescoço • Saída espontânea de líquido anormal pelos mamilos Por isso, deve-se a importante do “autoexame”, onde as mulheres observam suas mamas sempre que se sentirem confortáveis, seja no banho, ao trocar de roupa ou em outras situações. Esse autoexame não possui técnica específica e visa a descoberta casual de pequenas alterações mamárias. REFERÊNCIA: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-mama e) Rastreamento O rastreio do câncer de mama é feito por meio do exame físico e mamografia. Segundo o Ministério da Saúde, recomenda-se que a mamografia de rastreio seja ofertada para mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos. Normalmente, como o câncer de mama costuma surgir no quadrante superior externo, os nódulos são identificados pela própria paciente, durante o autoexame. Assim, a mamografia e o exame físico são métodos complementares, uma vez que 10 a 50% dos canceres detectados por mamografia são impalpáveis, enquanto que o exame físico detecta 10 a 20% dos cânceres não observados ao exame radiológico. O objetivo do rastreamento é detectar cânceres ainda pequenos (<1cm), os quais apresentam uma maior possibilidade de cura cirúrgica. Com isso, estudos apontam uma redução de 20 a 30% da mortalidade por câncer de mama em mulheres acima de 50 anos que são submetidas a mamografia de rastreio anual. No diagnóstico precoce, destacamos a importância da educação da mulher e dos profissionais de saúde para o reconhecimento dos sinais e sintomas suspeitos de câncer de mama, que são: • Qualquer nódulo mamária em mulheres com mais de 50 anos • Nódulo mamário em mulheres com mais de 30 anos, que persistem por mais de um ciclo menstrual • Nódulo mamário com consistência endurecida e fixo que está aumentando de tamanho, em mulheres adultas de qualquer idade • Descarga papilar sanguinolenta unilateral • Lesão eczematosa da pele que não responde a tratamentos tópicos • Homens com mais de 50 anos com tumoração palpável unilateral https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-mama • Presença de linfadenopatia axilar • Aumento da mama com presença de edema e pele com aspecto de casca de laranja • Retração da pele da mama • Mudança no formato do mamilo REFERÊNCIAS: BEREK. Tratado de Ginecologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (15th edição). Grupo GEN, 2014. https://www.inca.gov.br/controle-do-cancer-de-mama/acoes-de- controle/deteccao-precoce f) Marcadores tumorais Os marcadores tumorais são proteínas produzidas por células normais e cancerígenas, as quais são encontradas no sangue, urina, fezes, tumores ou em outros tecidos corporais. Os marcadores tumorais circulantes são encontrados no sangue, urina, fezes ou fluidos corporais e são utilizados para: • Estimar o prognóstico • Determinar se existe doença residual ou recidiva após o tratamento • Avaliar a resposta ao tratamento • Monitorar se um tumor se tornou resistente ao tratamento Assim, um resultado elevado do marcador tumoral sugere a presença da doença, mas precisa ser confirmado por meio de outros exames. Tais marcadores também podem ser usados quando o paciente está em tratamento, por exemplo, uma diminuição do nível de marcador tumoral indica resposta ao tratamento, enquanto que um nível crescente ou inalterado indica uma não resposta. Ainda, podem ser usados para investigar a recidiva da doença após o tratamento. Já os marcadores de tecidos tumorais são encontrados nos próprios tumores, normalmente na amostra que é retirada para biopsia. Eles são usados para: • Diagnosticar, estadiar e/ou classificar o tumor • Estimar o prognóstico • Determinar o tipo de tratamento Em alguns tipos de câncer, o marcador de tecido tumoral reflete o estágio da doença e/ou prognóstico do paciente, além de orientar o planejamento da melhor opção terapêutica. Marcadores tumorais específicos Para o câncer de mama, os marcadores específicos são: • Amplificação do gene HER2 ou superexpressão de proteínas: utilizado em câncer de mama, ovário, bexiga, pâncreas e estomago, onde https://www.inca.gov.br/controle-do-cancer-de-mama/acoes-de-controle/deteccao-precoce https://www.inca.gov.br/controle-do-cancer-de-mama/acoes-de-controle/deteccao-precoce se analisa o tumor para determinar se o tratamento com a terapia-alvo é indicado. • Ativador do plasminogênio da uroquinase (UPA) e inibidor do ativador do plasminogênio (PAI-1): utilizado no câncer de mama para determina a agressividade do tumor e orientar o tratamento. • Assinatura de 21 genes: utilizado para avaliar o risco de recidiva e planejar o tratamento. • Assinatura de 70 genes: utilizado para avaliar o risco de recidiva. • BRCA1 e BRCA2: é utilizado em canceres de ovário e mama pelo sangue ou o próprio tumor, paradeterminar se o tratamento com um tipo específico de terapia-alvo é indicado. • Células tumorais circulantes de origem epitelial: é utilizado em câncer de mama avançado, câncer de próstata e câncer colorretal, para a avaliação do prognóstico do paciente. • CA15-3/CA27.29: utilizado para monitorar a resposta ao tratamento e avaliação da recidiva. • CA27.29: utilizado para diagnosticar metástase ou avaliação de recidiva. • Receptor de estrogênio e receptor de progesterona: determina se o tratamento com a hormonioterapia e algumas terapias-alvo é indicado. REFERÊNCIA: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/marcadores- tumorais/4011/1/ g) Exames diagnósticos (MINTI) Mamografia A mamografia possibilita a detecção de alterações sutis e microcalcificações mamárias, a qual apresenta maior sensibilidade, principalmente em um grupo específico de mulheres com mamas densas (maior quantidade de parênquima fibro-glandular). Assim, permite o diagnóstico de carcinomas em estágio precoce. A tomossíntese também auxilia na redução da sobreposição tecidual inerente à mamografia, onde permite a realização de ambos ao mesmo tempo. Na tomossíntese, são adquiridas imagens com menor dose e angulações diferentes da ampola de raios X. O posicionamento mamográfico é bastante importante na detecção das imagens, as quais podem ser orientadas e seguir uma origem: • Começar pela simetria das mamas, considerando a redução de tecido por mastoplastia, quadrantectomia, nodulectomia e biopsias, bem como seu incremento por próteses; • Análise da pele, considerando sua regularidade e espessura do mamilo e tecido retroareolar; http://www.oncoguia.org.br/conteudo/marcadores-tumorais/4011/1/ http://www.oncoguia.org.br/conteudo/marcadores-tumorais/4011/1/ • Análise do estroma adiposo ou fibroglandular, de sua homogeneidade, distorção, distribuição vascular, áreas de assimetria, calcificações e nódulos; • Análise da região axilar, observando a presença de linfonodos. Assim, os achados mais frequentes na mamografia são calcificações e nódulos, divididos entre benignos e malignos. Para padronizar os laudos mamográficos, foi criado o sistema BI-RADS, que determina as lesões em 7 níveis: Nível Descrição Risco de malignidade 0 Exame limitado – avaliação incompleta Não é possível estimar 1 Exame normal Muito baixo 2 Alterações benignas Muito baixo 3 Provavelmente benigno 2% 4 Lesão suspeita para câncer 20% 5 Lesão altamente suspeita para câncer 95% 6 Lesão já com diagnóstico de câncer 100% Ultrassonografia A USG mamária atua para o rastreio do câncer de mama e avaliação das queixas clínicas ou de anormalidades visualizadas na mamografia ou RM das mamas. Assim, pode ser usada como um método suplementar à mamografia no rastreio de pacientes acima de 40 anos, especialmente em mulheres com mamas densas, em que a sensibilidade da mamografia é menor. Isso aumenta a possibilidade de diagnóstico de pequenos tumores invasivos ocultos na mamografia e com linfonodos negativos. Por outro lado, a USG tem valor limitado na detecção de calcificações e apresenta um valor preditivo positivo baixo. Normalmente, se associa a mamografia, USG e RM em pacientes com risco aumentado para câncer de mama, o que os possibilita o início de um rastreio em faixa etária mais precoce. Além disso, a USG é o método de escolha para orientar procedimentos intervencionistas nas mamas, por permitir a visualização de lesões em tempo real durante o procedimento, por não envolver radiação ionizante e por ser mais confortável para a paciente. A elastografia é uma técnica aplicada a USG convencional que fornece informações complementares à mamografia e a USG, permitindo a avaliação não invasiva do grau de rigidez da lesão. Isso se baseia no princípio de que as lesões malignas são duras e as benignas são mais macias. Ressonância magnética O uso da RM das mamas é feito em casos de dúvida diagnóstica, uma vez que possui um alto valor preditivo negativo. Assim, é usada para caracterizar lesões duvidosas quando não há a possibilidade da realização de biopsias. Em outros casos, a RM pode ser utilizada para já realizar o estadiamento locorregional e a avaliação da mama contralateral. REFERÊNCIA: MINTI h) Tratamento (fármacos utilizados, complicações de radioterapia e quimioterapia em geral). Estádios I e II A conduta habitual consiste de cirurgia, que pode ser conservadora, com retirada apenas do tumor; ou mastectomia, com retirada da mama e reconstrução mamária. A avaliação dos linfonodos axilares tem função predominantemente prognóstica. Após a cirurgia, o tratamento complementar com radioterapia pode ser indicado em algumas situações. Já a reconstrução mamária deve ser sempre considerada nos casos de mastectomia. O tratamento sistêmico será determinado de acordo com o risco de recorrência (idade da paciente, comprometimento linfonodal, tamanho tumoral, grau de diferenciação), assim como das características tumorais que ditarão a terapia mais apropriada. Esta última baseia-se principalmente na mensuração dos receptores hormonais (receptor de estrogênio e progesterona); e também de HER-2 (fator de crescimento epidérmico 2), com possível indicação de terapia biológica anti-HER-2. Estádio III Pacientes com tumores maiores, porém ainda localizados, enquadram-se no estádio III. Nessa situação, o tratamento sistêmico (na maioria das vezes, com quimioterapia) é a modalidade terapêutica inicial. Após resposta adequada, segue-se com o tratamento local (cirurgia e radioterapia). Estádio IV Nesse estádio, é fundamental que a decisão terapêutica busque o equilíbrio entre a resposta tumoral e o possível prolongamento da sobrevida, levando-se em consideração os potenciais efeitos colaterais decorrentes do tratamento. A modalidade principal nesse estádio é sistêmica, sendo o tratamento local reservado para indicações restritas. Atenção à qualidade de vida da paciente com câncer de mama deve ser preocupação dos profissionais de saúde ao longo de todo o processo terapêutico. Complicações quimioterapia Os efeitos colaterais comuns à maioria dos medicamentos quimioterápicos podem incluir: • Perda de cabelo. • Inflamações na boca. • Perda de apetite. • Náuseas, vômitos e mucosite. • Diarreia. • Alterações na pele. • Infecções, devido a diminuição de glóbulos brancos. • Hematomas ou hemorragias, devido a diminuição das plaquetas. • Fadiga, devido a diminuição dos glóbulos vermelhos. Complicações radioterapia Os potenciais efeitos colaterais da radioterapia podem incluir: • Irritação da pele na área irradiada. • Náuseas. • Fadiga. • Problemas de cicatrização, aderências e fibrose. REFERÊNCIA: https://www.inca.gov.br/controle-do-cancer-de-mama/acoes-de- controle/tratamento i) Políticas públicas Em 2005, a Política Nacional de Atenção Oncológica, que preconiza a promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos, abrangendo todas as unidades federativas da união. Essa política foi reafirmada no ano de 2011 com o Plano de Fortalecimento das ações para prevenção e Comentado [BMN3]: OCORREM POR CONTA DOS QUIMIOTERÁPICOS QUE ATACAM TODAS AS CÉLULAS DO CORPO QUE SE PROLIFERAM RAPIDAMENTE, PRINCIPALMENTE A MUCOSA. https://www.inca.gov.br/controle-do-cancer-de-mama/acoes-de-controle/tratamento https://www.inca.gov.br/controle-do-cancer-de-mama/acoes-de-controle/tratamento qualificação do diagnóstico e tratamento dos cânceres do colo do útero e de mama. Nos últimos anos, a organização das ações de controle desse tipo de câncer vem sendo aprimoradas devido à implantação do Sistema de Informação do Câncer de Mama- SISMAMA, ao aumento da oferta de mamografias pelo Ministério da Saúde e à publicação de documentos pelo INCA. Hoje, a perspectiva no campo da detecção precoce é promover o diagnóstico e o rastreamento emáreas com ocorrência elevada da doença. Auto exame das mamas As mulheres, em geral, têm conhecimento da existência do AEM, mas o fato de conhecê-lo não significa que estão bem orientadas quanto à prática adequada ou mesmo com sua realização. Estudos indicam que as melhores práticas em saúde, em relação à realização do AEM, têm sido associadas ao grau de escolaridade e a presença de parceiro. Acredita-se que quanto maior for o grau de estudo, maiores serão as oportunidades de acesso aos serviços de Saúde e melhor será o conhecimento adquirido sobre métodos de prevenção. O AEM é uma prática que depende da predisposição e motivação da mulher em realizá-lo, o que torna fundamental a participação do profissional da saúde no sentido de ajudar a paciente a compreender sua importância e orientá-la de forma correta quanto à sua realização. Nesse sentido, torna-se necessário que a mulher seja estimulada a procurar esclarecimento com os profissionais de saúde sempre que houver dúvida em relação aos achados da autopalpação das mamas. Dessa forma, o sistema de saúde, através de seus profissionais, necessita adequar-se para acolher, orientar e realizar os exames diagnósticos pertinentes com a competência exigida, uma vez que esse momento de orientação se faz importante para difundir as informações referentes ao câncer de mama e estimular o autocuidado. Exame clínico das mamas O exame clínico das mamas (ECM) é parte fundamental da propedêutica para o diagnóstico de câncer, devendo ser realizado como parte do exame físico e ginecológico, que, associado a outros métodos propedêuticos, como a mamografia, pode aumentar a sensibilidade e a especificidade do diagnóstico, constituindo-se como base para a solicitação dos exames complementares. Realizado por médicos e enfermeiros, o ECM possui um importante papel na prevenção secundária do câncer de mama, principalmente pelo seu fácil acesso e baixo custo e por ser uma medida mais efetiva do que o autoexame das mamas. Deve contemplar os seguintes passos para sua adequada realização: inspeção estática e dinâmica das mamas, palpação das axilas e região supra e infraclavicular e palpação da mama com a paciente posicionada em decúbito dorsal. Durante a realização do exame, os profissionais da saúde têm a possibilidade de informar às mulheres sobre os fatores de risco para o câncer de mama e as alterações que ocorrem na mama com o passar dos anos. Essa situação julga- se um bom momento para a implementação da educação em saúde. Mamografia A mamografia é considerada como o método mais eficaz para detecção precoce do câncer de mama, pois está diretamente associado à redução da mortalidade causada por esse câncer. Porém, o programa para o rastreamento do câncer mamário através da mamografia no Brasil tem caráter oportunístico, pois somente a procura espontânea por qualquer consulta médica motiva a solicitação desse exame. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como prioritário o rastreamento do câncer de mama na faixa etária das mulheres entre 50 e 69 anos. O Brasil procura seguir essa política, a exemplo de outros países europeus, como Alemanha, França, Reino Unido, além do Canadá e Japão. O Ministério da Saúde (MS) passou a garantir a mamografia bilateral de rastreamento para as mulheres dessa faixa etária em portaria nº 1.253/2013, que prevê o direito ao exame sem necessidade de pedido médico ou apresentação de sintomas, ou ainda sem que a paciente tenha histórico de câncer de mama na família. Porém, essa portaria vem sendo criticada pelos especialistas, uma vez que contraria a lei nº 11.664, de 2009, que estabeleceu o direito à mamografia anual gratuita pelo SUS para todas as brasileiras a partir dos 40 anos. REFERÊNCIA: https://www.scielo.br/j/reben/a/6TL9tKq7vNXvkQRMsWrnyNv/?lang=pt https://www.scielo.br/j/reben/a/6TL9tKq7vNXvkQRMsWrnyNv/?lang=pt