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APOSTILAFILOSOFIA

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de Segurança Pública. 
 
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4.1 Uso da Força 
Como você já estudou, o Artigo 3º do CCEAL fornece normas sobre o uso da força, nos seguintes 
termos: 
Os Funcionários Encarregados pela Aplicação da Lei podem fazer uso da força quando 
estritamente necessário e até a extensão requerida para o cumprimento de seu dever. 
 
O “Parágrafo a.” dos Comentários estabelece que o uso da força policial deveria ser excepcional, e que, 
enquanto a polícia faz uso de uma tal força dentro do razoavelmente necessário para a prevenção do crime ou 
para a realização ou para a assistência à detenção legítima de delinquentes ou de cidadãos suspeitos, nenhuma 
outra força além dessa pode ser usada. 
O “Parágrafo b”. destaca que a lei nacional normalmente restringe o uso da força policial de acordo 
com o princípio da proporcionalidade, e afirma que deve ser entendido que tais princípios nacionais de 
proporcionalidade devem ser respeitados na interpretação daquele artigo. 
O “parágrafo c”. dá ênfase ao uso de armas de fogo, que você estudará a seguir. 
 
4.1.1 Uso da Arma de fogo 
O “parágrafo c. indica que uso de armas de fogo é considerado uma medida extrema. Ele estabelece 
que, em geral, as armas de fogo não deveriam ser usadas, a não ser quando uma pessoa suspeita oferece uma 
resistência armada ou, ainda, coloca em risco a vida de outras pessoas, e que medidas menos extremas não são 
suficientes para detê-lo ou apreendê-lo. O mesmo parágrafo obriga à rápida apresentação de um relatório às 
autoridades competentes cada vez que uma arma de fogo é utilizada pelo profissional de segurança pública. 
O terceiro parágrafo dos “Comentários” exclui a utilização das armas de fogo por qualquer outra razão 
que não seja a legítima defesa. O significado da exigência, como expressa naquele parágrafo, pela qual um 
relatório deve ser apresentado quando uma arma de fogo é disparada por um profissional de segurança 
pública, é parte do processo para assegurar uma responsabilidade efetiva da Instituição de segurança pública 
para com os atos de seus funcionários. Não se trata de uma mera formalidade. É, de fato, um elemento 
importante na investigação obrigatória que segue uma morte ou lesão causada por um profissional de 
segurança pública, e serve como uma ferramenta de dissuasão contra o uso ilegítimo ou arbitrário de armas de 
fogo pelo profissional de segurança pública. 
 
 Princípios Básicos sobre a Utilização da Força e de Armas de Fogo pelos Funcionários 
Responsáveis pela Aplicação da Lei 
Como você estudou no módulo 3, o uso da força e emprego de armas de fogo pelos FEAL tem 
implicações de grande alcance e profundidade e, por esta razão, foi elaborado um instrumento internacional 
específico que estabelece princípios para seu emprego. Este documento, denominado Princípios Básicos sobre 
a Utilização da Força e de Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei foi 
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adotado pelo Oitavo Congresso das Nações Unidas sobre a Prevenção do Crime e o Tratamento de Infratores 
em 07 de setembro de 1990. 
 Portaria interministerial no. 4.226, de 31 de dezembro de 2010 
O tema sobre o uso diferenciado da força no Brasil conta desde o final do ano de 2010 com a Portaria 
Interministerial (Ministério da Justiça e Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República), que 
estabelece diretrizes sobre o uso da força pelos agentes de segurança pública. 
 
A referida Portaria teve como referência alguns instrumentos internacionais importantes do sistema de 
direitos humanos das Nações Unidas para a atividade que já foram vistos anteriormente neste texto: 
• Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei; 
• Princípios Básicos sobre o Uso da Força e Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela 
Aplicação da Lei; 
• Princípios orientadores para a Aplicação Efetiva do Código de Conduta para os Funcionários 
Responsáveis pela Aplicação da Lei; 
• Convenção Contra a Tortura e outros Tratamentos ou penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes. 
 
As NAÇÕES UNIDAS (1997, p. 87) expressam sua preocupação com o uso da força de maneira legal 
e ao mesmo tempo eficaz. Reconhece que o trabalho policial na sociedade é difícil e delicado e também 
entende que o uso da força em circunstâncias claramente definidas e controladas é inteiramente lícito. Ressalta, 
entretanto, que o uso excessivo da força afeta diretamente o princípio em que se baseiam os direitos humanos, 
ou seja, o respeito à dignidade inerente à pessoa humana. Por essa razão considera necessária a adoção de 
uma série de medidas para impedir que esses abusos ocorram, e caso isso aconteça que se disponha de 
mecanismos de correção e sanção apropriados. 
 
Deve-se levar em consideração o caráter normativo de uma Portaria. Portanto, suas diretrizes são de 
observância obrigatória apenas pelos: 
• Departamento de Polícia Federal; 
• Departamento de Polícia Rodoviária Federal; 
• Departamento Penitenciário Nacional; e 
• Força Nacional de Segurança Pública. 
 
Para as forças de segurança (PC, PM, Guardas Municipais, etc.) dos entes federados (Estados, Distrito 
Federal e Municípios), ela não tem caráter obrigatório, mas esses serão estimulados a tomar iniciativas que visem 
à implementação de ações para efetivação das diretrizes tratadas pela portaria. 
Entretanto, mesmo não tendo caráter obrigatório para as forças estaduais e municipais, passa a ser uma 
excelente ferramenta para a orientação e padronização dos procedimentos da atuação dos agentes de 
segurança pública aos princípios internacionais sobre o uso da força. Dá-se com isso um grande passo na 
melhoria da formulação e ajustes da doutrina, da educação, de técnicas operacionais, além de instrumentalizar 
os órgãos de controle e correição com parâmetros mundialmente aceitáveis de profissionalismo. 
 
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Normalmente as corporações policiais nacionais têm normas ou diretrizes internas que orientam seus 
integrantes quanto ao emprego da força e de armas de fogo. A prática pode variar de uma corporação para 
outra, mas os princípios são quase sempre os mesmos. Portanto, o uso da força e de armas de fogo deve ser 
limitado por leis e regulamentos, colocando sempre em evidência as questões do serviço e do interesse público. 
 
Finalizando.... 
Neste módulo, você estudou: 
 
• Os poderes de captura, detenção e o poder de uso da força e armas de fogo. 
• O Conjunto de Princípios, a qual declara que captura, detenção ou prisão somente deverão ser 
efetuados em estrita conformidade com os dispositivos legais e por encarregados competentes (capacidade 
legal) ou pessoas autorizadas para aquele propósito (Princípio 2). 
• O Artigo 3º do CCEAL que fornece orientações sobre o uso da força, nos seguintes termos: “Os 
Funcionários Encarregados pela Aplicação da Lei podem fazer uso da força quando estritamente necessário e 
até a extensão requerida para o cumprimento de seu dever”. 
• Um documento internacional importante e específico: os Princípios Básicos sobre o Uso da Força 
e Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei. 
• Que no Brasil, a partir de 2010 existe a Portaria interministerial no. 4.226, de 31 de dezembro de 
2010, elaborada em conjunto pelo Ministério da Justiça e pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência 
da República, que estabelece diretrizes sobre o uso da força pelos agentes de segurança pública. 
 
Exercícios 
 
1. Relacione adequadamente os itens da primeira coluna com os da segunda: 
 
a. CAPTURA 
b. PRISÃO 
c. DETENÇÃO 
 
( ) condição da pessoa privada de sua liberdade como resultado da condenação por um delito. 
( ) condição da pessoa privada de sua liberdade, exceto no caso