Logo Passei Direto

A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
73 pág.
estudo-direito_civil-1_ervatti

Pré-visualização | Página 23 de 28

nula. “B” não poderia vender este bem antes da ocorrência da condição. 
Somente com o implemento da condição aperfeiçoa-se o ato negocial de forma retroativa, desde a celebração, 
exceto nos contratos reais que necessitam da entrega da coisa ou do registro do contrato. 
 
 
2) Resolutiva: É quando a eficácia do ato se opera desde logo (Isso se chama ENTABULAMENTO), porém há 
ineficácia do ato (o ato se resolve) com a ocorrência de um evento futuro e incerto. Portanto o implemento da 
condição extingue os efeitos do ato. 
Ex: Deixo-lhe uma renda enquanto você estudar 
OBS: A extinção do direito, como regra, não atinge os atos já praticados. 
 
II) Quanto à Participação dos Sujeitos: 
1) Causal: Quando depende de fato alheio à vontade das partes; ou seja, de um acontecimento fortuito. 
 Ex: Eu lhe darei um anel de brilhantes se chover amanhã. 
 
2) Potestativa: Quando decorre da vontade (ou do poder) de uma das partes. Subdivide-se em: 
 2.1) Puramente Potestativa: Quando decorre de um capricho ou arbítrio do proponente; decorre 
da vontade absoluta de uma das partes, segundo um critério exclusivo de sua conveniência. → São 
PROIBIDAS pelo nosso Direito!!! 
Ex: Eu lhe darei um carro se eu levantar o braço → São chamadas pela doutrina de “cláusula si voluero” (se me 
aprouver). Tanto a vontade de doar, como a vontade de levantar o braço depende somente de uma pessoa. 
 
 2.2) Meramente (ou Simplesmente) Potestativa: Depende da prática de algum ato do contraente e 
de um fator externo. Um dos contratantes tem poder sobre a ocorrência do evento, mas não um poder absoluto, 
pois depende, ainda, de fatores ligados ao outro contratante. 
Ex: Eu lhe darei uma jóia se você cantar bem; ou se você passar num concurso. → Somente a vontade de doar 
pertence a uma pessoa. Já a outra vontade não. 
 
III) Quanto à Possibilidade: 
1) Física e Juridicamente Possível: É a que pode ser realizada conforme as leis físico-naturais e as normas 
jurídicas. 
2) Física e Juridicamente Impossível: é a que não se pode efetivar por ser contrária à natureza ou à ordem 
legal. 
Ex: Eu lhe darei um carro se você filtrar toda a água do mar → Contrário à Natureza 
Ex: Eu lhe darei um carro se você renunciar à pensão alimentícia → Contrário à Ordem Legal 
 
OBS: Invalidam os Negócios Jurídicos: As condições físicas e juridicamente impossíveis, quando 
suspensivas. → Óbvio, afinal não haveria seriedade nas propostas. 
 
III) Quanto à Licitude: 
1) Licita: Quando não for contrária à lei, à moral e aos bons costumes; ou seja, a condição é permitida ou 
tolerada em nosso direito. 
2) Ilícita: Quando for condenada pela norma jurídica, pela ordem pública, pela moral e pelos bons 
costumes. A condição perplexa ou contraditória é a que não faz sentido, deixando o intérprete confuso 
(perplexo), por isso ela torna o ATO INVÁLIDO. 
 Ex: Eu lhe darei uma joia se você mudar de religião 
 
 
 www.estudodireito.com 
 
 
	 60	Leonardo Ervatti 
Coach de Concursos 
Ato Cogente: São alguns atos dentro do nosso direito que não admitem condições, pois são ligados a uma 
norma de direito público, cogente. Veja: 
1) Religião: A condição para mudança de religião atenta contra a liberdade de consciência assegurada pela 
nossa Constituição, sendo, por tal motivo, proibida. 
 
2) Profissão: Não pode haver condição para que não se exerça determinada profissão. Porém pode haver 
para que se siga uma certa profissão. 
 Ex: “Se você se formar em Direito, eu lhe darei meu anel de Grau”. 
 
3) Aceitação ou Renúncia de Herança: Este ato deve ser puro e simples, sem nenhuma condição. 
 
4) Exílio: Não se pode proibir que uma pessoa more em uma cidade ou que ela tenha morada perpétua em 
outro lugar. Porém nada impede de se pactuar a condição de que a pessoa vá residir em outro lugar, fora de 
uma capital. 
 Ex: “Eu lhe darei uma casa se você se mudar da capital do Estado”. 
 
 5) Reconhecimento de filhos: Também não pode haver qualquer condição para se reconhecer um filho. 
 Ex: “Eu o reconheço como meu filho, desde que você aceite não receber pensão alimentícia ou 
renuncie o direito de eventual herança”. 
 
6) Emancipação ⎯ Também não pode haver qualquer condição para emancipação. 
Ex: “Eu emancipo você, desde que você não se case”. 
 
 
OBS: “É preciso que não haja interferência maliciosa de qualquer dos interessados no desfecho da situação 
prevista. Se um dos contratantes interferir (dolosamente, intencionalmente) na ocorrência do evento, para que 
ele se realize ou não se realize, a penalidade é a de que se considere realizado o fato no sentido oposto daquele 
pretendido pelo agente malicioso”. 
Ex: Eu lhe darei determinada importância em dinheiro se o motorista chegar no local combinado até o meio dia; 
se a outra parte aprisiona o motorista para que ele não chegue no horário previsto, reputa-se verificada a 
condição, pois a mesma foi maliciosamente obstada pela parte contrária. 
 
2. TERMO: É a cláusula que subordina os efeitos do negócio jurídico a um acontecimento futuro e 
certo. Trata-se do dia em que começa e/ou extingue a eficácia do negócio jurídico, subordinando-se a um 
evento futuro e certo (embora a data deste evento possa ser determinada ou indeterminada). "Já há aquisição 
do direito porém suspende-se o exercício do direito". 
 
 
Classificação do Termo: 
I) Quanto ao Tempo: 
1 – Inicial (ou Suspensivo): Quando fixa o momento em que a eficácia do negócio deve ter inicio, retardando 
o exercício do direito. 
Ex: A locação terá início dentro de 2 meses 
Eu lhe darei um carro no Natal deste ano 
 
OBS1: No termo inicial já há o direito adquirido (diferentemente da condição suspensiva onde há uma mera 
expectativa de direito). Ou seja, o termo inicial não suspende a aquisição do direito, que surge imediatamente, 
mas só se torna exercitável com a superveniência do termo. Veja: 
“O termo suspende o exercício, mas não a aquisição do direito”. 
 
 www.estudodireito.com 
 
 
	 61	Leonardo Ervatti 
Coach de Concursos 
OBS2: Se o termo inicial for impossível, demonstra que não há uma vontade real de criar a obrigação, gerando, 
portanto, a sua nulidade. Ex: “Eu lhe darei um carro no dia 31 de fevereiro”. 
 
 
2 – Final (ou Resolutivo): Quando fixa a data de cessação do negócio jurídico, extinguindo as obrigações dele 
oriundas. 
Ex: Cláusula que diga que a locação se findará no prazo de 30 meses → Antes de chegar o dia estipulado para 
seu vencimento, o negócio, subordinado a um termo final, vigorará plenamente e seu titular poderá exercer 
todos os direitos dele provenientes. Com a chegada do termo final não se destrói o negócio; apenas lhe 
retira a eficácia. 
 
 
II) Quanto à Certeza: 
1 – Certo: Quando estabelece uma data determinada do calendário 
Ex: “A locação terá início no dia 1º de janeiro do próximo ano”. 
 
 
2 – Incerto: Quando se referir a um acontecimento futuro, mas com uma data incerta. 
Ex: “Eu lhe darei um imóvel quando fulano falecer”. 
 
 
 
Prazo X Termo 
Prazo é o lapso de tempo compreendido entre a declaração de vontade e a superveniência do termo em que 
começa o exercício do direito ou extingue o direito até então vigente. 
- Ou seja, prazo é o intervalo entre o termo inicial e o termo final. 
- Características do Prazo: 
1)É contado por unidade de tempo (hora, dia, mês e ano), excluindo-se o dia do começo (dies a quo) e 
incluindo-se o dia do vencimento (dies ad quem), salvo disposição legal ou convencional em contrário. 
 
2)Se o vencimento se der em feriado ou domingo, prorroga-se até o 1º dia útil subsequente. 
 
3) Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata 
correspondência.